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O profeta do
Tabernáculo da fé
Por Natanael Rinaldi
Somos advertidos de que há muitos homens se intitulando
profetas de Deus e dizendo que falam em seu nome. Será
que Deus nos dá algum sinal para que possamos distinguir
um falso profeta do verdadeiro?
O líder dessa seita, William Marrion Branham, nasceu em
Kentuchy (EUA), em 6 de abril de 1909, numa cabana muito
humilde, sendo o primogênito de um casal muito pobre.
Dez dias depois do seu nascimento, uma coluna de luz
penetrou pela janela e posou sobre sua cabeça. Seus pais
ficaram assustados, sem saber como interpretar tal
fenômeno. Os seguidores de Branham acreditam que foi um
sinal de que Deus tinha sua mão sobre ele desde o seu
nascimento. A auréola supostamente apareceu novamente em
Houston, Texas, em 1950, quando Branham pregava numa
campanha. Uma foto do fenômeno foi enviada para George
Lacy, investigador de documentos duvidosos, de uma
agência do Governo Federal (F.B.I), o qual, depois de
ver a foto, fez a seguinte declaração para Branham, seus
seguidores e a imprensa: “Reverendo Branham, você
morrerá como todos os outros mortais, mas, enquanto
existir uma civilização cristã, sua foto permanecerá
viva”. A famosa foto encontra-se em muitas publicações,
dentre elas o “Dicionário de movimentos carismáticos e
pentecostais”, publicado em 1988, pela Zondervan
(p.69).1
Branham afirma que Deus falou com ele, pela primeira
vez, aos sete anos de idade. Ele estava carregando água
para a destilaria ilegal de seu pai e, ao parar para
descansar debaixo de uma árvore, ouviu, vinda do vento
que assobiava entre as folhagens do arbusto, uma voz que
dizia: “Nunca beba, fume ou profane seu corpo com
qualquer meio, pois eu tenho uma obra para você
realizar, quando estiver mais velho”.
A conversão de Branham ao cristianismo aconteceu através
da pregação de um pastor batista. Logo depois, sentiu
chamada para pregar e começou a fazer planos para
dirigir seu primeiro culto na igreja. Em 1933, sob uma
tenda em Jeffersonsville, Indiana, Branham pregou para
aproximadamente três mil pessoas. A morte de sua esposa
Hope Brumback, e de sua filha ainda bebê, em 1937, foi
uma fatalidade interpretada por Branham como juízo de
Deus, por ele não ter dado atenção ao chamado para
ministrar aos pentecostais unicistas.
Em 1946, Branham alegou ter conversado com um anjo numa
caverna secreta, onde recebeu o poder de discernir a
enfermidade das pessoas. Daí para frente, os cultos de
cura e reavivamento dirigidos pelo pregador místico de
Indiana passaram a ser freqüentados por milhares de
pessoas. As reuniões ocorriam em auditórios e estádios,
por todo o mundo. De outubro a dezembro de 1951, Branham
viajou pela África do Sul e dirigiu o que foi chamado de
“a maior de todas as reuniões religiosas”.
Branham morreu em 1965, atropelado por um motorista
bêbado. Alguns de seus seguidores esperavam sua
ressurreição, enquanto outros edificaram um santuário
(uma pirâmide) em sua memória, no seu túmulo em
Jeffersonville.2
O profeta mensageiro da última Era
O endeusamento de Branham por parte de seus seguidores
não tem limite. Tanto é assim que o situam como
cumprimento de Apocalipse 10.7, que diz: “Mas nos dias
da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se
cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas
seus servos”. E explicam o texto da seguinte forma:
“Esta é uma profecia cumprida, pois os mistérios de Deus
têm sido consumados através do ministério do irmão
William Marrion Branham. Este profeta foi enviado por
Deus para esta era e tem pregado a mensagem que Deus lhe
ordenou: a palavra pura de Deus tal qual saiu da boca
dos profetas e apóstolos... O irmão Branham desafiou a
muitos líderes religiosos em diferentes ocasiões para
mostrar ao povo o supérfluo de suas religiões”.3
Branham engrandeceu seu nome de tal maneira que chegou a
ser considerado o “profeta mensageiro da última era da
história do mundo”. E dividiu a história em sete
dispensações ou idades. Cada uma dessas dispensações tem
um profeta mensageiro; portanto há sete profetas
mensageiros. Tal idéia foi baseada em Apocalipse
capítulos 2 e 3. (Veja a lista das eras estabelecidas
por Branham e suas datas no quadro da próxima página).
Esta última dispensação teve o seu tempo de duração
interrompido em face da morte de Branham, em 1965. Pela
exposição acima, os adeptos desse movimento ensinam que
a igreja cristã de hoje está na mesma situação
espiritual da igreja de Laodicéia. Dizem: “O que vemos é
a Escritura se repetindo. A filha de Herodias,
representada pelo sistema denomincional dançando frente
ao rei, procurando agradá-lo e tomando conselho com sua
mãe, contra o profeta” (que é Branham).4
Um dos seus adeptos, T.L. Osborn, no folheto intitulado
“Um homem chamado William Branham”, escreveu o seguinte:
“Esta geração está incumbida: uma geração na qual Deus
tem caminhado em carne humana na forma de um PROFETA.
Deus tem visitado seu povo. Porque UM GRANDE PROFETA
TEM-SE LEVANTADO ENTRE NÓS”.
Osborn trata a pessoa de Branham como se fosse o próprio
Deus. Em outro lugar, no mesmo folheto, diz: “Deus tem
enviado o irmão Branham no século XX e tem feito a mesma
coisa. Deus em carne, novamente passando por nossos
caminhos, e muitos não o conheceram. Eles tão pouco
haviam conhecido se tivessem vivido no tempo em que Deus
cruzou seus caminhos no corpo chamado Jesus, o Cristo”.
Branham, comparado com o profeta bíblico
Em diversos grupos religiosos vemos seus líderes
tentando roubar a glória que pertence única e
exclusivamente a Deus. Para tanto, se intitulam como
messias, senhores, vigário de Cristo, profetas etc. No
caso de Branham, como vimos acima, não é diferente. Haja
vista as declarações de Osborn e do próprio Branham.
William M. Branham é comparado a Deus ou Jesus por T.L.
Osborn. Entretanto, Isaías 42.8 declara: “Eu sou o
Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a
outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de
escultura”. O apóstolo Paulo preveniu-nos contra outro
evangelho trazido mesmo que fosse por um anjo do céu (Gl
1.6-9; 2Co 11.4). Se Paulo vivesse hoje, qual seria sua
reação face às visões de William Branham e suas próprias
reivindicações de ser o anjo de Apocalipse 10.7? “E
porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos,
transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13).
Distorcendo as verdades bíblicas, os seguidores de
Branham citam passagens em que João Batista é colocado
como precursor de Cristo como se as mesmas estivessem se
referindo à pessoa de Branham. Um exemplo de sua
distorção é quando citam a passagem de Mateus 17.11-12,
que diz: “Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade
Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas; mas
digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram” (grifo
do autor). Dizem os seguidores de Branham: “Vemos nesta
porção das Escrituras que o Senhor Jesus Cristo fala em
dois tempos gramaticais em relação com Elias: Um já veio
– passado – que foi João Batista; e o outro tinha de vir
– futuro – para restaurar todas as coisas”.6
Concordamos que os tempos gramaticais, tanto no presente
quanto no passado, estão corretos, mas discordamos que
são empregados a duas pessoas distintas. A passagem de
Mateus não nos aponta dois profetas, mas apenas um, João
Batista. Quando Jesus disse “Elias virá primeiro”, ele
estava respondendo à pergunta de seus discípulos, que
queriam saber se era “mister que Elias viesse primeiro”.
E ao falar que “Elias já veio”, Cristo estava novamente
se dirigindo a João Batista. Chegamos, então, à
conclusão de que, nessa passagem, os dois personagens em
foco não são duas pessoas, mas, sim, uma. Ao que nos
parece, somente Branham e seus seguidores encontram
dificuldades em entender essa questão. Os discípulos de
Jesus, na ocasião, entenderam perfeitamente a explicação
de Jesus: “Então entenderam os discípulos que lhe falara
de João Batista” (Mt 17.13).
Somos advertidos de que há muitos homens se intitulando
profetas de Deus e dizendo que falam em seu nome. Será
que Deus nos dá algum sinal para que possamos distinguir
um falso profeta do verdadeiro? A resposta a essa
pergunta está em Deuteronômio 18.21-22: “E, se disseres
no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor
não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e
essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é
palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou
aquele profeta; não tenhas temor dele”. Como vemos, um
dos meios mais eficazes para que possamos identificar um
verdadeiro profeta é verificar se as profecias por ele
vaticinadas se cumprem. Do contrário, não devemos
temê-lo, nem seguir os seus ensinos (Dt 18.20-22). Em
conexão com os ensinos de Moisés, Jesus também nos
advertiu contra os falsos profetas (Mt 7.15-20). Os
frutos da árvore são as profecias entregues pelos
profetas. Como vivemos dias que precedem a volta de
Cristo, o surgimento de falsos profetas cresce
diariamente, como dizem as Escrituras (Mt 24.5,11,23-24;
2Pe 2.1-3; 1Jo 4.1-3).
Uma das doutrinas mais importantes da Bíblia é a que se
refere à segunda vinda de Jesus. A vinda de Jesus é
certa (Jo 14.2; At 1.9-11), mas o dia e a hora são
desconhecidos (Mt 24.36). Não obstante, existem pessoas
que ousam ir além do que está escrito, fixando uma data
para esse acontecimento, caindo, assim, no erro de serem
tidas como falsos profetas. É o caso de WILLIAM MARRION
BRANHAM, que, em seu livro LAS SIETE EDADES DE LA
IGLESIA (As sete eras da Igreja, p. 361), interpreta, de
forma extremamente equivocada, as palavras de Jesus em
Marcos 13.32:
Y, aunque muchas personas juzgam que esto es um
pronóstico irresponsable, em vista de que Jesús dijo que
empero de aquel dia y de la hora, nadie sabe (Marcos
13.32), y todavia me mantengo firme em mi crencia
despues de treinta años, porque Jesús no dijo que nadie
podia conocer al año, mês o semana en que Su venida
habria de ser completada. Asi que repito, yo
sinceramente creo y mantengo como um estudiante
particular de la Palavra, juntamente com la inspiración
Divina, que el año de 1977 debe poner fim a los sistemas
mundiales e introducir el milenio (grifo do autor).
O que aconteceu em 1977? Não ocorreu o fim dos sistemas
mundiais e muito menos o início do milênio. Com essas
falsas palavras proféticas, William Marrion Branham
identificou-se como falso profeta, insurgindo-se contra
as palavras de Jesus: “Mas daquele dia e hora ninguém
sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.
Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o
vosso Senhor. Por isso, estai vós apercebidos também;
porque o Filho do homem há de vir à hora em que não
penseis” (Mt 24.36,42,44). “Vigiai, pois, porque não
sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de
vir” (Mt 25.13). Aos seus discípulos disse: “Não vos
pertence saber os tempos ou as estações que o Pai
estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1.7). Na lei de
Moisés, qualquer cidadão que usasse o nome do Senhor em
vão era morto a pedradas (Dt 18.20-22; Êx 20.7).
O Las siete edades de la Iglesia (p. 360), contém uma
infinidade de registros de visões ocorridas em 1933 7,
culminando com a fixação da data para a vinda de Jesus
em 1977. Uma visão importante, segundo Branham,
aconteceu enquanto batizava seus convertidos num rio.
Ele ouviu a voz de Deus, que dizia: “Como João Batista
foi enviado como precursor da minha primeira vinda,
assim também você e sua mensagem têm sido enviados para
preparar minha segunda vinda”. 8
Para os crentes em Cristo, a revelação de Deus,
registrada na Bíblia, é suficiente, por isso não
precisam de revelações adicionais e contradizentes. O
Senhor disse ao profeta Ezequiel: “Filho do homem,
profetiza contra os profetas de Israel que profetizam, e
dize aos que só profetizam de seu coração: Ouvi a
palavra do Senhor; Assim diz o Senhor Deus: Ai dos
profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que
nada viram! Os teus profetas, ó Israel, são como raposas
nos desertos. Viram vaidade e adivinhação mentirosa os
que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os
enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra.
Porventura não tiveste visão de vaidade, e não falaste
adivinhação mentirosa, quando dissestes: O Senhor diz,
sendo que tal não falei?” (Ez 13.2-4,6-7). O texto se
refere também a alguém que se diz profeta e especifica
uma data para a segunda vinda de Cristo e sua profecia
não se cumpre.
Seus sucessores e adeptos, além das falsas profecias,
rejeitam várias doutrinas bíblicas da Igreja Cristã,
como, por exemplo, a doutrina da Trindade, a fórmula
bíblica do batismo, conforme Mateus 28.19, e a
existência real do inferno. Diante de tais negações das
doutrinas bíblicas, fica impossível aceitar que os
ensinamentos dessa seita estejam em completa harmonia
com as Escrituras. Vejamos o que dizem: “Todos os que
têm conhecido a vida e o ministério do irmão William
Marrion Branham sabem que Deus o vindicou como o profeta
mensageiro desta era; e mesmo sua mensagem o assinala
como tal, porque está em completa harmonia com as
Escrituras”. 9
William Marrion Branham nada mais é do que um falso
profeta, pois alega ser um “novo Elias” que veio
preparar a volta de Cristo. E suas falsas profecias
também nos ajuda a entender esse fato: Branham é um
falso profeta. Vejamos o que disse o Senhor a Jeremias:
“Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os
enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa,
e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o
que eles vos profetizam” (Jr 14.14).
Notas:
1 Dicionário de religiões, crenças e oOcultismo, p. 49,
de George A Mather & Larry A Nichols, Editora Vida,
2000.
2 Um mês antes de sua morte, Branham disse que na grande
campanha evangelística de 25 de Janeiro de 1966
ocorreria um grande milagre. Sua morte ocorreu no dia 25
de dezembro de 1965 e muitos de seus seguidores
associaram o “grande milagre”, que ocorreria na época da
campanha, como sendo a ressurreição de Branham. Eles o
embalsamaram e o mantiveram sob refrigeração. Nada
ocorrendo, foram tomados de profunda decepção – The
Pentecostals. Walter J. Hollenweger (Peabody,
Massachusetts 1988: Hendrickson Publishers) pp. 354-355.
3 fascículo, De volta à palavra original, pp. 10-11,
Goiânia-GO.
4 fascículo, De volta à palavra original, p. 27,
Goiânia, GO
5 Um dos mais proeminentes pregadores e televangelista
norte-americano do Movimento da Confissão Positiva. Ele
é conhecido por suas cruzadas de “Curas”, tendo já
visitado mais de 78 nações. Desde 1949, seu ministério
tem sua base em Tulsa, Oklahoma, EUA. Seus livros estão
publicados em mais de 132 línguas.
6 folheto “A necessidade de um profeta”, MairArt Sistema
de Duplicação Digital, pp.4-5.
7 “O profeta desta era”, n° 5.
8 Id., p.3.
9 folheto “A necessidade de um profeta”, MairArt Sistema
de Duplicação Digital, p. 6.
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