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Verbo
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Obreiros de
carreira ou obreiros temporários?
Por Antonio Fonseca
Conversando com um amigo das Forças Armadas, descobri
que, no Exército, existem duas categorias de militares:
os de carreira e os temporários.
Os militares de carreira são os vocacionados para tal
atividade e pretendem seguir toda a trajetória
profissional, atendendo e protegendo a nossa nação e, se
necessário, até mesmo entregando a própria vida por amor
à pátria. Mas para que o sonho desses homens se torne
realidade, precisam, antes, ser aprovados em concursos.
Somente depois dessa exigência são estabelecidos no
exercício da função militar, até o tempo de irem para a
reserva.
Os militares temporários, diferentemente, prestam
serviço no Exército apenas durante oito anos. Depois
desse tempo, são obrigados a deixar a farda e a voltar à
vida civil, a menos que consigam ser aprovados em exames
para militares de carreira.
Observando essa condição da vida militar, percebi que,
no meio evangélico atual, também temos alternativa
similar; ou seja, temos “obreiros de carreira” e
“obreiros temporários”.
Os obreiros de carreira, como no caso dos militares,
exercem a função ministerial até o momento em que são
jubilados; ou, então, como ocorre em muitos casos,
quando terminam sua vida terrena no front. Esses estão
enquadrados nos textos bíblicos que dizem: “E ele mesmo
[Jesus] deu uns para apóstolos, e outros para profetas,
e outros para evangelistas, e outros para pastores e
doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a
obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”
(Ef 4.11,12). “Ninguém que milita se embaraça com
negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o
alistou para a guerra” (2Tm 2.4).
De fato, essa categoria de obreiros é realmente
vocacionada para a carreira religiosa e não se imagina,
em hipótese alguma, no exercício de qualquer outra
função que não seja a de apascentar almas para Cristo.
Já os obreiros temporários, tomando ainda o exemplo dos
militares, ficam no ministério por um tempo
predeterminado. Mas existe uma diferença fundamental
entre os militares temporários e os obreiros
temporários. Enquanto os militares temporários são
obrigados, ainda que não queiram, a deixar a farda, os
obreiros temporários, normalmente, abandonam o exercício
ministerial por conta própria.
Outro detalhe que pude observar é que os obreiros
temporários evangélicos geralmente deixam o ministério
em época de eleição, visando os cargos políticos, o que
nos revela mais uma vantagem em relação aos militares
temporários, pois, quando não são eleitos, voltam ao
ministério ao seu bel-prazer e ficam no ministério até o
próximo pleito. Há aqueles que ainda se julgam capazes
de desenvolver dupla função; ou seja, liderar e cuidar
das causas espirituais (religiosas) e materiais
(políticas) simultaneamente, contrariando o ensino do
nosso Mestre, que disse: “Ninguém pode servir a dois
senhores” (Mt 6.24).
Com essa comparação, pude assimilar e entender, ainda
que com tristeza, o motivo que leva alguns obreiros
evangélicos a estarem com seus nomes e fotos em
reportagens como a apresentada pela revista Veja
(26/7/06), figurando entre os envolvidos com a “máfia
das sanguessugas”.
Entendi que se trata de obreiros temporários, pois os
obreiros de carreira não trocariam a chamada ministerial
por outra atividade, mesmo que as vantagens financeiras
fossem tentadoras. Vale a pena salientar que a Igreja
Católica Apostólica Romana optou por obreiros de
carreira e ainda exige voto de pobreza aos que têm
vocação para o exercício do ministério sacerdotal.
Querido leitor, na sua igreja há também os dois tipos de
modalidades: obreiros de carreira e obreiros
temporários? Se a sua resposta for afirmativa, gostaria
de lhe fazer uma nova pergunta: “Na próxima eleição,
você ajudará a eleger um obreiro temporário para ocupar
um cargo na política brasileira?”.
Não se esqueça, a responsabilidade é sua!
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