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 Do Editor

 

Maio de 2007

“Na casa de meu Pai há muitas moradas”

Passeando pela vasta produção escrita pelo dr. Martyn Lloyd Jones (1899-1981), renomado teólogo protestante e apologista da fé evangélica, nos deparamos com uma concepção bem sensata sobre seu conceito existencialista cristão. Para ele, a fé e a compreensão bíblica do destino do cristão sempre ocuparam lugar cativo em sua vida cristã. Diz ele: “Minha opinião acerca de tudo o que me acontece deve ser regida por estas três coisas: a compreensão que tenho acerca de quem eu sou, a consciência que tenho de para onde vou e o conhecimento que tenho do que me espera quando eu chegar lá”.

Fazemos coro com o pastor galês. O exercício da fé em um lugar de venturas, proporcionado pelo ato salvífico operado por Cristo, acompanha o cristianismo desde sua gênese e tem seu clímax celebrado nas palavras de Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo 14.2).

O arquétipo do paraíso, ou “céu de salvação”, consta da maioria dos sistemas religiosos existentes, mas cada qual com suas particularidades, estereótipos e regras de acesso. A matéria de capa do caderno apologético desta edição de Defesa da Fé resume esse tipo de crença tal como é propagado nas principais religiões atuais e se constitui assunto importante na medida em que forma e informa o estudante sobre um assunto que sempre foi alvo de improdutivas especulações.

Ainda naquele caderno, sublinhamos a brilhante entrevista gentilmente concedida pelo Dr. Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na qual comenta com profundidade as raízes e as implicações positivas e negativas do liberalismo e do fundamentalismo teológico. Entrevista imperdível. Outros dois textos são “Tolerância zero”, de Valmir Nascimento, uma crítica à apropriação errônea da idéia de “tolerância” difundida pela mídia, e “Como se faz um santo”, de Paulo Cristiano, do CACP, em que explica o processo de “fabricação” dos santos criados por Roma.

Já no caderno teológico, destacamos uma exposição do Dr. Oscar Cullman (1902-1999), sobre a noção de “história” construída pelo cristianismo. O teólogo francês luterano discute os princípios de julgamento que determinam a composição da “história”, enfatizando sua dependência cristocêntrica por meio da “história da salvação”. Artigo precioso aos estudantes de teologia que nos acompanham. Além disso, publicamos uma matéria sobre a hermenêutica e a histórica Confissão de Westminster (1646), escrita pelo entrevistado, e uma outra sobre a importância do resgate dos “Solas” da Reforma Protestante, produto da “Declaração de Cambridge”, dois artigos que reclamam atenção nestes dias em que algumas igrejas têm-se distraído e se afastado da ortodoxia bíblica.

Para os vocacionados ao evangelismo prático e às missões transculturais, trazemos um texto sobre o legado pentecostal sueco ao Brasil por meio dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, fundadores da Assembléia de Deus em nosso país, que também fala a respeito da situação espiritual da Suécia hoje. Compartilhamos, ainda, uma estratégica proposta para cultivar o diálogo evangelístico entre os muçulmanos, fruto do Projeto Mahabba, escrita pelo missionário Jéferson Dias, que acumula muitos anos de experiência nesse âmbito.

Por fim, não poderíamos deixar de mencionar a nova apresentação material da revista que presenteia o leitor com o acréscimo de 16 páginas e muito mais conteúdo, iniciativa que ratifica o nosso compromisso com a missão de auxiliar na educação espiritual de nossos assinantes.

Prosseguimos nesse propósito enquanto aguardamos pelo céu preparado por Jesus, o nosso Mestre.

 

 

 

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