Defesa da Fé


A historicidade de Adão


Por Brian Schwertley

Mestrado em divindade pelo Seminário Reformado Episcopal de Philadelphia (EUA)


Entre os mais caluniados, desacreditados e distorcidos trechos da Bíblia encontram-se os três primeiros capítulos de Gênesis. A alguém que frequentasse qualquer universidade secular, ou alguma igreja liberal ou modernista, lhe seria dito que os primeiros capítulos de Gênesis não relatam fatos reais. O professor de uma faculdade secular humanista e o pastor modernista argumentariam que essas primeiras narrativas são mitos, lendas, contos ou parábola. Em outras palavras, que não existiu um Adão e uma Eva literais, ou uma queda literal e histórica no tempo e no espaço. Devido à frequente e largamente divulgada negação de um Adão e de uma Eva literais e históricos (e sua conexão com a exposição do evangelho no Novo Testamento), é muito importante compreender os ensinos bíblicos sobre a historicidade de Adão. Para examinar a historicidade de Adão, precisamos considerar os seguintes tópicos:


Em primeiro lugar, precisamos considerar o fato de que a rejeição modernista e neo-ortodoxa da historicidade de Adão é fundamentada em axiomas seculares e apóstatas. Cristãos liberais e barthianos (seguidores da filosofia de Karl Barth – um neo-ortodoxo) chegaram às suas posições sobre Adão não por causa de cuidadosos estudos exegéticos da Bíblia, mas devido às suas pressuposições modernistas, racionalistas e antibíblicas. Não podemos esquecer que esses homens não formulam suas teorias de forma isolada e objetiva. Eles têm seus pontos de partida, suas pressuposições. Por isso, ignoram as abundantes e claras evidências bíblicas de que Adão foi uma figura histórica, real e literal.

Em segundo lugar, precisamos examinar resumidamente os argumentos usados para negar a historicidade de Adão. Isso provará que tais argumentos não passam de falácias, que são, tanto fundamentados sobre mentiras grosseiras (macroevolução, posições sobre o Pentateuco baseadas na Alta Crítica, etc.) como sobre pura especulação humana.

Em terceiro lugar, devemos considerar a impressionante evidência bíblica de que Adão realmente existiu. Então, veremos que a historicidade de Adão e de uma queda literal, ocorrida no tempo e no espaço, são tão teologicamente interligadas com o ensino do evangelho e do segundo Adão (Jesus Cristo), que negar a historicidade do primeiro Adão logicamente conduz à negação do próprio cerne do evangelho.


Alguns princípios gerais da teologia liberal


Antes de apresentarmos as evidências bíblicas da historicidade de Adão, devemos considerar a seguinte questão: se a evidência bíblica de um literal, real e histórico primeiro homem criado chamado Adão é tão forte, então, por que essa verdade foi rejeitada por tantos teólogos e eruditos no século XX? A resposta a essa questão é muito simples. Chegou um tempo na história (desde o século 19 e através do século XX) em que a maioria dos eruditos rejeitou a revelação inspirada, inerrante e infalível (a Bíblia) de um Deus vivo e verdadeiro. Se examinarmos os pais da Igreja, os teólogos escolásticos medievais, os reformadores protestantes (Lutero, Zwínglio, Calvino, Knox), as confissões reformadas e todos os grandes teólogos puritanos e presbiterianos dos séculos 16, 17 e 18 e início do 19, veremos uma perfeita unanimidade a respeito da historicidade de Adão.

As teorias críticas modernas a respeito de Adão cresceram no solo da incredulidade. A priori, houve uma rejeição da revelação divina em favor, em primeiro lugar, de um racionalismo secular e hipercrítico e, em segundo, de uma concepção evolucionista do mundo. Dessa maneira, alguém poderia argumentar que as duas diferentes posições sobre Adão (isto é, a histórico-literal e a mitológico-poética) são, em essência, expressões de duas visões de mundo diametralmente opostas.

A primeira acredita e recebe a Bíblia como Palavra de Deus. Por conseguinte, permite que a Bíblia, por si mesma, determine suas próprias pressuposições, metodologia e interpretação de vários textos. Essa abordagem crente da Bíblia é chamada de tradicional' ou "pré-crítica", e dominou o cenário teológico por mais de mil e oitocentos anos.

A segunda versão (modernismo ou liberalismo cristão) crê que o ponto inicial para se chegar à verdade é a autonomia humana. Essa posição, portanto, assume que a Bíblia é falível e que precisa ser tratada como qualquer outro documento humano. Em outras palavras, homens deveriam aplicar técnicas "científicas" a esses falíveis documentos humanos para descobrirem a "real" autoria, os vários mitos, redações, erros científicos e históricos, e assim por diante.

É necessário ter esses fatos em mente ao considerarmos a historicidade de Adão, desde que os argumentos modernistas para um Adão mítico ou parabólico não são baseados em uma exegese bíblica aceitável. Os cristãos liberais simplesmente impõem ao texto seus paradigmas altamente críticos. Os eruditos da alta crítica são incrédulos que, sem uma evidência objetiva, submetem as Escrituras ao seu molde naturalista e apóstata.

Para entender os paradigmas da alta crítica que têm direcionado os eruditos à crença em um Adão mítico, devemos considerar brevemente a teoria básica de Julius Wellhausen (1844-1918) sobre o Pentateuco. A posição de Wellhausen, com relação ao Pentateuco, tem dominado completamente a forma da erudição bíblica modernista do Antigo Testamento desde os anos 80 do século 19 até o presente momento. "Ele ocupou uma posição no campo da crítica do Antigo Testamento comparada à de Darwin na área da ciência biológica". "Ele é para a erudição moderna o que Abraão é para os judeus, o pai da fé. Mais lúcida e convincentemente do que qualquer outro, ele legou o que muitos têm considerado a formulação definitiva da hipótese documentária".

Mas, o que é a hipótese documentária?

Wenhan oferece um excelente sumário dessa teoria. Ele escreve que, de acordo com essa posição, o Pentateuco é composto de quatro fontes distintas. Vejamos:


Fontes - Localização temporal

J - século 9° ou 10°

E - século 8° ou 9°

D - século 7°

P - século 5° ou 6°


Essas fontes foram reunidas de forma muito bem-sucedida, culminando na composição do atual Pentateuco por volta do século 5° a.C. No que diz respeito ao livro de Gênesis, ele foi compilado de três fontes principais: J (compreendendo cerca de metade do material), E (cerca de um terço) e P (cerca de um sexto). Essas fontes foram separadas por cinco principais critérios:


Critérios - Especificidade

Diferentes nomes da deidade - J fala de Yahweh, o Senhor, E e P falam de Elohim, Deus

Narrativas duplicadas - Diferentes relatos da criação, Gênesis 1 e 2; repetição acerca da história do dilúvio nos capítulos 6 e 9; narrativas patriarcais similares, Gênesis 12.10-20; e todo o cap. 20

Estilos diferentes - J e E contêm narrativas vívidas. P é repetitivo e cheio de genealogias

Teologias diferentes - De acordo com P, Deus é distante e transcendente; em J e E, Deus é antropomórfico, etc.


Há uma série de razões pelas quais a abordagem da hipótese documentária sobre o Pentateuco conduz diretamente à negação da historicidade de Adão.

Primeiro, a ideia bíblica de revelação especial é rejeitada em favor de pressuposições evolucionistas. "Wellhausen combinou a sua datação dos vários documentos citados com uma particular reconstrução evolucionista da história de Israel, uma reconstituição baseada na filosofia hegeliana". Uma vez que a revelação especial e o caráter histórico de Gênesis são negados, Adão e Eva tornam-se figuras nebulosas que podem ser encaixadas arbitrariamente em qualquer concepção da história primitiva.

Segundo, a hipótese documentária apresenta o Pentateuco como uma fraude gigantesca. A Bíblia declara explicitamente que Deuteronômio e o que os liberais chamam de "legislação sacerdotal" foram proferidos e escritos por Moisés (cf., Êx 24.4-8; Nm 33.2; Dt 4.1; 31.9-24; Js 1.7-8; 8.31,32; 23.6,7; 2Rs 14.6; entre outros). Os liberais afirmam que sacerdotes coniventes e com sede de poder atribuíram várias leis a Moisés para conseguirem uma audiência para a sua própria versão da lei. Se alguém aceita a ideia de que grande parte do Pentateuco é fraudulento, é lógico, para essa pessoa, assumir que Adão e a queda são meramente folclóricos ou um artifício literário.

Terceiro, a hipótese documentária separa o teólogo ou exegeta do texto bíblico e coloca a maior parte do estudo e investigação diretamente sobre as teorias subjetivas, arbitrárias e especulativas do homem incrédulo. A arrogância e estupidez do entendimento liberal do Pentateuco são verdadeiramente assombrosas. Em nome da objetividade e da ciência, os liberais se precipitaram em direção a uma quantidade de teorias totalmente especulativas, subjetivas e improváveis. Na verdade, à medida que as descobertas arqueológicas vão avançando, mais e mais as afirmações dos liberais provam ser falaciosas. "É evidente que a sua [de Wellhausen] teoria da origem do Pentateuco teria sido bastante diferente (se houvesse sido, de fato, formulada) se Wellhausen tivesse escolhido levar em conta o material arqueológico disponível para estudo na época e se ele tivesse subordinado suas considerações filosóficas e teóricas a uma sóbria e racional avaliação das evidências factuais como um todo". Quando homens rejeitam a inspirada, perfeita e suficiente rocha sólida das Escrituras pelo espúrio e imaginativo sistema dedutivo dos teólogos liberais, estão, na verdade, rejeitando tanto a Deus como a verdade.


Argumentos contra a historicidade de Adão


Tendo considerado os princípios elementares gerais da teologia liberal que têm resultado na rejeição do Adão histórico, deve-se, também, considerar brevemente os argumentos específicos usados para rejeitar a posição cristã ortodoxa. Há quatro argumentos principais comumente usados contra a historicidade de Adão. Vejamos:

1. O absurdo de uma serpente falante

O primeiro argumento é baseado no fato de que serpentes não podem falar. Argumenta-se que o registro da tentação e da queda, obviamente, não podem ser tomados como um relato literal e histórico, não apenas pelo fato de encontrarmos ali uma cobra falante (o que é impossível e inacreditável), mas porque Eva e Adão nem sequer consideram uma serpente falante algo incomum.

Assim, considera-se todo o registro da queda e, por sua vez, o próprio Adão, como mítico ou simbólico. A serpente simboliza o mal e o relato da queda é meramente uma forma mítica ou simbólica do autor e/ou redator primitivo explicar a presença do mal no mundo. Há várias razões por que esse argumento é falacioso e precisa ser rejeitado:

a) O fato de a cobra haver falado e tentado Eva não é impossível nem absurdo se considerarmos o contexto das Escrituras como um todo. Em Números 22.28, Jeová falou pela boca de uma jumenta. Nas narrativas dos evangelhos, pode-se encontrar demônios falando pela instrumentalidade de seres humanos possessos (Mt 8.29, 31; Mc 5.12; Lc 4.41; 8.28). Há, ainda, o registro de Satanás entrando em Judas imediatamente antes de sua traição a Jesus (Jo 12.27). Se demônios podem apossar-se e falar por meio de seres humanos caídos, então, Satanás (o príncipe dos demônios) certamente pode fazer uso de uma simples criatura como uma cobra. A ideia de que uma cobra falou em Gênesis só é impossível se rejeitarmos o caráter sobrenatural das Escrituras.

b) Em Gênesis 3.14, Deus proclama uma maldição contra a serpente e, então, no verso 15, apresenta o conflito entre o povo de Deus e a descendência de Satanás, juntamente com uma predição da vitória de Cristo sobre o diabo. A ideia de que Deus amaldiçoou uma metáfora poética ou um símbolo imaginário é absurda. "A condenação extraordinariamente vigorosa pronunciada por Deus nos versos 14 e 15 parece quase sem sentido se todo o relato é meramente a história de uma luta interna por parte de Eva". Além do mais, no verso 14, a serpente é condenada a rastejar sobre o seu ventre. Se a referência é ao diabo ou a algum poder mais elevado que uma serpente, por que essa condenação no verso 14?

Um liberal esperto poderia argumentar que o verso 15, na verdade, comprova todo o seu ponto de vista (de que a narrativa da queda é mítica ou simbólica) mostrando que a sentença que diz: "Ele lhe ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar" é uma profecia extremamente não literal a respeito da vitória de Cristo sobre Satanás. Esse argumento, no entanto, cai por terra, quando se considera que a revelação subsequente afirma muito claramente que a queda de Adão no pecado foi um evento literal e histórico (Rm 5.12-21; 1Tm 2.13; 1Co 11.8) e que o esmagar da cabeça da serpente representa a vitória sobre Satanás (Rm 16.20). Não podemos negar que há poesia, simbolismo e alegoria nas Escrituras. Mas isso não nos permite relegar, arbitrariamente, certa porção da Escritura ao nível da poesia, símbolo ou alegoria. A verdadeira questão aqui é: o que o texto sagrado pretende por si mesmo? Quando as Escrituras pretendem registrar uma história, não se pode simplesmente declará-la como poética, simbólica ou alegórica. Em outras palavras, devemos nos submeter à Bíblia quando ela identifica uma porção das Escrituras como uma narrativa histórica e literal e outra (porção) como uma verdade expressa em linguagem poética. Se alguém não está disposto a se submeter ao claro ensino das Escrituras nos assuntos importantes da interpretação bíblica, então, essa pessoa não é mais um verdadeiro teólogo, mas, sim, um mero filósofo especulativo.

Mas (diz o liberal), não é estranho que Eva não tenha se surpreendido ou se chocado com o fato de que uma criatura bruta como uma serpente pudesse falar e fazer inferências lógicas? Ainda que saibamos que homens e mulheres, nos dias de hoje, obviamente, ficariam chocados com uma cobra falante, deve-se ter em mente a ingenuidade de Eva que, embora sem pecado, boa e inteligente, existia há apenas um ou dois dias antes da tentação. Como Eva poderia saber que havia algo de errado com esse episódio, sem uma observação empírica prévia ou treinamento pessoal dado por Adão ou por Deus? O fato de Eva não haver se surpreendido não é, de maneira alguma, uma objeção significativa.

2. A criação comum e as histórias do dilúvio

O segundo argumento contra a historicidade de Adão é baseado nos supostos paralelos e surpreendentes similaridades entre o relato da criação e do dilúvio em Gênesis e nas antigas narrativas mesopotâmicas (isto é, o Enuma elish e a Epopeia de Gilgamish). Esse argumento também deve ser rejeitado pelas seguintes razões:

a) Embora haja algumas similaridades entre Gênesis e o Enuma elish (ambas as narrativas começam com algo parecido com um caos aquático e terminam com o Criador em descanso. Há, também, similaridades na sequência da criação), as diferenças são bem maiores e mais significativas. "Visto que uma comparação cuidadosa com a mitologia pagã revela apenas alguns paralelos casuais entre os relatos mesopotâmico e hebreu da criação, e, tendo em vista o fato de que nenhum dos elementos característicos dos mitos babilônicos aparece nas narrativas de Gênesis, não parece sábio empregar o termo 'mito' para descrever o relato bíblico da criação, da queda, e assim por diante...". Além disso, ambos os registros decorrem de visões de mundo bastante antitéticas.

Harrison escreve: “Embora os escritores bíblicos mostrassem um interesse distintivo pela natureza, eles não a consideravam como sendo necessariamente parte constitutiva da vida de Deus, o qual era invariavelmente considerado um ser independente. Diferentemente dos deuses do politeísmo mesopotâmico ou egípcio, o Deus dos hebreus demonstrava sua personalidade e senso de propósito por meio de atos contínuos e significantes na história. O próprio homem era uma criatura de Deus, provido de um senso de destino e orientado a formular o padrão de sua vida dentro do contexto da promessa divina e do seu cumprimento na história. Assim, o Antigo Testamento nunca pode ser considerado como uma mitologia tipológica, nem em parte, nem totalmente, porque ele proclama a Deus como o Senhor da história, em contraste com os padrões politeístas, que faziam a vida e a história, em geral, dependerem do ritmo das forças naturais.

b) Há uma tendência quase universal entre os teólogos liberais e neo-ortodoxos em assumir, sem absolutamente nenhuma evidência, que as narrativas bíblicas da criação e do dilúvio foram, de alguma maneira, baseadas nos mitos mesopotâmicos ao invés de vice-versa. Dessa forma, mais uma vez, os liberais exibem suas tendências antissobrenaturais. A ideia de que o autor da narrativa da criação em Gênesis foi emprestado da mitologia panteísta do oriente médio é uma suposição gratuita que trai o claro ensinamento das Escrituras.

3. Teorias evolucionistas

O terceiro argumento contra a historicidade de Adão é que o relato da criação em Gênesis contradiz totalmente os ensinos da ciência, particularmente o da macroevolução. Se a evolução fosse verdade, esta seria uma boa objeção. No entanto, como a evolução é tanto profundamente antibíblica como anticientífica (se apropriadamente definida), esse argumento é facilmente rejeitado. Por que a evolução não é científica? Por que a evolução é um mito ateísta e imaginativo? Vejamos as seguintes razões:

a) A evolução é uma impossibilidade bioquímica. Não apenas a ideia da geração espontânea foi refutada há mais de cem anos, mas, à medida que os cientistas descobrem mais sobre organismos unicelulares, fica evidente que a primeira etapa da evolução é tão provável de ocorrer como a criação de um submarino nuclear num ferro-velho durante um tornado.

b) A coluna geológica refuta o uniformitarianismo e contradiz os gráficos e mapas sequenciais encontrados em todos livros seculares de ciência.

c) Os fósseis contradizem totalmente a evolução. Eles não apenas têm sido encontrados em áreas "erradas" da coluna geológica (os supostos buracos estratigráficos), como, também, sempre aparecem inteiramente formados com completa ausência de formas em transição. "Esse fato é absolutamente fatal para a teoria geral da evolução orgânica. Mesmo o próprio Charles Darwin, o grande campeão da evolução, reconhecia essa falha fatal". Poderíamos multiplicar as provas contra a evolução; entretanto, a restrição de espaço requer que passemos adiante. A evolução é uma fé religiosa baseada numa filosofia subjetiva e imaginária das origens. É um engano imaginativo e ateísta.

4. Gênesis como poesia

O quarto argumento baseia-se na ideia de que os primeiros capítulos de Gênesis são poéticos e não prosa propriamente dita. Poesia (argumenta-se) indica uma história simbólica e não literal. Portanto, deve-se aceitar a doutrina desses capítulos, mas não cometer o engano de recebê-los como história real. Embora possamos achar elementos poéticos nos primeiros capítulos de Gênesis (a declaração de Adão em 2.23 com relação à sua nova esposa, Eva), não há evidência real para sustentar a alegação de que esses capítulos são poesia.

O estudioso em hebraico Edward J. Young diz: “Confessamos estar ficando um pouco cansados de ler afirmações dogmáticas sobre como Gênesis 3 deve ser interpretado, quando essas afirmativas não são acompanhadas de evidência alguma. A mera declaração de que estamos entendendo mal o capítulo se pensarmos que Adão era uma pessoa real que viveu em um jardim não é um argumento suficiente que nos leve a concordar com elas. E o erro, constantemente reiterado, de que a verdade absoluta não pode ser dada ao homem em declarações proposicionais, deveria, ao menos ocasionalmente, ser apoiado por evidência. Por outro lado, há evidência suficiente para mostrar-nos que deveríamos ler o terceiro capítulo da Bíblia como prosa e não como poesia. Em primeiro lugar, as características da poesia hebraica estão ausentes nesse capítulo. Se o escritor, que, acreditamos, foi Moisés, quis escrever poesia, por que ele não o fez? Por que ele fez com que seus escritos parecessem tanto com prosa, de modo que os homens naturalmente a interpretassem como tal? A poesia hebraica é caracterizada pelo paralelismo em que duas linhas ou partes de linhas sustentam uma relação paralela uma com a outra. Esse paralelismo não aparece na maior parte desse capítulo três... Tudo nesse capítulo leva à conclusão de que o escritor está escrevendo claramente em prosa. Ele acredita que está escrevendo sobre certas coisas que realmente aconteceram”.

Além do mais, em todo o Antigo Testamento não há exemplos de poesia hebraica sendo usada para apresentar histórias mitológicas. Embora a poesia do Antigo Testamento contenha descrições metafóricas e não literais de Deus (como tendo asas) e suas atividades (cavalga sobre as nuvens), essas ilustrações poéticas são muito fáceis de ser identificadas. A única razão pela qual os eruditos liberais se referem a Gênesis 3 como poesia ou parábola (sem nenhuma evidência textual) é pelo simples fato de que eles próprios não acreditam que os eventos desse capítulo sejam verdadeiros ou históricos. Eles apenas tentam justificar sua incredulidade.


A evidência bíblica da historicidade de Adão


Tendo já observado que os típicos argumentos contra a historicidade de Adão não são fundamentados em nenhum argumento honestamente racional, exegese biblicamente sólida ou em evidência histórica, agora é hora de examinarmos as abundantes evidências da historicidade de Adão. Há vários argumentos que precisam ser considerados. Vejamos:


1. As genealogias bíblicas

O primeiro argumento é baseado nas genealogias bíblicas. Todas as genealogias bíblicas remontam a raça humana a um homem: Adão (cf. Gn 5.3; 1Cr 1.1; Lc 3.38). Embora uma análise cuidadosa das genealogias bíblicas prove conclusivamente que as genealogias na Bíblia são frequentemente abreviadas pela omissão de nomes menos importantes, os homens listados foram, sem dúvida, considerados pessoas históricas reais pelos escritores divinamente inspirados. Existe uma série de razões pelas quais as genealogias sustentam um Adão histórico.

a) Como observamos, os homens em questão foram, obviamente, citados nas genealogias para serem considerados figuras históricas reais. Em Gênesis 5, é dito até mesmo a idade em que um desses homens gerou seus filhos e a idade e o número de anos que o pai viveu após o nascimento do seu filho. Até a idade em que o pai morreu está registrada.

b) As listas que apresentam a linhagem dos que temiam a Deus e a origem da verdadeira religião do culto a Yahweh são dadas, em parte, para focar a atenção na graça de Deus e ressaltar a contribuição significante dessa linhagem para o mundo. Este seria um propósito sem sentido e desonesto se esses homens fossem figuras mitológicas.

c) Se a lista genealógica em Lucas 3, que traça a linhagem de Jesus até Adão, é fraudulenta, então, o livro de Lucas e o próprio evangelho são baseados em mito ou mentira. Tal visão iria, basicamente, ser um repúdio ao próprio evangelho. Repare, ainda, como o relato em Lucas diz "o filho de Adão, o filho de Deus" (3.38). Lucas, escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo, deixa bem claro que nenhum ser humano precedeu Adão; ele veio diretamente da obra criativa de Deus. "Lucas (como Paulo em Rm 5.12-21 e em 1Co 15.22,45-49), obviamente, considerava Adão como uma pessoa histórica".

2. Uma declaração explícita de Paulo

O segundo argumento para a historicidade de Adão baseia-se no ensino explícito do apóstolo Paulo. Quando Paulo pregou e escreveu, sob inspiração divina, ele ensinou sobre um Adão histórico e literal. Para os filósofos atenienses (que rejeitavam a unidade original da raça humana), Paulo declarou: "De um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra" (At 17.26). Quando Paulo pregou o evangelho aos pagãos que não tinham familiaridade nenhuma com o Antigo Testamento, ele, em primeiro lugar, lhes apresentou o Deus criador de todas as coisas e, particularmente, criador de toda a humanidade pela criação de um único homem. De um só homem, ou de um só sangue, vieram todas as nações da face da terra. Paulo está dizendo aos atenienses que o seu conceito pagão de que teriam surgido do solo nativo e a sua visão de superioridade racial fundada neste mito são completamente falsos. Porque todas as nações provêm de um só homem criado pelo Deus vivo e verdadeiro, todos os homens são responsáveis por obedecer a este Deus para tratar a cada um como igualmente criados à imagem de Deus. Se alguém argumenta que Paulo inicia a sua apresentação do evangelho com um mito, por que, então, acreditaria nele quando apresenta a ressurreição (cf. At 17.31) no mesmo sermão? Ensinar que a criação de Adão é um mito e a ressurreição é verdadeira, é ilógico e arbitrário.

3. A comparação entre Adão e Cristo

Outra passagem que explicitamente ensina a historicidade de Adão é Romanos 5.12-21. Esse trecho da Escritura é uma passagem primordialmente destinada a expor a doutrina do pecado original. Paulo compara e contrasta Adão e Cristo (o segundo Adão). "Os dois Adãos são os cabeças de dois pactos. Um é representativo de todos que estão sob o pacto das obras, comunicando sua imagem a eles; o outro é representativo de todos os que estão sob o pacto da graça, comunicando sua imagem a eles. Pela obediência de um homem, muitos se tornaram pecadores, e, pela obediência do outro, muitos se tornarão justos". Naquela passagem, Paulo baseia toda a argumentação a respeito da realidade do pecado e da morte no mundo como tendo origem na transgressão do homem Adão. "O apóstolo coloca o seu referendo sobre a autenticidade desse relato [Gn 3]. A importância que ele atribuiu aos acontecimentos de Gênesis 3 é declarada pelo fato de que o desenvolvimento subsequente do seu argumento está ligado a eles. O fato de que o pecado entrou por meio de um só homem é nosso elemento integral (suficiente) de comparação ou paralelo sobre o qual deve ser construída a doutrina de Paulo sobre a justificação". Em seis ocasiões diferentes, Paulo afirma explicitamente que o pecado e a morte reinam sobre todos por causa do pecado de um só homem, Adão: "Por um só homem entrou o pecado no mundo" (v. 12), "pela ofensa de um homem muitos morreram" (v. 16), "pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte" (v. 17), "por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para a condenação" (v. 18), "pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores" (v. 19).

Há uma série de razões pelas quais os liberais não podem se esquivar do fato de que esta porção da Escritura, inequivocamente, ensina que Adão foi uma pessoa real e histórica.

a) Paulo, escrevendo sob a inspiração divina, assume a historicidade de Adão em sua argumentação. Se alguém não aceita a narrativa de Gênesis 3 como uma história genuína, então, todo o argumento de Paulo a respeito de Cristo como o cabeça daqueles por quem Ele morreu cai por terra. "Visto que o Novo Testamento é a Palavra de Deus, o que quer que ele afirme é a verdade, e quando o Novo Testamento fala de Adão e Eva como históricos, a questão já está resolvida".

b) O objetivo dessa seção de Romanos é mostrar que a obra de Cristo remedeia a queda de Adão e ainda concebe bênçãos que em muito sobrepujam o dano causado pelo pecado. "O evangelho da graça de Deus se demonstrou muito mais eficaz na produção do bem do que o pecado na produção do mal". Se Adão e a queda são mitos, o argumento de Paulo (a obediência de um versus a desobediência de outro) é equivocado e ilusório. "Você não necessita de uma expiação histórica para desfazer uma queda mitológica ou uma transgressão mitológica. Tudo o que precisa é de outro mito. Mas, se Cristo precisava ser real para nos salvar, então, Adão foi igualmente real. E porque Adão foi real, Cristo também precisou ser real para fazer a expiação". Por causa do pecado de Adão, a culpa real e a corrupção moral passaram à raça humana. Mas Cristo (o segundo Adão), por seu ato histórico de obediência (seu sofrimento, morte e ressurreição), removeu a culpa, o castigo e a corrupção do pecado para o pecador crente. "Esta passagem insiste em que aceitemos o relato de Gênesis como fato e história literal e real. Você não pode compreender realmente a necessidade de salvação a menos que você acredite nessa história e entenda o que aconteceu em Adão, e nossa relação com Adão. Então, esta é uma seção da maior importância e somente aqueles que têm entendido o seu ensinamento é que não têm permitido que certos cientistas os façam debandar e aceitar a teoria da evolução". Como alguém pode ter fé em Cristo como o segundo Adão, o cabeça de uma nova humanidade, quando o primeiro Adão é considerado um mito ou uma metáfora poética? A questão de um Adão histórico não pode ser considerada sem importância porque sua negação afeta o próprio cerne do evangelho.

4. Adão e a ressurreição

Paulo também ensina a historicidade de Adão quando examina sobre a ressurreição em 1Coríntios. Ele escreve: "Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo [...] Semeia-se corpo natural, ressuscita-se corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Porque assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e, sim, o natural: depois o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial" (1Co 15.20-22, 44-49).

Paulo, em uma longa discussão sobre a importância e realidade da ressurreição, compara Adão e Cristo. Ele observa que há uma relação causal entre a morte de Adão e a morte de seus descendentes. Há, também, uma relação causal entre a ressurreição de Cristo e a ressurreição do seu povo. Então, Paulo mostra que a união com Adão é a causa da morte e que a união com Cristo é a causa da vida. Tanto Adão como Cristo são cabeças e representantes de grupos de pessoas. Todos os que permanecem em Adão estão condenados; e todos os que estão em Cristo estão justificados e recebem a ressurreição para a vida.

Paulo continua o contraste entre o primeiro e o segundo Adão no seu debate sobre a natureza da ressurreição. Note os paralelos: alma vivente — espírito vivificante; formado da terra — homem do céu. Antes da ressurreição, os cristãos trazem a imagem de homem da terra, mas, depois da ressurreição, levarão a imagem do homem celestial. Não se pode considerar Adão uma figura mítica sem também destruir completamente a argumentação de Paulo. Será que Paulo utilizaria um mito ou uma mentira como fundamento para estabelecer a necessidade de se crer numa ressurreição literal do corpo para a salvação? Nem pense nisso! Se uma metade do paralelo não é realmente verdadeira ou histórica, por que alguém iria considerar a outra metade como sendo verdade (ou uma realidade futura)?

Além disso, se Paulo está errado no que se refere a Adão, não seria lógico concluir que ele também está errado no que diz respeito a Cristo e à ressurreição? Se Adão não foi uma figura literal e histórica, então, Paulo estava enganado. Se Paulo estava enganado, então, a doutrina da justificação e da ressurreição não é objeto de fé digno ou apropriado. Se o esquema dos liberais for verdade, o cristianismo está acabado. "Remova Adão e sua historicidade desses versos e todas as profundas verdades que Paulo está ensinando se perdem. Elas, então, não são verdades, de maneira nenhuma, e as palavras de Paulo devem ser abandonadas. Adão se vai, mas também Cristo".

5. O ensino de Paulo a respeito das mulheres

Há outras doutrinas importantes que se baseiam em um entendimento literal e histórico das narrativas da criação e da queda. Quando Paulo discorre sobre a questão das mulheres no culto público, ele pressupõe uma visão literal e histórica de Gênesis 2 e 3. Paulo escreve: "Porque o homem não foi feito da mulher, ma, sim, a mulher do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas, sim, a mulher por causa do homem" (1Co 11.8,9). "E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (1Tm 2.12-14).

Com respeito ao cobrir a cabeça e à necessidade de aprender em silêncio, Paulo recorre a dois fatos registrados na história da criação. Primeiro, que Eva foi formada do homem; ela se originou dele. Esse é um apelo direto a Gênesis 2.21-23. Adão foi criado primeiro, do pó da terra. Eva foi criada do homem para lhe ser uma auxiliadora. "Paulo claramente especifica que a mulher foi 'tirada do' homem e criada para ajudar, 'por causa' do homem". Hodge escreve: "Dessa maneira, o Novo Testamento, constantemente, autentica, não meramente as verdades morais e religiosas do Antigo Testamento, mas seus fatos históricos; e faz desses fatos os fundamentos ou provas de grandes princípios morais. É impossível, portanto, para qualquer cristão que crê na inspiração dos apóstolos, duvidar da autoridade divina das Escrituras do Antigo Testamento ou confinar a inspiração dos antigos escritores às suas exposições doutrinárias e legais. A Bíblia inteira é a Palavra de Deus".

Ao tratar do papel da mulher na Igreja, na passagem de Timóteo, Paulo apela à queda como um evento histórico que demonstra as terríveis consequências da inversão dos papéis de liderança. O apóstolo "apresenta, por meio de um exemplo negativo, a importância de observarmos os respectivos papéis estabelecidos por Deus ao formar Eva de Adão". "Se queremos seguir o raciocínio de Paulo, devemos lembrar que, assim como outros exegetas, judeus e cristãos, ele considera Adão e Eva como pessoas históricas, mas também arquétipos da raça humana". Se alguém argumentar que Paulo estava enganado em seu entendimento das narrativas da criação e da queda, ou que Paulo considerava esses eventos como mitos, mas deliberadamente enganou seus leitores ao apresentar uma opinião teológica, então (como observado acima), esse alguém deve logicamente negar a inspiração e a autoridade das Escrituras.

6. O testemunho de Cristo

Não somente o apóstolo Paulo ensina sobre um Adão literal e histórico ao analisar várias doutrinas, mas o próprio Jesus Cristo baseia seu ensinamento a respeito do divórcio numa compreensão literal e histórica de Gênesis 1.27; 2.24. Nosso Senhor disse: "Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19.4-6; Mc 10.6-8).

Cristo argumenta contra a compreensão frouxa dos judeus dos motivos para o divórcio, apelando para a instituição original do casamento. Na criação, Deus fez apenas um homem (Adão) e uma mulher (Eva). Esses foram unidos em matrimônio por Deus. Fica claro que Jesus via Gênesis 2.24 (juntamente com Gn 1.27) como uma ordenança da criação.

Se alguém não aceita a historicidade de Adão, então, é deixado com apenas duas alternativas a respeito do ensino de Jesus em Mateus 19.4-6 e Marcos 10.6-8. Pode-se argumentar que Cristo era meramente humano e estava simplesmente enganado quando considerou Adão o primeiro homem criado, histórico e literal. Em outras palavras, Jesus era finito, limitado em conhecimento e sujeito a erros de julgamento, do mesmo modo como qualquer outra pessoa. Esse ponto de vista é grosseiramente contra as Escrituras, é anticristão e ímpio. Outra abordagem é argumentar que Jesus estava se acomodando à cultura e sociedade em que vivia. Ele sabia que as Escrituras eram cheias de erros, mentiras e mitos, mas Ele fingia que elas eram inerrantes, porque Ele não queria desapontar seus ouvintes do primeiro século. Esses argumentos (que são exemplos típicos da incredulidade liberal) devem ser enfaticamente rejeitados por todos os cristãos professos. A ideia de que Jesus Cristo (que é Deus [Mt 1.23; Jo 1.1-3,14; Rm 9.6] e onisciente [Hb 4.13; Rm 11.22]) iria recorrer a uma mentira, ou a um mito, ou a uma invenção de sacerdotes corruptos e enganadores para estabelecer uma doutrina ou ensino ético e apresentar aquele ensino como a Palavra de Deus, que é absolutamente verdadeira, é uma negação explícita do cristianismo.

Se Jesus não tinha consciência da natureza mitológica do relato da criação ou mentiu propositalmente ao povo (para satisfazer ensinos judaicos errôneos sobre Adão), então, Ele não pode ser o Messias ou o Filho de Deus. Um Jesus que não era Deus, que era um homem mentiroso e pecador, não pode ser a propiciação pelos pecados dos eleitos. Ou acreditamos nas palavras de Cristo ou colocamos o cristianismo de lado. Não há meio termo nesse assunto.


Considerações finais


A evidência bíblica da historicidade de Adão é tão clara, abundante e entrelaçada com o ensino de Paulo e de Cristo que é impossível enredar por esse ensino sem também redefinir e rejeitar as doutrinas de Cristo e o evangelho. O entendimento histórico e literal do relato de Adão e de sua queda é rejeitado hoje não por causa de evidências bíblicas ou até mesmo por evidências científicas verdadeiras, mas porque os homens não querem acreditar no claro ensino das Escrituras. Por que os homens estão tão dispostos a abandonar a Palavra de Deus em favor de teorias especulativas fundadas apenas sobre a opinião humana? A resposta reside no fato de que muitas pessoas não estão dispostas a abaixar suas armas e submeterem-se a Cristo. Os homens não querem encarar a realidade do pecado e de suas consequências: a morte e o inferno. Os homens consideram os primeiros capítulos de Gênesis como mito, lenda, saga, entre outras coisas, para que possam sustentar a autonomia humana. Eles querem definir, por si próprios, o que é bom e o que é mau. Tais homens estão no caminho largo que conduz à destruição.

Os cristãos que creem na Bíblia não são enganados por essas tolices. Sabem que Adão foi tão real como eles o são. Eles também sabem que Jesus Cristo, o segundo Adão, o cabeça do pacto da humanidade redimida, derrotou Satanás, o pecado e a morte. "Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação. Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo" (Rm 5.15-17).


Fonte: Os Puritanos. Acesse o site: www.puritanos.com.br/


“Em nome da objetividade e da ciência, os liberais se precipitaram em direção a uma quantidade de teorias totalmente especulativas, subjetivas e improváveis”


“Por que os críticos não aplicam suas técnicas a Platão, Aristóteles ou Shakespeare? A resposta é simples. Tais obras não requerem fé em Deus e obediência à sua Palavra”


“A ideia de que uma cobra falou em Gênesis só é impossível se rejeitarmos o caráter sobrenatural das Escrituras”


“A evolução é uma fé religiosa baseada numa filosofia subjetiva e imaginária das origens. É um engano imaginativo e ateísta”


“A nossa união com Adão é a causa da nossa morte. E a nossa união com Cristo é a causa da nossa vida”


“Os liberais afirmam Gênesis como mitologia porque não querem encarar a realidade da queda da raça em Adão e, principalmente, a culpa que decorre dela”


Notas:


1 Escritores Barthianos (seguidores de Barth) e neo-ortodoxos colocam Adão e a queda em um mundo supra-temporal ou supra-histórico. Para eles, Adão e a queda não ocorreram no tempo e no espaço, ou seja, Adão não é uma pessoa histórica, no sentido normal e tradicional do termo. A queda e a narrativa da criação (argumentam eles) são, por natureza, parabólicas ou espirituais. (Emil Brunner utiliza o termo "mito", enquanto Karl Barth prefere "saga"). Harrison escreve: "É mérito dos teólogos neo-ortodoxos o fato de eles terem repudiado a posição pueril que considera o relato de Gênesis como sendo um conglomerado de narrativas meramente destinadas a explicar certas circunstâncias da sociedade humana e do comportamento animal. Entretanto, foram incapazes de aceitar o conceito da queda como um evento histórico, assunto sobre o qual Barth, em particular, foi bastante evasivo. Em vez disso, insistiram em que o método existencial era incompatível com a posição da queda como tendo acontecido em um passado remoto, sustentando que isso é algo que todos cometem. Por essa razão, foi de suprema importância teológica para qualquer um que estivesse preparado para ter uma visão realista da natureza humana. Para os pensadores neo-ortodoxos, a tradição do Novo Testamento, como apresentada por Agostinho e Calvino, gerava um conflito com a opinião científica moderna".(Introduction to the Old Testament. Grand Rapids:Eerdmans, 1969, p. 458).

2 Embora as teorias de Wellhausen's (hipótese documentária) continuem sendo geralmente aceitas em todos os seminários e universidades liberais, desde o final dos anos 60, muitos estudiosos liberais do Antigo Testamento têm desafiado e discordado abertamente de algumas das opiniões dele. Esses desentendimentos entre as fontes críticas, no entanto, são meramente diferenças de opinião dentro do paradigma de Wellhausen. Os eruditos discordam sobre a fonte de várias passagens (e.g., J ao invés de P). "Os típicos comentários críticos e introduções ao Antigo Testamento que tratam de Gênesis tendem a assumir a teoria JEDP numa forma razoavelmente tradicional e esta forma ainda compõe o cerne da maioria das palestras e cursos sobre o Pentateuco. Nenhum novo consenso tem se desenvolvido a fim de substituir a teoria de Wellhausen, assim, ela continua sendo adotada por vários estudiosos, apesar de agora haver um reconhecimento generalizado do caráter hipotético dos resultados da crítica moderna" (Gordon J. Wenham, Gênesis 1—15 [Waco, TX:Word Books, 1 987], p. xxxiv-xxxv).

3 Roland Kenneth Harrison. Introduction to the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1969), p. 21.

4 Victor P. Hamilton. The Book of Genesis Chapters 1-17 (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1990), p. 13,14.

5 Gordon J. Wenham, Genesis 1-15, p. xxvi.

6 Edward J. Young. An Introduction to the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1960 [1949]), p. 137.

7 O absurdo da hipótese documentária se torna evidente quando ela é aplicada a documentos que reconhecidamente têm um só autor. Se, por exemplo, um livro contivesse diversos nomes de Deus (Jeová, Deus), repetições, mudanças no vocabulário, narrativas duplicadas e assim por diante, o crítico que possuísse uma fonte consistente iria argumentar que tal livro teve múltiplos autores ou redatores. Contudo, a verdade é que um único autor usou diferentes palavras e sutis variações a fim de fazer a história mais interessante para prender a atenção do leitor. Bons escritores usam variações propositadamente. Além do mais, narrativas históricas frequentemente usam a repetição para enfatizar ou examinar um evento de uma perspectiva diferente. Por que os críticos não aplicam suas técnicas a Platão, Aristóteles ou Shakespeare? A resposta é simples. Tais obras não requerem fé em Deus e obediência à sua Palavra. G. Ch. Alders acrescenta outra crítica pertinente à hipótese documentária. Ele escreve: "Quando estudamos a literatura que se relaciona ao Pentateuco, torna-se evidente que a teoria de fontes separadas nos conduz a um exercício quase interminável de criar novas distinções e identificar porções. Tem sido corretamente mostrado que os extremos a que a aplicação dessa abordagem tem levado, acabaram por fazer com que o método das fontes distintas pareça totalmente absurdo. Todo pesquisador sábio e equilibrado deve perguntar a si mesmo se nós estamos realmente lidando com uma preciosa realidade ou com nada mais que a mostra de uma aguda ingenuidade. Seria fácil fornecer exemplos daqueles que têm levado esta teoria a extremos tais, que têm perdido o contato com realidades simples e óbvias" (Genesis - Grand Rapids: Zondervan, 1981, 1:18).

8 Veja Roland Kenneth Harrison. Introduction to the Old Testament, p. 509.

9 Edward J. Young. Genesis 3: A Devotional and Expository Study (Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1966), p. 15.

10 Ibid.

11 G. Ch. Alders, Genesis (Grand Rapids: Zondervan, 1981), 1:45: Que o objetivo de Gênesis é relatar fatos históricos, isso não é difícil de afirmar. Não existe um argumento sólido que prove o contrário. Todos os argumentos que têm, de tempos em tempos, sido apresentados para questionar esse intento do livro são, na melhor das hipóteses, tênues. O plano inteiro do livro indica que o seu verdadeiro propósito era apresentar a história real. Isso está de acordo com a natureza do Pentateuco como um todo, do qual Gênesis faz parte, e que é, indubitavelmente, uma obra histórica. Isso é confirmado pela sua própria autodenominação como tôledôt - "história" ou "relato" em Gn 2.4; 6.9; 11.27; 37.2. Isso está de acordo com a impressão geral que o livro inteiro fornece. Também há o uso constante de uma forma verbal que, em Hebreus, serve para descrever eventos históricos" (Ibid.).

12 Roland Kenneth Harrison. Introduction to the Old Testament, p. 456.

13 Ibid., p .457.

14 Veja Michael J. Behe. Darwin's Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (New York, NY: Simon and Schuster, 1996).

15 Teoria segundo a qual as grandes modificações ocorridas na terra, no passado, resultaram não de catástrofes em grande escala, mas de processos geológicos contínuos, como os que ocorrem no presente. (N. do escritor) .

16 Scott M. Huse. The Collapse of Evolution (Grand Rapids, MI: Baker, 1983), p. 41.

17 Edward J. Young. Genesis 3, p. 54,55.

18 Veja William Henry Green. Primeval Chronology in Bibliotheca Sacra, 47 (1890), p.285-303.

19 Robert H. Stein. Luke (Nashville, TN: Broadmas Press, 1991), p.142.

20 Textos críticos que, de modo geral, baseiam-se em textos alexandrinos ou egípcios, omitem a palavra sangue no verso 26. O versículo é traduzido, então, como "um só" ou "um só homem", ao invés de "um só sangue". O significado em todos os casos é essencialmente o mesmo.

21 John Stott observa que as descobertas científicas sustentam o ensino das Escrituras sobre o assunto. Ele escreve: “Todos os seres humanos compartilham da mesma anatomia, fisiologia e química, e dos mesmos genes. Embora pertençamos a diferentes, assim chamadas, raças (caucasóide, negróide, mongolóide e australóide), cada uma adaptada ao seu próprio meio ambiente, ainda assim, nós constituímos uma única espécie, e pessoas de diferentes raças podem casar-se e gerar filhos. Essa homogeneidade da espécie humana é melhor explicada ao assumirmos que descendemos de um ancestral comum. 'As evidências genéticas indicam', escreve o Dr. Christopher Stringer, do Museu de História Natural de Londres, 'que todos os seres humanos estão intimamente relacionados e compartilham um ancestral comum recente'".

22 Robert Haldane. Romans (Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1958 [1874], p. 213.

23 John Murray. The Epistle to the Romans (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1968), 1:181.

24 E. J. Young, Genesis 3, p.57.

25 Charles Hodge. Romans (Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1989 [1835]), p. 177.

26 James Montgomery Boice. Romans (Grand Rapids:Baker 1992), 2:583. Boice acrescenta este ponto importante: "Estou convencido de que a principal razão pela qual os eruditos liberais desejam considerar os capítulos iniciais de Gênesis como mitologia é que eles não querem encarar a realidade da queda da raça em Adão ou a culpa que decorre dela. Se não houvesse a queda, então todo este assunto sobre Adão e Eva, a serpente e o Jardim do Éden teria como propósito apenas descrever nossa desafortunada, mas inevitável condição humana. Serviria apenas para dizer que vivemos em um mundo imperfeito e que devemos, portanto, lutar continuamente contra a imperfeição. Em vez de mostrar a nossa culpa, uma ideia como essa, na verdade, nos dá motivo de orgulho e uma falsa estatura de herói. Assim, não podemos ser culpados de coisa alguma. Nós simplesmente herdamos a imperfeição e devemos até ser louvados por estarmos lutando tão bem contra ela. Na verdade, pode-se dizer que estamos fazendo cada vez melhor" (Ibid.).

27 D. Martyn Llo yd-Jones. Romans, Exposition of Chapter 5 (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1971), p. 181.

28 Edward J. Young. Genesis 3, p. 60.

29 George W. Knight III. The Pastoral Epistles (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1992), p. 143.

30 Charles Hodge, I and II Corinthians (Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1974 [1857, 59]), p. 210.

31 George W. Knight III. The Pastoral Epistles, p.144.

32 J. N. D. Kelly, The Pastoral Epistles (Peabody, MA: Hendrikson, 1960), p.68.

33 As ordenanças da criação são normas éticas que são baseadas na obra criadora de Deus. Elas "retratam' a constituição das coisas do modo como elas foram concebidas pela mão do Criador. Elas contêm e regulam toda a escala da vida: gerar filhos, cuidar da terra como mordomo responsável diante e abaixo de Deus, governar responsavelmente as criaturas, encontrar realização e satisfação no trabalho, no labor, no descanso, e, gozar o casamento como um dom do alto (Walter C. Kaiser, Jr. Toward Old Testament Ethics. Grand Rapids: Academic Books, 19831, p. 311.

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