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Pelos
corredores do Templo Mórmon
Por Eguinaldo Hélio de Souza
Suntuoso. Talvez seja esta a melhor maneira de descrever
o Templo Mórmon localizado em São Paulo, aberto ao
público de 17 de janeiro a 14 de fevereiro. Milhares de
pessoas visitaram diariamente o edifício, cuja
construção durou de 1976 a 1978. Devido à necessidade,
uma reforma foi empreendida, quando carpetes, móveis e
decorações foram trocados. A estátua do suposto anjo
Moroni, com sua trombeta, não foi esquecida. Agora, foi
colocada sobre o mastro do Templo, reaberto ao público
justamente por isso. Segundo um dos líderes, trata-se de
“uma cortesia” de seu profeta-presidente, Gordon
Hanckley.
Misturando verdades bíblicas com elementos completamente
estranhos ao cristianismo, esta religião congrega hoje
no Brasil, segundo o último censo do IBGE, algo em torno
de 200 mil adeptos. A seita protesta e afirma que,
segundo suas próprias estatísticas, já somam 860 mil,
sendo 190 mil só no Estado de São Paulo. No mundo, são
cerca de 12 milhões. É um número expressivo. Mas, embora
diante de uma população de seis bilhões, signifique
apenas 0,2%.
Por seu exotismo, o mormonismo sempre chamou a atenção
da imprensa. A exposição do templo foi divulgada pelos
meios de comunicação como um programa cultural.
Um dado curioso: dos cerca de 100 templos existentes no
mundo, cinco estão no Brasil (um ainda em construção).
Seu crescimento aqui não é lá grande coisa, ainda mais
se considerarmos que já se passaram 69 anos desde que
iniciaram suas reuniões em São Paulo, em 19 de maio de
1935. Denominações evangélicas, com pouco mais de duas
décadas, já contam hoje com milhões de membros. O que
reforça a máxima que circula no meio evangélico: “O
Brasil é do Senhor Jesus”.
Não obstante, o Brasil tem grande importância para a
seita. E isso fica mais patente com a visita de seu
presidente mundial, Gordon B. Hinckley, considerado
pelos mórmons um profeta de Deus (veja a galeria com
todos os presidentes). Sua vinda ao Brasil, no mês
passado, teve como objetivo principal a consagração do
templo reformado e, claro, motivar seus discípulos a uma
“evangelização” maciça do dos brasileiros. Como
estratégia, realizaram, pela primeira vez na história da
seita, uma celebração do porte das que acontecem
anualmente nos EUA, particularmente no Estado de Utah,
fora da América do Norte.
O evento, que ocorreu no estádio do Pacaembu (SP),
contou com diversas atrações. Além da presença de “sua
santidade”, o profeta Hinckley, a estrutura gigantesca
contou com o apoio de 1500 missionários, um coro com
1200 vozes, 1800 dançarinos, 345 cenários vivos e 5000
coreógrafos. O espetáculo, digno de elogios pela sua
organização e ousadia, estrategicamente para conquistar
o público brasileiro, incluiu elementos do nosso
folclore ao apresentar 184 personagens do Sítio do
Pica-Pau-Amarelo.
Os mórmons são muito liberais em relação ao folclore e
outras festas seculares.
Glamour, luxo e reverência
Para quem visitou o templo em exposição em São Paulo, é
fácil imaginar porque muitos são atraídos ao mormonismo:
a beleza, o mistério e o exotismo das cerimônias.
Realmente, tudo lá é de uma beleza rara (e cara):
jardinagem externa perfeita, carpetes luxuosos
personalizados, luminárias e vasos de cristais
trabalhados, revestimentos de mármores importados,
madeiras nobres artisticamente desenhadas à mão, tecidos
e paredes com detalhes incrustados de ouro e prata,
enfim...
Então, o visitante pergunta: Como tudo isso pôde ser
construído? De onde vieram tantos recursos?
Durante a apresentação, o guia do grupo faz questão de
destacar que tudo aquilo foi possível graças à
contribuição fiel de dízimos e ofertas dos membros. E,
mais uma vez, concluímos o que Jesus disse aos
discípulos: “... porque os filhos deste mundo são mais
prudentes na sua geração do que os filhos da luz.” (Lc
16.8. V. tb. Ef 5.8). Não que reivindicamos construções
dessa magnitude para nossas igrejas, inclusive
entendemos que o Senhor não habita em templos feitos por
mãos humanas (1Co 2.9) e o que mais importa é a
qualidade da mensagem do que microfone e caixas de som.
Nas repartições específicas do grande templo que
visitamos, somente os adeptos fiéis podem adentrar,
exceto nesses dias que antecedem a consagração. Isto
tudo torna o mormonismo atrativo, rendendo-lhe uma aura
de sagrado toda especial.
Todo percurso no interior do templo dura em média vinte
minutos. Nesse período, o visitante conhece diversas
repartições ou salas, cada qual com uma finalidade e
envolta em solitude e mistério.
Ambientes requintados e especiais
Dos ambientes apresentados, dois, particularmente,
chamam a atenção, pela beleza artística e exotismo, e
merecem um destaque da visita que fizemos. O primeiro
ambiente, de maior significado para a seita, é a
magnífica Sala Celestial, símbolo do céu e da
eternidade. Como uma estratégia perfeita de marketing,
esse o último local a ser apresentado aos visitantes.
Quando todos já estavam boquiabertos, o guia da incursão
reuniu nosso grupo e comunicou que o próximo lugar que
nos levaria tinha um significado todo especial, e que
todos deveriam entrar com o máximo de reverência e em
absoluto silêncio. Disse ainda que perguntas e
comentários não eram permitidos naquele próximo ambiente
e que todos deveriam aproveitar aquela oportunidade
única para refletir sobre suas vidas, sobre o futuro e
sobre Deus. Que fizessem uma prece silenciosa a Ele.
Com certeza, e percebemos isso claramente, muitos
daqueles que entraram conosco estavam comovidos e,
certamente, aceitariam visitas futuras dos missionários
mórmons. Em outro grande salão lateral, onde foram
servidos sucos e lanches, todos poderiam tirar suas
dúvidas com os missionários. Impressionante!
O segundo local mais importante do templo é o
Batistério, onde o tanque batismal repousa sobre o dorso
de doze bois tamanho natural e perfeição anatômica
impressionante. Em alguns templos ainda mais luxuosos,
como os dos EUA, esses bois são todos de ouro maciço, o
que encanta ainda mais o visitante. É nesse local que os
mórmons se batizam por seus parentes mortos, tenham sido
mórmons ou não (veja comentário teológico mais adiante).
O local, um gigantesco complexo, comporta ainda
biblioteca, livraria, dormitório, ginásio poliesportivo,
anfiteatro, salões de festas e dezenas de salas de
reuniões equipadas com vídeos, retroprojetores e todo
tipo de facilidades tecnológicas. Tudo isso contando com
extrema receptividade e organização.
O outro lado da história
O mormonismo está ligado à pessoa de Joseph Smith,
nascido em 23 de dezembro de 1805, no condado de Windsor,
Estado de Vermont, Estados Unidos da América do Norte.
Ele foi fundador, profeta e primeiro presidente da
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Quando tinha dez anos de idade, a família de Smith se
mudou para Palmyra, Nova York. Quatro anos depois, Smith
teve sua primeira visão de Deus e de Jesus Cristo, que o
instruiu a não se associar a nenhuma igreja existente,
denunciando a falsidade de todas elas.
Por volta do ano de 1827, por meio de outra visão, Smith
recebeu uma mensagem divina, escrita em placas de ouro,
em hieróglifos. Segundo Smith, o “anjo” Moroni lhe
apareceu e lhe disse que havia vivido naquela região há
uns 1.400 anos. Seguindo o relato, o pai de Moroni, um
profeta, tinha gravado a história do seu povo naquelas
placas. Quando estavam a ponto de ser exterminados por
seus inimigos, Moroni teria enterrado essas placas ao pé
de um monte próximo do local onde hoje é Palmyra. Nessa
visão, Moroni teria indicado a Smith o lugar em que as
placas teriam sido escondidas e lhe deu umas pedras
especiais, um certo tipo de lentes, chamadas “Urim” e “Tumim”,
com as quais poderia decifrar e traduzir os dizeres das
placas.
Smith traduziu e publicou o texto (1830), que recebeu o
título O Livro de Mórmon, no qual conta a história
religiosa de um povo antigo que viveu no continente
norte-americano e que descreve como descendentes dos
antigos hebreus.
Em 1830, Smith organizou a Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias e, imediatamente, começou a
enviar missionários para outras localidades. Em virtude
da conversão de um número muito grande de pessoas em
Ohio, Smith se mudou para lá, e construiu, em Kirtland,
um templo.
Mas... isto tudo é cristianismo?
Embora Jesus tenha dito que Ele próprio edificaria sua
igreja, e que as portas do inferno prevaleceriam contra
ela (Mt 16.18), Joseph Smith fundou esse movimento sobre
o pressuposto de que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo
havia apostatado, abandonado a verdade de Deus. Jesus
então o teria enviado para restaurar o cristianismo.
Esta suposta restauração se mostra evidentemente falsa,
porque a Igreja resultante dela não se baseia no modelo
do Novo Testamento. O princípio da Reforma Protestante,
no século XVI, foi comparar o cristianismo da época com
o modelo neotestamentário. Em outras palavras, a base da
Reforma foi a Palavra de Deus.
Quando, porém, comparamos as doutrinas mórmons com as da
Bíblia, é difícil identificar a Igreja dos mórmons como
a verdadeira Igreja cristã. Ensinos e práticas estranhos
ao evangelho são apregoados por eles. Estão pregando um
outro evangelho como se fosse o verdadeiro evangelho.
Embora as semelhanças sejam muitas, as diferenças também
são. Termos bíblicos não fazem que nenhum conceito ou
doutrina seja bíblico, ainda mais se praticado de forma
antibíblica.
Doutrinas variadas e estranhas ao evangelho
Bíblia, evangelho, Jesus, anjos, profeta, apóstolo,
Deus, Espírito Santo, batismo, dons espirituais, Igreja,
volta de Cristo, irmão, irmã, etc, são alguns dos
inúmeros termos utilizados pelos mórmons a fim de sejam
identificados como cristãos evangélicos. Um leigo nem
sempre consegue ver a diferença.
De repente, porém, surgem outros nomes e conceitos que
estão muito longe das Escrituras: selamento eterno,
batismo vicário pelos mortos, sacerdócio aarônico,
sacerdócio de Melquisedeque, garments, etc. Sem falar
dos nomes que surgem no Livro de Mórmon e que nada tem a
ver com a Bíblia Sagrada: Éter, Nefi, Helamã, Alma, Omni,
Jarom, Ênos, etc.
Conhecendo um pouco dessas doutrinas, ficamos chocados
com as distorções existentes, e que se classificam
facilmente no termo “outro evangelho”, tão condenado
pelo apóstolo Paulo (Gl 1.8,9; 2Co 11.4).
Batismo vicário pelos mortos
Ensinam que o batismo é vicário, ou seja, pode ser feito
no lugar de uma pessoa (que já morreu) para salvá-la.
Este conceito de batismo não procede, de modo algum, das
Escrituras. Todas as referências ao batismo bíblico
estão ligadas à decisão individual do cristão e, mesmo
assim, é uma conseqüência da salvação e não um meio para
adquiri-la.
Segundo as Escrituras, a única substituição salvadora
foi feita por Jesus (Is 53.4-6; 1Pe 3.18). Salvar alguém
pelo batismo equivale a tornar-se um co-salvador, mas
Jesus, e Ele somente, é o único Salvador.
As pessoas devem decidir sua condição eterna (salvação
ou perdição) enquanto estão neste mundo, não depois. Não
há, conforme mostram as Escrituras, como mudarem sua
condição diante de Deus após a morte (Lc 16.26).
A única referência bíblica empregada pelos mórmons para
justificar esta prática é o texto de 1Coríntios 15.29,
que reconhecidamente é de difícil interpretação.
Todavia, nele não existe, como costumam escrever, “uma
ordenança” de batismo pelos mortos. Há apenas uma
referência de Paulo quando fala da ressurreição aos
membros da igreja de Coríntios. Não existe outra
referência além dessa, seja nos escritos paulinos ou em
qualquer outro texto do Novo Testamento. É ilógico
desenvolver toda uma doutrina e prática sobre uma
passagem única e ambígua.
De qualquer forma, o versículo pode estar se referindo
àqueles que se batizam “por causa” dos mortos, ou seja,
dos mártires. É sabido que muitos se converteram quando
viram a morte honrosa dos cristãos. Paulo, então,
estaria argumentando que se esses mortos não
ressuscitavam ninguém, de nada valia ser batizado por
eles. Essa visão é compartilhada pelos grandes
apologistas Norman Geisler e Ron Rhodes. Outro
apologista, Gleason Archer, também tem uma interpretação
parecida do versículo em pauta. Segundo Archer, o
apóstolo Paulo estaria falando de cristãos, não
necessariamente de mártires, que, com sua morte,
deixaram um testemunho de confiança de que suas vidas
estavam salvas em Deus e que, por isso, não temiam a
morte. Tal testemunho, apresentado no leito da morte,
teria levado os familiares desses cristãos ao batismo.
Vale notar também que o versículo enfocado em momento
nenhum diz que os cristãos praticavam algum tipo de
batismo em favor dos mortos. Paulo fala em “aqueles que
se batizam pelos mortos”. Portanto, segundo esta
interpretação, o texto não se referia aos próprios
coríntios, mas a algum grupo desconhecido.
Seja como for, todas essas explicações têm muito mais
coerência do que a absurda prática mórmon. É impossível
sancioná-la com esta passagem das Escrituras: “E tende
por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como
também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a
sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas
as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de
entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e
igualmente as outras Escrituras, para sua própria
perdição. Vós, portanto, amados, sabendo isto de
antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens
abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais
da vossa firmeza” (2Pe 3.15-17).
Outra transgressão bíblica, derivada da doutrina do
batismo pelos mortos, é o fato de os mórmons se
concentrarem em suas genealogias, algo que o Novo
Testamento condena explicitamente: “Como te roguei,
quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso,
para advertires a alguns, que não ensinem outra
doutrina, nem se dêem a fábulas ou a genealogias
intermináveis, que mais produzem questões do que
edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço
agora” (1Tm 1.3,4).
No mormonismo, as genealogias são vitais e seus adeptos
possuem o maior cadastro de genealogias do mundo. Se a
Bíblia nos adverte a não nos ocuparmos com isto, como
justificar, perante as Escrituras, a preocupação
excessiva com árvores genealógicas?
Selamento eterno
É fácil entender o atrativo que a doutrina do selamento
eterno exerce sobre as jovens. Casam-se em uma bela
cerimônia, em um lugar cercado de esplendor. E com a
promessa de um “casamento eterno” e de serem “deusas” na
eternidade. É, de fato, um dote tentador.
Mas isso não é bíblico. Não tem nenhum respaldo nas
Escrituras. Nada igual jamais se viu no cristianismo
histórico. Embora o casamento seja de extrema
importância, de acordo com os padrões bíblicos (Ef
5.22,33), ele, porém, não é divinizador. Aliás, temos de
dizer aos mórmons o mesmo que Jesus disse aos saduceus:
“Vós errais, não conhecendo as Escrituras...” (Mt
22.29). Jesus lhes mostrou que a vida futura é isenta do
relacionamento conjugal existente na terra: “Porque na
ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas
serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22.30).
Também é importante notar que no entendimento bíblico
não existe casamento eterno, uma vez que uma mulher se
torna livre da lei do marido quando este falece: “Porque
a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver,
está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está
livre da lei do marido” (Rm 7.2).
Dizer que permanecem unidos após isso é negar o que a
Bíblia declara.
Outro evangelho
Embora o mormonismo conte sua história como uma
restauração ocorrida por meio do encontro de Jesus como
o anjo Moroni, e que na época Jesus havia dito a Joseph
Smith que todas as Igrejas estavam corrompidas, as
coisas,no entanto, não são bem assim. Ao confrontar
estas afirmações com as do Novo Testamento, vemos
justamente o contrário:
Nos últimos tempos, alguns apostariam da fé, dando
ouvidos a doutrinas de demônios e espíritos enganadores
(1Tm 4.1). Ora, Joseph Smith viveu no século XIX e
deixou o cristianismo por um evangelho que tinha uma
doutrina nova, entregue por um suposto anjo. Se houve
apostasia foi dele, e seu perfil se encaixa
perfeitamente aqui.
Não devemos aceitar outro evangelho, nem de homens, nem
de anjos! Isto está bem claro (Gl 1.8,9; 2Co 11.4). Toda
argumentação não passa de uma tentativa sofismática de
esconder o óbvio – o evangelho de mórmon não veio de
Deus. Antes, é uma maldição.
Além disso, anjos não são seres necessariamente bons.
Existem anjos sobre o controle de Satanás (Mt 25.41). E
estes seres não são facilmente identificáveis. Podem
apresentar-se com a mesma aparência que os anjos de Deus
(2Co 11.14). E aqui também nos vale uma análise do
versículo 15, onde diz que os ministros de Satanás podem
ter aparência de justiça. Assim, a moralidade mórmon não
torna o anjo Moroni um anjo de Deus.
Novas revelações
Por aceitarem novas revelações, os ensinos mórmons são
extremamente mutáveis, ou seja, se alteram
constantemente.
Além desse livro, possuem outros tidos como sagrados:
Pérolas de grande valor e Doutrinas e convênios. Mas
aceitam revelações atuais, vindas de seus profetas e
apóstolos. Dessa forma, sua doutrina está em constante
mudança. Uma mudança que os marcou bastante foi a
questão racial, pois os mórmons não aceitavam negros no
sacerdócio, visto a cor da pele ser identificada por
eles, no passado, com a marca de Caim. Todavia, por
questões sociais, acabaram cedendo, alegando uma “nova
revelação de Deus”. Uma atitude conveniente diante das
circunstâncias!
Preexistência da alma
O mormonismo afirma: “Aprendemos que a vida aqui na
terra é parte de uma jornada eterna iniciada muito antes
de nascermos, quando vivíamos com Deus como filhos
espirituais. Viemos à terra para ser testados...”.
A Bíblia não ensina que “vivíamos com Deus como filhos
espirituais”. Muito pelo contrário. Ela ensina que
vivíamos “em nossos delitos e pecados”, e éramos, por
natureza, “filhos da ira” (Ef 2.1,3). Nossa condição só
foi alterada quando passamos a crer em Cristo, quando
então nos tornamos filhos de Deus (Jo 1.12).
Não há qualquer fundamento bíblico para a preexistência
da alma. A Bíblia, porém, ensina que quando o homem é
concebido, Deus cria o espírito dentro dele: “Peso da
palavra do SENHOR sobre Israel: Fala o SENHOR, o que
estende o céu, e que funda a terra, e que forma o
espírito do homem dentro dele” (Zc 12.1).
Sacerdócio de Melquisedeque e aarônico
Para uma religião que diz ser a restauração do
cristianismo, a IJCSUD possui certas instituições
estranhas ao Novo Testamento. Os sacerdócios chamados
“Melquisedeque” e “aarônico” são estranhos aos escritos
neotestamentários e à história da Igreja. Mesmo que o
catolicismo tenha modelado sua liderança à semelhança do
sacerdócio levítico do Antigo Testamento, jamais se
atreveu a atribuir a esse sacerdócio os nomes acima,
concedidos pelos mórmons, pois seria uma distorção ainda
maior. Estas instituições são infundadas porque:
• Não existem “ordens sacerdotais” na Nova Aliança, uma
vez que todos os crentes são chamados a uma vida
espiritual diante de Deus (1Pe 2.5,9).
• O sacerdócio aarônico vigorou somente na Antiga
Aliança e, devido à sua impotência, foi substituído pelo
sacerdócio de Melquisedeque (Hb 7).
• O sacerdócio de Melquisedeque foi atribuído a uma
única pessoa – Jesus Cristo. E, mesmo assim, não nos
moldes do sacerdócio de Aarão, mas apenas como alegoria,
conforme expôs o escritor de Hebreus (Hb 7).
Judeus, Jesus e o cristianismo na América
O mormonismo é bastante patriótico. Segundo sua crença,
ocorreu uma “americanização” do plano de salvação em
diversos sentidos. O Livro de Mórmon seria o equivalente
a uma versão americana das Escrituras, por ter sido
elaborados nos EUA. Seu conteúdo retrata a fictícia
existência de uma comunidade judaica que viera para a
América nos tempos do rei Ezequias. Após ter
ressuscitado, Jesus teria vindo para a América e formado
uma Igreja que subsistiu até o ano duzentos,
aproximadamente.
Nada disso se harmoniza com as Escrituras ou com a
realidade nestas afirmações.
Em primeiro lugar, embora se conheçam provas
arqueológicas e históricas de muitas referências
bíblicas, o mesmo não acontece com o Livro de Mórmon.
Nunca a arqueologia respaldou, com descobertas, os fatos
pseudo-históricos das lendas mórmons. Pelo contrário, a
arqueologia pode demonstrar o absurdos do Livro de
Mórmon. Seus esforços de passar a idéia de que sua
“bíblia” é confiável têm sido tão entusiastas que a
Smithsonian Institution, renomada instituição científica
norte-americana, por ser ilegalmente citada pelas
mórmons, achou necessário fazer um pronunciamento
oficial afirmando que o Livro de Mórmon não tem nenhum
valor arqueológico nem histórico.
Em segundo lugar, após a ressurreição, a Bíblia mostra
que Jesus ficou quarenta dias com os discípulos,
ensinando-lhes a respeito do reino de Deus (At 1.3) e,
depois desse período, subiu aos céus e sentou-se à
direita de Deus (Mc 16.19). Se fosse realizar sua missão
em outras terras, com certeza Deus não deixaria tão
importante fato em oculto.
Em terceiro lugar, Jesus estabeleceu a Igreja em
Jerusalém, de onde seus discípulos deveriam partir até
alcançar os confins da terra (At 1.8). A partir dali,
era a missão deles levar o evangelho para o mundo todo
(Mt 28.18-20; Mc 16.15).
Este “espírito americanizador” é tão forte que o reino
futuro de Cristo sobre a terra se dará justamente na
América. Vejamos o que os mórmons dizem em seu credo:
“Cremos na coligação literal de Israel e na restauração
das dez tribos: que Sião será reconstruída neste
continente [o americano]; que reinará pessoalmente sobre
a terra...”. Mas as Escrituras, em momento nenhum, tiram
de Jerusalém o título de “cidade do grande Rei” (Mt
5.35). Pelo contrário, a colocam como centro dos planos
escatológicos de Deus (Rm 11.26).
Os templos
O verdadeiro cristianismo não possui templos. Não no
sentido como é considerado o templo de Jerusalém no
judaísmo. Jesus deixou esta questão bem clara no diálogo
que teve com a mulher samaritana: “Nossos pais adoraram
neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar
onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que
a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém
adorareis o Pai.Vós adorais o que não sabeis; nós
adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos
judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade;
porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é
Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em
espírito e em verdade” (Jo 4.20-24).
O templo no cristianismo é a própria Igreja, isto é, os
remidos, que se tornam habitação e templo do Espírito
Santo (1Co 3.16). No cristianismo evangélico, os
recintos chamados templos têm apenas a função de locais
de culto e, por isso, são respeitados apenas pelo que
representam.
No mormonismo, o templo é vital, porque as cerimônias
têm poder salvífico e o local se torna, então, um meio
de salvação. Para os mórmons, o templo, apesar de
lembrar a religião judaica, nada tem a ver com essa
religião. São centros de práticas totalmente alheias ao
cristianismo.
Uma breve análise do primeiro artigo do credo mórmon
A primeira das treze regras de fé contida no credo
mórmon reza: “Cremos em Deus, o Pai eterno, e em seu
Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo”.
Essa declaração soa completamente cristã, bíblica e
ortodoxa. Num primeiro momento, não há distinção de
qualquer outro credo cristão. Todavia, ao nos
aprofundarmos em seus ensinos, vamos descobrindo
conceitos estranhos por trás das palavras “Deus, o Pai
Eterno”, “seu Filho, Jesus Cristo”, e “Espírito Santo”.
Pelo fato de os mórmons se apegarem a fundamentos
estranhos às Escrituras (aliás, as Escrituras funcionam
apenas como isca), ocorre um desvio total de seus
ensinos, como podemos verificar:
Deus é um homem de carne e osso
O “profeta” Joseph Smith disse: “Se o véu se rompesse
hoje, e o grande Deus que mantém este mundo em sua
órbita, e que sustenta todos os mundos e todas as coisas
por seu poder, se fizesse visível - digo se vós
pudésseis vislumbrá-lo hoje, vê-lo-íeis em forma de
homem...”. “Deus é um homem glorificado e perfeito, um
personagem de carne e ossos. Dentro de seu corpo
tangível, existe um espírito eterno”.5
“Deus é Espírito”, disse Jesus (Jo 4.24). E sabemos o
que Ele quis dizer com isso, pois ensinou que um
espírito não tem carne nem ossos: “Vede as minhas mãos e
os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois
um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu
tenho” (Lc 24.39). As afirmações são opostas. O livro
Doutrinas e convênios contradiz o que a Bíblia ensina,
logo não pode estar certo. O Deus do mormonismo não é o
Deus das Escrituras, logo não pode ser verdadeiro.
Jesus foi gerado por relação sexual entre Deus e
Maria
“Quando a virgem Maria concebeu o menino Jesus, o Pai o
havia gerado à sua semelhança. Ele não foi gerado pelo
Espírito Santo [...] Jesus, nosso irmão mais velho, foi
gerado na carne pelo mesmo indivíduo que se achava no
jardim do Éden e que é o nosso Pai celestial”.6
Ensinar que Jesus, em sua encarnação no ventre de Maria,
não foi gerado pelo Espírito Santo é querer destruir os
fundamentos da fé cristã e operar um ataque direto ao
texto bíblico. Lemos em Mateus 1.18,20: “Ora, o
nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua
mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se
ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido,
como era justo, e a não queria infamar, intentou
deixá-la secretamente. E, projetando ele isto, eis que
em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José,
filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher,
porque o que nela está gerado é do Espírito Santo”.
Neste caso, temos uma contradição evidente entre as
expressões “... não foi gerado pelo Espírito Santo”,
ensinada pelo mormonismo, e “achou-se ter concebido pelo
Espírito Santo”, segundo a Bíblia.
Ainda conforme a concepção mórmon, em um dado momento da
eternidade o Pai resolveu criar o Filho e elevá-lo à
categoria de Deus. Antes da criação deste mundo, Jesus
teria apresentado ao Pai um plano de salvação. Seu outro
“irmão”, Lúcifer, teria se rebelado porque seu plano
fora rejeitado e o de Jesus, aceito. Uma narrativa que
se assemelha bastante com a mitologia grega e pagã.
A controvertida pessoa do Espírito Santo
A IJCSUD nunca foi muito clara com respeito à pessoa do
Espírito Santo. Joseph Smith chegou mesmo a afirmar que
o Espírito Santo era apenas a mente do Pai e do Filho.7
No entanto, seu “terceiro deus”, como seria mais
propriamente considerar o Espírito Santo dentro do
mormonismo, ainda não recebeu um corpo mortal. A
teologia mórmon não costuma abordar esta contradição.
Mas não se deve dizer que o Espírito Santo não possui um
corpo. Na verdade, Ele tem um corpo espiritual, com
forma verdadeiramente humana, com cabeça, torso e
lábios. Ele pode estar apenas num único lugar ao mesmo
tempo.8
Como podemos ver, o Espírito Santo dos mórmons é um
outro Espírito Santo, diferente do da Bíblia, assim como
o evangelho e o Jesus deles também são outros (2Co
11.4).
Os trezes principais artigos do credo Mórmon possuem uma
natureza ambígua e, por conta disso, qualquer pessoa
(até mesmo o cristão) sem o devido conhecimento das
Escrituras corre o risco de tropeçar. Não são os
contrastes entre o mormonismo e o cristianismo que devem
nos preocupar, mas, sim, suas aparentes semelhanças.
Em busca dos santos dos últimos dias
O objetivo da nossa apologética não é somente defender a
verdadeira fé de desvios doutrinários, mas levar os
incautos ao conhecimento da verdade. Os mórmons são
cidadãos respeitáveis, bons pais de famílias e pessoas
com padrão moral elevado, mas tornaram-se vítimas do pai
da mentira. Como cristãos, temos a responsabilidade de
indicar-lhes o verdadeiro caminho e não de criticá-los.
Querer desmascará-los, desacreditá-los ou mostrar
superioridade intelectual é algo reprovável. Temos de
ter a visão do apóstolo Paulo (Rm 10.1-4) que, apesar de
reconhecer o engano em que viviam os judeus de sua
época, não deixava de orar pela salvação deles. Isso
porque não os reconhecia apenas como pessoas perversas,
mas como pessoas que tinham zelo por Deus, sem, contudo,
terem o conhecimento da verdade.
Para falar aos mórmons sobre o verdadeiro evangelho,
precisamos ter um cuidado todo especial. Algumas
atitudes a serem consideradas:
• Preparação
É necessário conhecer tanto o ensino bíblico quanto os
ensinos mórmons. O ICP fornece excelente material para
isso: a Bíblica Apologética, a Série Apologética, a
revista Defesa da Fé, um curso de apologética, fitas e
livros. Comece a estudar agora e, daqui a alguns meses,
você estará apto para esta tarefa.
Existem, ainda, muitos sites de estudos apologéticos que
podem ajudar nesta questão.
Sem o devido preparo, é arriscado e difícil tentar
esclarecer algo aos mórmons.
• Estabelecer contato
Uma vez conhecendo as doutrinas dos mórmons e as
doutrinas bíblicas, você não precisa sair à procura dos
mórmons, eles se encarregam de ir à casa das pessoas
apresentar seus estudos. Assim, basta você aceitar ou
pedir uma visita, a fim de estabelecer contato. Se isso
acontecer, dê-lhes uma boa receptividade, trate-os com
amor.
• Sinceridade
Não os engane, dizendo que não conhece nada da Bíblia ou
da doutrina deles. Admita que é um crente evangélico e
que conhece suas publicações, mas que tem muitas dúvidas
e gostaria de esclarecimentos. Eles vão abrir um sorriso
e se prontificarão a visitá-lo e a ensinar suas
doutrinas.
• Saber ouvir
É uma forma de ganhar sua confiança. Não queira
replicá-los cada vez que disserem algo que você sabe
estar em desacordo com a Bíblia. Quando eles se sentirem
mais à vontade, então poderá falar. Questione
antecipadamente se pode fazer perguntas caso surjam
dúvidas durante o estudo. Mais à frente, poderá até
mesmo contar seu testemunho de como se tornou cristão.
Não use de atitude arrogante ou superior. Não deboche de
suas crenças. Eles são sinceros em sua fé, mesmo que
esteja errada. Eles não o ouvirão com respeito se não
fizer o mesmo.
• Questione o máximo que puder
Com o passar do tempo, comece a questionar, mas de forma
branda e delicada. O intuito é levá-los a raciocinar por
si próprios, pois são treinados a aceitar tudo sem
questionamento. Não ousam duvidar de nada que o
mormonismo lhes ensina. Por isso, perguntas curtas e
diretas são meios de libertá-los dessa prisão de
consciência. É bem provável que mudem de assunto
sutilmente quando não souberem responder. Neste caso,
não provoque. Se houver oportunidade em outra ocasião,
torne a questionar, sempre em tom de humildade e
mansidão.
• Discorde sem contender
Se um mórmon, durante a conversa, lhe der alguma
resposta absurda ou sem lógica, não precisa ficar
rebatendo indefinidamente. Diga-lhe apenas que não se
sente convencido, mas que tudo bem, quer continuar
ouvindo. Isso fará que ele se sinta forçado a raciocinar
ou a questionar suas afirmações posteriormente, sem,
contudo, se sentir constrangido.
Compartimentos do Templo
Sala de Investidura
Nesta sala, tem-se uma visão geral do plano do Senhor
para os seus filhos (mórmons). Aqui os mórmons recebem
“instruções” acerca de quem são, de onde vieram, por que
estão aqui e para onde vão. Nela, “os santos dos últimos
dias” aprendem a respeito de sua vida pré-mortal, de sua
vida mortal e das bênçãos que podem receber na próxima
vida.
Sala de Selamento
A cerimônia realizada nesta sala é, sem dúvida, uma das
mais aneladas pelas jovens mórmons. Neste local, a noiva
e o noivo mórmon reúnem seus parentes e amigos para
serem testemunhas da ordenação do matrimônio para a
eternidade.
Sala do Mundo
Geralmente, suas paredes são cobertas por pinturas
paisagísticas. As cenas são típicas do mundo sob a
maldição de Deus. Reporta-se à expulsão do homem no
jardim do Éden e seu enfrentamento diante das disputas,
dificuldades, trabalho e suor. James Talmage sugere que
esta sala bem poderia ser chamada de sala do mundo
degradado.
Sala Terrestrial
Também conhecida como “sala de conferência superior”,
combina riqueza e simplicidade. Geralmente, são
ilustradas com cenas das terras bíblicas. Nesta sala são
ministradas instruções a respeito dos endowents que
enfatizam os deveres práticos de uma vida religiosa.
Contém, ainda, cortinas de seda que se constituem no
“véu do templo”.
Sala Celestial
Todos os objetivos dos convênios observados no templo
culminam para esta sala. De acordo com o procedimento
padrão da construção de templos mórmons, é costumeiro
edificá-la no centro da estrutura. É a mais importante
de todas as salas e trata-se de uma representação
simbólica do paraíso. Para os mórmons, esta sala alude à
vida familiar eterna com o “Pai celestial e Jesus
Cristo”.
Outras salas
Sala do Jardim, sala das noivas, sala de selamento pelos
mortos, sala dos Élderes, sala do conselho dos doze
apóstolos, sala do conselho dos setenta, etc.
Estas descrições estão baseadas na obra de um dos doze
apóstolos da IJSUD – James E. Talmage – intitulada A
casa do Senhor. Os relatos referem-se ao grande templo
de Salt Lake City, sede do mormonismo em Utah, EUA.
Notas:
1 Não há uniformidade no relato da primeira visão, que é
a base da justificação mórmon para a fundação da sua
igreja. Existem pelo menos três versões diferentes do
suposto episódio. A oficial diz que lhe apareceram dois
personagens, o Pai e o Filho, Jesus Cristo. Outra versão
diz que Deus não veio, mas enviou um anjo. Ainda uma
outra diz que Deus não veio pessoalmente, mas enviou o
apóstolo Pedro.
2 Respostas às seitas, Geisler, Norman & Rhodes, Ron.
CPAD, 2000.
3 Folheto sobre o templo.
4 Ensinamentos do profeta Joseph Smith, p. 336.
5 Doutrinas e convênios 120:22.
6 Revista de discursos, vol. I, p. 50-1.
7 Lectures on Faith, p. 48-9.
8www.veritatis.com.br
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