Entrevista



Alexandre Farias - Educa a criança no caminho em que deve andar



Por Elvis Brassaroto Aleixo


O mundo do entretenimento infantil vive a sua “melhor” fase, nunca os heróis ganharam tanto espaço nas telinhas e telonas, mas com eles, o misticismo e a bruxaria têm quebrado as barreiras do universo infantil e invertido valores espirituais de modo astuto. Nosso entrevistado desta edição é Alexandre Farias Torres, pioneiro na apologética voltada às crianças, pesquisador nesta área desde 1994. É consultor teológico do ICP e diretor do ITAC – Instituto Teológico e Apologético Cristão. Ministra sobre seitas e heresias e é pastor auxiliar da Igreja Evangélica Cristã Presbiteriana em São Paulo. Vejamos a entrevista que segue:

Defesa da Fé – Existe uma tendência natural entre alguns evangélicos à caça aos demônios. Em que medida você julga o lúdico ao qual nossas crianças estão expostas maléfico?

Alexandre Farias – Nem todos os desenhos, jogos, games podem ser repudiados pelos pais; temos muita coisa educativa neste âmbito. Há materiais que apresentam às nossas crianças ótimos conceitos éticos e morais, e até mesmo ajudando-as no desenvolvimento do raciocínio. Tenho diversos deles em minha casa porque tenho três filhos e sei que a criança necessita do lúdico. Costumo jogar vídeo game, assistir a desenhos e brincar com eles, mas na hora de escolher um jogo ou uma outra programação, como “sacerdote do lar”, uso de sabedoria.

O problema de muitos desenhos e jogos de hoje é que trazem conceitos religiosos de modo escancarado. A linguagem espiritual está aberta para qualquer pessoa ver. Abandonaram o compromisso de levar o divertimento puro e simples e enxertaram conceitos contrários à fé cristã. Os super-heróis atuais são demônios, bruxos, feiticeiros, médiuns. O mal luta pelo bem, e isso tem invertido os conceitos espirituais das crianças. Não demonizo todo entretenimento, não procuro chifres em cabeça de cavalo, até porque não precisamos disto, os desenhos falam por is só.

Defesa da Fé – O que entende por “fantasia”? Exponha como julga que esta pode inculcar conceitos e dogmas de outras religiões em nossas crianças.

Alexandre – O dicionário Aurélio defini a palavra como “obra da criação da imaginação”. Pois bem, em face dessa acepção, o que chamamos de fantasia é o trabalhar da mente ou do consciente da criança para que ela possa ter um contato com um mundo imaginário. Usamos a fantasia em nossas igrejas por meio de fantoches, bonecos, desenhos bíblicos e, particularmente, defendo que esta seja necessária a qualquer criança. Porém, o que se vê no mundo do entretenimento infantil é a negação do uso da fantasia com fins religiosos, sob o pretexto de difundir que a cultura deve ser conhecida pelas crianças. É curioso que desenhos mais antigos não tinham esta preocupação, é apenas recentemente que os “animes” estão envolvendo as crianças no mundo das religiões orientais, levando o budismo, o hinduísmo e o confucionismo para dentro de nossos lares.

Parece que o deus deste século também aprendeu a lição de provérbios 22.6 e está investindo na criança, promovendo, através da fantasia, uma linguagem religiosa, palavras ritualísticas, oferendas religiosas, mediunidade, reencarnação, bruxaria, feitiçaria e até o conceito de que o diabo pode lutar pelo bem pode ser encontrado na maioria dos desenhos de hoje.

Defesa da Fé – Quais são suas evidências?

Alexandre – Tenho diversas provas de matérias seculares. Não é possível mostrar todas elas, mas tenho muito cuidado e em minhas palestras levo tudo que posso a fim de provar aquilo que digo.

Há pouco tempo atrás, a revista Bons Fluidos (editora Abril), publicou uma matéria que afirmava que crianças de 6 e 9 anos foram levadas a caminhos religiosos devido a histórias e fantasias. O artigo trazia os depoimentos das crianças e das mães sobre como a criança foi influenciada. Uma criança de 6 anos se interessou por uma religião que não é fácil entender, o hinduísmo, após escutar uma história na escola. Um outro garoto se interessou por bruxaria e afirmou que seu personagem preferido é Harry Potter. O menino declarou que seu livro de cabeceira é um livro de bruxaria: O livro secreto dos bruxos (editora Melhoramentos).

O site de notícias Guiaro, no dia 26/06/04, publicou reportagem com a seguinte chamada: Interesse por Bruxaria aumenta com Harry Potter. O texto fazia menção à procura de cursos de bruxaria em uma escola de Santo André (SP), conhecida como Escola de esoterismo Casa de Bruxas. A proprietária da escola deu o seguinte depoimento: “A cada lançamento de Harry Potter, cresce o número de crianças e adultos interessados em aprender bruxaria”. Para atender a demanda infantil, foi criado um curso só para crianças.

Em uma outra reportagem, a esotérica Monica Buonfligio disse à Folha online, em 20/04/06, que, antes do lançamento de Harry Potter, recebia cerca de 2.200 e-mail por mês para consultas esotéricas; depois do filme, este número saltou para 3.500 e-mails.

Estas são só algumas das provas seculares que tenho, existem muitas outras em minha biblioteca particular.

Defesa da Fé – Alguns acham um tanto anacrônico falar em bruxaria hoje? Podemos pensar em bruxaria como uma categoria religiosa?

Alexandre – É claro que as bruxas não voam, nem tem nariz enrugado. A bruxaria é uma religião como outra qualquer. É um movimento religioso neo-pagão, matrifocal, que acredita na reencarnação, é politeísta, nega a existência do inferno, do céu e dos demônios e celebra as estações do ano. Não possui um livro como sua regra de fé, mas possui algumas obras que os bruxos consideram importantes, como os livros de Gerald Gardner, por exemplo.

Defesa da Fé – Em suas matérias, você declara que em alguns desenhos o herói é um demônio. Comente um pouco sobre isso.

Alexandre – Existem desenhos em que o super-herói, ou o personagem protagonista, que tem a missão de lutar contra o mal, é representado pela pessoa do demônio. Posso citar vários exemplos: Spaw, Hell Boy, Inu Yasha, Mister Satan do Dragon Ball GT, entre outros. Para os pais que por ventura lerem estes nomes, poderá parecer tudo muito estranho, mas um simples questionamento acerca destes personagens às crianças, revelará que muitas delas, infelizmente, os conhecem muito bem.

Demônios, diabo, Satanás e suas variantes são inimigos de Deus, temos várias referencias bíblicas que nos dão razão para não aceitar esta criatura como um ser que traz a justiça. Satanás originou o pecado e vive pecando desde o princípio (Jo 8.44). Por mais que a representação esteja no mundo da fantasia, não podemos aceitar um super-herói demônio. O diabo nunca foi um bom exemplo. A Bíblia exorta que não devemos chamar o mal de bem, e nem o bem de mal. Isso também serve para personagens mais subalternos como feiticeiros, bruxos.

Defesa da Fé – Há quem entenda que isso tudo seja uma contradição. Por que desenhos com personagens representados por demônios, feiticeiros e bruxos não podem ser benéficos se fazem o bem?

Alexandre – É muito simples. Se o diabo usa um personagem demoníaco, que represente a bruxaria e a feitiçaria “do bem”, as crianças começaram a ter em mente que ele não é tão ruim assim e que o bruxo do bem é um cara legal e bom. A Bíblia nos diz que aquele que pratica a feitiçaria terá sua parte no inferno (Ap 21.8). Imagine uma criança em plena formação de seu conceito espiritual recebendo diariamente, por meio da TV, a informação de que o diabo ou o feiticeiro é bonzinho... Basta indagar uma criança com a seguinte pergunta: A bruxaria de Harry Potter é do bem ou do mal? Não precisamos ir longe, façamos esta pergunta aos filhos de crentes que assistiram aos filmes ou leram os livros.

Defesa da Fé – É verdade ou boato a existência de um certo calendário de demônios que andou sendo distribuído em um famoso parque de diversão de São Paulo?

Alexandre – É verdade. Depois de um culto, uma irmã veio me entregar este calendário de demônios e disse que sua filha estava fazendo pedagogia e em um dos passeios para pesquisa em um parque de diversão, recebeu este suplemento informativo que em sua quinta página trazia um demônio para cada mês do ano. Entre eles havia os nomes de Satã para Março, Lúcifer para Maio, Belzebu para Julho, Baal para Outubro, Moloque para Dezembro, etc.

Mas veja bem, não estamos afirmando aqui que os parques que adotam este tipo de chamariz estão praticando satanismo, o que queremos insistir é que no mundo em que vivemos o satanismo é real! Ele existe e muitos são levados pela adrenalina de conhecer algo diferente e aterrorizante! Para se ter uma idéia, comprei um boneco de vodu em uma casa esotérica por R$10,00 reais. Um dos vodus oferecidos é o da figura do professor. A magia não é feita com espetos, mas é à base de nós. O pacotinho contém o bonequinho, uma plaquinha para colocar o nome da pessoa, as fitas para amarrar o boneco conforme a necessidade e as informações necessárias de como proceder conforme a situação. Tudo muito bem explicado para que qualquer criança entenda. Quer dizer, isto não é brincadeira de criança!

Defesa da Fé – Como a Igreja e a família devem proceder em face destas questões?

Alexandre – Acredito que os pastores devem valorizar mais as crianças e os adolescentes da igreja, dando-lhes condições de terem uma base sólida. Muitos líderes de ministérios não conhecem as artimanhas do inimigo e, às vezes, são completamente radicais a ponto de proibir tudo; outros, porém, liberam de modo geral qualquer entretenimento. Existe um ponto de equilíbrio para esta situação: ensinar as Escrituras Sagradas.

Aos pais, eu digo: amem seus filhos, se envolvam com eles, brinquem com eles, conheçam o mundo deles, procurem saber sobre a vida deles e o mais importante: ensinem a eles a Palavra de Deus a eles, pois somente assim o Espírito Santo vai poder trabalhar nos corações dos pequeninos. Não proíbam sem explicações razoáveis. Sejam sacerdotes do lar, orem e jejuem por eles, pois os filhos são heranças de Deus (Sl 127.3).


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