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Contexto
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A importância
da sinagoga na cultura judaica!
Por Gilson Barbosa
A sinagoga pode ser considerada o elemento central da
cultura e religião judaicas. Diversas atividades eram
praticadas na sinagoga e não apenas o culto religioso.
Segundo Flávio Josefo, historiador judeu, na sinagoga de
Tiberíades, região situada às margens do mar da Galiléia
(Jo 6.1), havia reuniões de natureza política. De fato,
para melhor compreensão de algumas passagens do Novo
Testamento, é importante saber o que é uma sinagoga
judaica.
Origem
Por volta de 750 a.C., o reino foi dividido em dois:
Israel, na região Norte, e Judá, na região Sul. Em 722
a.C., o reino do Norte foi devastado pelos assírios.
Séculos depois, mais precisamente em 587 a.C., o reino
do Sul foi conquistado pelos babilônios. Em 539 a.C.,
aqueles que regressaram à sua terra natal passaram,
então, a ser chamados de judeus, por serem provenientes
de Judá e da Judéia.
Foi depois do regresso do exílio na Babilônia que a
religião que hoje conhecemos como judaísmo começou a se
desenvolver. O culto era realizado na sinagoga, um
hábito adquirido na Babilônia, devido à inexistência de
um templo. O lugar servia como ponto de encontro dos
judeus para orações e leitura das Escrituras. O termo
“sinagoga”, do grego sunagoge, tecnicamente, significa
“casa” ou “lugar de reunião”, do hebraico bêt knesset.
Alguns estudiosos creditam a Esdras a responsabilidade
da criação da sinagoga no contexto judaico, durante o
exílio babilônico.
De acordo com recentes descobertas arqueológicas, a
primeira sinagoga fundada nas Américas foi a Sinagoga
Kahal Zur Israel, no Brasil, em 1637, cujas antigas
ruínas se encontram cuidadosamente preservadas na cidade
de Recife, no mesmo local onde foi, posteriormente,
construído o Centro Cultural Judaico do Estado de
Pernambuco.
A sinagoga no Novo Testamento
Champlim nos informa que “no tempo de Jesus havia
sinagogas em qualquer vila. Em Jerusalém, existiam,
aproximadamente, 480”. Jesus freqüentava, assiduamente,
as sinagogas em Israel (Mt 4.23; 9.35; Lc 4.16-30;
13.10; Jo 6.59; 18.20, entre outros). Majoritariamente,
a sinagoga era reservada às discussões voltadas ao
judaísmo e, eventualmente, ainda que correndo alguns
riscos, eram conferidas oportunidades para homilias
livres: “E, depois da lição da lei e dos profetas,
mandaram-lhes dizer os principais da sinagoga: Homens
irmãos, se tendes alguma palavra de consolação para o
povo, falai” (At 13.15).
As sinagogas foram pontos estratégicos para a difusão do
evangelho pelos primeiros missionários cristãos: “E logo
[Paulo] nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o
Filho de Deus” (At 9.20. V. tb. 13.5,40-42; 17.1,10,17;
18.4,26). Inegavelmente, Paulo soube fazer uso das
sinagogas existentes na Grécia e na Ásia Menor, onde
aproveitou a ocasião para anunciar as boas-novas aos
gentios: “E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia,
da Pisídia, e, entrando na sinagoga, num dia de sábado,
assentaram-se” (At 13.14. V. tb. 14.1; 18.1,4).
A sinagoga por dentro
As sinagogas são de uma beleza impressionante. Contudo,
essa não é uma grande preocupação de seus arquitetos. A
despeito desse aspecto estético exterior, há três
fatores essenciais que devem ser rigorosamente
observados no que se refere às mobílias de uma sinagoga:
Arca
Esse componente é tido como o “sacrário da Torá”, ou
seja, nela é guardada os rolos da Torá, os cinco
primeiros livros de Moisés, onde se baseiam as leituras
aos sábados.
Bimá
É uma espécie de tribuna onde o ministrante faz a
leitura da Tora e dos Profetas e profere bênçãos (da
Torá) sobre os presentes. Esdras, ao ensinar a Palavra
de Deus ao povo de Israel, ministrou sobre um estrado, o
que equivaleria a uma tribuna das sinagogas atuais: “E
Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira,
que fizeram para aquele fim; e estava em pé junto a
ele...” (Ne 8.4).
Assentos
O assento mais importante é o que a Bíblia chama de
“cadeira de Moisés”: “Então falou Jesus à multidão, e
aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão
assentados os escribas e fariseus” (Mt 23.1,2). E era
justamente nessa cadeira que se sentava o presidente da
sinagoga. Segundo alguns, a distribuição dos assentos
seguia uma ordem, uma organização. Por exemplo, os
anciãos se sentavam próximo à Arca, de frente à platéia,
os membros mais distintos à frente, os mais jovens
atrás, e assim por diante.
Autoridades da sinagoga
Em uma sinagoga, há os oficiais que colaboram para o
andamento satisfatório do agrupamento, e essa
organização é de competência de pelo menos quatro
representantes. São eles:
Os chefes da sinagoga
A ordem na sinagoga ficava sempre sob a responsabilidade
do líder maior, o qual podemos designar de
superintendente. A oração e a leitura da Torá ficavam
sob a direção do chefe, que, caso quisesse, poderia
escolher alguém para a explanação da ora (At 13.15).
Os anciãos
Obviamente, formavam uma assembléia sob a competência
dos superintendentes. Eram, também, conhecidos como
presbíteros (Lc 7.3).
Assistente
Quando Jesus concluiu a leitura de Isaías na sinagoga,
devolveu o rolo das Escrituras ao assistente: “E
[Jesus], cerrando o livro, e tornando-o a dar ao
ministro [assistente], assentou-se; e os olhos de todos
na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a
dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos
ouvidos” (Lc 4.20,21) Ao assistente era delegado o
trabalho de retirar os rolos escriturísticos e
colocá-los em seus devidos lugares, além de outras
atividades simples.
Liturgia na sinagoga
Como ocorre nas denominações religiosas atuais, o culto
na sinagoga possuía uma liturgia basicamente assim:
Porções da Lei eram lidas por certo número de pessoas,
usualmente sete.
Um discurso ou uma mensagem era pronunciado após a
leitura dos profetas (Nebhim).
A recitação do Shemá (Dt 6.4).
A bênção, geralmente impetrada pelo superintendente da
sinagoga.
Assim como Jesus “entrou num dia de sábado, segundo o
seu costume, na sinagoga” (Lc 4.16), seus fiéis têm a
oportunidade de adorar a Santa Trindade em seus
respectivos templos. E devem se alegrar por isso, tal
como disse Davi: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à
casa do Senhor” (Sl 122.1).
Referências bibliográficas:
COLEMAN, William L. Manual dos tempos e costumes
bíblicos. Minas Gerais: Editora Betânia, 1991.
KOLATCH, Alfred Jr. Livro judaico dos porquês. São
Paulo: Editora e Livraria Sêfer, 2001.
CHAMPLIN, R.N & BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia,
teologia e filosofia. São Paulo: Editora Candeia, 1997.
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