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Paulo, o fiel
discípulo de Jesus
Por Silas Tostes
E m sua edição de número 195 (dez/ 2003), a revista
SuperInteressante publicou matéria intitulada “O homem
que inventou Cristo”, do jornalista Yuri Vasconcelos. A
chamada de capa foi: “São Paulo traiu Jesus?”. Em sua
abordagem, tanto o autor quanto alguns acadêmicos
afirmam que o apóstolo Paulo, além de ter sido um
traidor de Jesus, inventou o cristianismo.
Tais alegações, no entanto, não podem passar sem serem
respondidas devidamente.
A matéria sugere que Paulo foi, na verdade, um homem
desonesto, pois palavras e expressões como “traiu”,
“deturpou” e “autor de fraudes” são usadas em referência
ao apóstolo. O cerne da matéria segue a linha de
pensamento de Mahatma Ghandi e outros pensadores, os
quais coadunam com a idéia de que “as cartas de São
Paulo são uma fraude nos ensinamentos de Cristo”.1
Mas qual é o fundamento dessa acusação? Somos
categóricos em afirmar que o ensino de Paulo não está em
discordância com os ensinos de Jesus, e dos demais
apóstolos. Portanto, Paulo não foi fraudulento.
Não ignoramos o fato de, inúmeras vezes, constar do
artigo alusões de que Paulo foi e é muito influente na
formação do cristianismo, tal como o conhecemos hoje.
Mas não é possível concordar que Paulo estava em
discordância com Jesus e com os demais apóstolos.
A influência de Paulo está na relação direta do fato de
que ele avançou por diferentes partes do Império Romano,
bem como por ter sido o que mais expôs os ensinos
aceitos pelos apóstolos e oferecidos por Jesus. Mas isto
não quer dizer que os tenha inventado. Não foi este o
caso, conforme demonstraremos.
Primeiro, responderemos à alegação quanto a veracidade
dos escritos de Lucas. Depois, duvidaremos do fato de
que os demais apóstolos não saíram da Palestina. E,
finalmente, responderemos às alegações contra Paulo,
colocando o apóstolo em desarmonia com Jesus e os doze
apóstolos.
Respondendo à alegação contra a veracidade dos
escritos de Lucas
Em uma contradição explícita, a matéria baseia-se nas
informações providas por Lucas, porém, ao mesmo tempo em
que faz isso, sugere que o texto que ele mesmo empregou
não é confiável.2 Todos têm liberdade de ter suas
opiniões, mas é evidente que o articulista desconsiderou
o fato de Lucas ter sido criterioso em tudo que se
propôs a relatar. Nas suas próprias palavras, o
evangelista afirmou sobre seu evangelho: “Tendo, pois,
muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que
entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os
mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram
ministros da palavra, pareceu-me também a mim
conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por
sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de
tudo desde o princípio; para que conheças a certeza das
coisas de que já estás informado” (Lc 1.1-4).
Veja que, na perspectiva de Lucas, seus relatos foram
feitos depois de ter empenhado acurada investigação com
as testemunhas oculares. Além disso, é louvável que suas
informações, ao longo do seu evangelho, envolvem tanto o
contexto histórico quanto o geográfico. Podemos
constatar isso no seguinte versículo:3 “Existiu, no
tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado
Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das
filhas de Arão; e o seu nome era Isabel” (Lc 1.5; grifo
do autor). Da mesma forma, podemos entender que, ao
escrever seu livro de Atos, tenha se precavido dos
mesmos cuidados.
Não é certo que os outros apóstolos não saíram da
Palestina
O artigo foi taxativo em afirmar que os demais apóstolos
não saíram da Palestina.4 O fato é que não possuímos
provas conclusivas sobre isso, portanto, não podemos
dizer que não saíram, nem que o fizeram. Mas segundo as
tradições das igrejas, que há séculos se encontram na
Pérsia, Etiópia, Egito, Armênia e Índia, Tomé teria ido
à Índia e Pérsia; Mateus para a Etiópia e Bartolomeu
para a Armênia. Além disso, é sabido que Pedro foi à
Antioquia, na Síria (Gl 2.11) e, segundo a tradição, de
lá para Roma. João foi para Éfeso e, depois, levado
preso para a ilha de Patmos. Probabilidades omitidas
pela reportagem.
Inicialmente, os apóstolos ficaram em Jerusalém, mas
depois, provavelmente, saíram, como sugerem as
tradições. Ficaram porque uma igreja e líderes estavam
sendo formados. Atos 15 faz quatro referências aos
presbíteros (2,6, 22,23 – ARA), e todos eles foram
formados pelos apóstolos que precisavam supervisionar os
primeiros passos de expansão do cristianismo, como em
Samaria e em Antioquia, na Síria (At 8.14, 11.22), e
também como resolver a questão da inclusão de gentios à
Igreja (At 15), o que veremos, mais à frente, com
detalhes.
Não sabemos ao certo, mas não é correto afirmar que os
apóstolos não saíram da Palestina. Pelo menos em relação
a Pedro e João esta assertiva não é sustentável.
Respondendo às colocações contra o apóstolo Paulo
As alegações contra Paulo na matéria são múltiplas. É
sugerido que Paulo foi o responsável pelas guerras e
pelo sofrimento do mundo, sua conversão teria sido uma
farsa, seu ensino sobre a salvação teria sido distinto
do ensino de Jesus e dos demais apóstolos, teria
defendido a escravidão, teria legitimado a submissão da
mulher e teria ensinado a obediência ao opressivo
Império Romano.
Veremos, seguindo a disposição das acusações acima,
estas alegações no contexto do ensino de Paulo e, quando
necessário, no ensino de Jesus e dos demais apóstolos.
Paulo teria sido o causador das guerras e do
sofrimento no mundo
Não podemos deixar de mencionar a alegação simplista de
Fernando Travi, fundador e líder da Igreja Essênia
Brasileira, que declara acerca de Paulo: “Sua conversão
foi uma farsa. Ele criou uma religião híbrida. A prova
disto é o mundo que nos cerca. Um mundo cheio de guerra,
de sofrimento e de desespero”.5
Realmente, verificamos muita comodidade e reducionismo
na afirmação de que Paulo tenha sido o responsável pelas
guerras e pelos sofrimentos do mundo. Isso pressupõe que
não somos responsáveis pelos nossos atos. Recentemente,
a história nos mostrou que governos opressivos — sejam
eles comunistas, islâmicos, budistas ou militares — são
capazes de terríveis atrocidades, mas nenhuma delas é
cometida sob a influência dos ensinos de Paulo. Gostaria
de ver Fernando Travi convencendo, com seus argumentos,
historiadores e sociólogos que Paulo tenha sido
responsável pelos problemas atuais do mundo. Não há base
para sua afirmação e não deveria ter sido mencionada no
artigo por Yuri Vasconcelos. A história ao nosso redor
nos mostra que a geração atual é capaz de atrocidades,
sem que estas estejam diretamente ligadas a Paulo.
A conversão de Paulo teria sido uma farsa
É verdade que alguém pode duvidar dos relatos de Paulo
quanto à sua conversão, da mesma forma que alguém pode
duvidar de meu testemunho de como me tornei cristão. Em
verdade, podemos duvidar de todos e de tudo o tempo
todo, mas é importante procurar avaliar tais dúvidas por
meio de critérios lógicos. A matéria da revista
SuperInteressante mencionou acertadamente que Paulo era
de família influente, poliglota, bicultural e
bem-estudado aos pés de Gamaliel.6 Era amigo e
respeitado pelos membros do Sinédrio.7 Em outras
palavras, Paulo era homem de status e respeito. Por que,
em tal situação, ele deixaria tudo para se juntar à
minoria cristã desrespeitada, perseguida e considerada
herética? O que Paulo teria a ganhar com sua conversão,
caso esta fosse uma farsa? Será que sofreria tanto por
uma farsa?8 Geralmente, as pessoas sofrem pela verdade e
por ideais, mas esse definitivamente não é o caso. Cabe
aos críticos da conversão de Paulo provarem por que
razão ele sofreria tanto por uma farsa; e por que razão
ele teria empreendido tanto tempo implantando igrejas e
escrevendo, já que ele, supostamente, não tinha ampla
convicção naquilo que acreditava e ensinava.
Normalmente, poucos sofrem pela verdade, mas quem quer
sofrer pela mentira? A alegação de que a conversão de
Paulo na estrada de Damasco foi uma farsa não faz jus ao
preço que o apóstolo pagou para divulgar o evangelho.
Tal suposição não se respalda na lógica. Gostaria de ter
as provas para a alegação que diz que Paulo fingiu
ter-se convertido, pois é justamente isso que o conceito
de “farsa” sugere. Onde estão estas provas? Tudo isso
não passa de conjetura!
A salvação ensinada por Paulo teria sido distinta do
ensino de Jesus e dos demais apóstolos
O artigo em referência sugere que Paulo era contra a
circuncisão dos gentios, uma vez que o sacramento do
batismo era suficiente para a conversão. A circuncisão
seria, na verdade, a porta de entrada do judaísmo e não
do cristianismo.9 Esta afirmação não representa toda a
questão como ocorrida.
O artigo também sugere que Pedro e Tiago Menor, assim
como os outros integrantes do grupo de judeus cristãos,
possuíam posição contrária à de Paulo. Os demais
apóstolos faziam parte do grupo que exigia a circuncisão
para cristãos.10 Isso, porém, não faz jus ao que foi
crido e ensinado por Jesus e os demais apóstolos. Havia
sim uma tensão entre Paulo e alguns judeus cristãos, mas
não necessariamente entre Paulo, Pedro e os demais
apóstolos. Nem mesmo entre Paulo e Jesus.
O que acabamos de afirmar passamos a evidenciar. Jesus
havia ordenado aos apóstolos que fizessem discípulos de
todas as nações: “Portanto ide, fazei discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A obediência a
esta ordem envolveria transpor barreiras culturais e
religiosas. Os judeus possuíam uma dieta alimentar
diferente da dos gentios (não judeus). Possuíam também
suas cerimônias religiosas, não praticadas e não
entendidas por outros povos. Nesse contexto, o gentio
era considerado impuro, pois, na perspectiva judaica,
não obedecia à lei de Moisés que, entre outras coisas,
proíbe comer carne de porco, assim como outros animais,
dos quais os gentios se alimentavam. Como, então, um
judeu cristão levaria a salvação de Cristo para os
gentios, uma vez que os gentios eram considerados
impuros, por quebrarem a lei de Moisés? Nas palavras de
Pedro: “Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu
ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus
mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo” (At
10.28).
Ora, se os discípulos de Jesus não se aproximassem dos
gentios para evangelizá-los, não poderiam fazer
discípulos, como ordenado em Mateus 28.19. A questão
toda estava no entendimento de que o gentio era impuro.
Não entraremos em todos os detalhes, mas, em Atos 10, o
Espírito Santo convence Pedro de que deveria ir até a
casa do gentio Cornélio, pois se um gentio fosse lavado
e purificado no sangue de Jesus, tornar-se-ia puro
diante de Deus. Esta pureza não dependia de dieta
alimentar, nem de cerimônias ou festas judaicas, ou do
guardar dias santos. É a pureza conseguida pelo perdão
dos pecados, por Cristo ter morrido em nosso favor. Nas
palavras de Jesus: “O que contamina o homem não é o que
entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que
contamina o homem. Mas, o que sai da boca, procede do
coração, e isso contamina o homem. Porque do coração
procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios,
prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem
lavar as mãos, isso não contamina o homem” (Mt
15.11,18-20).
Pedro, então, com um novo entendimento, pregou o
evangelho de Cristo para Cornélio e logo percebeu que
este e seus familiares foram aceitos por Deus quando
creram. Esta aceitação foi independente de qualquer
dieta alimentar ou de outras leis, pois o Espírito Santo
fora recebido por eles, quando creram, assim como havia
sido recebido pelos judeus que já haviam crido em Jesus
anteriormente: “E, dizendo Pedro ainda estas palavras,
caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a
palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos
quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o
dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os
gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a
Deus. Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura
recusar a água, para que não sejam batizados estes, que
também receberam como nós o Espírito Santo? E mandou que
fossem batizados em nome do SENHOR. Então rogaram-lhe
que ficasse com eles por alguns dias” (At 10.44-48).
É óbvio que a conversão dos primeiros gentios gerou a
discussão de como estes seriam incluídos na igreja, o
que era até natural. Pedro precisou se explicar aos que
criam que a circuncisão era necessária para a salvação:
“E ouviram os apóstolos, e os irmãos que estavam na
Judéia, que também os gentios tinham recebido a palavra
de Deus. E, subindo Pedro a Jerusalém, disputavam com
ele os que eram da circuncisão, dizendo: Entraste em
casa de homens incircuncisos, e comeste com eles. Mas
Pedro começou a fazer-lhes uma exposição por ordem...”
(At 11.1-4).
Mas Pedro entendeu que o homem, mesmo o gentio, era
salvo pela fé em Jesus: “E lembrei-me do dito do Senhor,
quando disse: João certamente batizou com água; mas vós
sereis batizados com o Espírito Santo. Portanto, se Deus
lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no
Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse
resistir a Deus?” (At 11.16; grifo do autor).
Depois da explicação de Pedro, todos louvaram a Deus,
que amava e salvava os gentios pela fé, conforme se
arrependiam de seus pecados: “E, ouvindo estas coisas,
apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na
verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a
vida” (At 11.16-18).
Percebemos que Pedro entendia em que base se dava a
salvação dos gentios. Inicialmente, ele teve
dificuldades de fazer discípulos entre esse povo. Mas
conseguiu fazer isso ao evangelizar Cornélio, quando,
então, pôde entender que o homem é salvo pela fé em
Cristo, desde que se arrependa de seus pecados e aceite
a obra de Cristo na cruz. Neste ponto, Pedro não está em
desacordo com Jesus e muito menos com Paulo. Jesus disse
inúmeras vezes que aquele que nele crê tem a vida
eterna: “Na verdade, na verdade, vos digo que quem ouve
a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida
eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte
para a vida” (Jo 5.24. V. tb. Jo 6.35, 47; 11.25,26;
12.46).
As declarações de Jesus comprovam que a salvação é pela
fé nele. E isso fica ainda mais evidente no texto
original, no qual podemos perceber que o substantivo fé
— — e o verbo crer — — possuem a mesma
raiz. Quando Jesus, portanto, diz que quem crê nele tem
a vida eterna, subentende-se no original que a pessoa
colocará sua fé em Jesus, ou seja, a salvação é por meio
da fé em Jesus, e isso não só para os judeus, mas também
para os gentios, como foi o caso de Cornélio e seus
familiares.
Jesus também ensinou que sua morte na cruz seria para
perdão de pecados, como o fez na última ceia,
referindo-se ao pão como seu corpo e ao vinho como seu
sangue (Lc 22.19,20). Disse o mesmo em outra passagem:
“Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as
Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim
convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia
ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se
pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em
todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.45-47;
grifo do autor).
É evidente que o que foi ensinado por Jesus foi crido e
ensinado por Pedro. Vemos isso também em outras
passagens, além das já citadas de Atos: “Respondeu-lhe,
pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens
as palavras da vida eterna. E nós temos crido e
conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente” (Jo
6.68,69; grifo do autor).
Vemos que aquilo que foi ensinado por Jesus e crido por
Pedro foi igualmente ensinado por Paulo. Citaremos
somente duas passagens, para não sermos exaustivos:
“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus,
tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a
justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e
sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de
Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça,
pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus
propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados
dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para
demonstração da sua justiça neste tempo presente, para
que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em
Jesus. Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual
lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé” (Rm 3.21-27;
grifo do autor).
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto
não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).
Veja que pelas passagens acima é evidente que Paulo
ensinou o mesmo que Jesus e Pedro sobre a salvação. O
homem é salvo pela fé em Jesus. Assim, como claramente
mostra minha explicação, o Concílio de Jerusalém, citado
na SuperInteressante, colocando Paulo em desarmonia com
Jesus, Pedro e demais apóstolos, é improcedente.11
Nesse Concílio, discutiu-se a base por meio da qual se
dá a salvação do homem. Para alguns judeus cristãos, o
homem era salvo por Jesus e pela circuncisão. “Então
alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os
irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de
Moisés, não podeis salvar-vos” (At 15.1). Mas, como já
vimos, tanto para Pedro como para Jesus e Paulo, o homem
é salvo pela graça mediante a fé em Jesus. O mesmo é
reafirmado e ensinado em Atos 15 por todos eles juntos.
As palavras de Pedro, a seguir, resumem bem a posição de
todos os apóstolos, que aprenderam com Jesus, presentes
em Jerusalém: “Congregaram-se, pois, os apóstolos e os
anciãos para considerar este assunto. E, havendo grande
contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos,
bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre
nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a
palavra do evangelho, e cressem. E Deus, que conhece os
corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito
Santo, assim como também a nós; e não fez diferença
alguma entre eles e nós, purificando os seus corações
pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo
sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos
pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos
salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles
também” (At 15.6-11).
A afirmação da SuperInteressante de que Paulo saíra
vitorioso em Atos 15, sugerindo, com isso, que ele teria
discordado de Jesus e dos demais apóstolos é um absurdo
exegético.12
A matéria cita que, após o episódio do Concílio em
Jerusalém, Pedro tornou-se repreensível por ter cedido à
pressão do partido da circuncisão. Contudo, o episódio
não pode ser usado para diferenciar a posição de Paulo
da dos demais, pois já demonstramos não ser o caso.
Pedro, em Antioquia, titubeou por causa da pressão que
sofreu, mas seu comportamento ali não refletiu o que ele
realmente pensava, como já vimos em Atos 11 e 15. “E,
chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque
era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem
chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas,
depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou
deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros
judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até
Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas,
quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a
verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de
todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não
como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como
judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores
dentre os gentios” (Gl 2.11-15).
Por tudo isso, fica evidente que Paulo ensinava o mesmo
que Jesus e os demais apóstolos sobre a salvação. Não
procede a afirmação de Fernando Travi de que as cartas
de Paulo estavam em desarmonia com o ensino de Jesus e
dos demais apóstolos.
Paulo teria também defendido a escravidão
Buscando amparo no texto de Efésios 6.5, a matéria da
SuperInteressante condena Paulo por ter ensinado que os
cristãos, quando na condição de escravos, fossem
obedientes a seus senhores: “Vós, servos, obedecei a
vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na
sinceridade de vosso coração, como a Cristo” (Ef 6.5).
O texto a seguir, não citado no artigo da revista,
instrui os escravos a servirem a seus senhores como se
estivessem servindo a Cristo, pois Deus saberá
recompensá-los: “Não servindo à vista, como para agradar
aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de
coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como
ao Senhor, e não como aos homens. Sabendo que cada um
receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo,
seja livre” (Ef 6.6-8).
É verdade que Paulo não está aqui sugerindo uma ordem
revolucionária com violência, mas instruindo os escravos
como deveriam se comportar diante desse tipo de
realidade social: a escravidão.
Não podemos, porém, a partir da passagem de Efésios 6.5,
afirmar que Paulo, se pudesse, não teria eliminado a
escravidão. Um conselho, ou ensino, diante da realidade
da escravidão, não é necessariamente endossá-la. Ele
ensina que, mesmo na escravidão, as relações humanas
podem ser de respeito, sem opressão. Veja que, a seguir,
Paulo instrui os senhores para que tratem os escravos
como irmãos em Cristo, pois não há acepção de pessoas.
“E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando
as ameaças, sabendo também que o SENHOR deles e vosso
está no céu, e que para com ele não há acepção de
pessoas” (Ef 6.9; grifo do autor).
Se diante da realidade da escravidão (não criada por
Paulo) os senhores seguissem as instruções dele, o
escravo seria tratado com dignidade e respeito. Ele não
seria oprimido, pois como Paulo disse: “não há acepção
de pessoas”.
A idéia de que no evangelho os escravos não são
inferiores a ninguém consta do ensino de Paulo também em
Gálatas 3.28: “Nisto não há judeu nem grego; não há
servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos
vós sois um em Cristo Jesus” (grifo do autor).
Se levarmos em consideração o que Paulo ensinou em
Efésios 6.9 e Gálatas 3.28, não podemos afirmar que ele
endossou os abusos da escravidão. Mas é verdade que não
propôs a eliminação desta. Contudo, diante da realidade
da escravidão, esperava que ela fosse sem opressão e
discriminação de pessoas. Neste caso, o escravo teria
seus direitos humanos preservados. Tornar-se-ia uma
espécie de empregado moderno.
Paulo teria legitimado a submissão da mulher
A matéria da revista em referência menciona a carta aos
colossenses, provavelmente pensando em Colossenses 3.18,
que reza: “Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos
próprios maridos, como convém no Senhor”. Mas acaba
citando 1Timóteo 2.9-12: “Que do mesmo modo as mulheres
se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não
com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos
preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem
profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher
aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito,
porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre
o marido, mas que esteja em silêncio” (1Tm 2.9-12).
É verdade que Paulo ensinou que a mulher seja submissa
ao marido, contudo, tal afirmação não deve ser retirada
da complexidade do ensino do apóstolo. Paulo não apoiou
a opressão da mulher, antes, a colocou em igualdade com
o homem.
Paulo tinha a convicção de que a mulher está submissa ao
marido, como conseqüência da queda, separação de Deus
pelo pecado (Gn 3.16). Naquela ocasião, a mulher ouviu a
serpente, que a ajudou a convencer o homem a desobedecer
a Deus. A mulher foi colocada, como resultado da queda,
em submissão ao marido. Veja a passagem a seguir: “E à
mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a
tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu
desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gn
3.16).
É o texto de Gênesis 3.16 que Paulo tem em mente ao
ensinar sobre a submissão da mulher. Veja o que ele diz
em 1Timóteo 2.13,14 (em seguida, 1Tm 2.9-12, citado na
matéria da SI). “Porque primeiro foi formado Adão,
depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo
enganada, caiu em transgressão”.
Logo, assim como não podemos dizer que a submissão da
mulher foi inventada por Paulo, também não podemos
afirmar que esta submissão não era crida pelos demais
apóstolos. Veja que Pedro ensinou o mesmo:
“Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos
vossos próprios maridos; para que também, se alguns não
obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam
ganhos sem palavra” (1Pe 3.1).
Além disso, Paulo ensinou que as esposas devem ser
amadas pelos maridos, como Cristo amou a igreja, e por
esta se entregou. Nesse contexto, os maridos devem
cuidar muito bem de suas mulheres, como cuidam de seus
próprios corpos: “Vós, maridos, amai vossas mulheres,
como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se
entregou por ela [...] Assim devem os maridos amar as
suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos.
Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca
ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e
sustenta, como também o Senhor à igreja” (Ef 5.25, 28,
29; grifo do autor).
Concluímos, então, que, no entendimento de Paulo, a
mulher é submissa ao marido como conseqüência da queda,
separação de Deus pelo pecado original (Gn 3.16). Isso,
contudo, não o impediu de perceber que a mulher em
Cristo tem o mesmo status que o homem diante de Deus (Gl
3.28). Assim, não pode haver discriminação contra a
mulher, nem desigualdade de direitos. A mulher deve ser
amada pelo marido como Cristo amou a igreja. Deve também
ser bem cuidada (Ef 5.25,28,29). O ensino de Paulo
exclui a opressão da mulher.
Paulo teria defendido a obediência ao opressivo
Império Romano
A matéria da SuperInteressante propõe que Paulo apoiava
a obediência ao opressivo Império Romano. Para tanto,
cita Romanos 13.1,7: “Toda a alma esteja sujeita às
potestades superiores; porque não há potestade que não
venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas
por Deus [...] Portanto, dai a cada um o que deveis: a
quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem
temor, temor; a quem honra, honra”.
Podemos dizer sim que Paulo apoiou a obediência às
autoridades do Império, mas isto não é o mesmo que
endossar suas atrocidades e injustiças. Como bons
cidadãos, devemos pagar nossos impostos, percebendo que
a ordem social estabelecida é melhor que o caos.
Não há, no texto de Romanos 13.1,7, nenhuma aprovação,
por parte de Paulo, das injustiças do Império. Há
somente o reconhecimento de que os governos humanos são
estabelecidos pela soberania de Deus, por meio dos quais
Deus traz certo nível de julgamento e ordem. Veja o que
dizem os versos intermediários: “Porque os magistrados
não são terror para as boas obras, mas para as más.
Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e
terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para
teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz
debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador
para castigar o que faz o mal” (Rm 13.3,4).
Podemos reclamar das injustiças que há no Brasil em
todos os níveis. Mas a existência do governo brasileiro,
quer seja municipal, estadual ou federal, nos permite
ter no meio da imperfeição a ordem social. O mesmo não é
visto na Somália, onde o governo está desestruturado.
Existe uma anarquia onde as regiões são controladas por
determinados guerreiros com suas milícias, que se
encontram acima da lei. Paulo, em Romanos 13,
simplesmente reconhece que os governos humanos
desenvolvem um papel estabelecido na soberania divina.
E, nesse contexto, precisamos pagar nossos impostos. É o
que nos ensina Jesus em Marcos 12.17: “E Jesus,
respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de
César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se
dele”.
O ensino de Paulo não tira dos cristãos o direito de
exercerem sua cidadania e de serem agentes de
transformação social. Desde os dias do primeiro século o
cristianismo tem prestado este serviço.
A solução de Paulo, Pedro e Jesus para o mundo era a
chegada, desenvolvimento e plenitude, do reino de Deus
(Mt 4.117, At 14.22, Ap 11.15). Era por meio de uma nova
ordem que ocorreria a mudança. Sendo assim, Paulo não
endossava o Império com suas injustiças, mas esperava a
realização do reino de Deus.
Não é tão fácil definir o reino de Deus, pois se trata
de uma realidade aparentemente paradoxal, porque tanto
não é deste mundo (Jo 18.36) como é verdade que está
neste mundo. O reino de Deus já estava presente antes de
Jesus, chegou com sua vinda e terá a plenitude com sua
segunda vinda. Além disso, é verdade que Deus reina
sobre tudo e é verdade que Ele não reina no coração
daqueles que não o servem. Mas isso não o impede de
reinar soberanamente sobre todos e tudo, inclusive sobre
o mal, mesmo que não seja responsável pelo mal. Estas
aparentes realidades opostas fazem do assunto um
desafio. Na verdade, podemos nos referir ao reino divino
como uma realidade múltipla, sem que uma de suas facetas
se oponha às demais.
Governos e instituições sempre terão sua medida de
maldade, devido ao pecado do homem. Contudo, podem ser
melhores ou piores. Tudo irá depender da maneira como os
servos de Deus agirem como “sal e luz da terra”, agentes
de transformação.
Ao dizermos que o reino de Deus não é um tipo de regime,
não queremos, com isso, afirmar que abominamos os
regimes, os quais, apesar de suas imperfeições, são
instrumentos de Deus (Rm 13.1,7). Todavia, como servos
de Deus, não podemos aceitar tudo o que nos é imposto
por um governo. Claro que suas leis e propostas injustas
devem ser modificadas pelo trabalho daqueles que são,
segundo a Bíblia, “sal e luz da terra”. Como cidadãos de
um reino em que não há injustiças, devemos agir como
transformadores sociais (Mt 5.13-16), esforçando-nos
pacificamente para que haja leis justas, as quais
regerão todos os níveis da sociedade.
Além disso, podemos nos envolver em projetos de promoção
humana, atuando em instituições beneficentes
independentes e/ou em parceria com o governo e a
sociedade. A dimensão social do reino de Deus deve
tornar-se a realidade do mundo ao nosso redor, pela
nossa influência. Mesmo que uma sociedade justa não seja
em si o reino de Deus, em situação ideal faria parte
dele ou seria fortemente influenciada pelo mesmo. Neste
caso, o reino que não é deste mundo estará no mundo e
crescerá até a sua plenitude (Ap 11.15).
Não podemos, segundo o que está registrado em Romanos
13.1,7 e o que é ensinado nas Escrituras sobre o reino
de Deus, afirmar que Paulo apoiou as atrocidades do
Império Romano, pois tanto para ele como para Jesus e os
demais apóstolos a chegada do reino é a solução de Deus
para a humanidade. Enquanto isso, entendemos o papel das
autoridades estabelecidas na soberania de Deus, pagamos
nossos impostos, exercemos nossa cidadania e nos
tornamos agentes de transformação social, até a chegada
da plenitude do reino de Deus.
Recapitulando as falhas da matéria publicada na
SuperInteressante
• Desprezou o rigoroso critério usado por Lucas para
coletar suas informações.
• Presumiu, sem provas, que os demais apóstolos não
saíram da Palestina.
• Foi simplista e reducionista em culpar Paulo pelos
problemas da humanidade, como guerras e sofrimento.
• Afirmou que a conversão de Paulo foi uma farsa, porém,
o fez por meio de argumentos ilógicos. Não ficou provado
por que razão Paulo sofreria tanto por uma farsa que lhe
tirara o status social.
• Falhou ao afirmar erradamente que Paulo discordara de
Jesus e dos demais apóstolos quanto à salvação. Na
verdade, todos ensinaram que a salvação só ocorre pela
fé em Cristo, que morrera por nossos pecados.
• Falhou ao afirmar que Paulo apoiava a escravidão. Não
vemos, no ensino de Paulo, o apóstolo combatendo a
escravidão, mas vemos como a escravidão poderia existir
sem opressão. Isso ocorria caso não houvesse acepção de
pessoas (Ef 6.9) nem vantagens por ordem racial, social
ou sexual (Gn. 3:28). Neste caso, o escravo teria seus
direitos humanos preservados. Tornar-se-ia uma espécie
de empregado moderno.
• Falhou ao afirmar que Paulo legitimava a discriminação
da mulher, mesmo que tenha ensinado sua submissão como
conseqüência da queda (Gn 3.16). Ao contrário, Paulo
ensinou que não há distinção no reino de Deus por
diferenças sexuais (Gn 3.28). Afirmou que a mulher deve
ser amada pelo marido, assim como Cristo amou a igreja.
Isso exclui opressão e desrespeito à mulher e aos seus
direitos (Ef 4.25, 28,29).
• Falhou em perceber que Paulo, ao ensinar a obediência
ao opressivo Império Romano, não estava apoiando suas
injustiças, mas apenas reconhecendo o papel dos governos
na soberania de Deus. Os governos, apesar de suas
falhas, trazem certa ordem. Dentro desta realidade,
devemos pagar nossos impostos, até que o reino de Deus
chegue à sua plenitude. O reino de Deus é a solução das
Escrituras para o mundo.
Diante disso, não temos dificuldades em afirmar que a
matéria da revista SuperInteressante, que aponta o
apóstolo Paulo como inventor do cristianismo,
classificando-o como uma farsa e traidor de Jesus, foi
extremamente infeliz e infiel aos fatos.
Notas:
1 Vasconcelos Y. “O homem que inventou Cristo”. Revista
SuperInteressante, ed. no 195, dez/2003. Editora Abril,
p. 58.
2 Ibid.
3 Não é o único exemplo no evangelho de Lucas.
4 Vasconcelos Y. “O homem que inventou Cristo”. Revista
SuperInteressante, ed. no 195, dez/2003. Editora Abril,
p. 58.
5 Ibid.
6 Ibid., p. 58, 60.
7 Sinédrio: o grande Concílio de Jerusalém, que consiste
de 71 membros, distribuídos entre: escribas, anciãos,
membros proeminentes das famílias dos sumos sacerdotes e
o presidente da assembléia. As mais importantes causas
eram trazidas diante deste tribunal, uma vez que os
governadores romanos da Judéia tinham entregue ao
Sinédrio o poder de julgar tais causas e também de
pronunciar sentença de morte, com a limitação de que uma
sentença capital anunciada pelo Sinédrio não era válida
a menos que fosse confirmada pelo procurador romano
(Definição provida pelo dicionário de Young, como
contido na Bíblia Online, Módulo Avançado. Sociedade
Bíblica do Brasil).
8 “São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu
ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais
do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte,
muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de
açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma
vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma
noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas
vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em
perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em
perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no
mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e
fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em
jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas
exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as
igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?
Quem se escandaliza, que eu me não abrase?” (2Co
11.23-29).
9 Vasconcelos Y. “O homem que inventou Cristo”. Revista
SuperInteressante, ed. no 195, dez/2003. Editora Abril,
p. 61.
10 Ibid.
11 Ibid.
12 Ibid.
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