Defesa da Fé


666 - Uma análise crítica das especulações sobre o número da besta


“Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap 13.18)


Por Paulo Cristiano Silva

Sociólogo e vice-presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas


As pessoas esperavam o fim do mundo em 1666, que seria a soma do fim dos mil anos (quando, então, Satanás seria solto, conforme Apocalipse 20.3) com o terrível número da besta. Mas, para decepção dos prognosticadores de plantão, o fim não veio.

Entretanto, quem pensa que a superstição e a especulação em torno do número 666 ficaram restritas à Idade Média está muito enganado. Esses algarismos apocalípticos continuam em alta, principalmente nos meios religiosos. E, diga-se de passagem, até mesmo os católicos romanos arriscam um palpite cabalístico em cima desse misterioso número, como podemos ver no livro do padre Léo Persch.

A referida interpretação vem de Vassula, vidente católica, que diz receber visões e orientações de Jesus e Maria a respeito do fim dos tempos. Numa dessas interpretações, ela associa o anticristo com a maçonaria. Vejamos: “Com a inteligência iluminada pela luz divina, consegue-se decifrar o número 666, o nome de um homem, e esse nome, indicado por tal número, é o anticristo [...] O número 666 indicado três vezes, isto é, multiplicado por três, exprime o ano de 1998. Nesse período histórico, a francomaçonaria, aliada com a maçonaria eclesiástica, conseguirá o seu grande intento...”.

Contudo, a fama do número 666 extrapolou os limites da religião e foi parar na boca dos profanos. “The number of the beast” é a faixa musical do grupo Iron Maiden. Uma música com letras satânicas. A propósito, este é o número preferido dos satanistas e virou até nome de revista em Marselha/França.

Sem dúvida, ultimamente, há muito barulho não só em torno desse número como também do nome “besta”, que no Brasil, tempos atrás, ganhou fama com um automóvel, a VAN, Besta, fabricada por uma montadora coreana. Já em Bruxelas, na Bélgica, um computador gigantesco foi batizado com o mesmo nome.

Há alguns anos, a popularização do código de barras fez brilhar o imaginário religioso. Começou-se a divulgar nos meios cristãos que este código trazia nas extremidades e no meio, de modo oculto, o número 666, o qual seria marcado na mão direita dos consumidores. Épocas atrás, houve um verdadeiro pandemônio entre milhares de sacerdotes, monges e fiéis cristãos ortodoxos russos que se recusavam a aceitar os novos números do cadastro de contribuintes dados pelo governo (equivalente ao CPF no Brasil), afirmando que o código de barras no formulário continha a marca da besta.

Contudo, isso já é coisa do passado, tendo sido abandonado de vez, pois, há algum tempo, a coqueluche do momento é o chamado “bio-microchip”. Criado pelo dr. Carl Sanders, é, atualmente, produzido por várias empresas, inclusive a Motorola, para o Mondex SmartCard.

Uma década atrás, certos periódicos afirmaram que os cientistas que trabalharam neste projeto descobriram que os melhores lugares do corpo humano para ser implantado o tal “chip” seriam na testa e na mão direita. Seria essa a marca da besta ou mais um boato sensacionalista? Seja como for, o caso é que esta notícia causou pânico em alguns meios evangélicos e, ainda hoje, causa certo frisson.

De fato, muita contra-informação pode ser encontrada, especialmente na Internet, sobre este assunto. Apocalipse 13 tem trabalhado com o imaginário de cristãos e não cristãos desde a época pós-apostólica. Muito se tem escrito sobre isso, sem, contudo, haver consenso. Este trecho foi assunto nos escritos de alguns vultos da patrística, mereceu atenção no pensamento dos reformadores e chegou até o turbulento século 19 com força total.

O caso é que, para muitos, isso continua se transformando numa verdadeira esquizofrenia escatológica. Até mesmo o próprio versículo que traz o número, dizem esconder o 666, isto é, o versículo 18 seria o produto de 3 x 6 (6+6+6=18).


Especulações populares


Muitas coisas já foram identificadas com o número 666. Exemplos foram extraídos do código da Internet: www, onde convertem o W em número romano VI = 6; VI VI VI = 666. O sinal da besta seria o computador na testa (com o monitor) e na mão direita (com o mouse). Também encontraram o número na frase “Viva, Viva, Viva a Sociedade Alternativa”, da música do ex-roqueiro Raul Seixas, onde transformaram a sílaba VI em algarismo romano V + I = 6. Então, VIva VIva VIva, virou 666. “Marquei um X, um X, um X no seu coração”, da cantora Xuxa, também se enquadraria na famosa continha. Segundo dizem, a letra X pronunciada em português seria XIS, lendo de trás para frente vira SIX, que em inglês é 6. Então, SIX,SIX,SIX = 666.


Especulações escatológicas


É notório a todos que literaturas orientais, principalmente as antigas, quando vertidas para o ocidente, tendem a apresentar não só dificuldades linguísticas. Isso porque, quando lemos tais livros, não estamos apenas lendo simples caracteres, mas absorvendo também seus costumes, crenças, filosofias, enfim... toda uma bagagem cultural diferente e estranha a nós, ocidentais. Em se tratando de matéria religiosa, a coisa tende a complicar ainda mais. A Bíblia, o livro dos cristãos, é uma literatura também oriental com uma riquíssima linguagem simbólica, poética e cultural, não fazendo exceção à regra.

Não obstante, há de se esclarecer que a Bíblia, comoo portadora da mensagem de salvação, em sua essência, é de fácil compreensão (Is 35.8). Mas, à margem da mensagem essencial, que é o evangelho, existem as exceções que se encontram no livro sacro. Essas exceções são passagens não tão claras que, por vezes, envolvem o conhecimento do contexto sociocultural e religioso da época para uma real compreensão. Quando não, são passagens no campo das profecias a serem ainda cumpridas num futuro próximo. Quanto a essa última categoria, entendemos que poucas passagens merecem tanta atenção quanto Apocalipse 13.16-18, quando o assunto é especulação.

Os intérpretes que se aventuram a decifrar o número e o nome da besta, geralmente, procuram se basear em grandes personagens da história mundial para impingir o famigerado título bestial. As interpretações, como não poderiam deixar de ser, são as mais variadas possíveis, assim como os métodos utilizados para decifrar o enigma apocalíptico.

No afã de se conseguir tal intento, às vezes, os pressupostos empregados forçam tais intérpretes (até mesmo os mais cautelosos) a sair do eixo bíblico, tornando suas interpretações um verdadeiro malabarismo, destituídas de qualquer análise contextual mais lata. Os princípios fundamentais da boa exegese bíblica são deixados de lado em detrimento de interpretações forçadas, oriundas de uma mentalidade preconceituosa. A história mundial é forçada ao máximo, para não dizer adulterada, a fim de se encaixar em pressupostos doutrinários.


A matemática como ferramenta especulativa


Os estudiosos em geral entendem que João estava usando a gematria, um sistema criptográfico (ato de escrever em cifra ou em código), que consiste em atribuir valores numéricos às letras.

É sabido que o latim, o grego e o hebraico usavam letras em lugar de algarismos para compor números. Assim sendo, as letras funcionavam como números. Troca-se as letras pelos números e consegue-se chegar ao famigerado 666.

Na época de João, este era um método vulgar. Foi descoberto pela arqueologia o nome de moças em valores numéricos. Na cidade de Pompeia, sobre um muro, aparece a inscrição: Phílo hes arithmós phme (“Amo aquela cujo número é phme”, onde ph=500 + m = 40 + e = 5 total = 545). Tanto pagãos como judeus e cristãos usavam o simbolismo numérico. Os “Oráculos sibilinos” do século 2° d.C. apontavam o valor do nome de Cristo como sendo 888. Já os gregos invocavam o deus Júpiter, cujo número do nome era 717. Os gnósticos viam no número 365 algo de místico, pois, transferidos para o alfabeto grego, traduzia a palavra Abrasaks, “o senhor dos céus”. Por seu turno, Clemente e Orígenes jogavam com o significado do número 318, que seria a abreviação do nome de Cristo - IHT.


O que é a gematria?


É o método hermenêutico de análise das palavras bíblicas somente em hebraico, atribuindo um valor numérico definido a cada letra. É conhecido como "numerologia judaica" e existe na Torah (Pentateuco). A cada letra do alfabeto hebraico é atribuído um valor numérico, assim, uma palavra é o somatório dos valores das letras que a compõem. As Escrituras são, então, explicadas pelo valor numérico das palavras. Tal lógica estava presente na produção de Midrash e consolidou-se durante a Idade Média, próximo à época das cruzadas, mas ainda é utilizada, compilada primeiro no Talmude e, posteriormente, em tratados da Cabala.


Especulações entre os cristãos primitivos


Parece que o primeiro escritor cristão a tentar decifrar a besta do apocalipse usando este método foi Ireneu, em sua obra “Adv. Haer. V, 30,3”. Ele sugeriu vários nomes que supostamente poderiam se “enquadrar”, dentre os quais “lateinos” (latino) e “teitan” (titã). A transliteração desses nomes somados resulta no valor 666. Também o nome Neron Caesar (César Nero) em grego vertido para o hebraico resulta em 666. Vejamos:

NVRNRSQ666

5062005020060100

Em forma latina (tirando-se o “n”), o número varia para 616. Parece que esta era a interpretação mais convincente para os cristãos primitivos. Tanto é assim que dois pequenos manuscritos do Apocalipse, que hoje já não mais existem, traziam 616 no lugar de 666.

Com a chegada da Reforma Protestante, alguns reformadores viam no papa a figura do anticristo, a besta do Apocalipse. A propósito, a expressão Italika Ekklesia (“Igreja Italiana”) daria o número 666, o que faziam muitos pensar que a besta sairia dessa igreja. Lutero chegou a conjecturar: “São seiscentos e sessenta e seis anos; é o tempo que já dura o papado secular”. Ainda outras expressões contextualizadas ao catolicismo romano como “signal da crvx” (sinal da cruz), “latinvs rex sacerdos” (rei e sacerdote latino) e “Ioannes Pavlvs Secvndo” (João Paulo Segundo) também resultam em 666.

Em seu livro, Guerra e paz, Leon Tolstoi, escritor russo, especula sobre a ideia de Napoleão Bonaparte ser a besta com o número 666. O teólogo Petrelli aplicou esse número a Joseph Smith, fundador da Igreja mórmon. Diocleciano, Lutero, Calvino, Hitler e outros foram igualmente vítimas dos matemáticos do Apocalipse. O último grande nome cogitado para engrossar essa lista foi Bill Gates, dono da Microsoft, que, segundo dizem, também daria 666.

E a lista parece sem-fim. Constantino, reverendo Pat Robertson, reverendo Moon, Yasser Arafat, Aiatolá Khomeini, Saddan Hussein, Kennedy, Mussolini, Balaão, Ronald Reagan, César, Calígula, Juan Carlos (rei da Espanha), Ismet (o pai da Turquia moderna), imperador Frederico II (da Alemanha), George II (rei da Inglaterra), Nikita Kruschev, Joseph Stalin e Mussolini. Até mesmo o nome Jesus de Nazaré em hebraico (YRSN VSY) dá 666. Também, o próprio termo “besta” em grego (thérion) escrito com letras hebraicas (TRYVN) soma 666.


Especulações entre as seitas


Como já dissemos, a Bíblia, de fato, possui alguns pontos obscuros. As seitas aproveitam essa “dificuldade” usando justamente essas passagens para extrair delas novas revelações até então “desconhecidas” para o mundo. As seitas alimentam essa utopia teológica baseadas na suposição de que Deus esteja, por meio delas, revelando “mistérios” para os tempos do fim. Isso é sintomático entre esses movimentos e figura como patologia teológica incurável em algumas seitas que têm feito especulações absurdas sobre o número 666. Vejamos algumas:


O número da besta e o adventismo do sétimo dia


Segundo esse grupo, o papa é a besta. Para os adventistas, o papa é inquestionavelmente o anticristo. Embora não se possa achar nada de concreto nos escritos de Ellen Gould White sobre este cálculo, alguns pioneiros adventistas, como Uriah Smith, em seu livro, As profecias do Apocalipse, já trazia o cálculo do número 666 aplicando-o ao papa.

Fazem isso partindo da premissa de que o papa mudou a lei de Deus, principalmente o quarto mandamento, então, chegam à conclusão de que ele deve ser o anticristo, conforme fala Daniel 7.25. Para confirmar tal fato, foi preciso forjar uma ligação entre o nome do papa e o número 666.

Como não conseguiram o resultado usando o nome de nenhum papa, inventaram um título latino que o papa, supostamente, usaria em sua tiara, o “VICARIUS FILII DEI” (“Vigário do Filho de Deus”). Daí a famosa soma que passou a fazer parte da teologia adventista até hoje:

VICARIVSFILIIDEI666

51100**15**15011500*1

Ocorre, porém, que essa soma enfrenta algumas dificuldades incontornáveis. A primeira delas é que a soma correta não resulta em 666, mas em 664. Veja o cômputo correto:

VICARIVSFILIIDEI664

51100**4**15011500*1

A segunda questão é que isso não é o “nome de um homem”, mas o título de uma suposta função que o líder católico exerce. Além disso, temos de levar em consideração que não se pode provar que tal título existia de fato na tiara papal. E, ao que tudo indica, nem mesmo este corresponde ao nome correto do título, o qual seria, corretamente, chamado de “Vigário de Cristo” e não “Vigário do Filho de Deus”.

Ainda é importante destacar que o Apocalipse foi escrito em grego e não em latim. Consequentemente, o cálculo deveria ser feito por letras gregas e não latinas. É temeroso acreditar que os destinatários de João conhecessem o latim, já que este era um idioma usado apenas nos territórios do Ocidente Europeu.

Por fim, por mais paradoxal que pareça, usando este mesmo cálculo pode-se até encaixar a profetisa dos adventistas nele. Vejamos:

ELLENGOVLDWHITE666

*5050****5505005+5*1**

Diante disso, atualmente, muitos teólogos adventistas já não mais associam o número da besta com o título papal. Curiosamente, a lição da Escola Sabatina de 20 a 27/05/2000, que tratava sobre a famosa tríplice mensagem angélica, omitiu que a besta do Apocalipse é o papa. Os termos “falsos sistemas religiosos” e “falsos sistemas de adoração” são utilizados para substituir os costumeiros termos “Roma” e “poder papal”, tão marcantes no livro O grande conflito, um dos principais escritos de Ellen Gould White.


O número da besta e o jeovismo


Segundo esse grupo, a besta é o sistema político do mundo. Depois de mudarem diversas vezes suas doutrinas a respeito do Apocalipse, as testemunhas de Jeová chegaram à conclusão, no livro Revelação: seu grande clímax está próximo , que a besta seria apenas o mundo em sua forma organizada politicamente, sendo a ONU a imagem da besta. Afirmam, ainda: “Assim, como seis é inferior a sete, assim 666 – seis em três estágios – é um nome apropriado para o gigantesco sistema político do mundo”.

É claro que esta interpretação é descabida e vai contra o próprio texto que diz que é o “nome de um homem” e não de um sistema político. O que muitos não sabem é que hoje a ONU já não é mais vista como a imagem da besta pelas testemunhas de Jeová. Essa mudança ocorreu porque a Sociedade Torre de Vigia, entidade jeovista, tentou se filiar à ONU. É a velha tática da seita de reciclar constantemente sua doutrina.


O número da besta e o movimento do nome sagrado


Para esse grupo, o nome Jesus representa a besta. A principal preocupação desse movimento é com o homônimo escrito e oral do nome sagrado: Yahweh para Deus e Yahshua, para Jesus. Dessa ênfase, deriva o nome desse movimento, cujos representantes principais aqui no Brasil são conhecidos como “testemunhas de Yehoshua”.

Como o grupo repugna o nome Jesus, seus adeptos resolveram encontrar o equivalente numérico para o nome fatídico da besta em cima do nome do Filho de Deus. Demonstram isso empregando a expressão latina Iesus Cristvs Filii Dei (“Jesus Cristo Filho de Deus”).

IESUSCRISTVSFILIIDEI666

1**5*100*1**5**1502500*1

Em primeiro lugar, gostaríamos de lembrar que IESVS CRISTVS FILII DEI é IESVS CRISTVS + FILII DEI, ou seja, trata-se de uma frase que vai muito além de um nome. Em segundo lugar, o nome IESVS CRISTVS, sozinho, equivale apenas a 112. Em terceiro lugar, FILII (genitivo masculino singular) deveria ser FILIVS (nominativo masculino singular). Assim sendo, teríamos:

FILIVSDEI558

*15015*500*1

Logo, temos I E S U S C R I S T V S = 112 + F I L I V S D E I = 558 = 670, um número bem diferente de 666. Percebemos, portanto, a necessidade da presença de títulos ou apostos – sem contar com a presença de FILII, ao invés da forma correta FILIVS – para se chegar ao número 666.

Outros, no entanto, levados por uma obstinação mórbida, preferem usar apenas o nome Jesus e transliterá-lo em caracteres hebraicos, fazendo valer 666. Esse foi o artifício exposto por outra variante deste movimento, conhecida como Comunidade Judaica Messianitas. Vejamos:

JESUS666

Não existe em hebraicoNão possui valor numérico em hebraico6

(60 sem o zero)660 (60 sem o zero)

Não é necessário ser teólogo para perceber que os erros e as interpretações forçadas neste cálculo estão às escâncaras. Primeiro, porque a soma correta desses números é 126 e não 666. Segundo, porque esse cálculo faz arbitrariamente 60 valer 6 e, depois, usa uma palavra portuguesa, transformando-a em numerais hebraicos. Isso é simplesmente inaceitável para a aplicação do sistema de numeração hebraica.


Quem é a besta, afinal?


Há comentaristas que acreditam que a figura de Nero preenche perfeitamente o cumprimento da profecia. Contudo, o Apocalipse é uma revelação para o futuro. O alcance dos eventos descritos nesse livro terão um cumprimento bem mais amplo do que qualquer um já visto na história. Nesse caso, acreditamos que Nero pode ser visto apenas como mais um tipo do anticristo e não como o próprio anticristo.

Por outro lado, há os que enxergam nesse número apenas um simbolismo da imperfeição humana. Assim, o número da besta seria só o número do homem, ou seja, do homem terreno, em contraste com o divino, mas também significa a imperfeição e a rebelião contra Deus. Satanás sempre quis imitar a Deus. Como o número de Deus é sete, o número da perfeição, o inimigo de Deus também terá seu número. Enquanto Deus marca nas testas de seus servos o seu nome, a besta deixará sua marca naqueles que a servirão, significando que o anticristo procurará chegar à perfeição, mas sempre ficará aquém dela.

Mas, o que essa sabedoria e esse conhecimento permitem que os crentes façam? A passagem diz que podemos “calcular”. Mas, calcular o quê? Podemos calcular o número da besta. O principal propósito de alertar os crentes sobre a marca é permitir que saibam que, quando em forma de número, o nome da besta será 666. Assim, os crentes que estiverem passando pela tribulação, quando lhes for sugerido que recebam o número 666 na fronte ou na mão direita, deverão rejeitá-lo, mesmo que isso signifique a morte.

Outra conclusão que podemos tirar é que qualquer marca ou dispositivo oferecido antes dessa época não é a marca da besta, que deve ser evitada. Todos saberão e aderirão conscientemente a ela, enquanto outros a rejeitarão e sofrerão as consequências por isso. O que o nome e o número da besta significam será conhecido dos santos que estiverem na terra na época em que a besta estiver aqui em pessoa. Assim, de uma coisa temos certeza: ninguém na terra, atualmente, tem sabedoria suficiente para compreender o número da besta.


Considerações finais


Admitimos que, no momento, é impossível averiguar a identidade desse diabólico personagem, pelos motivos já expostos. Quanto às interpretações mencionadas neste artigo, é praticamente inútil tentar abordar, ainda que por alto, todos os aspectos ou analisar suas contradições. Todos os cálculos que se apresentaram até agora se mostraram falhos. Isso porque, com um pouco de criatividade, é fácil impingir o número da besta em qualquer um. Se não funciona com letras hebraicas, troca-se por latinas ou gregas. Acrescentam-se e tiram-se títulos. Existem vários modos de se obter o número, principalmente quando usamos líderes mundiais, os quais possuem vários títulos. Mas, até mesmo aplicado a um nome tão comum quanto João da Silva esse número pode se encaixar. Os vários recursos disponíveis tornam as chances bastante altas. É o malabarismo do “estica-encolhe exegético”, a fim de forçar o número 666 a se encaixar no personagem de sua escolha. Isso posto, repudiamos tal irresponsável teologia escatológica especulativa que serve mais para confundir do que para elucidar a questão. Eis uma característica típica de quase todos os “caçadores da besta”: preferem ignorar os fatos a abdicar de suas ideias preconcebidas.


“Os pressupostos empregados por alguns intérpretes são forçados e tornam suas interpretações um verdadeiro malabarismo, destituídas de qualquer análise contextual”


“Com a chegada da Reforma Protestante, alguns reformadores viam no papa a figura do anticristo, a besta do Apocalipse”


“Os crentes que estiverem passando pela tribulação, quando lhes for sugerido que recebam o número 666 na fronte ou na mão direita, deverão rejeitá-lo, mesmo que isso signifique a morte”


Referências bibliográficas:


1 PERSCH, Léo. A segunda vinda de Jesus. Campinas: Ed. Raboni, 1995, p. 155.

2 MALGO, Wim. Terá chegado o fim de todas as coisas? Porto Alegre – RS: Obra Missionária Chamada da meia-Noite, p. 35.

3 A Kia Motors do Brasil é, desde maio de 1992, representante oficial da montadora sul-coreana no país. No site oficial http://www.kia.com.br/empresa.php encontramos a frase: “O sucesso foi tão expressivo que, ainda hoje, vinte anos após o seu lançamento, a besta ainda é sinônimo de Van no mercado brasileiro”.

4 Para saber mais sobre o uso desse número em nosso século, ver “O controle total – 666”, Wim Malgo, “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” – Porto Alegre-RS.

5 Para ver uma defesa do próprio inventor do código de barras George J. Laurer contra esta neurose religiosa, acesse o site na sessão de perguntas e repostas http://www.laurerupc.com/.

6 Revista Adonay, sob o título A marca da besta. Ano 4 – nº 23 –julho e agosto de 2000, pp. 26-29.

7 O site http://www.relatorioalfa.com.br/ garante que empresa americana está pronta para marcar 75 mil brasileiros com um micro chip transmissor.

8 Deve-se ter em mente que o original grego não trazia a divisão em capítulos e versículos. A primeira Bíblia que trouxe esta divisão foi a Vulgata, em 1555.

9 Exemplos desse tipo podemos encontrar no Corão muçulmano e no Bhagavad Gita indiano.

10 CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo - vol. 6, São Paulo: Ed. Hagnos, 2002, p. 560-2.

11 Ele alegoriza os 318 servos de Abraão (9:8), ao se referir à morte de Cristo na cruz, na base de que a letra grega para 300 tem a forma de cruz e que os numerais gregos para 18 são as duas primeiras letras do nome de Jesus.

12 Os manuscritos usados por Ireneu são conhecidos como manuscrito C (Codex Ephraemi Rescriptus) do séc. 5° d.C; e o ITZ do séc. 8° d.C. Curiosamente, o manuscrito conhecido como ITAR, do séc.9° X d.C. traz o nº 646.

13 CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo - vol. 6, São Paulo: Ed. Hagnos, 2002, p. 560-2.

14 Uma defesa ardorosa deste ponto de vista foi feita pelo Dr. Aníbal Pereira dos Reis, em seu livro “O número 666 de Apocalipse 13.18”, da editora Caminho de Damasco.

15 Citado em “Profetas e prognósticos – visionários otimistas e pessimistas de Delfos até o Clube de Roma”, Helmut Swoboda, São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1980, p. 70.

16 TOLTOI, Leon. Guerra e paz, p .72.

17 Para uma defesa de Bill Gates veja o site http://www.dgol.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1116.

18 Alguns estudiosos adventistas afirmam que Ellen White atribuiu o número 666 não a Besta, mas à sua imagem. Para mais informações ver o livro A Word to the Little Flock, extraído do site www.jovemadventista.com/religiao/666/666.

19 WHITE, Ellen Gould. As profecias do Apocalipse. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1991, p. 214.

20 Neste caso, W é = V + V = 5 + 5.

21 Para ver mais sobre esta omissão consultar: 1) “As profecias do fim”, p.316-318, do autor Hans K. La Rondelle, professor emérito de Teologia da Universidade de Andrews, publicado pela ACES em 1999; 2) “Apocalipse: suas revelações”, p.413-415, do autor C. Mervyn Maxwell, diretor do departamento de História Eclesiástica e professor de História da igreja na universidade de Andrews, também publicado pela ACES, em 1991.

22 “Revelação – seu grande clímax está próximo, 1998, p. 196.

23 Para mais informações http://www.geocities.com/osarsif/

24 Revista Defesa da Fé, Edição Especial 2000, p. 278.

25 Panfleto “666”, de autoria de D. Mathyas Pynto, líder de uma facção deste movimento. Cópias dos originais nos arquivos do CACP.

26 Para uma defesa desta tese, ver “Comentário bíblico pentecostal – Novo Testamento”, Rio de Janeiro: Ed. CPAD, 2003, pp. 1891-1893.

27 Revista Chamada da Meia-Noite, janeiro de 2004.

28 HERBERT, Sr. Lockyer. Apocalipse: O Drama dos Séculos. Miami, Flórida EUA: Ed. Vida, 1982, pp. 141-142.

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