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Matéria
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Meditação
Transcedental
Por Natanael Rinaldi
A segunda vinda de Cristo é aguardada com ansiedade
pelos cristãos. Em seu sermão profético, em Mateus 24,
Jesus fez várias advertências para os últimos dias.
Disse Ele: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane;
porque muitos virão no meu nome, dizendo: Eu sou o
Cristo; e enganarão a muitos” (v. 4,5). Paralelamente à
expectativa desse acontecimento, que é chamado de a
“bem-aventurada esperança” (Tt 2.13), o cristão deve
manter-se vigilante, para que não aceite um falso cristo
no lugar do verdadeiro Cristo, chamado na Bíblia de o
“Príncipe da Paz”.
Em Apocalipse 19.11 em diante, lemos sobre a majestade
do Cristo verdadeiro em sua segunda vinda: “E vi o céu
aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado
sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja
com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo;
sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um
nome escrito, que ninguém sabia, senão ele mesmo. E
estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o
nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus”.
Em seguida, trava-se a batalha do Armagedom (v. 17-21),
e Cristo sai vitorioso. Satanás é preso e lançado no
poço do abismo (Ap 20.1-3) e, por fim, tem início o
reino milenial de Jesus Cristo: “... e reinaram com
Cristo durante mil anos” (Ap 20.4).
Falsa promessa de paz mundial
Em cumprimento às palavras proféticas de Jesus sobre o
surgimento dos falsos cristos, o jornal O Estado de São
Paulo, em sua edição de 30 de agosto de 2002, publicou a
seguinte manchete: “A paz mundial dá lucro. O guru dos
Beatles que o diga”.
O maharishi (líder espiritual) Mahesh Yogi, famoso na
década de 60 por ser o guru dos Beatles, tem um novo
projeto: vai produzir a paz mundial e lucrar com isso.
Seu plano é o seguinte: construirá três mil “palácios da
paz” em todo o mundo. Em cada palácio, centenas de seus
seguidores estarão empenhados, em tempo integral, em
“vôos iogues”, ou seja, versões avançadas de Meditação
Transcendental. Os meditadores saltarão em torno do
salão, sentados em posição de lótus. Essa prática,
segundo Yogi, envia poderosas vibrações positivas que
reduzem o estresse, o crime e a violência. Com centenas
de pessoas fazendo vôo iogue em três mil lugares
diferentes, a paz surgirá em todos os lugares.
Em 2001, após os ataques de 11 de setembro nos EUA, o
maharishi informou que se algum governo lhe desse US$ 1
bilhão ele acabaria com o terrorismo e criaria a paz
contratando 40 mil voadores iogues para começarem a
saltar em tempo integral. Nenhum governo quis pagar para
ver, o que claramente o irritou.
Embora irritado, ele não desistiu: “Vou implantar esses
grupos, que criarão coesão em todos os países”. Por meio
de títulos emitidos pelo País Global da Paz Mundial,
fundado por ele como uma nação virtual sem um território
real, Yogi pôs à venda títulos que pagarão juros de 6% a
7%. Um de seus seguidores, Sam Katz, explicou o plano:
“cada Palácio da Paz será rodeado por uma fazenda de
cultura orgânica para produzir alimentos que gerarão
lucros que pagarão os detentores dos títulos”.
Acredite se quiser, mas o que é esse movimento conhecido
como Meditação Transcendental?
O que é a meditação transcendental?
Meditação Transcendental (MT) é uma seita de origem
hinduísta. A palavra transcendental significa “o que
transcende ou ultrapassa as coisas sensíveis para
atingir o âmago do ser a fim de conseguir paz e
felicidade interior”. Consiste numa técnica mental que
leva a pessoa primeiramente a procurar se colocar em
estado de relax ou distensão interior. O indivíduo tenta
esquecer todas as realidades sensíveis e esvaziar a
mente de todas as imagens materiais que habitualmente o
distraem.
A maior parte de suas práticas e ensinos deriva do
hinduísmo. Procura despistar a opinião pública ocidental
de que não se trata de uma seita, mas apenas uma técnica
de exercício mental. Para isso, a MT mudou sua
personalidade jurídica para Ciência da Inteligência
Criativa (CIC). Essa providência não surtiu efeito, pois
o Tribunal Federal de New Jersey, em 1977, ainda assim
reconheceu a CIC/MT como uma seita hinduísta.
O fundador
Seu fundador é conhecido pelo nome de Maharishi Mahesh
Yogi. Mas Yogi nasceu em 1911, em Jabalpur, Madhya
Pradesh, norte da Índia, com o nome de Madhya Brasad
Warma. Freqüentou a Universidade e, com sucesso,
formou-se em física, em 1942. Logo depois de
diplomar-se, conheceu Swami Brahmananda Saraswati,
Jagadguru e Bhagovan Shankaracharya, também conhecido
como guru Dev, que se tornara um avatar sob os
ensinamentos de Swami Krishanand Saraswati.
Durante a década seguinte, Yogi uniu-se ao guru e logo
se tornou seu aluno mais importante. Com a morte do guru
Dev, em 1953, Yogi se retirou para meditação nas
montanhas do Himalaia, onde permaneceu por dois anos.
Em 1958, Yogi levou sua seita para a América e começou a
ensinar em Los Angeles. Mais tarde, com adesão do grupo
musical conhecido como os Beatles, a seita de Yogi
experimentou grande crescimento.
O ritual de iniciação
A pessoa é convencida a encontrar-se a si mesma por meio
do ritual de iniciação e isso se dá quando ela recebe o
seu mantra.1 Normalmente, a pessoa não entende uma
palavra do que vai repetir por várias vezes na língua
sânscrita.
Na iniciação, a pessoa se posta diante de um altar com a
figura do guru Dev. Então, a cerimônia tem início. O
desenvolvimento consta de três fases. A saber:
Recitação de nomes
São nomes de mestres por meio dos quais o santo
conhecimento dos mantras da MT tem passado. Todos os
nomes são considerados como deuses e dignos de adoração.
Reverentemente, são denominados de: “Redentor”,
“Emancipador do mundo”, “Supremo mestre”, “O puro” e
“Adornado com imensurável glória”. Esses títulos
constituem verdadeira blasfêmia, pois pertencem
exclusivamente ao Deus da Bíblia. O iniciante,
entretanto, desconhece essa situação.
Oferendas
São 17 itens ao todo. Dentre eles, os mais oferecidos,
freqüentemente: flores, frutas frescas e lenço branco
novo.
“Ao oferecer um lugar aos pés de loto de Shri Guru Dev,
me inclino”.
“Ao oferecer uma ablução aos pés de loto de Shri Guru
Dev, me inclino”.
“Ao oferecer uma flor aos pés de loto de Shri Guru Dev,
me inclino”.
“Ao oferecer luz aos pés de loto de Shri Guru Dev, me
inclino”.
“Ao oferecer água aos pés de loto de Shri Guru Dev, me
inclino”.
Hinos de louvor e adoração
Os hinos são oferecidos ao guru Dev, considerado como
deus na mesma glória dos outros deuses hindus, como, por
exemplo, Brahama, Vishnu e Shiva. O iniciante é
convidado a seguir o exemplo do seu guru e inclinar-se
perante ele.
“Guru que está na glória de Brahma, guru que está na
glória de Vishnu, guru que está na glória do grande
Senhor Shiva, guru que está na glória da plenitude
transcendental personificada de Brahma, ante o Shri Guru
Dev, adornado de glória, me inclino”.
As crenças religiosas
Sendo a MT de natureza religiosa e ligada ao hinduísmo,
sua teologia contrasta abertamente com o cristianismo.
Vejamos os pontos conflitantes:
Deus
O ensino da MT diz que Deus é impessoal e faz parte da
própria natureza. Doutrina classificada como panteísmo.
Ou seja, Deus é tudo e tudo é Deus. Declara Yogi: “O
divino transcendental, onipresente, é, por virtude de
sua onipresença, o Ser essencial de todos nós. Forma a
base de todas as vidas; não é outro senão o nosso
próprio ser ou Ser. Deus é impessoal e mora no coração
de cada ser. Tudo o que há na criação é manifestação do
ser impessoal absoluto e não manifesto. Cada pessoa é,
em sua verdadeira natureza, o Deus impessoal”.
O conceito de Deus e do homem na MT é completamente
diferente do conceito oferecido pela Bíblia em relação a
Deus e ao homem.
Deus é essencialmente distinto do homem, pois Deus é o
Criador (Gn 1.1,26), enquanto o homem é apenas um ser
criado. O salmista Davi exaltava a Deus por sua criação
e reconhecia sua fragilidade como ser humano: “Tu
reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos,
filhos dos homens [...] Os dias da nossa vida chegam a
setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a
oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois
cedo se corta e vamos voando” (Sl 90.3,10).
Por outro lado, Isaías fala da eternidade de Deus como
um ser imutável: “Não sabes, não ouviste que o eterno
Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se
cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento.
Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não
têm nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão,
e os moços certamente cairão; mas os que esperam no
SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como
águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não
se fatigarão” (40.28-31).
Reencarnação
Após várias encarnações, com o propósito de se tornar
espírito puro e alcançar esse estado, cessam os
renascimentos. Com isso, a pessoa se liberta da lei do
carma e entra em fusão com a divindade Brahma. Para a
frustração dos que assim crêem, certo é que ninguém tem
lembrança dos pecados cometidos em existências
anteriores e, daí, não poder se arrepender e corrigir-se
dos erros cometidos. A salvação no cristianismo foi
trazida por Jesus (Jo 3.16-18,36;5.24). Para realizar a
obra da redenção do homem, Jesus morreu por nós (Rm
5.8), levando em seu corpo os nossos pecados sobre o
madeiro (1Pe 2.24) e, por fim, ressuscitou
vitoriosamente e ascendeu aos céus, assentando-se à
destra de Deus (At 1.9-11).
Jesus Cristo
Diz Maharishi Mahesh Yogi: “Como não entendo a vida de
Cristo nem compreendo sua mensagem, não creio que
realmente tivesse sofrido em alguma época de sua vida;
nem mesmo pudesse sofrer [...] É lamentável que se fale
de Cristo em términos de sofrimento [...] Aqueles que
confiam na sua obra redentora por meio do sofrimento na
cruz possuem uma interpretação equivocada da vida de
Cristo e de sua mensagem”.
Como homem natural, não regenerado, Yogi não pode mesmo
entender a vida e a obra de Cristo como Salvador e
Senhor (1Co 2.14). A Bíblia declara que o propósito
principal de Jesus ter vindo ao mundo foi salvar o mundo
por sua morte na cruz. “... o Filho do homem não veio
para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida
em resgate de muitos” (Mt 20.28). “Porque o Filho do
homem veio para buscar e salvar o que se havia perdido”(
Lc 19.10). “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a
aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar
os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15).
Meditação bíblica
A meditação bíblica é diferente da meditação
transcendental. Enquanto esta, como a própria palavra
define, é ir além da própria consciência, a meditação
bíblica não é voltada para o interior do homem, vai mais
além.
Os homens de Deus do passado tiveram momentos de êxtase
espiritual ao meditarem na grandeza do Deus, na grandeza
dos seus feitos e na sua palavra escrita.
“Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a
meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR,
Rocha minha e Redentor meu!” (Sl 19.30).
“Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos
teus feitos” (Sl 77.12).
“Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus
feitos; medito na obra das tuas mãos” (Sl 143.5).
“O coração do justo medita no que há de responder, mas a
boca dos ímpios jorra coisas más” (Pv 15.28).
Como já expusemos, a MT é uma seita hinduísta e está
familiarizada com literaturas como Vedas2 e
Bhagavah-gita3, mas interessada em fazer discípulos no
mundo ocidental faz citação do Sl 1.2 para dar apoio à
meditação. Entretanto, o Salmo em pauta indica outro
tipo de meditação:
“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho
dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem
se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu
prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de
noite”.
O objetivo da meditação bíblica é a comunhão com Deus:
“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as
coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à
destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não
nas que são da terra” (Cl 3.1,2). O meio usado é a
palavra de Deus: “Medita estas coisas, ocupa-te nelas,
para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”
(1Tm 4.15). E de modo racional: “Rogo-vos, pois, irmãos,
pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos
em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o
vosso culto racional” (Rm 12.1).
A paz sem preço
Os profetas bíblicos vaticinaram sobre o futuro rei do
universo que traria paz verdadeira à humanidade, e
gratuitamente: “Porque um menino nos nasceu, um filho se
nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se
chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus
Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento
deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono
de Davi e no seu reino, para firmar e o fortificar com
juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo
do SENHOR dos exércitos fará isso” (Is 9.6,7).
“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a
Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá
sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra”
(Jr 23.5).
Quando Jesus nasceu vieram os magos do Oriente a
Jerusalém e foram à casa de Herodes perguntar pelo rei
que traria a paz, dizendo: “Onde está aquele que é
nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no
oriente, e viemos a adorá-lo. E, entrando na casa,
acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o
adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe
dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.2,11).
Mais tarde, diante de Pilatos, Jesus não negou sua
condição de rei: “Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és
rei? Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim
de dar testemunho da verdade” (Jo 18.37). Mas Jesus
explicou que o seu reino seria ainda futuro. Quanto a
esse assunto, vejamos o que diz Apocalipse: “Os reinos
do mundo vieram a ser de nosso SENHOR e do seu Cristo, e
ele reinará para todo o sempre” (11.15).
Bibliografia:
MCDowell, Josh – Estúdio de Las Sectas, Editora Vida
Mather, George A – Dicionário de religiões, crenças e
ocultismo, Editora Vida
Melo, Fernando dos Reis – Religião & religiões, Editora
Santuário
Notas:
1 Mantra: uma ou mais palavras que se repetem
freqüentemente por meio do canto ou não.
2 Vedas: grande conjunto de literatura sagrada hindu,
compilado entre os anos 1500 e 1200 a.C. Esta coleção
consiste de três Vedas (conhecimento) – Rigveda,
Samaveda e Yajurveda. Posteriormente, foi acrescentada
uma quarta, chamada Atharvaveda. Há três seções
principais de exposição literária nos vedas. São as
Brahmanas, Aranyakas e Upanixades.
3 A “Canção Sagrada”. Talvez seja a jóia mais preciosa
da literatura hindu e indiana; contém os elementos mais
importantes do pensamento hindu. O Bhagavad Gita, com
certas ramificações, representa para o hinduísmo o que a
bíblia é para o cristianismo.
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