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Verbo
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O FATOR DIGNIFICANTE DA APOLOGÉTICA
Por Elvis Brassaroto Aleixo
Grandes religiões para escolher, sedutores caminhos para
trilhar, livros iluminados para ler, filosofias sacras
para pensar, dogmas milenares para crer, comportamentos
padronizados para seguir. Milhares e milhares de almas
espalhadas por todos os continentes. Pessoas regidas por
suas religiões, maestrinas de suas vidas. Vidas que
depositam suas esperanças no invisível pelo poder
avassalador de alguma fé que lhes confere razões para
viver e morrer.
Divindades. Paraísos. Verdades. Mentiras. Tudo permeando
o misto labirinto das religiões. Como encontrar uma
saída diante de tantos corredores? Aliás, existiria
alguma saída? Eureca! A “saída” nos remete à idéia de
direção, rumo, sentido, destino... Palavras
interessantes para a nossa reflexão.
Se nos concentrarmos somente na razão, não parecerá
tarefa fácil decidir-se por uma religião. Os “porquês”
se avultam e as respostas nem sempre respondem (leia-se
satisfazem). Às vezes, são cheias de palavras, mas
vazias de sentido. Entretanto, exigir radicalmente
respostas para tudo o que é transcendente obviamente
gera um enfrentamento com o ato de crer. Em algumas
circunstâncias, soa como querer explicar o inexplicável.
É o antigo impasse desenvolvido em torno da fé e da
razão, conceitos que cremos caminhar de mãos dadas no
cristianismo bíblico (1Pe 3.15).
As religiões foram concebidas ao longo da história e
atravessaram os tempos. Hoje, no século XXI, crenças
antiqüíssimas tentam conquistar a fé dos homens
pós-modernos. Os deuses (e deusas) se candidatam à
veneração exibindo supostos atributos e favores. Uma boa
estratégia tem sido pregar apenas o que é aprazível aos
ouvidos da “clientela”. Com o receio de alguns
movimentos religiosos de se extinguirem, muitos deles
têm-se ajustado ao rigor do secularismo hodierno. É o
que podemos chamar de utilitarismo religioso. Todavia,
nem todos se reconhecem no universo militante das
religiões. Afinal, indagam: “Para que tomar partido por
uma delas? Para que cultivar diferenças?”.
Temos a impressão de que a complexidade do objeto em
questão pode ter corroborado para o surgimento e a
proliferação de uma solução simplista e pragmática. A
pós-modernidade decidiu não decidir. Como assim?
Explicamos. O mundo que marcha e atropela obstáculos
buscando intensificar a globalização censura as
religiões exclusivistas, ou seja, aquelas que advogam
seguir ou deter o único caminho para a salvação
espiritual dos homens. Diante das múltiplas escolhas, a
atitude mais política e simpática tem sido não decidir
por nenhuma delas. Ou, melhor ainda: decidir por todas
elas! Daí, surge no cenário o famigerado clichê: “Todos
os caminhos levam a Deus”, uma espécie de moda ou
tendência atual.
Enfim, encontraram uma saída. Repentinamente, como num
“passe de mágica”, o denso labirinto das religiões abriu
portas de salvação em todas as direções. Agora, as
coisas foram facilitadas e o resultado da decisão
tornou-se algo indiferente. Dentro desta concepção, uma
religião poderia mesmo ser escolhida lançando sortes,
como se fosse uma singela brincadeira de criança ao som
do “bem-me-quer, malmequer”.
A declaração de que todos os caminhos levam a Deus
tornou-se um chavão constante nos lábios de muitas
pessoas e em muitos idiomas, apresentando-se com o meigo
sorriso da tolerância. Interessante notar é que, mesmo
com todo o teor de racionalidade e lógica deste
discurso, muitas pessoas não se dão conta de que a
tolerância genuína deveria ser capaz de tolerar a
própria intolerância. E essa insensibilidade faz que,
sem perceberem, hasteiem a bandeira de uma tolerância
maquiada e vacilante.
Neste ínterim, a apologética, injustamente, assume em
nossa sociedade um caráter fortemente pejorativo e
primitivo (bárbaro). A questão em voga é que não há
razões para se defender uma verdade relativa, ou, sendo
mais sensato, uma verdade relativa é uma verdade
indefensável. Neste contexto, certo educador cristão,
citando palavras de Charles Colson, lembra-nos que mesmo
uma discussão religiosa pode ter um ponto positivo, ao
declarar: “... debater pode ser, algumas vezes,
desagradável, mas pelo menos pressupõe que há verdades
dignas de serem defendidas, idéias dignas de se lutar
por elas. Em nossa era pós-moderna, todavia, as suas
‘verdades’ são as suas ‘verdades’, as minhas ‘verdades’
são as minhas, e nenhuma é significativa o suficiente
para alguém se apaixonar por ela. E se não há verdade,
então não podemos persuadir um ao outro por meio de
argumentos racionais”.1
O chavão, alvo de nosso comentário aqui, se encaixa, em
certo sentido, com a declaração de Colson. Porquanto, se
todos os caminhos conduzem ao céu, então, nenhum deles
precisa ser defendido em detrimento de outro. Também
podemos depreender que fazer apologia de uma fé implica
considerá-la digna de tal ato e isso nos faz pensar.
Será que cremos que a nossa fé é digna de ser defendida?
Por quais idéias estamos lutando? As verdades bíblicas
são suficientemente significativas para que sejam
defendidas por seus seguidores? Bem, se a resposta for
positiva, então deve refletir-se em atitudes concretas.
Portanto, o ministério do apologista cristão é
dignificar a ortodoxia bíblica e esse é o papel que mais
este ano pretendemos cumprir, com a graça de Deus e
auxílio de todos aqueles que estão ao nosso lado.
Nota:
1 COLSON, Charles. E agora como viveremos, CPAD: Rio de
Janeiro, 2000 , citado pelo educador cristão Valmir
Nascimento Santos no artigo A Defesa da fé cristã na era
pós-moderna.
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