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Verbo
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A relevância
da filosofia para a teologia
Por Fabio Bentes*
Apesar da complexidade de alguns tópicos, a filosofia,
como um todo, é totalmente aplicável à realidade daquele
que por ela se interessa. A visão que as pessoas têm do
mundo depende bastante da sua linha filosófica, mesmo
que não seja algo claro, definido, ou até mesmo
compreendido por elas. Também é bem verdade que as
pessoas parecem estar pouco preocupadas em relação a
isto quando consideramos nossa realidade pós-moderna, em
que cada indivíduo está muito ocupado para pensar sobre
vida, morte, Deus, etc. Na verdade, sobram algumas
lições principais quanto a este estudo de caráter
intelectual e faremos alguns comentários a respeito de
tais lições.
Devemos sempre tomar muito cuidado em adotar um único
sistema filosófico e descartar os demais, pois devemos
usar muito bem o senso crítico para a adoção de idéias e
a assimilação de conceitos. Assim como nenhum ser humano
tem total capacidade para a compreensão da realidade,
nenhum sistema filosófico tem a capacidade para explicar
esta realidade. O homem tem capacidades parciais quanto
à realidade e os sistemas filosóficos também têm
capacidades provisórias quanto a estas explicações.
Nenhum homem conhece tudo, nenhuma filosofia explica
tudo.
A respeito da relação filosofia/cristianismo, também
existe a necessidade de não alinhar o cristianismo de
forma total com algum sistema filosófico específico. Por
mais que, no passado, homens tentassem realizar tal
feito, sabemos que a tentativa de sobrepor, de forma
justa e perfeita, o cristianismo a um pensamento
filosófico é um grande erro. Existem duas razões
principais pelas quais esta tentativa deve ser
descartada. A primeira é que, quando se tenta alinhar
perfeitamente o cristianismo em uma linha filosófica
será, invariavelmente, necessário “adaptar” alguns
aspectos da fé cristã para que “caibam” no sistema. Um
erro. Outra preocupação é a de que, quando este sistema
ruir (o que é bem provável) a fé cristã não pode estar
totalmente associada a ele para que não caia em
descrédito.
Não devemos, no entanto, agir de forma imatura e
impulsiva para adotar sistemas filosóficos novos ou que
estão em moda. Também, a fuga do exercício intelectual
não é a saída. Esta atitude de covardia deve ser
rejeitada. O envolvimento entre conhecimento e fé é
bastante relevante. Devemos ter diligência no estudo das
teorias, avaliar tudo à luz das Escrituras, entender de
que forma se relacionam e adotar aquilo que está em
conformidade com a Bíblia, com o Deus que ela revela,
com o amor a este Deus acima de todas as coisas e com o
amor ao próximo, semelhante ao que temos para com nós
mesmos.
Para os que pensam ser a filosofia uma disciplina de
aspecto demasiadamente complicado e de pouca utilidade,
é necessário lembrar que a filosofia está quase que
totalmente ligada à forma com que olhamos para a nossa
sociedade, à maneira como nos relacionamos como
comunidade, aos princípios que prezamos e aos ideais de
vida que julgamos serem dignos.
Filosofia não é um conjunto de informações colhidas em
uma sala de aula (ou em uma obra literária) e que,
depois, ficam guardadas, sem uma utilidade prática e
objetiva. A filosofia penetra nos mais diversos campos
do pensamento e relacionamento humanos e retrata toda a
forma de pensar de uma época, de um século.
Quando consideramos a filosofia da religião o valor se
mostra igualmente alto, pois, o teólogo tem
(invariavelmente) de ser alguém douto no que diz
respeito ao rumo que a religião e seus proponentes
tomaram durante os séculos. Este aspecto dinâmico da
teologia é extremamente digno de ser analisado, pois a
forma como a sociedade se comporta, com o passar dos
séculos, é diferente. Diferente também deve ser a
aplicabilidade dos princípios absolutos da teologia
quando considerados em contraste com as práticas e os
costumes da época em questão.
Pensando na teologia como estudo da revelação divina e
suas implicações, é fato que a forma como Deus fala
hoje, para a sociedade atual, é merecedora de ser
colocada em discussão. Só podemos saber nosso real papel
como teólogos quando consideramos a revelação, fazemos
uma análise da sociedade em que vivemos e aplicamos o
conhecimento resultante desta fusão em favor do reino de
Deus, para que sejamos sal e luz.
*Escritor, pastor evangélico e professor de teologia
na Faculdade Teológica Batista de São Paulo.
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