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Brasil em Pauta
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Rondônia
Um Estado com muita história para contar
Por Gilson Barbosa
O moderno Estado de Rondônia, cuja capital é Porto
Velho, surgiu da cisão de terras que, no passado,
pertenciam aos seguintes Estados: Mato Grosso e
Amazonas. Ao ser criado, em 1943, foi denominado de
“território de Guaporé”. Em 17 de fevereiro de 1956,
passou a ser chamado de Rondônia, mas só foi integrado à
Federação em 1981. Seu nome é uma homenagem ao
explorador dos sertões do Amazonas e do Mato Grosso,
Cândido Mariano da Silva Rondon, o conhecido marechal
Rondon.
Em busca de novas terras e riquezas, franceses,
ingleses, portugueses, holandeses e espanhóis entraram
no Estado do Amazonas, por volta do século 17, período
em que teve início a ocupação européia em terras
amazonenses. Mas essa invasão passou a ser controlada,
especialmente, pelo Tratado de Tordesilhas (importante
documento que regulou a expansão e descobertas de
Portugal e Espanha por meio de medidas limítrofes) e
pelo Tratado de Madri (documento que gerou novas
definições de limites, concedendo a Portugal o direito
de proteger e de se apropriar definitivamente da
região).
Seu povoamento foi efetivado com a exploração dos
seringais, no século 19, por ocasião da etapa do ciclo
da borracha. Nesse período, a construção da Estrada de
Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi importantíssima.
Bacias hidrográficas
As três bacias principais:
Bacia do Rio Madeira
O principal rio dessa bacia se chama Madeira. É muito
importante, pois converge do rio Amazonas (margem
direita), juntamente com seus afluentes. As expedições
estrangeiras navegaram muito por suas águas e os
jesuítas estabeleceram uma base missionária em sua foz.
As proporções do rio Madeira são interessantes. Sua
profundidade pode ir além dos 13 metros e sua largura
varia entre 440 e 9.900 metros. Por causa disso, é
natural que grandes navios naveguem por suas águas.
Segundo a Enciclopédia Britânica, o rio Madeira, apesar
de ser extenso: 3.370 km, só pode ser navegado num
percurso total de 1.500 km. Devido ao seu tamanho,
percorre os Estados do Amazonas e Rondônia.
Bacia dos rios Guaporé e Mamoré
O rio Guaporé está situado entre o Brasil e a Bolívia.
Seu percurso total é de 1.716 km. Nasce a 1.800 m de
altitude na Chapada dos Parecis, em Mato Grosso. Ao
entrar em área rondoniense, encontra-se com o rio Mamoré,
cuja largura varia entre 150 e 710 metros, com cerca de
2 a 10 metros de profundidade.
O rio Guaporé “presenciou” grandes lutas, travadas entre
os portugueses e os espanhóis.
O rio Mamoré, por sua vez, é proveniente da Cordilheira
dos Andes (na Bolívia), onde é conhecido pelo nome de
Grande de La Plata. Ao receber as águas do rio Guaporé,
que se unem ao rio Beni (também na Bolívia), passa a ser
designado de Mamoré, formando a nascente do rio Madeira.
A extensão do rio Mamoré chega a 1.100 km e pode ser
percorrida totalmente.
Bacia do rio Ji-Paraná
O rio Ji-Paraná é o mais destacado afluente do rio
Madeira, em Rondônia, devido à longa extensão do seu
curso, que cruza todo o Estado no sentido
Sudeste/Nordeste. Sua complexidade hidrográfica atinge
uma superfície de 92.500 km², aproximadamente.
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM)
O contexto histórico e social dessa empreitada é um
misto de realidade, mistérios, aventuras... E, para
alguns, muitos acontecimentos são semelhantes aos contos
lendários.
Doenças tropicais, endemias, ataques de índios, muitas
mortes e investimentos financeiros inúteis
impossibilitaram a construção definitiva e final dessa
estrada de ferro, que seria um importante meio de
escoamento de mercadorias, produtos e serviços
nacionais.
Expressões, tais como: “ferrovia amaldiçoada”, “estrada
dos trilhos de ouro” e “a ferrovia do diabo” (esta
última do célebre jornalista Manoel Rodrigues Ferreira)
tentam definir o que foi a construção da ferrovia,
localizada no interior da selva amazônica, com
fronteiras entre o Brasil e a Bolívia. No lado
brasileiro, abrange os Estados do Amazonas e Mato
Grosso.
O território de Guaporé, como era conhecido na época em
que a estrada de ferro foi construída, era fundamental
na produção de borracha, obtida das seringueiras,
vegetal natural da região. As canoas com as borrachas
navegavam pelos rios Madeira e Mamoré até chegarem aos
portos do mar, para que os produtos das seringueiras
fossem embarcados nos navios a vapor.
Os rios Madeira e Mamoré faziam a ligação entre outros
dois rios: Guajará-Mirim e Santo Antônio. No decorrer do
percurso desses dois rios, cerca de 400 km, havia
cachoeiras, perigo de morte, perda de mercadoria,
investimento frustrado e grande necessidade de se
construir um meio de transporte que pudesse remover,
definitivamente, terríveis obstáculos. E foi justamente
nesse contexto que o empreendimento ferroviário foi
aventado.
Entretanto, a construção da ferrovia passou a ser um
grande fiasco para as autoridades brasileiras,
americanas e inglesas. E isso por causa de diversos
motivos: interesses individuais, omissão de informações
quanto à extensão do terreno e o valor real da obra,
licitações engendradas de forma interesseira,
investimentos ineficazes e descomprometidos com a ética,
entre outros. Tudo isso, além do prejuízo, gerou
inúmeras mortes. As pessoas que vieram de várias partes
do mundo para compor a mão-de-obra necessária perderam a
vida por nada.
Outras desgraças também contribuíram para o fracasso do
empreendimento. Entre elas, o naufrágio dos navios que
traziam a matéria-prima e as pestes e a fome que
assolavam a região.
Depois da tentativa fracassada dos americanos e dos
ingleses, a República do Brasil se empenhou para
concretizar o intento. E isso só foi possível porque, na
época, o Brasil e a Bolívia estavam disputando uma
região, até então indefinida, por causa da produção da
borracha, que se tornou de relevada importância. Hoje,
aquela região é o atual Estado do Acre. O documento que
determinou o fim do conflito regional entre o Brasil e a
Bolívia e regeu as normas técnicas e obrigatórias para
que a responsabilidade brasileira se impusesse foi
denominado Tratado de Petrópolis.
Em sua cláusula VII, o tratado determinava o seguinte:
“Os Estados Unidos do Brasil se obrigam a construir em
território brasileiro, por si ou por empresa particular,
uma ferrovia, desde o porto de Santo Antônio, no rio
Madeira, até Guajará-Mirim, no rio Mamoré, com um ramal
que, passando pela Vila Murtinho ou por outro ponto
próximo (Estado do Mato Grosso), chegue à Vila Bela (na
Bolívia), na confluência dos rios Beni e Mamoré. Dessa
ferrovia, que o Brasil se esforçará por concluir no
prazo de quatro anos, usarão ambos os países, com
direito às mesmas franquias e tarifas”.
Diante disso, o governo brasileiro assumiu a
administração da ferrovia. Sua operação, no entanto,
culminou em fracasso. A saga terminou, tal como
aconteceu com alguns clássicos épicos. As notícias
espalhadas não forma nada agradáveis: “Em 1o de julho de
1972, após a conclusão da ligação rodoviária entre Porto
Velho e Guajará-Mirim, a ferrovia foi definitivamente
desativada. O pequeno trecho de 7 km, entre Porto Velho
e Santo Antônio do Madeira (onde não existe mais a
pequena vila do início do século) voltou ao tráfego em 5
de maio de 1981, para fins turísticos. Atualmente, o
trecho reativado alcança o quilômetro 25, local de uma
antiga vila de ferroviários, na altura do Salto do
Teotônio, a maior das cachoeiras do rio Madeira”.
Política
Infelizmente, nos últimos dias, as tristes notícias da
política têm procedido também de Rondônia. Uma crise de
grandes proporções, envolvendo quase todos os
parlamentares estaduais, tem deixado os cidadãos
rondonianos preocupados. Por isso, o objetivo deste
artigo é tão-somente pedir aos leitores desta seção de
Defesa da Fé para que intercedam pelas autoridades
engajadas na luta pelo bem-estar desse importante Estado
brasileiro.
Tenhamos em mente aquilo que o apóstolo Paulo recomendou
ao jovem Timóteo: “Exorto, pois, antes de tudo, que se
façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças
por todos os homens, pelos reis, e por todos os que
exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila
e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1Tm
2.1,2).
Religião
Catolicismo: 793.467
Evangélicos: 375.483
Sem religião: 175.427
Outras: 13.498
Espíritas: 5.265
Religiões orientais: 1.356
Não determinada: 5.351
(Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/CERIS)
Dados gerais
Rondônia: 237.576,167 km² (12º do país em área)
População total: 1.534.594
Densidade demográfica: 6,45 hab/km²
Capital: Porto Velho
Clima: Tropical úmido
Número de municípios: 52
Cidades mais populosas: Porto Velho, Ji-Paraná,
Ariquemes, Cacoal, Jaru,
Vilhena, Rolim de Moura, Ouro Preto do Oeste,
Guajará-Mirim e Pimenta Bueno.
Fonte:
1 http://www.geocities.com/Area51/Realm/7805/efmm-4.htm
2 http://www.ronet.com.br/marrocos/efmm.html
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