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Verbo
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QUEM É O ANTICRISTO?
Por Hank Hanegraaff(*)
Tradução: Elvis Brassaroto Aleixo
Por vários séculos, os cristãos têm especulado sobre
qual seria a verdadeira identidade do anticristo. Entre
os vários candidatos, têm-se incluído monarcas europeus
e papas da Igreja Católica Romana. A maior crise
internacional do século 20 legou fortes suspeitos, como,
por exemplo, Adolf Hitler, Mikail Gorbachev, Saddan
Hussein e Osama bin Laden. Até mesmo o presidente
americano, Geroge W. Bush, e o primeiro-ministro
britânico, Tony Blair, figuram nesta famigerada lista.
Mas quem é o anticristo? Em vez de se unirem a este jogo
sensacionalista, os cristãos precisam somente ir às
Escrituras para que possam encontrar a resposta. O
apóstolo João expôs a identidade do anticristo quando
escreveu: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que
Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o
Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem
o Pai; mas aquele que confessa o Filho tem também o Pai”
(1Jo 2.22,23). Em sua segunda epístola, João nos concede
uma advertência similar: “Porque já muitos enganadores
entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus
Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o
anticristo” (2Jo 7). Vemos, logo, que, por enquanto,
João não designa o termo “anticristo” para uma pessoa em
particular; em vez disso, ensinou que qualquer um que
negasse a encarnação, a messianidade e/ou a divindade de
Jesus era o anticristo.
Entretanto, é verdade que João indicou, no livro de
Apocalipse, que uma pessoa em particular personificaria
o mal de uma forma sem igual, como o último arquétipo de
todos os tipos de anticristo. Mas, em vez de designar
esta pessoa em particular, como “o anticristo”, João se
refere a esse personagem como “a besta”. Então, a
pergunta se altera: Quem é a besta de Apocalipse?
Novamente, precisamos interpretar a Bíblia corretamente
para encontrarmos a resposta.
Primeiramente, João explica aos seus leitores do século
1o da Era cristã que se tivessem “sabedoria” poderiam
“calcular o número da besta, porque é o número de um
homem, e o seu número é 666” (Ap 13.18). Ora, se era
possível calcular o número desse homem, isso pode ser um
forte argumento em defesa do fato de que a pessoa que
João tinha em mente já existia naquela época. Nenhuma
sabedoria ou perspicácia, por maior que fosse, seria
capaz de identificá-lo num século futuro. Teria parecido
muito estranho aos leitores da época se João sugerisse
que poderiam identificar a besta se de fato essa
personagem fosse alguém em particular que viveria no
século 21.
Além disso, um exame histórico do contexto em que João
estava escrevendo nos revela que o apóstolo empregava um
método, extensamente usado, de associar cada letra do
alfabeto com um valor numérico correspondente. Esse
processo é conhecido como gematria. E, de acordo com a
gematria, 666 é o valor da soma das letras hebraicas
(não conhecidas pelas autoridades romanas dos dias de
João) que compunham o nome do imperador romano do século
1o, cujo título o pesquisador do século 19, Milton Terry,
chama de “a mais verossímil encarnação da maldade”: Nero
César.
Relatos antigos da vida de Nero, mais notavelmente os
registrados em Os doze Césares, escritos no século 2o
pelo historiador romano Gaius Suetonius Tranquillus,
identificam Nero como um indivíduo excessivamente mau,
que violou cada um dos Dez Mandamentos por meio de
inúmeros atos de depravação. Entre suas várias
atrocidades, constam: a castração de um jovem menino
chamado Sporus, seu escravo, com quem, posteriormente,
se casou publicamente; sua perseguição aos cristãos, aos
quais vestiu com roupas de alcatrão e ateou fogo para
que pudessem ser usados como tochas humanas e, dessa
forma, iluminarem seus passeios noturnos nos jardins de
sua residência; sua exigência em ser adorado como Deus;
e um número brutal de assassínios de seus próprios
familiares, incluindo sua mãe, Agrippina, suas esposas
Octavia e Poppaea, e, ainda, o jovem filho desta última,
Rufrius Crispinus, afogado pelo próprio Nero
simplesmente por ter fingido, numa brincadeira de
criança, ser o imperador.
Finalmente, Nero é identificado como a besta do
Apocalipse – o arquétipo do anticristo – porque inflamou
um dos mais horríveis períodos de “grande tribulação”
contra os cristãos. O horror desse período não inclui
somente a destruição de Jerusalém e do templo, mas
também a perseguição aos apóstolos e profetas que
escreveram a Bíblia e fundaram a Igreja cristã da qual o
próprio Cristo foi (e permanece sendo) a base principal.
Assim, Nero e a grande tribulação que empenhou são os
arquétipos para todo anticristo e toda tribulação que se
seguirão antes do advento da ressurreição dos cristãos
na segunda vinda de Cristo.
Notas:
Matéria publicada no Christian Research Journal, vol.
28, nº 01, 2005.
(*) Hank Hanegraaff é presidente do ICP norte-americano.
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