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Festas Juninas –
Folclore ou religião?
Por Natanael Rinaldi e Luiz Antonio Capriello
O Inciso VI, do artigo 5º da Constituição Federal reza o
seguinte: “é inviolável a liberdade de consciência e de
crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais
de culto e suas liturgias”.
O ensino brasileiro tem explorado em nossas escolas (públicas
e/ou particulares) as muitas manifestações folclóricas do
nosso povo, inserindo-as em seus calendários de atividades com
o respeitável propósito de auxiliar a definição da verdadeira
identidade brasileira. Nosso país, em virtude de seu passado
histórico, absorveu diversas culturas e costumes, fato que nos
tornou conhecidos como “um país de muitas caras”. Desde que
conquistamos a independência de Portugal estamos lutando para
nos descobrirmos. E um dos meios eficazes para atingir esse
objetivo é justamente a avaliação acurada das vastas e
peculiares manifestações populares.
Naturalmente, as festas juninas fazem parte das manifestações
populares mais praticadas no Brasil, e todas as considerações
sobre essas comemorações exigem uma análise equilibrada, pois
há um limite entre o folclore e a religião, visto que esta
quase sempre acaba mesclando-se com as tradições. E é
justamente o que propomos neste artigo: uma avaliação
equilibrada. Afinal, será que temos maturidade espiritual para
delinear as fronteiras entre o que é folclore e o que é
religião?
Uma herança portuguesa
A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente)
e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto
das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em
provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das
tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças,
canções e costumes”.
Como é do conhecimento geral, fomos descobertos pelos
portugueses, povo de crença reconhecidamente católica. Suas
tradições religiosas foram por nós herdadas e facilmente se
incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto
folclórico. Sob essa base é que as instituições educacionais
promovem, em nome do ensino, as festividades juninas,
expressão que carrega consigo muito mais do que uma simples
relação entre a festa e o mês de sua realização. Entretanto,
convém ressaltar a coerente distância existente entre as
finalidades educacionais e as religiosas. Além disso, não
podemos nos esquecer de que o teor de tais festas oscila de
região para região do país, especialmente no Norte e no
Nordeste, onde o misticismo católico é mais acentuado.
As origens dessa comemoração remontam à antiguidade, quando se
prestava culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos
em homenagem a essa deusa eram denominados “junônias”. Daí o
atual nome “festas juninas”.1
As primeiras referências às festas de São João no Brasil datam
de 1603 e foram registradas pelo frade Vicente do Salvador,
que se referiu aos nativos que aqui estavam da seguinte forma:
“os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com
muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no
dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.2
A origem das festividades
Para as crianças católicas, a explicação para tais
festividades é tirada da Bíblia com acréscimos mitológicos. Os
católicos descrevem o seguinte:
“Nossa Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por esse
motivo, costumavam visitar-se com freqüência, afinal de contas
amigos de verdade costumam conversar bastante. Um dia, Santa
Isabel foi à casa de Nossa Senhora para contar uma novidade:
estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João Batista.
Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas
opções de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma
seria informada sobre o nascimento do pequeno João Batista.
Não havia correio, telefone, muito menos Internet. Assim,
Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande
que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora
que mandaria erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele.
O tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa Isabel
fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de fumaça, logo
depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem.
Foi visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços,
era dia 24 de junho. Começou, então, a ser festejado São João
com mastro, fogueira e outras coisas bonitas, como foguetes,
danças e muito mais!”3
Como podemos ver, a forma como é descrita a origem das festas
juninas é extremamente pueril, justamente para que alcance as
crianças.
As comemorações do dia de São João Batista, realizadas em 24
de junho, deram origem ao ciclo festivo conhecido como festas
juninas. Cada dia do ano é dedicado a um dos santos
canonizados pela Igreja Católica. Como o número de santos é
maior do que o número de dias do ano, criou-se então o dia de
“Todos os Santos”, comemorado em 1 de novembro. Mas alguns
santos são mais reverenciados do que outros. Assim, no mês de
junho são celebrados, ao lado de São João Batista, dois outros
santos: Santo Antônio, cujas festividades acontecem no dia 13,
e São Pedro, no dia 24.
Santo Antônio
Pouca gente sabe que o nome verdadeiro desse santo não era
Antônio, mas Fernando de Bulhões, segundo consta. Ele nasceu
em Portugal em 15 de agosto de 1195 e faleceu em 13 de junho
de 1231. Aos 24 anos, já na Escola Monástica de Santa Cruz de
Coimbra, foi ordenado sacerdote. Ao tomar conhecimento de que
quatro missionários foram mortos pelos serracenos, decidiu
mudar-se para Marrocos. Ao retornar para Portugal, a
embarcação que o trazia desviou-se da rota por causa de uma
tempestade, e ele foi parar na Itália. Lá, foi nomeado
pregador da Ordem Geral. Viveu tratando dos enfermos e
ajudando a encontrar coisas perdidas. Dedicava-se ainda em
arranjar maridos para as moças solteiras.
Sua devoção foi introduzida no Brasil pelos padres
franciscanos, que fizeram erigir em Olinda (PE) a primeira
igreja dedicada a ele. Faz parte da tradição que as moças
casadouras recorram a Santo Antônio, na véspera do dia 13 de
junho, formulando promessas em troca do desejado matrimônio.
Esse fato acabou curiosamente transformando 12 de junho no
“Dia dos Namorados”. No dia 13, multidões se dirigirem às
igrejas pelo pão de Santo Antônio. Dizem que é bom carregar o
santo na algibeira para receber proteção.
É bastante comum entre as devotas de Santo Antônio colocá-lo
de cabeça para baixo no sereno amarrado em um esteio. Ou então
jogá-lo no fundo do poço até que o pedido seja satisfeito.
Depois cantam:
“Meu Santo Antônio querido,
Meu santo de carne e osso,
Se tu não me deres marido,
Não te tiro do poço”.
As festas antoninas são urbanas, caseiras, domésticas, porque
Santo Antônio é o santo dos nichos e das barraquinhas.
Na A Tribuna de 14 de junho de 1997, página A8, lemos: “O dia
de Santo Antônio, o santo casamenteiro, foi lembrado... com
diversas missas e a distribuição de 10 mil pãezinhos. Milhares
de fiéis compareceram às igrejas para fazer pedidos, agradecer
as graças realizadas e levar os pães, que, segundo dizem os
fiéis, simbolizam a fé e garantem fartura à mesa”.
Ainda para Santo Antônio, cantam seus admiradores:
“São João a vinte e quatro
São Pedro a vinte e nove
Santo Antônio a treze
Por ser o santo mais nobre”4.
São João
A Igreja Católica o consagrou santo. Segundo essa igreja, João
Batista nasceu em 29 de agosto, em 31 A.D., na Palestina, e
morreu degolado por Herodes Antipas, a pedido de sua enteada
Salomé (Mt 14.1-12). A Bíblia, em Lucas 1.5-25, relata que o
nascimento de João Batista foi um milagre, visto que seus
pais, Zacarias e Isabel, na ocasião, já eram bastante idosos
para que pudessem conceber filhos.
Em sua festa, São João é comemorado com fogos de artifício,
tiros, balões coloridos e banhos coletivos pela madrugada. Os
devotos também usam bandeirolas coloridas e dançam. Erguem uma
grande fogueira e assam batata-doce, mandioca, cebola-do-reino,
milho verde, aipim etc. Entoam louvores e mais louvores ao
santo.
As festas juninas são comemoradas de uma forma rural, sempre
ao ar livre, em pátios e/ou grandes terrenos previamente
preparados para a ocasião.
João Batista, biblicamente falando, foi o precursor de Jesus e
veio para anunciar a chegada do Messias. Sua mensagem era
muito severa, conforme registrado em Mateus 3.1-11. Quando
chamaram sua atenção para o fato de que os discípulos de Jesus
estavam batizando mais do que ele, isso não lhe despertou
sentimentos de inveja (Jo 4.1), pelo contrário, João Batista
se alegrou com a notícia e declarou que não era digno de
desatar a correia das sandálias daquele que haveria de vir,
referindo-se ao Salvador (Lc 3.16).
Se em vida João Batista recusou qualquer tipo de homenagem ou
adoração, será que agora está aceitando essas festividades em
seu nome, esse tipo de adoração à sua pessoa? Certamente que
não!
São Pedro
É atribuída a São Pedro a fundação da Igreja Católica, que o
considera o “príncipe dos apóstolos” e o primeiro papa. Por
esse motivo, os fiéis católicos tributam a esse santo
honrarias dignas de um deus. Para esses devotos, São Pedro é o
chaveiro do céu. E para que alguém possa entrar lá é
necessário que São Pedro abra as portas.
Uma das crendices populares sobre São Pedro (e olha que são
muitas!) diz que quando chove e troveja é porque ele está
arrastando móveis no céu. São Pedro é cultuado em 29 de junho
como patrono dos pescadores. Na ocasião, ocorrem procissões
marítimas em sua homenagem com grande queima de fogos. Para os
pescadores, o dia de São Pedro é sagrado. Tanto é que eles não
saem ao mar para pescaria.
A brincadeira de subir no pau-de-sebo é a que mais se destaca
nas festividades comemorativas a São Pedro. O objetivo para
quem participa é alcançar os presentes colocados no topo.
Os sentimentos do apóstolo Pedro eram extremamente diferentes
do que se apregoa hoje, no dia 29. De acordo com sua forma de
agir e pensar, conforme mencionado na Bíblia, temos razões
para crer que ele jamais aceitaria os tributos que hoje são
dedicados à sua pessoa.
Quando Pedro, sob a autoridade do nome de Jesus, curou o coxo
que jazia à porta Formosa do templo de Jerusalém e teve a
atenção do povo voltada para ele como se por sua virtude
pessoal tivesse realizado o milagre não titubeou, mas declarou
com muita segurança: “Por que olhais tanto para nós, como se
por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este
homem? ...o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus
... Pela fé no nome de Jesus, este homem a quem vedes e
conheceis foi fortalecido. Foi a fé que vem pelo nome de Jesus
que deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde”
(At 3.12-16).
O Pedro da Bíblia demonstrou humildade ao entrar na casa de
Cornélio, que saiu apressado para recepcioná-lo. O texto
sagrado declara: “E aconteceu que, entrando Pedro, saiu
Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés, o adorou.
Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou
homem” (At 10.25-26).
Os balões
A sociedade “Amigos do Balão” nasceu em 1998 para defender a
presença do ‘balão junino’ nessas festividades. O padre
jesuíta Bartolomeu de Gusmão e o inventor Alberto Santos são
figuras ilustres entre os brasileiros por soltarem balões por
ocasião das festas juninas de suas épocas, portanto podemos
dizer que eles foram os precursores dessa prática.
Hoje, como sabemos, as autoridades seculares recomendam os
devotos a abster-se de soltar balões pelos incêndios que podem
provocar ao caírem em uma floresta, refinaria de petróleo,
casas ou fábricas. Não obstante, essa prática vem resistindo
às proibições das autoridades. Geralmente, os balões trazem
inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como,
por exemplo, “VIVA SÃO JOÃO!!!”, ou a outro santo qualquer
comemorado nessas épocas.
Todos os cultos das festas juninas estão relacionados com a
sorte. Por isso os devotos acreditam que ao soltarem um balão
e ele subir sem nenhum problema seus desejos serão atendidos,
caso contrário (se o balão não alcançar as alturas) é um sinal
de azar. Mas tudo isso não passa de crendices populares.
Sincretismo religioso
Religiões de várias regiões do Brasil, principalmente na
Bahia, aproveitam-se desse período de festas juninas para
manifestar sua fé junto com as comemorações católicas. O
candomblé, por exemplo, ao homenagear os orixás da sua linha,
mistura suas práticas com o ritual católico. Assim, durante o
mês de junho, as festas romanas ganham um cunho profano com
muito samba de roda e barracas padronizadas que servem bebidas
e comidas variadas. Paralelamente, as bandas de axé music se
espalham pelas ruas das cidades baianas durante os festejos
juninos. Lá, devido ao candomblé, Santo Antônio é confundido
com Ogum, santo guerreiro da cultura afro-brasileira.
Os evangélicos e as festas juninas
Diante de tudo isso, perguntamos: “Teria algum problema os
evangélicos acompanharem seus filhos em uma dessas festas
juninas realizadas nas escolas, quando as crianças, vestidas a
caráter (de caipirinha), dançam quadrilha e se fartam dos
pratos oferecidos nessas ocasiões: cachorro-quente, pipoca,
milho verde etc?”. É óbvio que nenhum crente participa dessas
festas com o objetivo de praticar a idolatria, pois tal
procedimento, por si só, é condenado por Deus!
Quanto à essa questão, tão polêmica, é oportuno mencionar o
comportamento de certas igrejas evangélicas, com a alegação de
estarem propagando o evangelho durante o Carnaval, dedicam-se
a um tipo duvidoso de evangelização nessa época do ano. Fazem
de tudo, inclusive usam blocos carnavalescos com nomes
bíblicos. Não devemos nos esquecer, no entanto, de que as
estratégias evangelísticas devem ocorrer o ano todo, e não
apenas em determinadas ocasiões. O mesmo acaba acontecendo no
período das festas juninas. Ultimamente, surgiram determinadas
igrejas evangélicas que, a fim de levantar fundo para os
necessitados e distribuir cestas básicas aos pobres, estão
armando barracas junto com os católicos em locais em que as
festas juninas são promovidas por órgãos públicos. Os produtos
que vendem, diga-se de passagem, são característicos das
festividades juninas. Os “cristãos” que ficam nas barracas
vestem-se a caráter e pensam que, dessa forma, estão
procedendo biblicamente.
E o que dizer das igrejas que promovem festas juninas em suas
próprias dependências com a alegação de arrecadarem fundos? As
festas juninas têm um caráter religioso que desagrada a Deus.
Então, como separar o folclore da religião se ambas estão
intrinsecamente ligadas?
O povo de Israel abraçou os costumes das nações pagãs e foi
criticado pelos profetas de Deus. A vida de Elias é um exemplo
específico do que estamos falando. Ele desafiou o povo de
Israel a escolher entre Jeová Deus e Baal. O profeta pôs o
povo à prova: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se
o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (1Rs 18.21). É
claro que o contexto histórico do texto bíblico em pauta é
outro, mas, como observadores e seguidores da Palavra de Deus,
devemos tomar muito cuidado para não nos envolvermos com
práticas herdadas do paganismo. Pois é muito arriscada a
mistura de costumes religiosos, impróprios à luz da Bíblia,
adotada por alguns evangélicos. É preciso que os líderes e
pastores aprofundem a questão, analisem a realidade cultural
do local em que desenvolvem certas atividades evangelísticas e
ministério e orientem os membros de suas respectivas
comunidades para que criem e ensinem os filhos nos preceitos
recomendados pela Palavra de Deus. O simples fato de proibirem
as crianças a participar dessas comemorações na escola em que
estudam não resolve o problema, antes, acaba agravando a
situação.
O que diz a Bíblia
Para muitos cristãos, pode parecer que a participação deles
nessas festividades juninas não tenha nenhum mal, e que a
Bíblia não se posiciona a respeito. O apóstolo Paulo, no
entanto, declara em 1 Coríntios 10.11 que as coisas que nos
foram escritas no passado nos foram escritas para advertência
nossa. Vejamos o que ele disse: “Ora, tudo isto lhes sobreveio
como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já
são chegados os fins dos séculos”.
O que nos mostra a história do povo de Israel em sua caminhada
do Egito para Canaã? Quando os israelitas acamparam junto ao
Monte Sinai, Moisés subiu ao monte para receber a lei da parte
de Deus. A demora de Moisés despertou no povo o desejo de
promover uma festa a Deus. Arão foi consultado e, depois de
concordar, ele próprio coletou os objetos de ouro e fabricou
um bezerro com esse material. O texto bíblico diz o seguinte:
“Ele os tomou das suas mãos, e com um buril deu forma ao ouro,
e dele fez um bezerro de fundição. Então eles disseram: São
estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do
Egito. Arão, vendo isto, edificou um altar diante do bezerro
e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor” (Êx
32.4-5).
Qual foi o resultado dessa festa idólatra ao Senhor? Deus os
puniu severamente: “Chegando ele ao arraial e vendo o bezerro
e as danças, acendeu-se-lhe a ira, e arremessou das mãos as
tábuas, e as quebrou ao pé do monte. Então tomou o bezerro que
tinham feito, e o queimou no fogo, moendo-o até que se tornou
em pó, e o espargiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos
de Israel. Então ele lhes disse: Cada um ponha a sua espada
sobre a sua coxa. Passai e tornai pelo arraial de porta em
porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e
cada um a seu vizinho” (Êx 32.19-20,27).
O teor religioso das festas juninas não passa de um ato
idólatra quando se presta culto a Santo Antônio, São João e
São Pedro. Paulo declara o seguinte: “Mas que digo? Que o
ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma
coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as
sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais
participantes com os demônios” (1Co 10.19-20).
“E serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço.
Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos
demônios. E derramaram sangue de seus filhos e de suas filhas
que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada
com sangue”(Sl 106.36-37).
Como crentes, devemos adorar somente a Deus: “Ao Senhor teu
Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). Assim, nossos
lábios devem louvar tão-somente o Senhor Deus: “Portanto,
ofereçamos sempre por meio dele a Deus sacrifício de louvor,
que é o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15).
O texto de Apocalipse 7.9 é um bom exemplo do que estamos
falando: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão,
a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e
povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o
Cordeiro, trajando vestes brancas com palmas nas suas mãos. E
clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que
está assentado no trono, e ao Cordeiro”.
É possível imaginar um cristão cantando louvores a São João
Batista? O cântico seria mais ou menos assim:
“Onde está o Batista?
Ele não está na igreja
Anda de mastro em mastro
A ver quem o festeja”5
Lembramos a atitude de Paulo e Barnabé diante de um ato de
adoração que certos homens quiseram prestar a eles: “E as
multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a sua voz,
dizendo em língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes
aos homens, e desceram até nós. E chamavam Júpiter a Barnabé,
e Mercúrio a Paulo; porque este era o que falava. E o
sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade,
trazendo para a entrada da porta touros e grinaldas, queria
com a multidão sacrificar-lhes. Porém, ouvindo isto os
apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram
para o meio da multidão, clamando, e dizendo: Senhores, por
que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós,
sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos
convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a
terra, o mar e tudo o que neles há” (At 14.11-15).
Os santos não podem ajudar
Normalmente, as pessoas que participam das festas juninas
querem tributar louvores a seus patronos como gratidão pelos
benefícios recebidos. Admitem que foram atendidas por Santo
Antônio, São João Batista e São Pedro. Crêem também que esses
santos podem interceder por elas junto a Deus. Entretanto, os
santos não podem fazer nada pelos vivos. Pedro e João, como
servos de Deus obedientes que foram, estão no céu, conscientes
da felicidade que lá os cerca (Lc 23.43; 2Co 5.6-8; Fp
1.21-23). Não estão ouvindo, de forma nenhuma, os pedidos das
pessoas que os cultuam aqui na terra. O único intercessor
eficaz junto a Deus é Jesus Cristo. Diz a Bíblia: “Porque há
um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus
Cristo homem” (1Tm 2.5).
E mais:
“É Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os
mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por
nós” (Rm 8.34).
“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não
pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai,
Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos
pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo
o mundo” (1Jo 2.1-2).
Foi o próprio Senhor Jesus quem nos disse que deveríamos orar
ao Pai em seu nome para que pudéssemos alcançar respostas aos
nossos pedidos: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o
farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes
alguma coisa em meu nome eu o farei” (Jo 14.13-14).
Quanto ao teor religioso das festas juninas, podemos declarar
as palavras de Deus ditas por meio do profeta: “Odeio,
desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não
me exalarão bom cheiro” (Am 5.21).
Como seguidores de Cristo, suplicamos, diante desta delicada
exposição, que Deus nos conceda sabedoria para que consigamos
proceder de uma maneira que o agrade em todas as
circunstâncias, pois: “toda ação de nossa vida toca alguma
corda que vibrará na eternidade” (E. H. Chapin).
FOGUEIRAS
A fogueira é um elemento essencial nas festas juninas. Algumas
regiões ainda conservam a bizarra tradição de caminhar sobre
as brasas. Você sabia que convencionalmente cada uma das três
festas, Santo Antônio, São Pedro e São João, exige um arranjo
diferente de fogueira?
Santo Antônio
As lenhas são atreladas em formato quadrangular.
São Pedro
As lenhas são atreladas em formato triangular.
São João
As lenhas são atreladas observando o modelo habitual; possui
formato arredondado semelhante à pirâmide.
COMIDAS TÍPICAS
As festas juninas são comemoradas com comidas típicas: curau,
batata-doce, mandioca, pipoca, canjica, pé-de-moleque, pinhão,
gengibre, quentão, entre outros.
VOCÊ SABIA
Que a quadrilha é uma dança de origem francesa? Foi trazida ao
Brasil no início do século XIX passando a ser dançada nos
salões da corte e da aristocracia brasileira. Com o passar do
tempo, deixou a nata da sociedade e incorporou-se às festas
populares gerando, assim, suas variantes no interior do país.
PIROLÁTRICOS
Você sabia que os cultos pirolátricos são de origem
portuguesa? Antigamente, em Portugal, acreditava-se que o
estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o
diabo e seus demônios na noite de São João. Atualmente, no mês
de junho intensifica-se o uso desses artifícios, porém,
desassociado dessa antiga crendice.
Bibliografia:
CARVALHO, Hernani de – No Mundo Maravilhoso do Folclore
LIRA, Mariza – Migalhas Folclóricas
RUIZ, Corina – Livro e Folclore (citado no site
http:venus.rdc.puc.rio.br/kids
Notas:
1 Migalhas folclóricas, p. 99. Mariza Lira.
2 Ib., p.106. Mariza Lira.
3 Didática e Folclore. Corina Ruiz.
(citado no site http:venus.rdc.puc.rio.br/kids/kidlink/kidcafe-esc./origem.html).
4 Migalhas Folclóricas, p. 101, Mariza Lira.
5 Ib., p. 108, Mariza Lira
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