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Suicídio

De quem é a vida, afinal?

Por Rosimeire Lopes de Souza

Dezessete horas. Tarde de primavera. Na porta do hotel, muita gente. As pessoas que chegam perguntam: O que aconteceu? A resposta ecoa, de forma brusca: Uma jovem cometeu suicídio. Foi participar de uma reunião, procurou um local estratégico e simplesmente se jogou. Tinha 24 anos de idade e um filho de dois meses. Desesperada, sua mãe disse que ela estava passando por graves problemas com o marido.

Fiquei olhando do 17º andar e vi, de longe, o corpo estendido no chão. Embora tivesse muita gente em volta, pude ver claramente quando o carro da polícia chegou, pegou o corpo inerte e o colocou dentro de uma caixa de alumínio e saiu. Fiquei pensando: Como ela teve coragem? Ou: Por que tanta covardia de enfrentar a vida?

Não sei qual é a sua opinião, caro leitor, mas creio não haver respostas para as indagações quanto aos motivos que levam uma pessoa ao suicídio. O assunto também é inesgotável. Todavia, podemos contar com o parecer científico de psicólogos, médicos, pesquisadores e, principalmente, com a visão bíblica a respeito. Mas a pergunta que sempre permanecerá é: Por quê?

Escrever sobre suicídio é uma tarefa bastante difícil, pois não existem motivos que justifiquem este ato. Por quê, por quê, perguntamos. E não encontramos respostas. Ou melhor, elas não existem. O suicídio é uma separação extremamente abrupta. Nenhuma teoria seria capaz de explicar e desvendar os motivos que levam uma pessoa a se matar, a tirar a própria vida. O suicídio é um ato ambíguo (de insegurança), e suas razões, complexas. Obviamente, é impossível falar em suicídio sem falar em morte, os dois estão intimamente ligados. Impossível é também refletir sobre a vida sem deixar de pensar na morte.

Em muitas culturas, a morte é encarada como uma fase natural da vida, pois trata-se de algo necessário para o equilíbrio da sobrevivência do grupo, sendo considerada um elemento intrínseco à natureza. Há civilizações em que a pessoa, ao ficar doente, se mata. Faz isso simplesmente porque não pode mais produzir, ou seja, ser útil à sua comunidade. Nas primitivas sociedades tribais, a morte era encarada como parte integrante do viver diário. Isto é, as pessoas lidavam com a morte sem bani-la, com naturalidade. Para elas, a morte era um ato contínuo da vida.

No ocidente antigo, havia outro tipo de relação com a morte. Segundo Ariès, o tabu a respeito veio com o avanço da tecnologia e da medicina, e também com os novos valores advindos desse progresso. Para melhor explicar sua teoria, Ariès dividiu em quatro os diferentes períodos e maneiras de se lidar com a morte.

Nos séculos IX e X, primeiro período dos antigos romances medievais, as pessoas viviam em constante contato com a morte, sendo freqüentemente ameaçadas por ela. Nessa época, quando alguém morria, a cerimônia de seu velório era algo público, com a presença de muitas pessoas no quarto, inclusive crianças. Esta fase é denominada por Ariès de morte domada.

Na Idade Média, a partir dos séculos XI e XII, o conceito sobre a morte sofre algumas modificações. Primeiramente, a morte passou a ser vista como uma ordem da natureza. Depois, veio a preocupação sobre o lugar em que deveriam ser colocadas as inscrições funerárias e outras representações, como, por exemplo, as imagens esculpidas. Devido a esses fatores, a arte e a literatura também passam por algumas alterações.

No final do século XVIII, o luto leva a família a manifestar uma dor que nem sempre era sentida. A partir de então, tornou-se comum as pessoas chorarem muito, desmaiarem e jejuarem. Tudo isso por conta da morte. Ainda nessa época, em vez de os entes queridos dos falecidos confiarem seus mortos à Igreja, como era costume, eles passaram a se preocupar com o local da sepultura. Queriam um lugar em que pudessem ir livremente fazer suas visitas melancólicas e devotas, além de depositarem flores nos túmulos, em homenagem à lembrança do morto. Então, os cemitérios foram planejados.

No século XVIII, os homens passaram a preocupar-se menos com a sua própria morte e a sofrer, em demasia, com a morte da mulher amada. A morte, então, passou a ser considerada como uma transgressão que arrebata o homem de sua vida cotidiana, lançando-o num mundo irracional, violento e cruel.

Na metade do século XIX, a morte torna-se algo vergonhoso. As pessoas que cercavam o moribundo tentavam esconder, tanto para ele quanto para elas mesmas, o verdadeiro estado do agonizante e a verdade de que ele ia morrer. Os médicos ocultavam os diagnósticos de um paciente à beira da morte para a sua família. Sentiam tanto medo da morte que preferiam não falar nela.

Entre as décadas de 30 e 50, as pessoas passaram a morrer nos hospitais, e não em casa. Sozinhas em seus leitos morriam sem a presença de seus familiares.

Hoje em dia, quando alguém morre, as pessoas (na maioria) procuram conter o choro, não demonstrando suas emoções. As manifestações de sentimentos, como o luto, por exemplo, foram abandonadas. O uso de roupas pretas nessas ocasiões, nem pensar. Pois dão um aspecto de morbidez. E ressurgem também as mortes aceitáveis, ou seja, por velhice ou por doenças incuráveis. Nesses dois casos, a morte é aceitável por ser um fato irreversível, é claro!

Alguns idosos, por serem considerados improdutivos, estão sendo terrivelmente marginalizados por suas famílias. Sem dó nem piedade, são enviados aos asilos para ali morrerem sem nenhuma dignidade e carinho de seus parentes. O que é lamentável!

A morte por suicídio em diferentes versões e épocas

Em algumas sociedades orientais e tribais, o suicídio tem valor positivo, sendo, por vezes, encorajado. Lá, ele é visto por muitos como um ato honroso, uma demonstração de fidelidade, disciplina e boa índole. Já na sociedade ocidental, o suicídio é um tema proibido, por tratar-se de completa negação da dor, do sofrimento e da morte “natural”. No geral, ele não deve ser praticado, falado e, muito menos, pensado. Suas tentativas frustradas são motivo de vergonha, embaraço e culpa, e os laudos policiais, não poucas vezes, são distorcidos a fim de abafar as verdadeiras ocorrências.

O sociólogo francês Émilie Durkhein produziu um estudo sobre o suicídio, classificando-o em três categorias sociais: o suicídio egoísta, o altruísta e o anômico. Mais tarde, ele acrescentou à sua tese o suicídio fatalista.

* O suicídio egoísta. Seria o resultado de um individualismo excessivo, ou seja, a falta de interesse do indivíduo pela comunidade.
* O suicídio altruísta ou heróico. A pessoa é levada a cometer o suicídio por um excessivo altruísmo e sentimento de dever, muito comum nas sociedades primitivas e orientais.
* O suicídio anômico. Em grego, o termo significa “sem lei”, mostrando a desorientação e o choque produzidos na vida de uma pessoa por uma mudança abrupta qualquer.

O suicídio fatalista, por sua vez, seria aquele decorrente do excesso de regulamentação da sociedade sobre o indivíduo cujas “paixões” são reprimidas, de forma violenta, por uma disciplina opressiva.

De modo geral, pessoas há que, quando doentes, optam pela morte, recusando-se a viver. Muitas pessoas que sofreram rejeição na infância perdem, quando adultas, o interesse pela vida. E há também o fato da inapetência infantil, decorrente desse mesmo abandono. E o que dizer daquelas que, por falta de perdão, guardam tamanha mágoa em seu interior que toma conta de todo o seu ser, daí entregam-se ao suicídio gradual, isto é, morrem lentamente. Vemos pessoas tão exageradas na busca do prazer que, na verdade, estão atraindo sobre si a morte. O suicídio representa o grito da alma, uma denúncia. Tal denúncia pode ser individual ou coletiva.

Foi no século VI d.C. que a igreja decidiu tomar uma posição a respeito do suicídio, estabelecendo leis contra essa prática. E, para tanto, contou apenas com o registro bíblico do sexto mandamento, “não matarás”, para sustentar seus argumentos. Através de Santo Agostinho, os bispos foram incitados a entrar em ação. Todavia, fizeram isso mais por questão moral do que por outra coisa. E utilizaram os argumentos de Platão e Pitágoras, que afirmam que a vida é uma dádiva de Deus e que os nossos sofrimentos, sendo divinamente ordenados, não podem ser abreviados por nossas próprias ações. Ao contrário, suportá-los pacientemente é uma medida de grandeza da alma de cada indivíduo.

Em 533 d.C., o Concílio de Orleans proibiu que se prestasse honra fúnebre a todo aquele que se matasse. Em 562, o Concílio de Braga abraça a mesma decisão, proibindo as honras fúnebres a todo e qualquer suicida, independente de sua posição social. O passo final foi tomado, no ano 693, pelo Concílio de Toledo, que decidiu que aqueles que não obtivessem sucesso em suas tentativas de suicídios deveriam ser excomungados. No século XIII, Tomás de Aquino editou uma Suma, dizendo: “o suicídio é um pecado mortal contra Deus, que nos deu a vida; é também um pecado contra a justiça e a caridade”.

É importante entender e conhecer esses aspectos, mas isso só não basta. Devemos fazer algo mais a respeito. É impressionante e alarmante o número de pessoas que pensam em suicídio e, pior, cometem o suicídio. Esse número vem crescendo a cada ano. Muitas tentativas de suicídio são apenas um meio que as pessoas encontram de chamar a atenção para si, para os seus problemas. É a forma que encontram para serem ouvidas e ajudadas, pois estão extremamente sufocadas e sofridas que não conseguem gritar por socorro. Esse tipo de comportamento deve ser atacado em todos os seus aspectos: sociais, políticos, médicos, etc. Enfim, devemos, como cristãos, arregaçar as mangas e combatê-lo, de uma forma ou de outra, seja qual for a sua origem. Se necessário, devemos criar em nossas igrejas equipes bem estruturadas, preparar profissionais, como, por exemplo, conselheiros especiais que ajudem na restauração do corpo e da alma das pessoas.

A depressão e o suicídio

Quando grave, a depressão, mal que atinge muitas pessoas atualmente, é responsável por 15% dos suicídios, segundo o professor e doutor Francisco Lotufo Neto. De acordo com sua teoria, os sinais de alerta das pessoas propensas a tirar a própria vida são os seguintes: 1º) Falam a respeito do suicídio; 2º) Sentem depressão; 3º) Têm um passado de tentativas frustradas; 4º) Procuram se despedir de quem gostam (isto é, visitam parentes e amigos, doam objetos de que gostam muito); e 5º) Apresentam mudanças abruptas de comportamento, ou seja, estão muito deprimidas e, de repente, ficam bem.

Várias pessoas, no auge de suas angústias, nos declaram que seria muito melhor para elas se morressem, e ficam pensando horas sobre isto. E, em suas fantasias suicidas, procuram as melhores saídas para que possam pôr em prática seus pensamentos mórbidos de morte. Diante delas, as seguintes possibilidades se apresentam: os precipícios, as estradas, os rios, os galhos de uma árvore, uma arma, entre outras opções.

Segundo os psicólogos, as causas que podem levar uma pessoa ao suicídio são muitas, tais como: ansiedade, depressão, alcoolismo, drogas, separação conjugal, fracasso financeiro ou no relacionamento amoroso, problemas sexuais, rejeição, traição, insegurança, timidez, problemas de saúde, entre outras, pois a lista pode ser imensa. O grupo de risco, em sua maioria, é formado por homens da meia-idade, por se sentirem sozinhos, com problemas financeiros e deprimidos. Geralmente, as mulheres jovens tentam o suicídio quando passam por problemas de ordem conjugal, principalmente se houver rompimento na relação.

O suicídio ocorre quando a esperança acaba

Detectar um suicida pode até parecer simples, mas ouvi-los e ajudá-los não é tão simples assim, porque muitas vezes a própria pessoa não sabe como pedir ajuda, embora necessite dela. Então, sente-se sozinha, sem esperança. A desesperança é um processo cognitivo, isto é, acontece dentro de nós. É quando vemos as coisas de maneira errada, como se a nossa lente estivesse embaçada. Em seu livro As máscaras da melancolia, John White cita que, após ter escutado vários pacientes, chegou à conclusão de que um pensamento perturbado é o resultado, e não a causa, de emoções perturbadas. Devemos agir com cautela com as pessoas suicidas, para que possamos impedi-las de cometer a ação. Mas, se não estivermos atentos, não iremos conseguir essa proeza. Por que precisamos ficar atentos? Porque, segundo o Dr. Lotufo, as pessoas com tendência suicida gostam de conversar a respeito. Por isso a necessidade de considerar a seriedade com que estão conduzindo o assunto, à maneira como estão planejando o ato.

Uma das formas de se fazer isso, ou seja, ficar atento às atitudes e procedimentos das pessoas com essa tendência (leia-se fraqueza) é reparar se estão comprando remédios em demasia, possuem armas de fogo ou prestes a comprar uma. Quando o suicida encontra ajuda e apoio, uma vida é salva. Um dos indicadores de que alguém está para cometer suicídio é a sua maneira de falar. Se alguém lhe diz, em voz baixa, quase sussurrando, que não tem mais esperanças, que não há mais jeito para ele, que lhe falta paz, leve-o a sério, considere suas palavras.

A pessoa prestes a cometer suicídio se torna agressiva, ameaçadora. Caso você, caro leitor, se depare com uma pessoa com essas características, e não se sente preparado para lidar com a situação, procure ajuda imediatamente, pois alguém pode morrer a qualquer momento.

Uma vez detectado, o suicida deve ser ouvido com delicadeza, compreensão, franqueza e cortesia. O zelo excessivo e o medo devem ser substituídos por outros sentimentos e atos, como, por exemplo, compreensão. O melhor método para evitar que uma pessoa cometa suicídio é ajudá-la, imediatamente, a sair da depressão em que se encontra.

Um psiquiatra observou que a grande maioria das pessoas que cometem suicídio não o faria se tivesse esperado vinte e quatro horas. Tal observação, no entanto, não passa de uma suposição baseada em numerosas entrevistas com pessoas que tentaram o suicídio mas falharam e, conseqüentemente, conseguiram se reestruturar emocional e psicologicamente.

O suicídio na Bíblia

No Antigo Testamento, temos apenas três casos de suicídio. A saber. O rei Saul, ao ser derrotado na batalha, temendo ser ridicularizado e torturado por seus inimigos, jogou-se contra a ponta de sua própria espada, e seu escudeiro, vendo isso, seguiu o exemplo de seu senhor, morrendo ao seu lado (1Sm 31.4-6). Aitofel enforcou-se em casa. Vejamos o motivo: “Vendo, pois, Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho, albardou o jumento, e levantou-se, e foi para sua casa e para a sua cidade, e deu ordem à sua casa, e se enforcou e morreu, e foi sepultado na sepultura de seu pai” (2Sm 17.23). O quarto exemplo não pode ser considerado suicídio qualificado. Estamos falando de Sansão, que causou a própria morte ao provocar um colapso no templo onde os filisteus estavam realizando uma grande comemoração. Na ocasião, três mil pessoas morreram. (Ver Juízes 16.30).

No Novo Testamento, temos o famigerado caso de Judas Iscariotes, o traidor, que se enforcou depois de haver jogado as trinta moedas de prata sobre o pavimento do templo diante do sumo sacerdote e dos anciões (Mt 27.3-5). Um dos textos bíblicos que nos chamam a atenção sobre essa atitude de Judas foi registrado por Lucas quando menciona que alguns dias antes de suicidar-se Satanás entrara em Judas Iscariotes: “Entrou, porém, Satanás em Judas...” (Lc 22.3). O que nos leva a entender que o suicídio também pode ocorrer por possessão ou, no mínimo, por uma poderosa influência do diabo sobre os filhos da desobediência.

A polemica em torno deste assunto

Em seu livro Comprehensive Texbook of Psychiatry (Manual Geral de Psiquiatria), Schenidman apresenta, no capítulo que discorre sobre o suicídio, uma série de contrastes entre as fábulas e os fatos em torno deste assunto: “... a profunda fé religiosa torna o suicídio impossível”.

Refutação do fato: “o desespero e o sentimento de inutilidade que acompanham a grave doença depressiva podem solapar a fé”.

E continua ele: “Pacientes piedosos já me olharam nos olhos e me disseram, cheios de desespero: ‘Minha fé acabou’. Tal é a vulnerabilidade de nossos corpos e cérebro perante as pequeninas alterações químicas, e tão delicado é o equilíbrio entre a loucura e a sanidade, que o mais forte dos cristãos pode se tornar vítima do suicídio”.

E John White, por sua vez, em As máscaras da melancolia, é da opinião que ”Num momento desses, não é de fé que precisam, mas da assistência de pessoas competentes e cheias de fé, para que as vigiem até que o devido equilíbrio de suas mentes seja restaurado e, com ele, a fé que achavam ter perdido”.

Pode um cristão piedoso, em plena comunhão com Deus, cometer suicídio?

Não podemos ignorar o fato de que não somos super-homens ou supermulheres, supercrentes, descartando a possibilidade de que a ajuda humana nos é necessária em nossas angústias, de que precisamos do auxílio de um profissional. Diz a Bíblia, em Romanos 12.13: “Comunicai com os santos nas suas necessidades...” O nosso cérebro recebe informações e o nosso comportamento é o resultado daquilo que sentimos.

Não podemos, também, ignorar o fato de que Deus é poderoso.E, ainda que fragilizados, a ponto de percebermos o agir de Deus em nossas vidas, cremos que o crente fiel ao Senhor e a sua Palavra, aquele cristão que vive nas obras da carne, é sustentado em suas grandes adversidades, como aconteceu com o patriarca Jó. Deus não nos prova além das nossas forças! “Não veio sobre vos tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixara tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também escape, para que a possais suportar”. Veja também o que diz Tiago: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg 1.13).

Encontramos, na Bíblia, várias pessoas que escreveram a respeito de sentimentos como a tristeza: “O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão se apagando, e só tenho perante mim a sepultura” (Jó 17.1). O salmista disse: “Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia” (Sl 38.6). O próprio apóstolo Paulo, por várias vezes, relata como ele se sentia a respeito do seu sofrimento: “Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração” (Rm 9.2). Jesus também falou a respeito de seus sentimentos: “A minha está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo" (Mt. 26.38). O profeta Elias, em 1 Reis 19.4, fala de sua amargura e interesse pela morte: “...Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.” E Jonas, o profeta de Deus, disse: “Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (Jn 4.3). é importante entendermos o quanto é diferente o sentimento desses homens piedosos das narrativas bíblicas do desejo especifico que os suicidas sentem em tirar a própria vida.

Em outras palavras, uma coisa é num momento extremo de angustia, como no caso do patriarca Jó, alguém desejar morrer. Outra coisa, totalmente diferente é o impulso doentio de alguém que deseja matar-se. Veja que os heróis da fé sempre apelaram para que Deus, o doador da vida, lhes permitisse morrer, que o próprio Senhor interrompesse o fôlego de vida deles, pois somente assim poderiam estar com Ele: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer a sepultura e faz tornar a subir dela” (ISm 2.6).

O suicídio é obra do diabo. Cristo veio para trazer vida, e vida em abundancia, como nos testemunhar as Escrituras Sagradas.E, partindo deste principio, toda e qualquer atitude que infrinja a lei divina quanto à valorização da vida é condenável. O suicídio é um assunto extremamente delicado, cercado por tantos tabus que difícil e raramente encontramos alguém falando a respeito. Nunca levamos aos nossos púlpitos sermões tendo o suicídio como titulo e não conhecemos quase nenhuma literatura evangélica que fale sobre este tema tão polemico.

Mas não precisamos de muitos estudos bíblicos para condenarmos esse ato. Até mesmo os filósofos ateus, como Sartre, por exemplo, afirmam que o suicídio é errado por ser uma atitude que destrói todos os atos futuros de liberdade. Que é uma prática tão irracional que lhe falta verdadeira base lógica. Segundo Agostinho, considerado o maior teólogo do cristianismo, depois do apóstolo Paulo: “O suicídio é o fracasso da coragem”. Ou, conforme o dr. Norman L. Geisler, um dos maiores apologistas da atualidade, “até mesmo a eutanásia, uma forma de dar cabo a própria vida, é uma contradição em termos, porque o ato final ‘contra sim mesmo’ não pode ser, ao mesmo tempo um ato ‘em prol de si mesmo’”. E se a base do amor ao próximo é amar a si mesmo, não amar-se é a base do ódio e da vingança contra o semelhante, o que viola o segundo grande mandamento (Mc 12.31).

Considerando os princípios bíblicos

“Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, de não nós a si mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto” (Sl 100.3).Considerando que não somos de nós mesmos, mas de Deus, por termos sido criados por Ele, a iniciativa de uma pessoa de tirar a própria via significa que ela está-se colocando acima de Deus e agindo com autoridade maior que a do Senhor, o autor da vida.

O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus; destruiu o próprio corpo é desonrar o Criador. Paulo disse: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19). Deus é o doador da vida, presente e futura. (Ver Gn 1.26-27; Sl 8.5; 24.1; Jo 1.3; 3.16; 10.10;11.25-26). É o Senhor que tem estabelecido as normas de conduta para a nossa vida presente e para toda a eternidade.

Nem mesmo o amor pela vida nem o desejo de suicídio devem ser colocados acima da vontade de Deus. Quando alguém age independentemente de Deus, está-se colocando no lugar dele. A primeira epistola de João 5.21 declara: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. Alguém pode perguntar: ”O que acontece com aqueles que cometem suicídio?”. Ou, “Um suicida pode ser salvo”. A resposta levará em consideração a Sagrada Escritura. A orientação bíblica é que aqueles que cometem o suicídio violam o sexto mandamento. As pessoas que dão fim à própria vida fazem isso por várias razoes. Somente o Senhor Deus sabe a complexidade de pensamentos que passa na mente do individuo no momento do suicídio. Por isso, baseamos o nosso entendimento na Bíblia Sagrada. Devemos considerar o texto de Êxodo 20.3, que diz “Não matarás”. O suicídio nada mais é do que um auto-assassinio, atitude que contraria esse mandamento. Como cristãos, compreendemos que o suicida não pode ser salvo. “Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem” (Gn 9.5).

Matheus Henry comenta: “O homem não deve dar fim à própria vida... Nossas vidas não nos pertencem, mas pertencem a Deus. Cristo, nosso Salvador e Rei, nosso Mestre e nosso exemplo em todas as coisas, foi tentado, ate como homem mortal”. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nos, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15). “Levou-o também a Jerusalém, e pó-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu es o Filho de Deus, Lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, e que te sustenham nas mãos para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra” (Lc 4.9-11). A resposta de Jesus foi pronta: “Não tentarás ao Senhor teu Deus” (Lc 4.12).

Rus Walton, pesquisador cristão e ex-secretário do Desenvolvimento do governo de Ronald Regan, não considera o suicídio um problema de patologia. Ou seja, não se trata de um problema da mente, mas, sim, de enfermidade da alma: “Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa as, senão feridas e inchaços e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo” (Is 1.5-6). Essa enfermidade Jesus Cristo pode curar. O pecado e a fonte das inclinações suicidas. Quando a alma está sem Cristo, a mente e corrupta, perdida. As pessoas sem Cristo estão envolvidas em caminhos que parecem direitos, mas que, por fim, conduzem a morte.

É Jesus Cristo quem sara o coração quebrantado e poe em liberdade os oprimidos: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois... enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos” (Lc 4.18-19).

Algumas pessoas se deixam levar pelo seguinte questionamento: “Se Cristo morreu por nos para nos assegurar o perdão dos pecados (1Pe 2.24) e nos reconciliar com Deus (Rm 5.1), não teria sido a morte de Cristo em nosso favor um suicídio altruísta?”. De forma nenhuma. Jesus declarou que ninguém poderia tirar a vida dele. O próprio Jesus tinha o poder de dá-la e também de retomá-la. João 10.17-18 diz “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la”. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la.

Só Jesus oferece descanso verdadeiro

Existe alivio, descanso, refugio, para o coração pesado e a alma desesperada: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vos o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.28-29).

Cristo é a única solução para as pessoas que pensam em cometer suicídio. Consideremos o que diz o apostolo Paulo: “Porque não quero irmãos que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que o podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos. Mas já em nos mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda” (2Co 1.8-10). Jesus é o Senhor da vida.

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. (Jo 1.4).

“... assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21).

“Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (1Jo 5.11).

“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5.12).

Diante de textos tão contundentes, não podemos, como igreja de Deus, fechar os olhos para as pessoas que enfrentam tão grave problema como o suicídio. Às vezes, tais pessoas estão dentro de nossas próprias congregações. Como cristãos, conhecemos o poder vivificar do Filho de Deus (Jesus, o Cristo), portanto devemos criar grupos capazes de ajudar aqueles que estejam passando por esse dilema. Devemos orar e nos capacitar para que possamos ajudar essas pessoas. Devemos, ainda, ser solidários e desenvolver o caráter de Cristo em nossas vidas, pois somente assim estaremos livres de tão grande risco. Através do fruto do Espírito Santo poderemos apoiar e ajudar as pessoas para que veja os benefícios de Cristo na vida dos demais e também na nossa.

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardara os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais,irmãos, tudo o que e verdadeiro, tudo o que e honesto, tudo o que e justo, tudo o que e puro, tudo o que e amável, tudo o que e de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fl 4.7-8).

Somente assim conseguiremos manter a nossa mente guardada em Cristo!

• Bíblia Vida – Almeida Revista e Atualizada
• Suicídio: testemunhos de adeus. Maria Luíza, Editora Brasiliense, 1991
• O Deus selvagem. Alvarez A; Companhia das Letras, 1999.
• As máscaras da Melancolia: White, John, ABU - 1995

1 As máscaras da melancolia – John White

... Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silencio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue...
... Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calunia não abateram meu animo, Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente eu dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na Historia...

(Trecho da carta de suicídio deixada pelo Ex-Presidente Getulio Vargas em 24 de agosto de 1954 com apenas 51 anos.)

Índices de suicídio na PM, em 1998

Foram 32 casos. A maioria entre soldados e cabos.

Patente Número
Soldados 20
Cabos 05
1º Sargento 02
2º Sargento 02
3º Sargento 03

Motivo Número
Alcoolismo 03
Ignorado 08
Problema conjugal 15
Problema afetivo 01
Doença 01
Psiquiatria 01
Roleta Russa 01
Dificuldades financeiras 03

Método Número
Revólver 27
Veneno 02
Enforcamento 02
Pistola 01

Box 3

Verba anti-suicídio

Os ministérios do Trabalho e da Saúde e Bem-Estar japoneses pediram que seja incluído no orçamento de 2001 do país 350 milhões de ienes (3,25 milhões de dólares) para aplicar em programas que visem a diminuir as taxas de suicídio. Em 1999, a taxa nacional, que girava em torno de 30 mil casos, foi recorde: 33.048 casos. Entre as medidas adotadas há edição de livros com recomendações para profissionais evitarem que seus colegas tirem a própria vida. O Japão, porém, ainda está longe dos recordistas mundiais.

Ranking Mundial

Suicídios por 100 mil habitantes segundo a Organização Mundial de Saúde

1º Lituânia** 87.4%
2º Rússia* 78.7%
3º Bielorrússia** 73.5%
4º Letônia** 72.0%
5º Estônia** 69.9%
6º Hungária** 65.8%
7º Ucrânia** 62.3%
8º Japão* 37.9%

*Dados de 1997 ** Dados de 1998

Revista UMA desembro 200

... Ha muitos anos eu não venho sentido excitação ao ouvir ou fazer musica, bem como ler ou escrever...
... Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que tinha quando criança.
... Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral...
... Eu sou mesmo um bebe errático e triste! Não tenho mais a paixão, então lembrem: e melhor queimar do que se apagar aos poucos...

(trechos traduzidos da carta deixada por Kurt Cobain, vocalista da banda de rock Nirvana que se suicidou em 5 de abril de 1994)

 

 

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