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O futuro de
nossas crianças está em nossas mãos
Por Antonio Fonseca
Em 1830, surgiu na Inglaterra um movimento voltado para
o ensino de crianças. Segundo consta, um jornalista
evangélico chamado Robert Raikes desenvolveu naquele
país, durante quinze anos, um trabalho entre os detentos
de sua cidade. Raikes percebeu que muitas crianças e
adolescentes andavam perambulando pelas ruas, envolvidas
com a delinqüência, o vício e a ociosidade e, por conta
disso, poderiam ter o mesmo fim das pessoas que ele
visitava na prisão. Preocupado com o futuro dos menores,
começou, então, a levá-los para a sua igreja, a fim de
ensiná-los as Escrituras e, também, outras matérias,
como linguagem, aritmética e moral e cívica.
O trabalho foi tão positivo que logo outros obreiros
adotaram aquele método, trazendo resultados
surpreendestes para todo o país e levando outras nações
a exercerem a mesma prática. Foi assim que surgiu o
movimento denominado “escola dominical” que temos ainda
hoje.
Analisando a questão nos nossos dias, verifiquei que a
plataforma principal de programa de governo de um dos
candidatos à presidência da República, se eleito, é a
educação de período integral das crianças brasileiras.
Pois ele acha que a solução para tanta violência que vem
acontecendo no nosso país está no cuidado constante que
o governo deveria prestar aos brasileiros desde a
infância. Interessante notar que, infelizmente, esse
candidato não aparece com a mínima chance de vitória em
nenhuma das pesquisas de intenção de voto.
Esses fatos me levaram a uma reflexão: se nós, os
evangélicos, representamos 18% da população do Brasil,
por que esse candidato aparece com apenas 1% nas
pesquisas de intenção de voto?
No meu trajeto para o trabalho, pude perceber outro fato
interessante: já há algum tempo, tenho observado que, ao
parar com o meu carro em um dos semáforos da cidade,
várias crianças ficam na esquina, umas fazendo
malabarismo, outras vendendo balas e outras tantas
pedindo esmolas. Vi que, na mesma esquina, há uma igreja
evangélica que está sempre fechada durante o dia. Ela
possui grade com, aproximadamente, dois metros de altura
e, sobre as grades, cerca elétrica.
Isso me fez pensar o seguinte: será que se Raikes
estivesse vivo e fosse dessa igreja ela estaria fechada
para aquelas crianças? Então, pensei no que disse Jesus:
“Deixai os meninos, e não os estorvei de vir a mim;
porque dos tais é o reino dos céus” (Mt 19.14).
Raikes levou quinze anos para perceber que mais valia
investir nas crianças de rua do que em projetos nas
prisões. Quanto tempo será que vamos precisar para
descobrir que dá mais resultado trazer as crianças de
rua para dentro dos nossos templos e lhes oferecer
educação do que evangelizá-las na Febem ou, depois de
maiores, nas penitenciaras? Será que achamos que o
problema dessas crianças diz respeito apenas e
tão-somente ao governo? Bem, se fato achamos isso, que
essa responsabilidade é do governo, por que então o
candidato que mais enfatiza a educação das crianças e
dos adolescentes como garantia de um futuro melhor quase
não aparece nas intenções de votos?
Deixar de votar no candidato que fala em educação o
tempo todo pode não ser nenhum pecado, mas deixar as
crianças abandonadas à própria sorte e manter os templos
com ferrolhos nas portas durante o dia, impedindo a
entrada dos pequeninos, é, no mínimo, incompatível com a
fé cristã.
“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até
quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6).
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