Defesa da Fé


Natal, sim! Domingo, não! Por quê?


Por Paulo Cristiano Silva

Teólogo e sociólogo, vice-presidente do CACP


No presente artigo, analisaremos os pressupostos que levaram os adventistas a adotar a festividade do Natal, mas, também, a renegar o dia do Senhor – o domingo. Serão justos os critérios usados para aferir ambas as festividades?

É do conhecimento de todos que os adventistas do sétimo dia, assim como todos os sabatistas, gostam de explorar o assim chamado lado “pagão” do domingo. Em quase todos os livros sabatistas que tratam do assunto, há afirmações por demais severas sobre o primeiro dia da semana. Por exemplo, Ellen Gould White – a profetisa do movimento – disse a respeito do domingo: “Foram os passos por que a festividade pagã alcançou posição de honra no mundo cristão”.

Outro autor adventista, citando uma autoridade em história, afirma: “O dia era o mesmo de seus vizinhos pagãos e compatriotas; e o patriotismo de boa vontade uniu-se à conveniência de fazer desse dia, de uma vez, o dia do Senhor deles e seu dia de repouso”.

Para encerrar o desfile de exemplos, temos o parecer do renomado pregador (entre os adventistas) Alejandro Bullón: “Mas, Constantino adorava o sol no dia consagrado ao deus sol: o domingo”.

Diante disso, não restam dúvidas de que os adventistas acreditam mesmo que quem adora a Deus no domingo está, na verdade, adorando a Deus num dia espúrio, pagão. A rejeição ao domingo pelos adventistas parece se firmar em três pressupostos básicos. A saber:


Escriturístico: Dizem que não há mandamento para se guardar o domingo na Bíblia.

Histórico: Dizem que, outrora, tal dia era venerado pelos pagãos como dies solis ou dia do deus Mitra – deus solar. E, por isso, não devemos guardá-lo, pois traz o estigma do paganismo.

Eclesiástico: Dizem que a igreja romana mudou o sétimo dia da semana para o primeiro dia a fim de congregar cristãos e pagãos debaixo da mesma bandeira. A consequência disso foi que muitos pagãos aceitaram o cristianismo nominalmente.


Quando analisamos as alegações das testemunhas de Jeová sobre os requisitados costumes “pagãos” da cristandade, vemos que existe uma estreita semelhança entre os dois grupos, até mesmo nas contradições.

As testemunhas de Jeová não festejam aniversários, ano novo, dia das mães e Natal. Não guardam o domingo porque julgam tratar-se de práticas pagãs, mas, em contrapartida, e contraditoriamente, usam aliança de casamento e apoiam a cremação de corpos, práticas que as próprias testemunhas dizem ser oriundas do paganismo.

Os adventistas, por sua vez, se afinam pelo mesmo diapasão. Enquanto rejeitam o domingo como pagão, aceitam, de braços abertos, outros costumes considerados pagãos, como, por exemplo, o símbolo da cruz.

Vejamos as declarações contundentes de Ellen Gould White sobre o Natal:

“O Natal como dia de festa. Aproxima-se o Natal, eis a nota que soa através do mundo, de Norte a Sul, e de Leste a Oeste. Para os jovens, de idade imatura, e mesmo para os de mais idade, é este um período de alegria geral, de grande regozijo. Mas, o que é o Natal, que assim exige tão grande atenção? O dia 25 de dezembro é, supostamente, o dia do nascimento de Jesus Cristo, e sua observância tem-se tornado costumeira e popular. Entretanto, não há certeza de que se esteja guardando o verdadeiro dia do nascimento de nosso Salvador. A História não nos dá certeza absoluta disso. A Bíblia não nos informa a data precisa. Se o Senhor tivesse considerado esse conhecimento essencial para a nossa salvação, Ele se teria pronunciado pelos seus profetas e apóstolos, para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas, o silêncio das Escrituras sobre esse ponto dá-nos a evidência de que ele nos foi ocultado por razões as mais sábias. A adoração da alma deve ser prestada a Jesus como o Filho do infinito Deus”.

“O dia de Natal não deve ser passado por alto. Sendo que o dia 25 de dezembro é observado em comemoração ao nascimento de Cristo, e sendo que as crianças têm sido instruídas, por preceito e exemplo, que este foi, indubitavelmente, um dia de alegria e regozijo, será difícil passar por alto este período sem lhe dar alguma atenção. Ele pode ser utilizado para um bom propósito”.

Caro leitor de Defesa da Fé, você prestou bem atenção no que ela diz sobre o Natal nesses dois excertos? Vamos sintetizar. Em suma, ela crê que:


Premissa A: não existe base bíblica para comemorar o Natal

Premissa B: a observância do Natal é popular e não bíblica

Premissa C: não há base histórica para se celebrar o Natal

Conclusão: mesmo assim, o dia de Natal “não deve ser passado por alto”, mas é uma ocasião para honrar a Deus.


O que Ellen Gould White não disse sobre o Natal


É claro que a senhora White não disse toda a verdade sobre o Natal. Caso contrário, teria de abandoná-lo, pelo fato de ser obrigada a usar o mesmo critério que usou a respeito do domingo. Será que Ellen Gould White, como escritora e pesquisadora de história, sabia da origem pagã do Natal? É pouco provável que fosse ignorante do assunto, já que seus apologistas consideram-na uma grande historiadora, chegando a afirmar que “tudo quanto disse e escreve é puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato”.

Não querendo entrar no mérito da originalidade de seus escritos (mesmo porque não faz parte do escopo deste artigo falar sobre os plágios dela), Ellen Gould White havia lido vários livros de historiadores que mostravam esse lado “pagão” do Natal. Por isso, insistimos em dizer: ela não era ignorante desse pormenor. Tanto é assim que a sua própria igreja, anos depois, faria a seguinte declaração a respeito do Natal: “Como instituição religiosa, o Natal não tem fundamento na Bíblia, mas, sim, no paganismo. Nem Jesus Cristo nem os apóstolos instituíram o Natal. Como costume, ele veio do paganismo, e foi introduzido na Igreja Católica por volta do século 4o, baseando-se, portanto, na autoridade dessa igreja e não da Palavra de Deus”.


Qual é a posição dos adventistas sobre o Natal?


Tudo aponta para o fato de que os adventistas, conquanto abominem o domingo como pagão, por outro lado, aceitam, sem nenhuma contestação, o Natal. Após lermos as citações que associam o Natal ao paganismo, ficaríamos na expectativa de os adventistas rejeitarem o Natal como fazem com o domingo, mas quão grande foi a nossa surpresa ao lermos a explicação bem embrulhada dada em seguida: “Em face dos esclarecimentos, revelações, desmistificações, ou fatos e verdades precedentes, alguns poderiam julgar oportuna a pergunta: Como Igreja Adventista do Sétimo Dia, temos razões ou justificativas para comemorar o Natal, sendo esta uma festividade de fundo pagão e que honra a autoridade de Roma? Não seria melhor se abolíssemos de nosso meio as programações natalinas? Tendo em mente o verdadeiro significado do Natal, penso que, como igreja, fazemos bem em observá-lo. Afinal, o nascimento de Jesus não foi um fato, uma realidade?”.

Como poderiam ser contra? Certa vez, os adventistas até chegaram a ganhar um presente de Natal. Vejamos: “Após duas semanas de orações especiais em favor do pastor White, os crentes de Rochester passaram o dia 25 de dezembro, o Natal de 1865, em jejum e oração pelo retorno de sua saúde. Deus respondeu concedendo-lhes [e ao mundo] um impressionante presente de Natal”.

O entusiasmo pela festa natalina era tanto que Ellen Gould White chegou a incentivar o comércio de livros adventistas por ocasião da festividade.


O que outras fontes disseram sobre o assunto


Uma enciclopédia secular afirma que “os cristãos substituíram a antiga festa romana do solstício de inverno pela do Natal. A piedade popular, movida pela ternura dos motivos da infância, enfatizou essa festividade. Uma de suas manifestações mais típicas são as canções ao menino Jesus, acompanhadas por instrumentos tradicionais. A festa do Natal foi instituída oficialmente pelo bispo romano Libério, no ano 354.

“Na verdade, a data de 25 de dezembro não se deve a um estrito aniversário cronológico, mas, sim, à substituição, com motivos cristãos, das antigas festas pagãs. As alusões dos padres da igreja ao simbolismo de Cristo como “sol da justiça” (Ml 4.2) e “luz do mundo” (Jo 8.12) e as primeiras celebrações da festa na colina vaticana (onde os pagãos tributavam homenagem às divindades do Oriente) expressam o sincretismo da festividade, de acordo com as medidas de assimilação religiosa adotadas por Constantino.

“A razão provável da adoção do dia 25 de dezembro é que os primeiros cristãos desejaram que a data coincidisse com a festa pagã dos romanos dedicada “ao nascimento do sol inconquistado”, que comemorava o solstício de inverno. No mundo romano, a Saturnália, comemorada em 17 de dezembro, era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o dia do nascimento do misterioso deus iraniano Mitra, o ‘sol da virtude’”.

A Enciclopédia Católica alega que “a festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja [...] Os primeiros indícios dela são provenientes do Egito [...] Os costumes pagãos relacionados com o princípio do ano se concentravam na festa do Natal”.

Enfim, uma enciclopédia protestante assim se posiciona: “Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano. As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidas pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram, com simpatia, uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do Ocidente e do Oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar, como cristã, essa festividade pagã”.

Caro leitor, se você já teve a oportunidade de examinar os primeiros artigos desta edição de Defesa da Fé, sabe que é possível defender a celebração do Natal, a despeito de suas origens pagãs, que nenhum pesquisador sério nega. Entretanto, no caso dos adventistas, eles empregam dois pesos e duas medidas diferentes: um julgamento para o domingo e outro para o Natal, o que é deveras contraditório.


A Ellen Gould White e a árvore de Natal


Respondendo à pergunta,que diz: “Devemos armar uma árvore de Natal?”, Ellen Gould White afirma o seguinte: “Deus muito se alegraria se, no Natal, cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto. Têm chegado a nós cartas com a interrogação: Devemos ter árvores de Natal? Não seria isto acompanhar o mundo? Respondemos: Podeis fazê-lo à semelhança do mundo, se tiverdes disposição para isso, ou podeis fazê-lo muito diferente. Não há particular pecado em selecionar um fragrante pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore. A árvore pode ser tão alta e seus ramos tão vastos quanto o requeiram a ocasião; mas os seus galhos estejam carregados com o fruto de ouro e prata de vossa beneficência, e apresentai isto a Deus como vosso presente de Natal. Sejam vossas doações santificadas pela oração”.

Em outra declaração, lemos: “As festividades de Natal e do Ano Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os necessitados que têm família grande para sustentar”.

A profetisa adventista afirmou que árvore de Natal com ofertas missionárias não é pecado: “Não devem os pais adotar a posição de que uma árvore de Natal posta na igreja para alegrar os alunos da Escola Sabatina seja pecado, pois pode ela ser uma grande bênção. Ponde-lhes diante do espírito objetos benevolentes. Em nenhum caso, o mero divertimento deve ser o objetivo dessas reuniões. Conquanto possa haver alguns que transformarão essas reuniões em ocasiões de descuidada leviandade, e cujo espírito não recebeu as impressões divinas, outros espíritos e caracteres há para quem essas reuniões serão altamente benéficas. Estou plenamente convicta de que inocentes substitutos podem ser providos para muitas reuniões que desmoralizam”.

Ainda antes de adentrarmos no aspecto “pagão” da árvore de Natal, vejamos um trecho em que Ellen Gould White recomenda a providência de uma “recreação inocente” para o dia de Natal: “Não vos levantaríeis, meus irmãos e irmãs cristãos, cingindo-vos a vós mesmos para o dever no temor do Senhor, procurando arranjar este assunto de tal maneira que não seja árido e desinteressante, mas repleto de inocente prazer que leve o sinete do céu? Eu sei que a classe pobre responderá a estas sugestões. Os mais ricos também devem mostrar interesse e apresentar seus donativos e ofertas proporcionalmente aos meios que Deus lhes confiou. Que se registrem nos livros do céu um Natal como jamais houve, em virtude dos donativos que forem dados para o sustento da obra de Deus e o reerguimento do seu reino”.


O contexto pagão da árvore de Natal


A senhora White deveria saber que, segundo o conhecimento popular, a árvore de Natal está “carregada de símbolos pagãos”. Diz,certa obra: “Muito antes de existir o Natal, os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em dezembro, como um símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Já o costume de ornamentar a árvore pode ter surgido do hábito que os druidas tinham de decorar velhos carvalhos com maçãs douradas para as festividades deste mesmo dia do ano. A primeira referência a uma ‘árvore de Natal’ é do século 16. Na Alemanha, famílias ricas e pobres decoravam árvores com papel colorido, frutas e doces. Esta tradição se espalhou pela Europa e chegou aos Estados Unidos pelos colonizadores alemães. Logo, a árvore de Natal passou a ser popular em todo o mundo”.

O autor do livro Babilônia: a religião dos mistérios, afirma: “A árvore de Natal, como a conhecemos, só data de alguns poucos séculos, embora a ideia a respeito de árvores sagradas seja muito antiga”. Woodrow cita uma antiga fábula babilônica onde se diz que um pinheiro nasceu de um velho tronco morto, sendo que esse velho tronco representava Ninrode, que havia morrido, e o novo pinheiro que acabara de nascer era o mesmo Ninrode, que estava vindo novamente habitar em Tamuz. O mesmo autor ainda diz que, entre os druidas, antigos sacerdotes, o carvalho era sagrado; entre os egípcios, sagrada era a palmeira; e em Roma, o abeto, uma planta ornamental, que era decorada com cerejas negras durante a Saturnália, uma festa em devoção ao deus Saturno. Woodrow, na mesma obra, também cita Odin, um deus escandinavo que, segundo crenças, dava presentes especiais, na época do Natal, àqueles que se aproximavam de seu abeto sagrado.

Preste atenção, leitor, a nossa finalidade aqui não é dogmatizar sobre o emprego da árvore de Natal em sua casa ou igreja, mas, aim, salientar que quase tudo do que se pode dizer sobre esta prática também pode-se dizer do domingo (guardadas as distinções dos objetos), ficando claro a incoerência da crença adventista ao rejeitar o domingo. Analise a tabela a seguir:


DOMINGO


- Dia pagão.Relacionado aos deuses pagãos;

- Cristianizado pela Igreja Católica Romana;

- Nasceu na devoção popular;

- Conclusão: não pode ser observado.


DIA DE NATAL e ÁRVORE DE NATAL


- Dia pagão. Relacionado aos deuses pagãos;

- Cristianizado pela Igreja Católica Romana;

- Nasceu na devoção popular;

- Conclusão: pode ser observado.


Em face disso, indagamos: “Os adventistas vão continuar obedecendo à sua profetisa na prática de um suposto costume ‘pagão’ ou vão ignorar o ‘espírito de profecia’ desta vez?”.


Um assunto que abalou os adventistas


Por trazer verdades ainda não totalmente reveladas no meio adventista, alguns elementos deste artigo, usados por mim num debate virtual, causaram um impacto forte em muitos leitores adventistas.

Certo site adventista, confrontando as implicações que essas revelações perturbadoras têm para a autoridade profética de Ellen White, expôs o problema da seguinte maneira:

“A divulgação dos argumentos a favor do Natal e contra o domingo, pelo pesquisador Paulo Cristiano Silva, deixou alguns de nossos leitores preocupados e até foi-nos solicitado que explicássemos melhor a nossa posição diante do assunto, a fim de evitarmos que alguns fossem prejudicados em sua fé pela ‘revelação’ de que a irmã White era um ser humano como qualquer um de nós, sujeita a erros, por falta de informação ou pesquisa, e mesmo raciocínio equivocado”.

Então, vejamos algumas das explicações apresentadas:


Nossa profetisa foi inspirada, mas nem tanto


“Quanto à senhora White, confirmam-se, mais uma vez, suas palavras em relação à possibilidade de erro e da necessidade de termos unicamente a Bíblia como nossa única e infalível regra de fé. Nenhum profeta recebe toda a luz disponível sobre todos e quaisquer pontos doutrinários existentes e a inspiração não é contínua, mas ocasional, o que equivale dizer que nem todas as palavras ditas ou escritas por um profeta são inspiradas. Um incidente bíblico que esclarece esse ponto é o caso do profeta Natã e o rei Davi, quando o primeiro garantiu ao segundo que este construiria o templo para Deus (1Cr 17.1-5)”.

O articulista fala em “possibilidade de erro”, mas tal possibilidade fica excluída pelo julgamento que ela mesma e seus adeptos faziam e fazem ainda de seus escritos. Observe essas declarações a seguir sobre a inspiração de Ellen Gould White segundo os próprios adventistas: “Disse o meu anjo assistente. ‘Ai de quem mover um bloco ou mexer num alfinete dessas mensagens (da senhora White). A verdadeira compreensão dessas mensagens é de vital importância. O destino das almas depende da maneira em que forem elas recebidas.” E mais: “Negamos que: A qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas.” (grifo nosso)

Diante do exposto, fica difícil concordar com a argumentação dada em certo site adventista: “Sabemos que a própria Sra. White recomendou certa vez esta prática para atrair a atenção dos pequenos (sobre o Natal). Sabemos também, por voz da própria Sra. White, que colocássemos seus escritos à luz das escrituras. Compreendemos que, semelhante a Lutero, nem toda a luz possa ter sido transmitida a ela, mas, no devido tempo, toda a luz seria mostrada, para confirmação da fé daqueles que foram chamados para serem santos”.

A verdade é que Ellen Gould White cria piamente na inspiração total de seus escritos. Além disso, é irrelevante argumentar sobre ela não ter recebido “toda a revelação doutrinária”. Ninguém precisaria de “revelação” para saber desses fatos. A verdade é que o deus que inspirava Ellen White foi um tanto parcial nessa questão, pois lhe revelou, pela história, que o domingo era pagão, mas deixou de lhe revelar certos fatos sobre a adoção do Natal pela Igreja cristã, que, diga-se de passagem, não carecia de tanta “revelação” assim, pois bastava à profetisa ler os livros históricos à sua disposição, livros que ela estava cansada de folhear com o intuito de sempre conseguir argumentos para denegrir a imagem do domingo.

E pasmem! Os adventistas, para salvar sua profetisa da contradição explícita, se voltam contra a própria Bíblia, procurando supostos erros nos escritos dos profetas, como no suposto caso de Natã. Essa não é a primeira vez que eles usam este artifício. Pelo contrário. A primeira vez foi quando lançou mão do chamado “grande desapontamento”, decorrente da frustração pela vinda de Jesus, que fora agendada por eles, mas nunca aconteceu. Alegaram, na época em que a profecia de 1843-4 falhou, que os discípulos também haviam tido expectativas erradas quanto à volta de Jesus.

Todo esse comportamento em muito se assemelha às testemunhas de Jeová. Observe a incrível semelhança entre ambos os grupos para tentar defender seus deslizes escatológicos.

Disseram as testemunhas de Jeová: “As testemunhas de Jeová têm estado ansiosas de saber quando virá o dia de Jeová. Na sua ansiedade, às vezes, fizeram tentativas de calcular quando viria. Mas, por fazerem isso, assim como fizeram os primeiros discípulos de Jesus, deixaram de acatar as palavras de cautela do Amo, de que ‘não sabemos quando é o tempo designado’”.

Agora, compare, com essa declaração de Ellen White para justificar o fiasco de 1844: “Todavia, este desapontamento [o de 1844] não foi tão grande como o que experimentaram os discípulos por ocasião do primeiro advento de Cristo”.

Conhecendo a origem das duas seitas, não é exagero dizer que, qualquer semelhança, não é mera coincidência!

Mas, nem mesmo lançando mão de artifícios cavilosos como esses, o articulista conseguiu provar suas alegações, porque o incidente bíblico em que se baseou para justificar sua profetisa foi vergonhosamente deturpado em termos hermenêuticos. Em nenhuma versão bíblica, encontraremos o profeta Natã profetizando para Davi construir uma casa a Deus. Muito pelo contrário. Ele disse que Davi não construiria nenhuma casa para Deus: “Vá e diga ao meu servo Davi que eu mandei dizer o seguinte: ‘Você não é a pessoa que vai construir o templo em que eu vou morar’” (NTLH).


O domingo é contrário à lei de Deus, mas o Natal, não!


Vejamos como continuam os adventistas em sua tentativa de justificar Ellen Gould White: “Por que Natal sim e domingo, não? A resposta é simples: Porque o domingo vai diametralmente contra a lei de Deus e o Natal, não! Nós não guardamos o domingo não por causa de sua origem no paganismo, mas, sim, porque fere o decálogo. Esta é a diferença fundamental e a que realmente pesa quando comparamos o domingo com o Natal ou qualquer outro costume de nossa sociedade com origem no paganismo ou sem origem conhecida”.

Esta resposta é tão simplória e inexpressiva que o próprio defensor do website tratou de desmontá-la. Vejamos: “A ordem ‘Lembra-te do dia do sábado para o santificar’ não proíbe explicitamente que se guarde o domingo além do sábado, assim como não proíbe também que se comemore o Natal. Aliás, Ellen G. White também sugeriu que, ao ser promulgada a lei dominical, deveríamos nos abster de atividades seculares no primeiro dia da semana e aproveitar esse dia para o trabalho missionário [...] Mas, as coisas começam a se complicar, quando se lê a sequência do quarto mandamento: ‘Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus’. Perceba que o mandamento ordena também que trabalhemos durante os seis dias que antecedem o sábado. Assim, reforça-se a compreensão de que a raça humana recebeu apenas um dia de descanso por semana e esse dia é o sétimo. É errado guardar a sexta-feira à tarde, o domingo ou a segunda-feira, como fazem pastores e obreiros da organização adventista”.

O mesmo autor prossegue, afirmando: “Ora, se a observância do domingo, como dia santificado, equivale à transgressão aberta do quarto mandamento, rebeldia contra Deus e obediência ao poder da besta que procurou mudar os tempos e a lei (Dn 7.25), porque em lugar de sábado se diz domingo, também é submissão ao decálogo romano comemorar o Natal, que é a principal festa católica hoje [...] O pior é que existem várias outras festas de origem católica às quais comemoramos deixando de trabalhar, suspendendo aulas, fechando nossas lojas ou mesmo com programações especiais na igreja (ramos, sexta-feira santa, páscoa, dia das mães, dia dos pais, etc). Em todos esses feriados, Babilônia e os comerciantes de todo o mundo são parceiros. Apocalipse 18.11 [...] A santificação do domingo e a comemoração do Natal representam idêntica submissão e obediência ao decálogo romano”.


O cristão pode comemorar o Natal?


Diante do explorado até aqui, perguntamos: “É lícito o crente comemorar o Natal?”. Tudo indica que sim! Apesar de algumas práticas ditas “natalinas” não fazerem parte da festividade original, tais como: Papai Noel, árvores de Natal, consumismo desenfreado, entre outras, o crente tem de ter sensatez para com a comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Destituído de todas essas inovações, este dia nos leva a refletir melhor sobre a vinda do nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. Foi nesse dia que a maior e mais esplêndida mensagem jamais pregada por um anjo ressoou de forma melodiosa para a alegria e salvação de todo o mundo. Ei-la: “Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11).


Considerações finais


Isto posto, nosso objetivo foi alcançado. Qual seja? Mostrar a incoerência em que incorrem os adventistas do sétimo dia quando exaltam o Natal em detrimento do domingo. Para serem imparciais, deveriam chegar às mesmas conclusões para ambas as festividades, morte e ressurreição, já que usaram o mesmo critério na avaliação da origem.

Como vimos, muitos adventistas do sétimo dia já estão se dando conta da seriedade do problema e se movendo para o lado extremista das testemunhas de Jeová.

Sejamos coerentes: ou domingo e Natal ou nem domingo nem Natal!


Notas de referência:

1 WHITE, Ellen Gould. O conflito dos séculos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, p. 573.

2 North British Review, vol.18, p. 409 APUD CHRISTIANINI A. B. Subtilezas do erro. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1981, p. 234.

3 BULLÓN, Alejandro. O terceiro milênio e as profecias do Apocalipse. [s.l.; s.n].

4 Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.

5 WHITE, Ellen Gould. O lar adventista. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, p. 477-8.

6 CHRISTIANINI A. B. Subtilezas do erro. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1981, p. 35.

7 Revista Adventista, dezembro de 1984, p. 14.

8 Ibid..

9 MAXWELL, C. Mervyn. História do adventismo. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1982, p. 224.

10 WHITE, Ellen Gould. O lar adventista. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, p. 479.

11 Encyclopaedia Britannica do Brasil. Verbete: Natal.

12 Enciclopédia Católica. Verbete Natal, 1911.

13 HERZOG, Schaff. The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge. [s.l.; s.n].

14 Review and Herald, 11 de dezembro de 1879.

15 Manuscrito 13, 1896.

16 Review and Herald, 9 de dezembro de 1884, p. 483.

17 Ibid.

18 http://www.adventistas.com/dezembro2002/natal_domingo.htm. Acesso em 28/9/11, às 17h30.

19 WHITE, Ellen Gould. Primeiros escritos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1967, p. 258.

20 Revista Adventista, fevereiro de 1984, p. 37.

21 http://www.jovemadventista.com/arquivo/natal_pagao.htm. Acesso em 28/set/2011, às 17h30.

22 SOCIEDADE TORRE DE VIGIA. A Sentinela. 01/09/1997, p. 22.

23 WHITE, Ellen Gould. O grande conflito. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1971, p.403.

24 http://www.adventistas.com/dezembro2002/natal_domingo.htm Acesso em 28/set/2011, às 17h30.

25 Ibid.

26 Ibid.

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