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Resistência da Fé
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Uzbequistão
fechA mais uma agência de ajuda humanitária
O Câmbio Livre da Ásia Central (CAFE, sigla em inglês),
uma agência de ajuda humanitária ocidental, foi fechada
no Uzbequistão, que a ordenou abrir falência completa e
expulsou toda a equipe estrangeira do país.
Outros vinte grupos humanitários foram fechados nesse
país nos dois últimos anos e, assim como aconteceu com
eles, a CAFE também foi acusada de, supostamente, violar
uma lista de várias leis. Todos esses grupos foram
obrigados a encerrar suas atividades com base em poucas
evidências auriculares. A acusação mais séria contra a
CAFE foi o trabalho missionário entre os muçulmanos.
Acusações insignificantes
De acordo com o presidente da agência, James Hall, as
acusações de proselitismo não passaram de uma “desculpa”
para as autoridades uzbeques expulsarem os estrangeiros
que não estavam sob seu controle.
Começando em abril deste ano, cerca de seis processos
foram abertos contra as filiais da CAFE. No primeiro, em
Gulistan, a organização foi absolvida das acusações de
pequenas questões de procedimento.
Uma semana depois, foi a vez da filial em Nukus, acusada
de usar um logo não-registrado, de não conseguir licença
para a Internet e por não comunicar as autoridades sobre
o seu novo diretor.
“Perdemos o caso numa decisão claramente efetuada antes
de o julgamento começar, já que o veredicto entregue no
final da audiência já tinha sido traduzido”, observou
James.
O próximo caso, aberto em Andijan, no dia 11 de maio de
2003, foi uma mistura de acusações de questões de
procedimento e de proselitismo. “Se essas acusações de
fato fossem verdadeiras, por que as autoridades levaram
tanto tempo para nos acusarem?”, desabafou James.
Embora o caso tenha sido retirado no último minuto, foi
reaberto em junho, em outro tribunal. O juiz retirou a
acusação de proselitismo, mas acabou incriminando a
filial da CAFE em Andijan por “não ter fundadores
suficientes” desde o seu registro, datado de 1996.
Injustos julgamentos
Nos meados de maio, dois casos foram abertos contra as
filiais de Fergana e Kokand, baseados em “provas” de
cartas escritas pelos moradores de Komi Choli, vila
próxima de Kokand. O referido documento acusava a
agência e seus membros de pagarem pessoas para se
tornarem cristãs e, conseqüentemente, “desestabilizarem
o país”.
A corte da Fergana fez que o julgamento começasse
imediatamente, por meio de uma pré-audiência, e intimou
os moradores (que atuaram como testemunhas) a acusarem o
diretor da filial de ir à vila, no ano passado, e
oferecer dinheiro às pessoas para que se convertessem ao
cristianismo. Entretanto, quando sob interrogatório,
nenhum dos moradores conseguiu definir a nacionalidade
do diretor. Depois de um julgamento de três dias, a
corte deliberou apenas por alguns minutos e deu parecer
contra a filial.
Não demorou muito, um julgamento em Kokand, com uma
audiência de duas horas, repetiu o mesmo veredicto.
Recebendo acusações idênticas, a filial, devido ao fato
de a corte ter antecipado em um dia a audiência, não
pôde exigir a presença de seu advogado.
No sexto caso, em Samarkhand, a CAFE foi acusada de
ensinar sem licença, embora todos os seus professores
ensinassem em instituições do governo. Além disso,
nenhum regulamento dessa natureza fora requerido a
qualquer ONG nos últimos quinze anos.
No início de junho, os sites do governo foram
surpreendidos com reportagens que diziam que a matriz da
agência em Tashkent sofria acusações legais. Depois que
a CAFE foi ao tribunal para confirmar se tais
informações procediam, o que aconteceu no dia 12 daquele
mês, a agência foi convocada a comparecer à corte.
Embora a lei nacional garanta dez dias para o réu
preparar sua defesa, a CAFE recebeu ordens para se
apresentar no dia 14; ou seja, dois dias depois.
Sem advogados dispostos a pegar o caso (que já tinha um
veredicto pré-determinado), o ativista de direitos
humanos, Marat Zakhidov, atuou como defensor público.
Mas, três horas depois do segundo dia da audiência, o
juiz emitiu sua sentença: o fechamento da agência no
país.
Citando “numerosas violações” de leis de conduta, o juiz
salientou, cinco vezes, na decisão escrita em 15 de
junho, que os funcionários estrangeiros da agência
estavam sendo culpados de “envolverem a população local”
com a religião cristã.
Ainda que a CAFE pudesse apelar dali a vinte dias, a
corte, no entanto, decretou contra o apelo no dia 11 de
julho, forçando a organização a encerrar todas as suas
atividades.
James disse que um último apelo à Suprema Corte seria em
vão, já que todos os funcionários estrangeiros da
agência encerraram seus projetos e estão para deixar o
país. “Ganhar um apelo na atual situação parece irreal”,
admitiu o presidente da agência.
O veredicto final em Tashkent contra a CAFE encerrou os
extensivos projetos de desenvolvimento de uma das
primeiras e maiores ONGs operantes no país desde sua
independência, em 1991.
O Uzbequistão tem-se tornado um buraco negro para os
jornalistas independentes desde o último ano. Oremos por
esse país!
Fonte:
Portas Abertas
(11) 5181-3330
atendimento@portasabertas.org.br
www.portasabertas.org.br
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