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Liderança
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Gestão na
Igreja de Atos
Humildade e obediência à voz do Espírito de Deus
Por Rodolfo Montosa
Era um daqueles dias de grande agitação na Igreja que
crescia. Muitas curas e milagres eram seguidos por
generosas doações, transformando tudo em comum aos pés
dos apóstolos. Embora aqueles recursos não fossem o
objetivo da Igreja que nascia e se multiplicava, eram,
no entanto, conseqüências da intensidade da presença do
Espírito Santo, da comunhão dos santos e do amor que
comandava os corações. O fato é que tais recursos
permitiam um amplo atendimento aos necessitados.
Mas, naquele dia em especial, as divergências apareceram
nas reclamações dos judeus de fala grega porque suas
viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária
de alimento em favor dos judeus de fala hebraica.
Problemas à vista: o sistema de distribuição de
alimentos não estava atendendo a todos, instalando um
sentimento de injustiça, intensificando os conflitos.
Por conta disso, houve a convocação de uma grande
Assembléia entre todos os discípulos, coordenada pelos
doze apóstolos, quando, enfim, chegaram à brilhante
conclusão de que precisavam transferir a gestão
financeira a sete homens de bom testemunho, cheios do
Espírito e de sabedoria. Ao delegarem essa tarefa,
focariam seus esforços à oração e ao ministério. Que
humildade exigiu esse reconhecimento de investirem
outros para a função de gestão!
Esses gestores não eram meros gestores, como tenderíamos
a ver com olhos mais limitados a conceitos de
administração mal compreendidos. Estamos falando, aqui,
de uma estirpe de gestores gerados pelo Espírito de
Deus, cheios da graça e do poder de Deus, homens
capacitados para realizar grandes maravilhas e sinais
entre o povo. Estirpe semelhante a José, Daniel e tantos
outros ungidos para governar as finanças e recursos do
reino de Deus. Pessoas levantadas em uma vida de
santidade, cuja sabedoria e Espírito com que falavam não
podiam ser resistidos. Pessoas comprometidas com Jesus,
seu reino e seus valores.
Acertaram os apóstolos e os gestores
Os apóstolos acertaram por reconhecerem que não tinham
dons para tratar dos assuntos, por compreenderem que sua
missão poderia ser sacrificada, por discernirem que seu
foco estava ligado ao pastoreamento das ovelhas, ao
ensino da Palavra e às orações, por saberem escolher
pessoas qualificadas e com o coração voltado à nova
função que se criava, tudo na direção do Espírito Santo.
Os gestores acertaram por promoverem uma justa
distribuição dos recursos que lhes eram confiados, por
exercerem sua função de mordomia com eficácia e amor,
por fazerem tudo com muita fé, sendo instrumentos de
Deus para a operação de maravilhas, por desempenharem
seu papel com primazia e cumprirem sua missão, tudo na
direção do Espírito de Deus.
Encabeçando a lista dos sete gestores, encontramos o
nome de Estêvão. Acusado à custa de testemunhas
subornadas, foi intensamente ousado e cheio de sabedoria
em seu discurso que o levaria à morte. Seus assassinos o
agrediram pela ignorância e pela manifestação de um
coração mau e cheio de pecado. Não podiam negar seu dom
de zerar a fome, promover bem-estar, trazer paz e
distribuir o que havia sido multiplicado.
Com este exemplo em mente, podemos olhar para a Igreja
nos dias de hoje e refletirmos um pouco. A Igreja nunca
teve tantos recursos financeiros, imóveis e pessoas como
tem hoje em dia. Contudo, a fome está ao nosso redor. No
Brasil, estima-se que 23 milhões de pessoas vivem abaixo
da linha de indigência, o que equivale dizer que 13% da
população tem renda inferior ao valor de uma cesta de
alimentos que permita a ingestão mínima de calorias
diárias, ou seja, passam fome. Não é sem-razão que
existem 170.000 detentos em 512 prisões representando um
dos 10 maiores sistemas penais do mundo, que cresce,
aproximadamente, 6% ao ano.
Precisamos de “apóstolos” (leia-se pastores) que
reconheçam suas limitações e focos ministeriais e que
valorizem o ministério dos gestores. Precisamos de
gestores dispostos a darem suas vidas e talentos a
serviço do reino de Deus, pois, afinal, o primeiro
mártir da fé foi um gestor! Assim que a história de
gestão foi escrita nos primeiros dias da Igreja em Atos:
pessoas integradas exercendo seus dons e talentos a
serviço do reino de Deus.
O autor é diretor do Instituto Jetro. www.institutojetro.com
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