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Parapsicologia - Existe de fato o poder da mente?
Por Eguinaldo Helio de Souza
“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os
espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas
se têm levantado no mundo” (1Jo 4.1)
Acontece com a parapsicologia algo muito semelhante ao
que acontece com a ufologia. Enquanto alguns cientistas
se debruçam sobre telescópios tentando descobrir o
mínimo vestígio de vida fora da terra sem nada
encontrar, outros ditos ufólogos passeiam de disco
voador, têm relações sexuais com extraterrestres e
conversam abertamente com esses seres por telepatia
sempre que desejam.
Na parapsicologia o fato se repete. Ao mesmo tempo em
que estudiosos sérios evitam qualquer veredicto sobre o
assunto, outros parecem ter encontrado na parapsicologia
a “VERDADE” (com letras maiúsculas) que os permite
resolver todos os mistérios do mundo.
O que é parapsicologia?
É difícil dizer aquilo que a parapsicologia pretende
ser, uma vez que pessoas executando ou exibindo
fenômenos estranhos se apresentam em programas
televisivos como parapsicólogas. Como é comum no
Ocidente, qualquer coisa que carregue o rótulo de
“ciência” torna-se aceitável. Dessa forma, a
parapsicologia tem sido um apoio para todo tipo de
crença e charlatanismo ou, ainda, para todo tipo de
cepticismo, como no caso do padre Quevedo.
Em seu livro Parapsicologia e psicanálise, Gastão
Pereira da Silva consegue dar uma idéia do que seria
esta ciência em sua concepção pura e o quanto ela sofre
distorção por parte de todo tipo de pessoas: “A
Parapsicologia vem despertando ultimamente o maior
interesse entre os cientistas [...] Mas infelizmente a
divulgação que se faz é quase sempre unilateral. Se é um
padre, defende o ponto de vista católico, se é espírita,
inclui todos os fenômenos paranormais nos estudos de
Allan Kardek, se é materialista, ou iogue, explica-os
segundo os princípios que adota [...] Livre de quaisquer
credos, ou preconceitos, [o verdadeiro parapsicólogo]
apenas observa e registra o resultado das investigações
que faz. Nada conclui, quer sob o aspecto religioso ou
científico.
O que Rhine (pesquisador de fenômenos parapsicológicos)
revelou até agora, com segurança, é que há uma força
‘extrafísica’ que atua sobre todos nós, sem a
participação dos sentidos. “Essa força existe. É real.
Incontestável. Mas totalmente misteriosa quanto à
natureza, à origem [...] Dizer que ela se incorpora ou
que é apenas uma forma de energia é afirmação aleatória
[...] Mas é preciso esclarecer, logo de início, que a
parapsicologia não tem qualquer relação com o ocultismo,
ou com falsos credos, ou sistemas religiosos
organizados. Não está, por outro lado, no domínio do
misticismo”1 (grifo do autor).
Como podemos ver, sem negar a existência de fenômenos
que vão além dos conceitos da ciência normal, este
posicionamento exclui quaisquer tentativas do ocultismo
de escudar-se na parapsicologia para confirmar suas
afirmações. Quando alguém se diz apoiado na
parapsicologia para justificar contatos extraterrestres,
levitação, reencarnação, aparecimento de espíritos,
telecinésia, telepatia ou qualquer fenômeno deste tipo,
está tentado obter um endosso que a parapsicologia não
lhe dá.
A parapsicologia admite não ser de sua competência
formular respostas, mas apenas elaborar perguntas.
Investiga efeitos, mas não aponta a causa. Sabe que ser
dogmático neste assunto é cometer um erro imperdoável na
ciência — postular em cima de fatos impossíveis de se
provar. Os que querem ir além disto não estão, de modo
nenhum, nos domínios da parapsicologia, mas de seu
próprio misticismo.
A parapsicologia sob o foco bíblico
O que nós, evangélicos, que cremos na Bíblia como
revelação divina ao homem e infalível em quaisquer áreas
que se pronuncie, pensamos da parapsicologia? Diríamos
que é uma tentativa do pensamento científico para
explicar fatos não científicos. Como sabemos, a única
realidade admitida pela ciência ortodoxa é a realidade
material tangível, alcançada pelos sentidos e passível
de ser quantificada.
Mas nós, que cremos nas Escrituras Sagradas, sabemos que
nem toda realidade existente é limitada ao universo
material. Em Colossenses 1.16, lemos: “Porque nele
(Jesus) foram criadas todas as coisas que há nos céus e
na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam
dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo
foi criado por ele e para ele” (grifo do autor). Logo, a
Criação no sentido bíblico é a criação de toda a
realidade existente, mesmo daquelas que não podem ser
captadas pelos sentidos físicos. Paulo ainda diz em sua
Segunda Epístola aos Coríntios: “Não atentando nós nas
coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as
que se vêem são temporais, e as que se não vêem são
eternas” (2Co 4.18).
Esta esfera metafísica não pode ser medida e analisada
com os mesmos critérios que a ciência usa para a
realidade material. A verdade, e isto todos têm de
admitir, é que, por longos anos, a realidade espiritual
foi “oficialmente” negada pela ciência porque esta não
conseguia explicá-la dentro dos padrões de conhecimento
que ela mesma havia estabelecido. Era mais fácil dizer
que não existiam realidades como alma, anjos, demônios
ou mesmo Deus do que admitir limitações para o
pensamento científico em sua explicação ao mundo em
relação a essas realidades.
Mas a parapsicologia nasceu porque inúmeros fenômenos
nunca puderam ser explicados cientificamente. Na esfera
religiosa, principalmente, muita coisa ocorreu sem que a
psicologia, embora tentasse de todas as formas,
apresentasse uma explicação satisfatória. Pessoas sérias
viram que, além das fraudes, certos fenômenos eram reais
e precisavam de uma explicação “científica”.
Nossa pergunta é: “A ciência pode explicar assuntos que
vão além de sua esfera de ação, que são regidas por leis
alheias ao mundo físico? A parapsicologia pode entrar em
contato com certos fenômenos que sabemos ser de origem
maligna e captar objetivamente o sentido deste fenômeno?
Ela tem condições de fornecer respostas satisfatórias e
infalíveis com respeito a assuntos tais como vida após a
morte, aparições de espíritos, hipnotismo, telecinésia e
outros assuntos afins?”.
A parapsicologia, para advogar sua validade científica,
rejeita certamente as afirmações bíblicas ou busca
explicá-las atribuindo um sentido alegórico ou meramente
cultural às mesmas. Isso, com certeza, a torna ineficaz
para explicar, de forma válida, certos fenômenos. As
Escrituras Sagradas são a revelação inspirada pelo
Espírito Santo à humanidade a fim de que esta venha a
aprender certos fatos que seriam impossíveis de conhecer
de outro modo. A rejeição das Escrituras como forma de
conhecimento válido torna impossível aceitar as
colocações de certos estudiosos de parapsicologia.
“A explicação dos fenômenos misteriosos sempre foi uma
preocupação da humanidade. De um lado, encontramos as
explicações supersticiosas que vão atribuir tais
fenômenos ao sobrenatural (demônios, espíritos de mortos
etc); do outro, encontram-se aqueles que estudam
cientificamente tais fenômenos; este último é o campo de
estudo da Parapsicologia”2 (grifo do autor).
Como vemos na declaração acima, qualquer explicação
considerada de cunho não científico é rotulada como
“superstição”. Nós nos perguntamos por que o fato de
alguém aceitar a existência de “seres malignos
desencarnados” como os verdadeiros agentes por trás de
fenômenos incomuns deve ser classificado como
“superstição”. Isto é preconceito. Há algum motivo pelo
qual se possa afirmar categoricamente que estes seres
não existem? Entretanto, a parapsicologia apenas diz que
eles não podem existir.
Os poderes psíquicos e os métodos científicos
Baralho de Zener — É um conjunto de cartas utilizadas
para testes parapsicológicos. Elas apresentam cinco
símbolos diferentes: uma estrela, linhas onduladas, uma
cruz, um círculo e um quadrado. Com elas são feitos
testes de telepatia, clarividência e precognição.
No caso da telepatia, uma pessoa (emissor) pensa em um
dos símbolos, enquanto a outra (receptor) tenta
“adivinhar” qual é este símbolo. Na clarividência as
cartas são expostas em determinado local e a pessoa
distante tenta “ver com a mente” quais as cartas ali
apresentadas. E, por fim, no caso da precognição, a
pessoa tenta adivinhar qual a próxima carta que será
retirada do montante.
De uma maneira bem simplificada, estes são os testes
“científicos” realizados pelos parapsicólogos a fim de
detectar e confirmar a existência de poderes paranormais
no homem.
Apesar dos inúmeros testes realizados em todo o mundo,
os resultados nunca convenceram a comunidade científica.
No verbete “parapsicologia”, assim registrou a
Enciclopédia Britânica: “Parapsicologia em ciência
contemporânea — Para muitos cientistas profissionais,
parapsicologia é de pouco interesse; muito pouco é
alcançando com as pesquisas [...] A maioria dos
psicólogos americanos não aceita o psi (força psíquica)
como um fato. Dentro do movimento parapsicológico, há
disputas para estabelecer critérios para a validade dos
fenômenos paranormais. Para alguns, a convicção está
baseada em casos espontâneos (ex.: Conhecimento
paranormal aparece no curso da vida diária); eles não
estão convencidos pelos testes de laboratório. Muitos
cientistas continuam sem uma boa impressão e desprezam
os métodos estatísticos utilizados pela parapsicologia.
Outra dificuldade séria para muitos cientistas é a quase
completa falta de qualquer padrão teórico plausível para
delinear o processo [...] A rejeição (por parte dos
cientistas) é reforçada pela objeção de violar as regras
básicas do método científico”.3
Como vemos, mesmo em sua forma mais objetiva, não houve
aceitação irrestrita para os fenômenos estudados pela
parapsicologia. Embora esta citação seja do final da
década de 60, análises realizadas mais recentemente
continuam no mesmo impasse, recusando-se a aceitar
cientificamente a parapsicologia, como publicou a
revista Superinteressante de março de 2003: “A má
notícia é que, apesar do dinheiro e de mais de 130 anos
empregados em pesquisas, ainda não é possível afirmar
que existem fenômenos parapsicológicos (ou fenômenos
psi, como costumam dizer os parapsicólogos). O pior é
que também não dá para dizer que eles não existem. Parte
da culpa por esta situação é dos próprios
parapsicólogos. É incontestável que há pouca pesquisa
científica sobre o assunto. Das que existem, boa parte é
descartada no primeiro escrutínio por problemas
metodológicos ou por negligência na conduta da
experiência. Outra parte acaba desacreditada por
análises estatísticas. Por fim, das pesquisas que
sobram, uma fatia está impregnada de conceitos
esotéricos, que não podem ser analisadas por método
científico. E é comum ler artigos de parapsicólogos
tentando se salvar do naufrágio”.4
Em outras palavras, a parapsicologia, como ciência, não
é conclusiva de modo nenhum. Não tem autoridade para
definir com exatidão nem mesmo o objeto de seu estudo,
muito menos questões que envolvem religiões. Em suma,
telepatia, clarividência, premonição e fenômenos
semelhantes não estão esclarecidos pela ciência e
qualquer pessoa que alegue o contrário não deve ser
acatada.
Quando a parapsicologia se torna religião
Alguns supostos parapsicólogos acabam assumindo posições
que, com certeza, são rejeitadas por esta mesma ciência.
Na maioria dos casos, uma linha muito tênue passou a
existir entre a parapsicologia e o esoterismo. Muitos
dos chamados “canalizadores”, isto é, pessoas que dizem
servir de instrumento para canalizar certas entidades,
escudam-se dessa forma. John Ankerberg e John Weldon,
dois pesquisadores dessa área do ocultismo, mostram até
que ponto ocultismo e ciência chegam a se misturar:
“Muitos canalizadores declaram que seus espíritos-guias
fazem parte de seu inconsciente criativo. Eles dizem
isso por não se sentirem à vontade com a idéia de que
espíritos reais os estão possuindo. Preferem acreditar
que os espíritos simplesmente fazem parte dos poderes
recém-descobertos de suas mentes ou talentos humanos
[...] É interessante notar como a parapsicologia moderna
(estudo ‘científico’ do ocultismo) propiciou apoio para
a renomeação das atividades de espíritos [...] Pessoas
que jamais aceitariam ser possuídas por espíritos,
acolhem muito bem o tom científico da idéia de que
estariam na verdade contatando seu suposto ‘consciente
superior’ ou sua ‘mente divina’. Uma vez que a ação
desses espíritos tenham sido disfarçadas de poderes
psíquicos, ou poderes da mente inconsciente, torna-se
impossível reconhecer a sua atividade pelo que ela
realmente é: contato real com espíritos”5 (grifo do
autor).
Com este disfarce, atividades mediúnicas camuflam-se em
poderes mentais, aprisionando os praticantes e
espalhando influência demoníaca. Com este recurso, a
falsa parapsicologia tem conseguido popularizar práticas
que eram comuns apenas entre bruxos e feiticeiros. Se os
limites dos seres humanos estão sendo vencidos, isto
acontece por meio de envolvimento e influência do mundo
dos espíritos. A busca pelo “poder mental”, o “eu
superior” ou o “potencial divino” tem posto o homem em
contato com fontes maléficas.
Quando a parapsicologia erra o alvo
Existe ainda um outro desvio que precisa ser verificado
com mais atenção. É quando a parapsicologia tenta
explicar todos os fenômenos espirituais negando os
fundamentos bíblicos. É a ciência tentando entrar no
campo da religião e dar um veredicto infalível no mesmo
nível que faz com outras áreas do conhecimento humano.
Um exemplo claro deste tipo de procedimento vem do
chamado padre Quevedo (padre?), fundador do Centro
Latino Americano de Parapsicologia (CLAP) www.clap.org.br,
que vê na parapsicologia dados suficientes para explicar
quaisquer fenômenos espirituais.
A seu ver, cabe à parapsicologia explicar os milagres, e
não outra autoridade qualquer. Nem mesmo a Bíblia é
reconhecida como uma autoridade para fornecer explicação
aceitável a esse respeito. Quevedo declara: “Outro
aspecto da importância da parapsicologia é o estudo do
milagre. A ninguém escapa a importância científica,
social e pastoral que a Parapsicologia pode alcançar do
estudo do Milagre. Dado que os milagres têm um aspecto
histórico e fenomenológico, em nosso mundo, também é
objeto de estudo da parapsicologia, que precede ao
estudo da teologia. E o cientista, por sua parte, não
deve se afastar do estudo do milagre por receio das
possíveis conseqüências religiosas ou pelo ambiente
religioso que cerca o possível milagre. Os milagres são
de tal categoria, importância e transcendência que seu
estudo deveria ser tomado muito a sério por qualquer
pessoa que tivesse interesse e capacidade científicas,
por todo sábio consciente de suas responsabilidades
individuais e sociais”.
Em outras palavras, Quevedo tenta estabelecer a ciência
como padrão para o estudo do sobrenatural, antes mesmo
que a teologia. Isto o tem levado a negar a existência
dos demônios e de outros seres espirituais claramente
revelados na Palavra de Deus. Sua presença na mídia
geralmente tem sido para negar fatos espirituais, num
ceticismo extremista que busca explicar manifestações
divinas e demoníacas como atuações mentais. É um outro
beco sem saída trilhado pelos “parapsicólogos”.
Em seu texto, Possessão demoníaca, o chamado “padre”
Quevedo coloca a parapsicologia como a chave que
desvenda este mistério, atropelando a revelação bíblica
de uma forma céptica: “No Ritual Romano se lê: ‘Os
sinais de possessão demoníaca são [...] falar várias
línguas desconhecidas [...] revelar coisas distantes ou
ocultas [...] manifestar forças superiores à idade ou
aos costumes. Nenhum destes sinais hoje é válido. A
Parapsicologia explica como perfeitamente naturais a
xenoglossia6, a adivinhação e o sansonismo”7 (grifo do
autor).
Com certeza, nenhum cientista sério concordaria com ele.
E, considerando o que ele pensa a respeito da Bíblia e
possessão demoníaca — Foi a Bíblia a causa do erro da
possessão demoníaca... — nenhum teólogo sério
concordaria com ele também. Sua fama é produto mais de
marketing pessoal do que legítima autoridade científica
ou religiosa.
* Ver em nosso site www.icp.com.br o testemunho de um
médico que questiona a validade científica de um curso
de parapsicologia ministrado pelo Pe. Oscar Quevedo.
Nem tudo que reluz é ouro
Ao lidar com os poderes psíquicos, como telepatia,
telecinese, clarividência e outros, o fato que se
levanta é: este poder, exibido por algumas pessoas, tem
origem em suas próprias mentes ou deriva de uma fonte
externa? É a manifestação de algum poder oculto do ser
humano ou o ser humano é apenas um “canal” para a
manifestação de tais poderes?
Na parapsicologia séria, geralmente a exibição de tais
poderes é atribuído à própria mente do indivíduo. Mas o
mesmo não se dá quando manifestações semelhantes ocorrem
com pessoas de alguma religião específica. No caso do
espiritismo, a pessoa é apenas um “médium”, ou seja, um
meio, um veículo pelo qual um espírito exibe poderes
paranormais. O movimento Nova Era dá o nome de
“canalização” a um fenômeno que, igualmente, faz da
pessoa um mero “canal” de forças alheias a ela mesma.
Tal força pode ser chamada de “mestre ascencionado” ou
energia cósmica.
Assim, mesmo que alguém não professe alguma crença
religiosa, a semelhança dos poderes manifestados não
impede que o mesmo esteja sendo também um mero canal.
Logo, o maior problema com as manifestações psíquicas
não é, para nós, cristãos, se elas são ou não fatos
verdadeiros, mas o poder que está por trás delas. Os
apóstolos, que realizaram grandes milagres como curas,
conhecimentos de fatos ocultos (como no caso de Ananias
e Safira, em Atos 5), nunca atribuíram este poder a si
mesmos. Ao curar o paralítico à porta do Templo de
Jerusalém, Pedro disse: “Ou, por que olhais tanto para
nós, como se por nossa própria virtude ou santidade
fizéssemos andar este homem?” (At 3.12). Pedro sabia que
o poder curador não pertencia a ele, antes, que tinha
sido apenas um canal. Paulo também se expressou de
maneira semelhante: “Porque não ousarei dizer coisa
alguma, que Cristo por mim não tenha feito [...] pelo
poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de
Deus...” (Rm 15.18,19).
Temos em Atos 16.16-19 uma amostra dos poderes
envolvidos em casos como este, só que se tratando de
poderes provenientes de espíritos malignos. Esta
passagem se refere a uma jovem que tinha “um espírito de
adivinhação” (v.16). Pessoas pagavam para ouvir “seus
dons”, o que resultava em lucro financeiro para os
senhores desta jovem, que era uma escrava (v.16). Embora
não seja possível especificar o tipo de adivinhação
manifestado por ela, é óbvio tratar-se de algo
semelhante à telepatia ou à clarividência estudada pelos
parapsicólogos. É justamente este tipo de pessoas que
são estudadas e analisadas.
Todavia, esta mulher foi confrontada pela autoridade do
nome de Jesus pelo apóstolo Paulo, o qual disse: “Em
nome de Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela” (v. 18),
e na mesma hora o espírito saiu. Como resultado disso,
ela perdeu “seus poderes” (v. 19) de adivinhação. Isto
deixa inconteste que não era ela a fonte.
As Escrituras Sagradas são bem claras, tanto no Antigo
quanto no Novo Testamento, em mostrar duas fontes de
poder que podem vir a agir por meio do homem. Uma é o
Espírito de Deus e a outra, os espíritos malignos,
liderados por Satanás. Por isso, quando se trata de
poderes sobrenaturais, é importante conhecer o que diz a
Bíblia.
A Palavra de Deus proibiu a feitiçaria, a necromancia e
a adivinhação (Lv 19.26; Dt 18.12). Todas estas práticas
produzem fenômenos muito parecidos com aqueles estudados
pelos parapsicólogos. Neste caso, as Escrituras não
alegam tratar-se de fraudes ou de superstição, mas de
algo que possui uma natureza nociva.
No livro de Êxodo, temos o confronto de Moisés com os
magos do Egito. Pelo menos três milagres efetuados por
Moisés pelo poder de Deus foram imitados pelos magos: a
vara que se transformou em cobra (Êx 7.10-12), a água do
rio que virou sangue (Êx 7.20-22) e a praga das rãs (Êx
8.6,7).
As Escrituras mostram claramente que o libertador dos
hebreus foi um instrumento nas mãos de Deus. O Senhor
era a fonte de todas as realizações de Moisés. Se os
magos egípcios que se opunham a Moisés e praticavam a
adoração a falsos deuses realizaram milagres
semelhantes, isto significa que o fizeram dependendo de
outra fonte. Visto que se opunham aos propósitos
divinos, tal fonte só podia ser maligna.
Em Deuteronômio 13.1-6, temos uma amostra de que a fonte
de manifestações psíquicas pode ser de origem maligna.
Uma pessoa pode fazer premonição, seja em forma de
profecia ou de sonho, e isto não proceder do Senhor. A
fonte, neste caso, era maligna, e aquele que fizera o
“sinal” ou “prodígio” não fora inspirado por Deus.
O Novo Testamento é ainda mais explícito quanto à
questão de milagres e maravilhas satânicos. Jesus disse
que surgiriam muitos falsos profetas que fariam tantos
sinais e maravilhas que se possível fosse enganariam até
os escolhidos (Mc 13.22).
Tivemos, na História recente, pessoas que foram
fenômenos na área de previsão de futuro e clarividência,
como Edgar Cayce e Jane Dixon. Seus feitos nesta área
espantaram cientistas e parapsicólogos do mundo todo.
Nada impede de classificá-los no grupo predito por
Cristo. Paulo, em sua segundo epístola aos
tessalonicenses, fala da “eficácia de Satanás, com todo
poder, e sinais, e prodígios de mentira” (2Ts 2.9) e em
Apocalipse 16.14 a Bíblia fala de “espíritos de
demônios, que operam sinais”. Logo, os poderes psíquicos
não precisam derivar necessariamente do homem, mas de
uma fonte maligna externa a ele.
O uso destes poderes para o bem
Há a alegação de que muitos dos que manifestam poderes
paranormais o utilizam para fins benéficos, sendo,
portanto, precipitado julgar a fonte de suas capacidades
como sendo maléfica. Alguns paranormais já foram até
utilizados pela polícia a fim de encontrar pessoas
desaparecidas e resolver certos crimes. Ou como no caso
de Edgar Cayce e outros paranormais famosos que
forneceram solução para doenças e problemas quando se
encontravam em estado de transe.
Mas não há registros de acompanhamento posterior das
pessoas “beneficiadas” por meio dessas operações
psíquicas. Não há nada que ateste resultados permanentes
ou se houve “efeitos colaterais”. O alívio imediato
alcançado por esses métodos não representa uma prova de
que no geral é uma experiência benéfica.
Temos, porém, um registro biográfico de Joseph Milard,
referente à vida de Edgar Cayce. Ele foi sem dúvida um
dos maiores paranormais registrados na história. Mas,
segundo o seu biógrafo, sua vida foi marcada por
tormentos posteriores inexplicáveis, caso se imagine que
o poder que operava nele fosse algo bom. Segundo conta
Milard, “Cayce era um homem forte e robusto, mas morreu
na miséria com 27 kg, ao que tudo indica, ‘consumido’
fisiologicamente pelo número excessivo de preleções
mediúnicas que realizou. Os males que as atividades de
Cayce lhe causaram foram diversos, como ataques
psíquicos a incêndios misteriosos, perda periódica,
mudanças erráticas de personalidade, tormentos
emocionais, constante ‘má sorte’ e reveses pessoais,
assim como culpa induzida por preleções mediúnicas que
arruinaram a vida de outras pessoas”.8
Existe, ainda, a questão da verdade. As ações de Deus
produzem bons frutos, tanto no sentido de ajudar
definitivamente as pessoas quanto nas questões destas se
aproximarem mais de Deus. Deuteronômio 13.1-6, já
citado, mostra que alguém poder realizar um sinal ou
prodígio, até mesmo um sonho revelador, e com isso
ganhar crédito para levar as pessoas para longe do Deus
verdadeiro, envolvendo-as em práticas escusas. E
2Tessalonicenses 2.9, também já citado, diz que Deus
permite a operação do erro para que as pessoas creiam na
mentira, uma vez que não aceitaram o amor à verdade para
se salvarem.
Hoje, aquilo que se chama de poder mental busca
tão-somente a glorificação do homem, a exaltação do ego,
a negação das verdades bíblicas. “Pelos seus frutos os
conhecereis” (Mt 7.16). Não procedem de Deus e, por
isso, não levam o homem para mais perto dele.
Tornaram-se mais um incentivo à antropolatria9, além dos
já existentes.
Poderes involuntários
Cabe-nos também tentar fornecer uma explicação sobre as
pessoas que apresentam fortes poderes psíquicos sem que
tenham se envolvido com qualquer prática oculta ou mesmo
sem qualquer envolvimento religioso. Para alguns, isto
nada mais é do que uma prova de que algumas pessoas
podem possuir poderes “mentais” inatos. O “dom”, neste
caso, seria involuntário ao possuidor.
Temos, porém, um caso nas Escrituras em que uma criança,
desde cedo, fora atormentada por espíritos malignos (Mc
9.21). Mesmo que não saibamos porque ela começou a
manifestar aquele espírito, é óbvio que não foi uma
escolha sua. Foi algo involuntário. Mas nem por isso
deixou de ser algo demoníaco (Mc 9.25).
Embora saibamos que tal manifestação era algo obviamente
mal, não podemos esquecer, no entanto, que tais pessoas
eram vistas pelo paganismo antigo como especiais, sendo
utilizadas, muitas vezes, como oráculos dos deuses. Até
hoje certas culturas veneram crianças e adultos
possessos por acreditarem tratar-se de pessoas
especiais. É bem possível que a jovem de Filipos
estivesse na mesma situação (At 16.16-19).
Como ver a parapsicologia e os fenômenos psíquicos?
Como vimos, a parapsicologia, em sua versão mais séria e
científica, não conseguiu ir muito longe. Aqueles que
nela se apóiam para justificar suas práticas esotéricas
e ocultistas estão querendo lançar mão de algo que ainda
não encontrou explicação ou mesmo autenticidade para
fenômenos mais simples. Nestes casos, o que era
inexplicável continua inexplicável para a
parapsicologia.
Temos, então, um grupo de “parapsicólogos” que tem
endossado e tentado colocar aprovação científica sobre
toda sorte de práticas espíritas e ocultas. Como é comum
no pensamento ocidental, conseguem ir para qualquer
lugar e provar a veracidade e o benefício de qualquer
prática, desde que, no pacote, venha o selo “aprovado
pela ciência”. É neste ramo também que surgem os
parapsicólogos cépticos que tentam explicar fenômenos
espirituais usando termos e idéias que a parapsicologia
séria nem de longe sanciona.
Resta-nos, então, apoiar-nos na revelação divina, isto
é, nas Sagradas Escrituras, onde parâmetros são
estabelecidos para descrever semelhantes fenômenos. As
pessoas se impressionam facilmente com tudo que é
“milagroso” e descuidam de investigar a origem desses
poderes. Paranormais são pessoas que foram além do
normal, não por causa de algum poder inerente, mas por
conta de um poder externo que se utiliza deles para
realizar suas manifestações. Os chamados
“parapsicólogos” que desejam ir “além das fronteiras da
ciência” caem no mundo obscuro do ocultismo, tornando-se
vítimas de espíritos malignos e arrastando consigo
outros.
Vale a exortação de Paulo a Timóteo, que também
enfrentou problemas semelhantes — pois ninguém pode
dizer — “Vê, isto é novo” (Ec 1.1): “Ó Timóteo, guarda o
depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores
vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada
ciência” (1Tm 6.20).
Notas:
1 Gastão Pereira da Silva, Parapsicologia e psicanálise,
p. 9-11.
2 Jayme J. Roitman e Sérgio Gobetti — Núcleo de Estudos
e Pesquisas do CLAP.
3 Encyclopédia Britannica, vol.17, 1969.
4 Revista Superinteressante, março de 2003, p. 34.
5 John Ankerberg e John Weldon, “Os fatos sobre os
espíritos-guias”, Chamada da meia-noite, p. 31, 32.
6 Fala espontânea em língua (s) que não fora (m)
previamente aprendida (s) [Cf. glossolalia].
7 Manifestar forças superiores à idade ou aos costumes.
8 John Ankerberg e John Weldon, “Os fatos sobre os
espíritos-guias”, Chamada da meia-noite, p. 68.
9 Adoração ao homem.
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