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Raelianos –
Somos clones dos ET’s
Os embaixadores dos extraterrestres
Por Elvis Brassaroto Aleixo
Não é a primeira vez que o mundo fica perplexo diante de
um alarme assombroso. Sejam relacionados à política, à
ciência ou à religião, alguns acontecimentos têm mudado
o rumo de nossa história. Na área científica,
principalmente, os avanços e as descobertas vêm rompendo
barreiras que outrora eram restritas apenas ao campo
fértil da imaginação humana com temas fictícios,
irreais. Exemplos desses impactos: em 1969, a chegada do
homem à Lua; em 1978, o nascimento do primeiro bebê de
proveta; em 1997, a clonagem da ovelha Dolly. As
novidades não pararam por aí.
Voltando à frase primeira deste texto, no dia 29 de
dezembro de 2002, a empresa Clonaid, nas Bahamas,
anunciou aos quatros ventos da terra que havia trazido
ao mundo, com sucesso, o primeiro clone humano, uma
menina, nascida de cesariana, chamada Eva, “cópia
idêntica” de sua mãe, uma americana de 31 anos. O fato
curioso é que a empresa mantém laços estreitos com um
movimento exótico conhecido como “Religião raeliana”.
Nossas pesquisas revelaram tratar-se de um grupo
totalmente fantasioso. Ao conhecer o teor doutrinário do
movimento raeliano é possível equipará-lo às fantásticas
histórias científicas de Julio Verne1. Só que no caso de
Verne as fantasias não passam de fantasias e, portanto,
não são acreditadas por uma legião de adeptos.
Segundo ensina esse grupo, Jesus Cristo é meio-irmão de
seu fundador e sua humanidade é fruto de experiências
alienígenas realizadas há 25 mil anos, entre outros
contra-sensos. Como se essas estranhas doutrinas não
fossem suficientes, o movimento tem gerado ainda grande
ceticismo e indignação entre os governos e as
comunidades médicas e científicas de todo o mundo com
sua controvertida declaração.
Dado a repercussão do fato, aprouve-nos pesquisar as
origens e os fundamentos doutrinários desse grupo que,
com muita rapidez, se tornou conhecido mundialmente.
Como tudo começou
O título da seita é uma derivação do nome de seu
fundador, o francês Claude Vorilhon, autodenominado Rael,
ex-jornalista e ex-piloto automobilístico.
Segundo Rael, tudo começou no dia 13 de dezembro de
1973, quando ele foi supostamente visitado por um ET,
que se apresentou com o nome de Yahvé Elohim (dois nomes
hebraicos de Deus utilizados na Bíblia hebraica). O fato
ocorreu na cidade de Auvergne, região central da França.
Rael explica que “a palavra Deus é uma tradução malfeita
do termo Elohim, que significaria aqueles que vêm do
céu”. Esse “ser” seria o presidente dos Elohim, seres
divinos subalternos que, em seu primeiro contato, teriam
raptado Rael e o transformado em um Messias. Na ocasião,
esses seres lhe forneceram as origens remotas da criação
e de todas as suas religiões. Um detalhe importante,
segundo Rael, a mensagem dos ETs foi transmitida,
impecavelmente, no idioma francês.
Rael conta que, por ser uma pessoa normal e “humilde”,
não havia entendido o motivo de ter sido escolhido pelos
Elohim, pois achava que eles deveriam ter procurado as
potências do nosso mundo para estabelecer seus
propósitos. Mas os Elohim contestaram e afirmaram que
existia uma imensa discórdia entre eles e as nossas
organizações políticas, morais, religiosas e
filosóficas, sendo assim impossível um contato amistoso
com as nossas lideranças sem um mediador.
Mas a utopia de Rael continua, pois o principal motivo
da escolha ainda não teria sido esse. Os Elohim não
queriam ser ocultados pelos governos, permanecer no
anonimato, o que fatalmente ocorreria caso se revelassem
sem um planejamento, por isso escolheram um jornalista
desconhecido e independente, sem vínculos com grandes
organizações, um perfil ideal para suas finalidades.
Os raelianos hoje
No princípio de sua história, o grupo era chamado de
Movimento Raeliano, mas sofreu uma alteração em seu
título, sendo atualmente conhecido como Religião
Raeliana. Mas como podemos observar, trata-se mesmo de
mais uma nova seita, com uma nova revelação e um novo
líder. A diferença é que esta não declara ser fruto de
uma visão, sonho ou mensagem angelical, mas de um
contato com extraterrestres.
Considerando a sua origem, alguns poderiam julgar que o
movimento estaria fadado ao fracasso, sem seguidores e
sem repercussão. Ledo engano. Hoje, contam com a adesão
de 55 mil membros ativos e simpatizantes espalhados em
84 países. Atualmente, estão sediados no Canadá, em
Québec.
A seita se gaba de possuir um conselho científico e um
grupo de guias e sacerdotes que somam 130 pessoas no
mundo inteiro, entretanto, as credenciais científicas de
seus membros têm sido amplamente contestadas pelos
profissionais do segmento.
Afirmam ser uma instituição sem fins lucrativos e
intitulam-se como um movimento de caráter revolucionário
constituído de livres pensadores, plenamente
voluntários, não conformistas, trabalhando para mudar a
si mesmos e a sociedade com o fim de acolher os seus
“pais do espaço”, os Elohim.
Manancial de heresias
Como pode ser identificado na grande parte dos
movimentos religiosos recentes, a doutrina raeliana tem
na Nova Era o seu manancial doutrinário. Os elementos em
comum podem ser flagrados sem o menor esforço. A crença
em ETs é o pilar doutrinário do grupo. Conforme ensina
seu fundador, os Elohim lhe confiaram a importante
missão de edificar uma embaixada na Terra para
recebê-los, e esses embaixadores se identificam como os
grandes profetas das grandes religiões.
Assim como o movimento aquariano, os raelianos também
tributam à humanidade um estado progressivo de evolução
espiritual, vivendo, dessa forma, a iminência de um dia
atingirem o nível em que poderão relacionar-se com os
seres superiores, alcançando a “expansão do indivíduo”.
Acreditam que um dos principais índices dessa
“maturidade” é a evolução holística2 dos relacionamentos
humanos. Aguardam a unificação governamental do mundo, o
estabelecimento de uma única moeda corrente, uma única
língua e, como não poderia deixar de ser, alegam já
conhecerem o Messias, Rael, o que para nós não é nada
surpreendente.
Destacam-se, ainda, em sua coleção de heresias, a
“meditação sensorial”, cujo objetivo é fazer que seus
praticantes reconheçam a “hierarquia entre as raças
humanas” e, antagonicamente, sua auto-afirmação ateísta,
o que revela o disparate e a confusão de conceitos
doutrinários do movimento.
Os “pais do espaço”
Não bastasse a crença absurda em alienígenas, os
raelianos ainda ensinam que somos criação de tais seres.
Segundo Rael, o que ele chama de os “pais do espaço”
estiveram, há 25 mil anos, em nosso planeta e criaram a
nossa raça por meio de avançadas técnicas de clonagem. O
tempo passou e os nossos antepassados começaram a
desenvolver as diversas religiões que hoje conhecemos,
acabando por mistificar os “pais do espaço”, chamando-os
de deuses.
O fundador da seita chega a ponto de descrever os
“criadores da raça humana” e, para nossa surpresa, desta
vez, sua imaginação não foi nada original. Rael diz ter
presenciado, no interior de um vulcão inativo, próximo a
Clermont Ferrand, no centro da França, a aparição de um
óvni de sete metros de diâmetro, feito de metal
brilhante, totalmente silencioso. Os ETs vistos por ele
eram como os marcianos dos desenhos animados, seres de
baixa estatura, aproximadamente 1,20m de altura, cor de
pele verde-oliva, olho estreito, boca pequena, habitando
num planeta distante três anos-luz3 da Terra. Essa
concepção sobre os ETs pode ser conferida na capa de seu
livro A mensagem transmitida pelos extraterrestres.
A evolução dos tais deuses é tão distante da nossa que
Rael arrisca ilustrá-la por meio de uma comparação,
afirmando que a clonagem entre eles é algo ordinário,
comum. Para eles, clonar um ser humano é tão simples
quanto é para nós gravarmos um CD.
A posição bíblica sobre os alienígenas
A idéia de que a raça humana é fruto de uma criação
alienígena remonta a 1935, quando Erick Von Daniken
lançou seu livro Erinnerungen na Die Zukunft, em
português: Eram os deuses astronautas? A repercussão foi
intensa e, desde então, os adeptos da ufologia não
pararam de crescer. Desde que surgiram os primeiros
“testemunhos” de contatos com esses seres até os dias de
hoje, quase nada pôde ser provado. Geralmente, as
fraudes fotográficas e testemunhais dão conta de
responder ao “fenômeno”.
A Bíblia revela à humanidade, sem distorções, o início
criativo de Deus. A seqüência da criação não abre margem
para a sustentação dos ufólogos. Basear a existência de
ETs no silêncio de Deus sobre a questão nos levaria à
possibilidade de empregar o mesmo método de
interpretação em relação a outras doutrinas bíblicas, o
que nos conduziria a um emaranhado de heresias. Ademais,
os supostos ETs não trazem a autenticação de Deus (Gn
1.4,10,12,21,25,31). Pela Bíblia reconhecemos apenas
dois níveis de hábitat: o terrestre e o celestial. As
Escrituras nos revelam a existência de apenas três
naturezas: a divina, a espiritual e a humana. Nada mais
além disso. Vale, aqui, considerar a existência dos
principados e potestades, das hostes espirituais da
maldade que habitam nos “lugares celestiais” (Ef 6.12),
bem como o seu poder (limitado por Deus) para operar
sinais e prodígios (2Ts 2.9).
Norbert Liech, apologista do ministério Chamada da
Meia-Noite, apresenta o seu ponto de vista de modo muito
interessante: “Deus nos informou acerca de detalhes
muito exatos do futuro (por exemplo, acerca da volta de
Jesus, detalhes acerca do fim deste mundo, como em
Mateus 24 ou no livro de Apocalipse). Um dia o Universo
será enrolado como um pergaminho envelhecido (Is 34.4;
Ap 6.14). Com isso, se Deus tivesse criado seres
viventes em outro lugar, Ele automaticamente destruiria
a morada deles”.
Liech continua: “Outro raciocínio que leva à mesma
conclusão: se conhecemos a finalidade das estrelas,
temos em mãos a chave bíblica para respondermos às
questões concernentes aos assim chamados
´extraterrestres´. Com base em Gênesis 1.14,15, as
estrelas são, portanto, orientadas e planejadas para a
terra, ou, para ser mais exato, para as pessoas que
vivem na terra”.
Além do equívoco de crer em extraterrestres, o grupo
raeliano atribui a eles a “façanha inédita” de clonagem
dos seres humanos. Levando em conta o contexto místico
que se esconde por trás dessa crença, não foi difícil
entender a desconfiança e o ceticismo que causaram no
mundo todo.
Veja em nosso site a matéria: Óvnis: estão os seres
humanos sozinhos no universo?
Uma fábrica de clonar
Os membros da seita fundaram, em 1997, a empresa Clonaid,
nas Bahamas, com o objetivo de fornecer serviços de
clonagem. Segundo atesta a religião raeliana, este é o
artifício dos ETs para assegurar a eternidade da raça
humana, a solução para todas as doenças. Rael considera
isso um grande bem proporcionado pelos alienígenas, mas
não tem pressa, pois está convicto de que, por ser um
profeta, os Elohim “já lhe garantiram” o privilégio de
ser clonado quando morrer.
O preço do serviço está estipulado em 200 mil dólares,
cerca de 700 mil reais, e, com o tempo, querem abater o
valor para 175 mil reais. Mas não é só isso. Afirmam
oferecer ainda uma diversidade de serviços como:
preservação de tecidos para futura clonagem e clonagem
de animais de estimação.
A empresa é conduzida por Brigitte Boisselier, “bispa
raeliana”, química e física biomolecular. Como diretora
científica da Clonaid, diz conduzir as experiências de
maneira “adequada” e reclama ainda não depender da
religião raeliana para a manutenção financeira da
empresa, embora seus objetivos e os da religião sejam
inseparáveis.
Em 2001, a empresa instalou-se nos Estados Unidos, mas
já pretendem mudar de país, pois suas experiências ferem
as leis norte-americanas.
Segundo Rael, centenas de mulheres, adeptas do
movimento, se apresentaram como voluntárias para as
experiências. Conforme critérios da empresa, as técnicas
utilizadas nas experiências são restritas a casais
estéreis, homossexuais e doentes terminais.
Fabricantes de deuses
“Comissionados” pelos Elohim, os raelianos pretendem
construir laboratórios e universidades por todo o mundo.
Acreditam que os alienígenas prestariam suporte ao nosso
avanço tecnológico e, com isso, nos igualaríamos ao
nível científico deles. Para obtermos semelhante
capacidade, teríamos de ultrapassar a etapa do
“crescimento acelerado”, ou seja, clonar, em poucos
minutos, sem a necessidade da permanência de nove meses
no ventre materno. O “projeto” se estende a outras
etapas, mais fictícias ainda, como, por exemplo,
transferir informação mental (da memória e da
personalidade) de um indivíduo envelhecido para um novo
indivíduo, um clone adulto fisicamente jovem. Essa
transferência de memória a um jovem adulto determinaria
a vida de um mesmo indivíduo indefinidamente, seria o
segredo para a vida eterna. “Quando uma pessoa é clonada,
cada vez que morre, e ao transferir sua memória e
personalidade a um corpo novo, ela vive eternamente em
vários corpos”, explica Rael. Seria uma espécie de
reencarnação, o início da vida em um corpo jovem. Outro
absurdo.
Rael comenta sobre as conseqüências de tamanho avanço no
âmbito legal: “As leis humanas terão de se adaptar às
nossas mudanças de cultura e aos avanços tecnológicos em
incremento [...] Ainda passarão numerosos dias antes que
tal coisa aconteça, mas novas leis têm de ser
promulgadas para definir os critérios segundo os quais
poderemos nos beneficiar desta tecnologia. Aqui como no
planeta dos Elohim, o número de clones deverá ser
limitado a um para cada indivíduo - e unicamente depois
da sua morte”.
Após alcançarmos hilariante evolução, seria possível à
humanidade visitar outros planetas e criar vidas ao seu
bel-prazer, transformando-se então em Elohim para os
seres “criados”, isto é, seriam deuses para suas
criaturas e estas, por sua vez, se evoluiriam e
tornar-se-iam semelhantes aos criadores.
A Bíblia condena a clonagem?
Os cientistas estão brincando de deuses! Esta sempre foi
uma afirmação bastante repetida no meio religioso em
relação à questão. Entretanto, essa posição esbarra em
fatores relevantes. Um deles é o fato de Deus ter nos
criado com imenso potencial, do qual não utilizamos nem
a metade de sua capacidade. Por que Deus nos criaria com
tamanha potencialidade se não fosse para empregá-la?
Explorar essa capacidade e alcançar resultados é
“brincar de ser Deus”? O que Deus quis dizer quando
confiou ao homem o domínio pleno de sua criação? (Gn
1.26). De fato, não há quaisquer advertências quanto a
esse domínio, exceto o fato de que devemos observar o
mandamento do Senhor, amando nosso próximo como a nós
mesmos e ao Senhor com todo o nosso coração, alma, força
e entendimento (Lc 10.27).
Para uma visão equilibrada da questão não podemos julgar
a clonagem sem considerar suas causas e circunstâncias.
Se alguém nos perguntasse se somos a favor de
experiências com urânio, certamente responderíamos que
não, pois imediatamente nos viria à mente as implicações
catastróficas das bombas nucleares. Mas se a finalidade
das experiências fossem benéficas, tais como, controlar
radiações para que possam combater certas doenças, então
nossa resposta seria sim, pois a boa causa abonaria as
experiências. Assim, a nossa capacidade pode ser
revertida para a prática do bem ou do mal, logo, a
aplicação dos resultados e seus objetivos deveriam ser o
cerne da questão. Reservada as devidas distinções, o
mesmo conceito poderia ser aplicado à clonagem, mas a
polêmica não é tão simplista assim.
Para que se obtivesse um resultado satisfatório com a
ovelha Dolly, foram necessárias 277 tentativas, algo que
reputaríamos monstruoso, caso ocorresse o mesmo com os
humanos. Mas se no futuro esse obstáculo fosse
transpassado com uma única experiência bem-sucedida,
então o problema acabaria. Mas ainda outros teriam de
ser solucionados. Como viveriam os clones sabendo que
não são filhos de ninguém? Haveria discriminação por
parte da sociedade? Teriam outras diferenças em relação
a nós? São perguntas que merecem uma reposta.
Em detrimento de tudo, o elemento que mais tem trazido
malefícios é a saga dos laboratórios em querer se
apresentar ao mundo como mentores pioneiros da
experiência. É uma corrida em busca da publicidade que,
às vezes, não respeita a ética. É difícil avaliar as
intenções, os limites e os resultados a que chegaremos.
Talvez, num futuro próximo, as coisas sejam diferentes,
mas hoje a clonagem põe em risco vidas humanas, a do
bebê e a da gestante, precipitando-se em uma área em que
a sociedade ainda não criou consensos.
Inserido nesse complexo contexto, encontramos os
raelianos misturando clonagem, alienígenas e religião.
Não é de espantar que o médico italiano Severino
Antinori, um dos credenciados cientistas envolvido nesse
propósito, classificou o anúncio da Clonaid como “uma
piada de mau gosto”.
• Para aprofundamento sobre o tema veja em nosso site
www.icp.com.br a matéria Clonagem – a ciência e a
religião.
Os objetivos da religião raeliana
Como toda religião, os raelianos advogam sua razão de
existir. Para levarem a efeito sua missão, a odisséia
raeliana depende de uma mobilização que só pode ser
adquirida pela participação em seus eventos e
seminários.
Segundo explicam, o desenvolvimento da humanidade se
daria numa cultura em que o amor, o respeito e a
realização fossem as únicas regras e onde a sinceridade,
a sensualidade e a individualidade pudessem desabrochar.
Rumo a este ideal, os raelianos expõem seus objetivos:
1. Informar sem convencer: a religião raeliana está
fundamentalmente interessada num diálogo aberto e
honesto. Deseja apenas informar as pessoas interessadas
nas mensagens dos Elohim, não convencê-las.
2. Edificar uma embaixada: os Elohim têm pedido a Rael
para edificar uma embaixada onde se encontrarão com os
nossos chefes políticos e científicos (extraterrestres)
que nos transmitirão sua sabedoria e tecnologia. O local
da embaixada deve ser neutro e internacionalmente
reconhecido. Terá a proteção e a imunidade diplomática
com o objetivo de beneficiar todos os Estados.
3. Ignorar o passado e orientar a humanidade rumo ao
futuro, com valores de amor, de paz, de liberdade, de
individualidade, de prazer e de realização. Declaram que
é necessário que a humanidade desenvolva seu
relacionamento em busca da paz, isso seria uma
condicional para que os “pais do espaço” visitem a
embaixada sem ocasionar temor, hostilidade e fanatismo
religioso.
4. Constituir um governo mundial e uma moeda única, com
o fim de eliminar a fome, doenças e sofrimentos e
estabelecer, enfim, um mundo de realização e de lazeres
ativos para os quais a raça humana fora concebida.
Nova versão da Declaração universal dos direitos do
homem
Os absurdos não cessam! Acredite se puder, os raelianos
audaciosamente desenvolveram uma nova versão da
Declaração universal dos direitos do homem. Trata-se de
um suplemento que denominaram de Carta universal do ser
humano, pela qual sonham em submeter todas as religiões
existentes. O documento adiciona 18 novos artigos, os
quais julgam estarem adaptados à época em que vivemos. A
análise dos artigos deixa inconteste a estreita ligação
entre os raelianos e a Nova Era. Em suma, visam
assegurar a observação de comportamentos, tais como: a
busca da felicidade individual e coletiva, o bem-estar
social de toda a humanidade, a preservação da fauna e da
flora, o anti-racismo, o homossexualismo, a legalização
mundial da eutanásia, o ecumenismo etc.
Artigo 18
Um governo mundial deve ser estabelecido rapidamente e
democraticamente. Este governo estabelecerá um autêntico
controle da aplicação e do respeito dos “Direitos do ser
humano” em todas as regiões da Terra. Sancionará as
regiões que não respeitem estes direitos e castigará
severamente os responsáveis daquelas ações. Estabelecerá
uma moeda única mundial, com o objetivo de favorecer e
de provocar, em breve, a supressão total da moeda e do
protagonismo dos valores econômicos. Garantirá uma
comunicação entre todos os seres humanos do planeta,
permitirá o ensino de um idioma mundial e controlará sua
aplicação.
Uma embaixada para os extraterrestres
Como vimos, esse é um dos objetivos do grupo.
Observação: a embaixada não pode ser construída em
qualquer lugar. Judeus, palestinos e agora ETs. É isso
mesmo, eles têm preferência. Jerusalém é o local ideal!
Segundo os adeptos dessa seita, foi próximo a essa
região que os Elohim criaram os primeiros seres humanos.
Consideram os judeus descendentes dos Elohim e
responsáveis por educar toda a humanidade. Moisés,
Jesus, Buda, Maomé e outros profetas, todos vivem hoje
harmoniosamente no planeta dos Elohim. Nem os ufólogos
com todas as suas fantasias conseguem conceber uma idéia
tão excêntrica!
O primeiro templo judeu teria sido a primeira embaixada
dos Elohim, em torno da qual a antiga cidade foi
edificada. A embaixada pretendida seria o tão anelado
templo que os atuais judeus anseiam reconstruir. Uma
réplica dela seria construída perto da original para
dissipar a curiosidade pública. Todo o seu projeto já
foi “revelado” diretamente dos Elohim para Rael. O lugar
seria o referencial espiritual do mundo pelos milênios a
seguir.
O movimento raeliano reclama ter solicitado ao governo
israelense o estatuto de extraterritorialidade em
diversas ocasiões, mas sem sucesso. Em 20 de março de
1990, Rael, “instruído pelos Elohim”, decidiu mudar o
símbolo da seita (que até então era a suástica) em
respeito às vitimas do nazismo e com o fim de facilitar
as negociações, mas de nada adiantou. Isso teria gerado
um dissabor aos Elohim: “Se a resistência judaica
permanecer, a localização da embaixada poderá ser em
território egípcio ou palestino” e “o povo de David
perderá a proteção dos Elohim”.
Por que os ETs precisam de uma embaixada?
Do mesmo modo que os representantes diplomáticos
desenvolvem as inter-relações com as nações, esse seria
o objetivo dos “pais do espaço”. “Eles querem
estabelecer um contato sem invasão”. A embaixada
possibilitará aos Elohim controlar seu acesso em nosso
planeta sem intervenções.
Assim como o ET de Steven Spilberg, os Elohim também são
pacíficos e, por isso, retardaram sua instalação em
nosso planeta. Como poderiam eles entrar em contato
conosco sem invadir o nosso espaço aéreo, suscitando uma
ameaça bélica? Sua presença entre nós nos levaria ao
pânico, a um colapso geral, os militares estariam diante
de cenas hollywodianas, mas reais! Com essas idéias
alucinógenas, Rael justifica o porquê de, até então, não
termos avançado em nossa relação com os “pais do
espaço”.
A embaixada deverá compreender 347 hectares, ou seja,
3.470.000 m², para que um círculo de raio de 1050 metros
possa se inscrever no seu interior. A construção renderá
a “módica” quantia de 20 milhões de dólares, dos quais a
seita já afirma possuir 7 milhões. E, acredite,
testemunham que a soma não para de crescer!
A concretização desta missão seria o início de uma nova
era, marcada pelo desaparecimento de todas as religiões
primitivas, incluindo o cristianismo. “Somos os seres
humanos de hoje, usando a tecnologia de amanhã, com
religiões e pensamentos de ontem”, diz Rael.
A data para o retorno de Jesus
A data foi marcada para 2035. Não podia faltar. Esse é
outro atrevimento corriqueiro reprovado por Jesus e que
pode ser encontrado na maioria das literaturas sectárias
(Mt 24.36). No caso dos raelianos, existe um diferencial
a mais, Jesus voltará com uma comitiva, mas não são seus
anjos. Ensinam que Jesus voltará com os Elohim, os
grandes homens das religiões: Moisés, Buda, Maomé e
companhia. A função deles seria nos levar a uma
compreensão religiosa unânime, estratégia usada por
alguns grupos hoje, algo impossível dentro dos padrões
bíblicos (ler 1Co 6.14-18).
O segredo da vida eterna
Uma reportagem como essa nos leva a reflexões
importantes. Paramos para pensar sobre o incrível poder
de uma religião, a influência que um grupo religioso
pode causar, a repercussão que pode alcançar e,
sobretudo, as almas que pode atrair para si. Não importa
quão estranhos e falsos sejam seus ensinamentos, sempre
haverá aqueles que lhes darão crédito. Alguns poderão
abandonar o movimento, mas muitos permanecerão. Trata-se
de pessoas cegas. O deus deste século as cegou e, agora,
estão impossibilitadas de enxergar a luz do
resplandecente evangelho da glória de Cristo (2Co 4.4).
E se recusam a dar ouvidos à verdade, entregando-se às
fábulas engenhosamente inventadas (2Tm 4.4).
Algumas das heresias aqui expostas são tão incoerentes
que seria perda de tempo utilizar-se da Bíblia para
refutá-las. Mas todas elas originam-se de um único
fator: a necessidade do homem de cultuar algo superior a
ele. Como diz Agostinho: “O homem vive a vaguear até que
se encontra com Deus”. Esse encontro é o verdadeiro
segredo da vida eterna: “E sabemos que já o filho de
Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o
que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é,
em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a
vida eterna” (1Jo 5.20 – grifo do autor).
Quem entende isso não busca razão para sua existência em
histórias imaginárias, antes, pode afirmar como Pedro:
“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de
vida eterna” (Jo 3.68 – grifo do autor). Os crentes em
Cristo não apóiam suas esperanças espirituais na
clonagem, ou em qualquer outra conquista científica,
antes, a “nossa esperança é a vida eterna, a qual Deus,
que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos
séculos” (Tt 1.2 – grifo do autor).
Não existem segredos nem exclusividades, não precisamos
pagar nada pela vida eterna, tudo já foi pago (1Co 6.20,
1Tm 2.6). Nesta fé prosseguimos até que possamos
desfrutar da verdadeira vida eterna em Cristo.
A literatura raeliana
A primeira publicação de Rael é O livro que diz a
verdade, França, 1974. Em suas edições em português,
esta obra foi traduzida com o título O verdadeiro rosto
de Deus. O livro explica o desenvolvimento da religião
raeliana até os nossos dias. Poucos anos depois, Rael
publicou outros dois livros: Acolher os extraterrestres
(1979) e Meditação sensorial (1980). Suas obras foram
traduzidas para mais de 25 línguas. O grupo publica
também uma revista internacional de luxo, de
periodicidade trimestral, chamada Apocalypse, criada
para promover a filosofia e a inteligência dos Elohim.
Clonaid no Brasil
O porta-voz do movimento raeliano no Brasil, o
franco-espanhol David Uzal, pintor, escritor e filósofo
graduado pela Sorbonne, tem planos de abrir uma filial
da Clonaid em nosso país, mais precisamente no Rio
Grande do Sul, lugar estratégico para atender à demanda
de pedidos da empresa, que pretende, simultaneamente,
levar seus serviços à Argentina, ao Uruguai e ao
Paraguai.
O representante raeliano tem grandes esperanças de que o
governo de Lula seja menos inflexível do que o de Bush e
proporcione à empresa o aval para prosseguir em seus
projetos no país que já conta com mais de 500 adeptos da
seita.
A presidente da empresa planeja nos visitar em março ou
abril deste ano. Ratifica o interesse no Brasil devido à
nossa grande tolerância religiosa, não encontrada em
outros países.
Rael, o fundador, também quer nos visitar. Fanático por
automobilismo, afirmou, em uma de suas entrevistas, que
seu sonho é clonar seu ídolo, Ayrton Senna, o que afirma
ser possível se a família de Senna possuir conservado
algum material genético dele. Pretende visitar o país em
maio, ocasião em que lançará um livro e tentará contato
com a família de Senna.
Seminários raelianos
Esses seminários contam com a presença de Rael e dos
sacerdotes da seita. São tidos como uma espécie de
manual de instrução transmitido pelos criadores da raça
humana, os Elohim. “Tem como objetivo despertar o nosso
potencial e expandir a nossa mente, proporcionando uma
vida plenamente satisfatória”. Isso se dá principalmente
por meio de técnicas de meditação. Consideram os
momentos em que passam no seminário como uma premonição
do paraíso onde o “novo ser humano” viverá.
São realizados no Canadá e contam com uma ampla
infra-estrutura. Possuem serviço de tradução simultânea
para o inglês e o espanhol. Promovem a participação dos
seminaristas em atuações artísticas e incluem, ainda,
momentos de lazer por meio de atividades turísticas:
conhecer as cidades de Québec, Montreal, passeio a
cavalo e de balsa pelo rio, entre outras.
Existem também algumas regras. É vetada a participação
de menores de 18 anos e é obrigatório o uso de uma
túnica branca durante o desenvolver das seções.
Notas:
1 Júlio Verne foi um dos autores mais populares do
século 19. Em histórias fantásticas como Viagem ao
Centro da Terra, 20 mil léguas submarinas e Da terra à
lua, Verne apresentou uma visão revolucionária da
ciência que previu avanços modernos.
2 Teoria segundo a qual o homem é um todo indivisível, e
que não pode ser explicado pelos seus distintos
componentes (físico, psicológico ou psíquico),
considerados separadamente.
3 Unidade de distância que equivale à distância
percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, à razão de
299.792 km/s, e igual a 9 trilhões e 450 bilhões de
quilômetros, aproximadamente.
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