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Apologia
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Fé em quem?
Por Valmir Nascimento Santos
Um enorme equívoco tem sido difundido. Ouvimos
constantemente o seguinte: “o importante é ter fé”,
“precisamos simplesmente acreditar em alguma coisa”. Ou,
ainda: “basta crer”.
Esse tipo de pensamento conduz as pessoas a um caminho
obscuro, cujo final é um mundo imaginário e sem saída.
Faz que o ser humano tenha fé em qualquer coisa ou em
nada. É uma fé sem objetivos, sem fundamentos. Uma fé na
fé.
Essa categoria de fé coloca o resultado da crença em si
mesma e não em quem se crê. Enfoca somente a intensidade
da fé ou no quanto se crê. Não se levam em consideração
os fundamentos da fé. Não se analisa. Não se pensa. Não
se investiga. Simplesmente se crê.
No âmbito dessa concepção não existe diferença entre ter
fé em Cristo e fé num boneco qualquer. Tanto faz ter fé
em Deus, Criador soberano, quanto em qualquer deus da
mitologia grega. Não há disparidade entre crer na
Bíblia, fonte histórica e inspirada, e crer em rabiscos
psicografados.
O contexto atual é de surgimento de novas crenças.
Religiões são criadas. Deuses sãos inventados. Templos
são abertos. Basta escolher aquele tipo de fé que se
encaixe ao perfil do praticante. Que faça que ele ou ela
se sinta bem. Que deixe a pessoa em alto astral. Depois
disso, é só crer!
Será que esse pensamento é correto. Será que tal
entendimento é lógico? O simples fato de ter fé é o
suficiente? O que mais vale? A fé ou o objeto da fé?
Não precisa ser teólogo ou pastor para responder que tal
pensamento está completamente equivocado. Se o simples
ato de crer fosse o suficiente, então não precisaríamos
de Deus. Não precisaríamos de Cristo. Não precisaríamos
de ninguém. Bastaria apenas que tivéssemos fé.
Na relação pessoa –> fé –> objeto (aquele ou aquilo em
quem se tem fé) o que mais importa não é o tamanho da fé
nem ao que ela remete, mas especialmente a quem ela
reclama. Assim, de nada adianta ter uma enorme fé em
algo que não tem o poder de salvar ou transformar. De
nada vale crer incondicionalmente num objeto sem força,
incompetente ou incapaz. Ou, ainda, de nada valerá crer
na intensidade supostamente meritória do próprio ato de
crer.
Cristo demonstrou isso com as seguintes palavras: “E
todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês
tu isto?” (Jo 11.26); “Quem crê em mim nunca terá sede”
(Jo 6.35); “Na verdade, na verdade vos digo que aquele
que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47).
Nas palavras de Jesus, o mais importante era a pessoa na
qual a fé estava alicerçada (Ele) e não o tamanho da fé
da pessoa. Tanto é que, em outra ocasião, Jesus
argumentou que uma fé do tamanho de um grão de mostarda
traria resultado (Mt 17.20).
Crendo em Deus foi que Elias enfrentou os quatrocentos e
cinqüenta profetas de Baal. Esses possuidores de uma
gigantesca fé no seu deus Baal invocaram-no da manhã até
a tarde sem, no entanto, receberem uma resposta.
Gritavam, saltavam e até se cortavam com facas à espera
de um retorno. Demonstraram uma fé enorme, uma crença
admirável, porém, uma fé em algo ou alguém que não
poderia atendê-los.
Criam num objeto inanimado, incapaz, sem poder nenhum.
Não falava, não agia, não transformava. Elias até
caçoou, dizendo: “Clamai em altas vozes, porque ele é um
deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma
coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez
esteja dormindo, e despertará” (1Rs 18.27). As
Escrituras ainda nos dizem que o profeta se aproximou e
disse: “Ó Senhor Deus de Abraão, de Isaque e de Israel,
manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou
teu servo, que conforme a tua palavra fiz todas estas
coisas. Responde-me, Senhor, responde-me, para que este
povo conheça que tu és o Senhor Deus e que tu fizeste
voltar o seu coração”. Uma oração simples, porém,
embasada numa fé correta e direcionada ao Deus
verdadeiro. Então caiu fogo do Senhor e consumiu o
holocausto, a lenha, as pedras, o pó, e ainda lambeu a
água que estava no rego. Vendo isso, as pessoas caíram
sobre os seus próprios rostos e disseram: “Só o Senhor é
Deus! Só o Senhor é Deus” (1Rs 18.36-39).
Baal é o que não falta atualmente. E pessoas para o
adorarem também não. Detentores de enorme fé em deuses
irreais, imaginários, fantasmagóricos. Fé em nada.
Crença sem objetivo. Sem resultados. Sem salvação. Sem
transformação. Fé que não remove nem cutícula de unha.
Não muda situações. Não vivifica.
A fé em Cristo, por outro lado, por menor que seja,
salva, transforma e traz vida abundante!
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