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Matéria
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Suicídio
De quem é a vida, afinal?
Por Rosimeire Lopes de Souza
Dezessete horas. Tarde de primavera. Na porta do hotel,
muita gente. As pessoas que chegam perguntam: O que
aconteceu? A resposta ecoa, de forma brusca: Uma jovem
cometeu suicídio. Foi participar de uma reunião,
procurou um local estratégico e simplesmente se jogou.
Tinha 24 anos de idade e um filho de dois meses.
Desesperada, sua mãe disse que ela estava passando por
graves problemas com o marido.
Fiquei olhando do 17º andar e vi, de longe, o corpo
estendido no chão. Embora tivesse muita gente em volta,
pude ver claramente quando o carro da polícia chegou,
pegou o corpo inerte e o colocou dentro de uma caixa de
alumínio e saiu. Fiquei pensando: Como ela teve coragem?
Ou: Por que tanta covardia de enfrentar a vida?
Não sei qual é a sua opinião, caro leitor, mas creio não
haver respostas para as indagações quanto aos motivos
que levam uma pessoa ao suicídio. O assunto também é
inesgotável. Todavia, podemos contar com o parecer
científico de psicólogos, médicos, pesquisadores e,
principalmente, com a visão bíblica a respeito. Mas a
pergunta que sempre permanecerá é: Por quê?
Escrever sobre suicídio é uma tarefa bastante difícil,
pois não existem motivos que justifiquem este ato. Por
quê, por quê, perguntamos. E não encontramos respostas.
Ou melhor, elas não existem. O suicídio é uma separação
extremamente abrupta. Nenhuma teoria seria capaz de
explicar e desvendar os motivos que levam uma pessoa a
se matar, a tirar a própria vida. O suicídio é um ato
ambíguo (de insegurança), e suas razões, complexas.
Obviamente, é impossível falar em suicídio sem falar em
morte, os dois estão intimamente ligados. Impossível é
também refletir sobre a vida sem deixar de pensar na
morte.
Em muitas culturas, a morte é encarada como uma fase
natural da vida, pois trata-se de algo necessário para o
equilíbrio da sobrevivência do grupo, sendo considerada
um elemento intrínseco à natureza. Há civilizações em
que a pessoa, ao ficar doente, se mata. Faz isso
simplesmente porque não pode mais produzir, ou seja, ser
útil à sua comunidade. Nas primitivas sociedades
tribais, a morte era encarada como parte integrante do
viver diário. Isto é, as pessoas lidavam com a morte sem
bani-la, com naturalidade. Para elas, a morte era um ato
contínuo da vida.
No ocidente antigo, havia outro tipo de relação com a
morte. Segundo Ariès, o tabu a respeito veio com o
avanço da tecnologia e da medicina, e também com os
novos valores advindos desse progresso. Para melhor
explicar sua teoria, Ariès dividiu em quatro os
diferentes períodos e maneiras de se lidar com a morte.
Nos séculos IX e X, primeiro período dos antigos
romances medievais, as pessoas viviam em constante
contato com a morte, sendo freqüentemente ameaçadas por
ela. Nessa época, quando alguém morria, a cerimônia de
seu velório era algo público, com a presença de muitas
pessoas no quarto, inclusive crianças. Esta fase é
denominada por Ariès de morte domada.
Na Idade Média, a partir dos séculos XI e XII, o
conceito sobre a morte sofre algumas modificações.
Primeiramente, a morte passou a ser vista como uma ordem
da natureza. Depois, veio a preocupação sobre o lugar em
que deveriam ser colocadas as inscrições funerárias e
outras representações, como, por exemplo, as imagens
esculpidas. Devido a esses fatores, a arte e a
literatura também passam por algumas alterações.
No final do século XVIII, o luto leva a família a
manifestar uma dor que nem sempre era sentida. A partir
de então, tornou-se comum as pessoas chorarem muito,
desmaiarem e jejuarem. Tudo isso por conta da morte.
Ainda nessa época, em vez de os entes queridos dos
falecidos confiarem seus mortos à Igreja, como era
costume, eles passaram a se preocupar com o local da
sepultura. Queriam um lugar em que pudessem ir
livremente fazer suas visitas melancólicas e devotas,
além de depositarem flores nos túmulos, em homenagem à
lembrança do morto. Então, os cemitérios foram
planejados.
No século XVIII, os homens passaram a preocupar-se menos
com a sua própria morte e a sofrer, em demasia, com a
morte da mulher amada. A morte, então, passou a ser
considerada como uma transgressão que arrebata o homem
de sua vida cotidiana, lançando-o num mundo irracional,
violento e cruel.
Na metade do século XIX, a morte torna-se algo
vergonhoso. As pessoas que cercavam o moribundo tentavam
esconder, tanto para ele quanto para elas mesmas, o
verdadeiro estado do agonizante e a verdade de que ele
ia morrer. Os médicos ocultavam os diagnósticos de um
paciente à beira da morte para a sua família. Sentiam
tanto medo da morte que preferiam não falar nela.
Entre as décadas de 30 e 50, as pessoas passaram a
morrer nos hospitais, e não em casa. Sozinhas em seus
leitos morriam sem a presença de seus familiares.
Hoje em dia, quando alguém morre, as pessoas (na
maioria) procuram conter o choro, não demonstrando suas
emoções. As manifestações de sentimentos, como o luto,
por exemplo, foram abandonadas. O uso de roupas pretas
nessas ocasiões, nem pensar. Pois dão um aspecto de
morbidez. E ressurgem também as mortes aceitáveis, ou
seja, por velhice ou por doenças incuráveis. Nesses dois
casos, a morte é aceitável por ser um fato irreversível,
é claro!
Alguns idosos, por serem considerados improdutivos,
estão sendo terrivelmente marginalizados por suas
famílias. Sem dó nem piedade, são enviados aos asilos
para ali morrerem sem nenhuma dignidade e carinho de
seus parentes. O que é lamentável!
A morte por suicídio em diferentes versões e épocas
Em algumas sociedades orientais e tribais, o suicídio
tem valor positivo, sendo, por vezes, encorajado. Lá,
ele é visto por muitos como um ato honroso, uma
demonstração de fidelidade, disciplina e boa índole. Já
na sociedade ocidental, o suicídio é um tema proibido,
por tratar-se de completa negação da dor, do sofrimento
e da morte “natural”. No geral, ele não deve ser
praticado, falado e, muito menos, pensado. Suas
tentativas frustradas são motivo de vergonha, embaraço e
culpa, e os laudos policiais, não poucas vezes, são
distorcidos a fim de abafar as verdadeiras ocorrências.
O sociólogo francês Émilie Durkhein produziu um estudo
sobre o suicídio, classificando-o em três categorias
sociais: o suicídio egoísta, o altruísta e o anômico.
Mais tarde, ele acrescentou à sua tese o suicídio
fatalista.
* O suicídio egoísta. Seria o resultado de um
individualismo excessivo, ou seja, a falta de interesse
do indivíduo pela comunidade.
* O suicídio altruísta ou heróico. A pessoa é levada a
cometer o suicídio por um excessivo altruísmo e
sentimento de dever, muito comum nas sociedades
primitivas e orientais.
* O suicídio anômico. Em grego, o termo significa “sem
lei”, mostrando a desorientação e o choque produzidos na
vida de uma pessoa por uma mudança abrupta qualquer.
O suicídio fatalista, por sua vez, seria aquele
decorrente do excesso de regulamentação da sociedade
sobre o indivíduo cujas “paixões” são reprimidas, de
forma violenta, por uma disciplina opressiva.
De modo geral, pessoas há que, quando doentes, optam
pela morte, recusando-se a viver. Muitas pessoas que
sofreram rejeição na infância perdem, quando adultas, o
interesse pela vida. E há também o fato da inapetência
infantil, decorrente desse mesmo abandono. E o que dizer
daquelas que, por falta de perdão, guardam tamanha mágoa
em seu interior que toma conta de todo o seu ser, daí
entregam-se ao suicídio gradual, isto é, morrem
lentamente. Vemos pessoas tão exageradas na busca do
prazer que, na verdade, estão atraindo sobre si a morte.
O suicídio representa o grito da alma, uma denúncia. Tal
denúncia pode ser individual ou coletiva.
Foi no século VI d.C. que a igreja decidiu tomar uma
posição a respeito do suicídio, estabelecendo leis
contra essa prática. E, para tanto, contou apenas com o
registro bíblico do sexto mandamento, “não matarás”,
para sustentar seus argumentos. Através de Santo
Agostinho, os bispos foram incitados a entrar em ação.
Todavia, fizeram isso mais por questão moral do que por
outra coisa. E utilizaram os argumentos de Platão e
Pitágoras, que afirmam que a vida é uma dádiva de Deus e
que os nossos sofrimentos, sendo divinamente ordenados,
não podem ser abreviados por nossas próprias ações. Ao
contrário, suportá-los pacientemente é uma medida de
grandeza da alma de cada indivíduo.
Em 533 d.C., o Concílio de Orleans proibiu que se
prestasse honra fúnebre a todo aquele que se matasse. Em
562, o Concílio de Braga abraça a mesma decisão,
proibindo as honras fúnebres a todo e qualquer suicida,
independente de sua posição social. O passo final foi
tomado, no ano 693, pelo Concílio de Toledo, que decidiu
que aqueles que não obtivessem sucesso em suas
tentativas de suicídios deveriam ser excomungados. No
século XIII, Tomás de Aquino editou uma Suma, dizendo:
“o suicídio é um pecado mortal contra Deus, que nos deu
a vida; é também um pecado contra a justiça e a
caridade”.
É importante entender e conhecer esses aspectos, mas
isso só não basta. Devemos fazer algo mais a respeito. É
impressionante e alarmante o número de pessoas que
pensam em suicídio e, pior, cometem o suicídio. Esse
número vem crescendo a cada ano. Muitas tentativas de
suicídio são apenas um meio que as pessoas encontram de
chamar a atenção para si, para os seus problemas. É a
forma que encontram para serem ouvidas e ajudadas, pois
estão extremamente sufocadas e sofridas que não
conseguem gritar por socorro. Esse tipo de comportamento
deve ser atacado em todos os seus aspectos: sociais,
políticos, médicos, etc. Enfim, devemos, como cristãos,
arregaçar as mangas e combatê-lo, de uma forma ou de
outra, seja qual for a sua origem. Se necessário,
devemos criar em nossas igrejas equipes bem
estruturadas, preparar profissionais, como, por exemplo,
conselheiros especiais que ajudem na restauração do
corpo e da alma das pessoas.
A depressão e o suicídio
Quando grave, a depressão, mal que atinge muitas pessoas
atualmente, é responsável por 15% dos suicídios, segundo
o professor e doutor Francisco Lotufo Neto. De acordo
com sua teoria, os sinais de alerta das pessoas
propensas a tirar a própria vida são os seguintes: 1º)
Falam a respeito do suicídio; 2º) Sentem depressão; 3º)
Têm um passado de tentativas frustradas; 4º) Procuram se
despedir de quem gostam (isto é, visitam parentes e
amigos, doam objetos de que gostam muito); e 5º)
Apresentam mudanças abruptas de comportamento, ou seja,
estão muito deprimidas e, de repente, ficam bem.
Várias pessoas, no auge de suas angústias, nos declaram
que seria muito melhor para elas se morressem, e ficam
pensando horas sobre isto. E, em suas fantasias
suicidas, procuram as melhores saídas para que possam
pôr em prática seus pensamentos mórbidos de morte.
Diante delas, as seguintes possibilidades se apresentam:
os precipícios, as estradas, os rios, os galhos de uma
árvore, uma arma, entre outras opções.
Segundo os psicólogos, as causas que podem levar uma
pessoa ao suicídio são muitas, tais como: ansiedade,
depressão, alcoolismo, drogas, separação conjugal,
fracasso financeiro ou no relacionamento amoroso,
problemas sexuais, rejeição, traição, insegurança,
timidez, problemas de saúde, entre outras, pois a lista
pode ser imensa. O grupo de risco, em sua maioria, é
formado por homens da meia-idade, por se sentirem
sozinhos, com problemas financeiros e deprimidos.
Geralmente, as mulheres jovens tentam o suicídio quando
passam por problemas de ordem conjugal, principalmente
se houver rompimento na relação.
O suicídio ocorre quando a esperança acaba
Detectar um suicida pode até parecer simples, mas
ouvi-los e ajudá-los não é tão simples assim, porque
muitas vezes a própria pessoa não sabe como pedir ajuda,
embora necessite dela. Então, sente-se sozinha, sem
esperança. A desesperança é um processo cognitivo, isto
é, acontece dentro de nós. É quando vemos as coisas de
maneira errada, como se a nossa lente estivesse
embaçada. Em seu livro As máscaras da melancolia, John
White cita que, após ter escutado vários pacientes,
chegou à conclusão de que um pensamento perturbado é o
resultado, e não a causa, de emoções perturbadas.
Devemos agir com cautela com as pessoas suicidas, para
que possamos impedi-las de cometer a ação. Mas, se não
estivermos atentos, não iremos conseguir essa proeza.
Por que precisamos ficar atentos? Porque, segundo o Dr.
Lotufo, as pessoas com tendência suicida gostam de
conversar a respeito. Por isso a necessidade de
considerar a seriedade com que estão conduzindo o
assunto, à maneira como estão planejando o ato.
Uma das formas de se fazer isso, ou seja, ficar atento
às atitudes e procedimentos das pessoas com essa
tendência (leia-se fraqueza) é reparar se estão
comprando remédios em demasia, possuem armas de fogo ou
prestes a comprar uma. Quando o suicida encontra ajuda e
apoio, uma vida é salva. Um dos indicadores de que
alguém está para cometer suicídio é a sua maneira de
falar. Se alguém lhe diz, em voz baixa, quase
sussurrando, que não tem mais esperanças, que não há
mais jeito para ele, que lhe falta paz, leve-o a sério,
considere suas palavras.
A pessoa prestes a cometer suicídio se torna agressiva,
ameaçadora. Caso você, caro leitor, se depare com uma
pessoa com essas características, e não se sente
preparado para lidar com a situação, procure ajuda
imediatamente, pois alguém pode morrer a qualquer
momento.
Uma vez detectado, o suicida deve ser ouvido com
delicadeza, compreensão, franqueza e cortesia. O zelo
excessivo e o medo devem ser substituídos por outros
sentimentos e atos, como, por exemplo, compreensão. O
melhor método para evitar que uma pessoa cometa suicídio
é ajudá-la, imediatamente, a sair da depressão em que se
encontra.
Um psiquiatra observou que a grande maioria das pessoas
que cometem suicídio não o faria se tivesse esperado
vinte e quatro horas. Tal observação, no entanto, não
passa de uma suposição baseada em numerosas entrevistas
com pessoas que tentaram o suicídio mas falharam e,
conseqüentemente, conseguiram se reestruturar emocional
e psicologicamente.
O suicídio na Bíblia
No Antigo Testamento, temos apenas três casos de
suicídio. A saber. O rei Saul, ao ser derrotado na
batalha, temendo ser ridicularizado e torturado por seus
inimigos, jogou-se contra a ponta de sua própria espada,
e seu escudeiro, vendo isso, seguiu o exemplo de seu
senhor, morrendo ao seu lado (1Sm 31.4-6). Aitofel
enforcou-se em casa. Vejamos o motivo: “Vendo, pois,
Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho,
albardou o jumento, e levantou-se, e foi para sua casa e
para a sua cidade, e deu ordem à sua casa, e se enforcou
e morreu, e foi sepultado na sepultura de seu pai” (2Sm
17.23). O quarto exemplo não pode ser considerado
suicídio qualificado. Estamos falando de Sansão, que
causou a própria morte ao provocar um colapso no templo
onde os filisteus estavam realizando uma grande
comemoração. Na ocasião, três mil pessoas morreram. (Ver
Juízes 16.30).
No Novo Testamento, temos o famigerado caso de Judas
Iscariotes, o traidor, que se enforcou depois de haver
jogado as trinta moedas de prata sobre o pavimento do
templo diante do sumo sacerdote e dos anciões (Mt
27.3-5). Um dos textos bíblicos que nos chamam a atenção
sobre essa atitude de Judas foi registrado por Lucas
quando menciona que alguns dias antes de suicidar-se
Satanás entrara em Judas Iscariotes: “Entrou, porém,
Satanás em Judas...” (Lc 22.3). O que nos leva a
entender que o suicídio também pode ocorrer por
possessão ou, no mínimo, por uma poderosa influência do
diabo sobre os filhos da desobediência.
A polemica em torno deste assunto
Em seu livro Comprehensive Texbook of Psychiatry (Manual
Geral de Psiquiatria), Schenidman apresenta, no capítulo
que discorre sobre o suicídio, uma série de contrastes
entre as fábulas e os fatos em torno deste assunto: “...
a profunda fé religiosa torna o suicídio impossível”.
Refutação do fato: “o desespero e o sentimento de
inutilidade que acompanham a grave doença depressiva
podem solapar a fé”.
E continua ele: “Pacientes piedosos já me olharam nos
olhos e me disseram, cheios de desespero: ‘Minha fé
acabou’. Tal é a vulnerabilidade de nossos corpos e
cérebro perante as pequeninas alterações químicas, e tão
delicado é o equilíbrio entre a loucura e a sanidade,
que o mais forte dos cristãos pode se tornar vítima do
suicídio”.
E John White, por sua vez, em As máscaras da melancolia,
é da opinião que ”Num momento desses, não é de fé que
precisam, mas da assistência de pessoas competentes e
cheias de fé, para que as vigiem até que o devido
equilíbrio de suas mentes seja restaurado e, com ele, a
fé que achavam ter perdido”.
Pode um cristão piedoso, em plena comunhão com Deus,
cometer suicídio?
Não podemos ignorar o fato de que não somos super-homens
ou supermulheres, supercrentes, descartando a
possibilidade de que a ajuda humana nos é necessária em
nossas angústias, de que precisamos do auxílio de um
profissional. Diz a Bíblia, em Romanos 12.13: “Comunicai
com os santos nas suas necessidades...” O nosso cérebro
recebe informações e o nosso comportamento é o resultado
daquilo que sentimos.
Não podemos, também, ignorar o fato de que Deus é
poderoso.E, ainda que fragilizados, a ponto de
percebermos o agir de Deus em nossas vidas, cremos que o
crente fiel ao Senhor e a sua Palavra, aquele cristão
que vive nas obras da carne, é sustentado em suas
grandes adversidades, como aconteceu com o patriarca Jó.
Deus não nos prova além das nossas forças! “Não veio
sobre vos tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que
não vos deixara tentar acima do que podeis, antes com a
tentação dará também escape, para que a possais
suportar”. Veja também o que diz Tiago: “Ninguém, sendo
tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode
ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg 1.13).
Encontramos, na Bíblia, várias pessoas que escreveram a
respeito de sentimentos como a tristeza: “O meu espírito
se vai consumindo, os meus dias se vão se apagando, e só
tenho perante mim a sepultura” (Jó 17.1). O salmista
disse: “Estou encurvado, estou muito abatido, ando
lamentando todo o dia” (Sl 38.6). O próprio apóstolo
Paulo, por várias vezes, relata como ele se sentia a
respeito do seu sofrimento: “Que tenho grande tristeza e
contínua dor no meu coração” (Rm 9.2). Jesus também
falou a respeito de seus sentimentos: “A minha está
cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai
comigo" (Mt. 26.38). O profeta Elias, em 1 Reis 19.4,
fala de sua amargura e interesse pela morte: “...Já
basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou
melhor do que meus pais.” E Jonas, o profeta de Deus,
disse: “Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque
melhor me é morrer do que viver” (Jn 4.3). é importante
entendermos o quanto é diferente o sentimento desses
homens piedosos das narrativas bíblicas do desejo
especifico que os suicidas sentem em tirar a própria
vida.
Em outras palavras, uma coisa é num momento extremo de
angustia, como no caso do patriarca Jó, alguém desejar
morrer. Outra coisa, totalmente diferente é o impulso
doentio de alguém que deseja matar-se. Veja que os
heróis da fé sempre apelaram para que Deus, o doador da
vida, lhes permitisse morrer, que o próprio Senhor
interrompesse o fôlego de vida deles, pois somente assim
poderiam estar com Ele: “O Senhor é o que tira a vida e
a dá; faz descer a sepultura e faz tornar a subir dela”
(ISm 2.6).
O suicídio é obra do diabo. Cristo veio para trazer
vida, e vida em abundancia, como nos testemunhar as
Escrituras Sagradas.E, partindo deste principio, toda e
qualquer atitude que infrinja a lei divina quanto à
valorização da vida é condenável. O suicídio é um
assunto extremamente delicado, cercado por tantos tabus
que difícil e raramente encontramos alguém falando a
respeito. Nunca levamos aos nossos púlpitos sermões
tendo o suicídio como titulo e não conhecemos quase
nenhuma literatura evangélica que fale sobre este tema
tão polemico.
Mas não precisamos de muitos estudos bíblicos para
condenarmos esse ato. Até mesmo os filósofos ateus, como
Sartre, por exemplo, afirmam que o suicídio é errado por
ser uma atitude que destrói todos os atos futuros de
liberdade. Que é uma prática tão irracional que lhe
falta verdadeira base lógica. Segundo Agostinho,
considerado o maior teólogo do cristianismo, depois do
apóstolo Paulo: “O suicídio é o fracasso da coragem”.
Ou, conforme o dr. Norman L. Geisler, um dos maiores
apologistas da atualidade, “até mesmo a eutanásia, uma
forma de dar cabo a própria vida, é uma contradição em
termos, porque o ato final ‘contra sim mesmo’ não pode
ser, ao mesmo tempo um ato ‘em prol de si mesmo’”. E se
a base do amor ao próximo é amar a si mesmo, não amar-se
é a base do ódio e da vingança contra o semelhante, o
que viola o segundo grande mandamento (Mc 12.31).
Considerando os princípios bíblicos
“Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, de não
nós a si mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto”
(Sl 100.3).Considerando que não somos de nós mesmos, mas
de Deus, por termos sido criados por Ele, a iniciativa
de uma pessoa de tirar a própria via significa que ela
está-se colocando acima de Deus e agindo com autoridade
maior que a do Senhor, o autor da vida.
O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus;
destruiu o próprio corpo é desonrar o Criador. Paulo
disse: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do
Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus,
e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19). Deus é o
doador da vida, presente e futura. (Ver Gn 1.26-27; Sl
8.5; 24.1; Jo 1.3; 3.16; 10.10;11.25-26). É o Senhor que
tem estabelecido as normas de conduta para a nossa vida
presente e para toda a eternidade.
Nem mesmo o amor pela vida nem o desejo de suicídio
devem ser colocados acima da vontade de Deus. Quando
alguém age independentemente de Deus, está-se colocando
no lugar dele. A primeira epistola de João 5.21 declara:
“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. Alguém pode
perguntar: ”O que acontece com aqueles que cometem
suicídio?”. Ou, “Um suicida pode ser salvo”. A resposta
levará em consideração a Sagrada Escritura. A orientação
bíblica é que aqueles que cometem o suicídio violam o
sexto mandamento. As pessoas que dão fim à própria vida
fazem isso por várias razoes. Somente o Senhor Deus sabe
a complexidade de pensamentos que passa na mente do
individuo no momento do suicídio. Por isso, baseamos o
nosso entendimento na Bíblia Sagrada. Devemos considerar
o texto de Êxodo 20.3, que diz “Não matarás”. O suicídio
nada mais é do que um auto-assassinio, atitude que
contraria esse mandamento. Como cristãos, compreendemos
que o suicida não pode ser salvo. “Certamente requererei
o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de
todo o animal o requererei; como também da mão do homem,
e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem”
(Gn 9.5).
Matheus Henry comenta: “O homem não deve dar fim à
própria vida... Nossas vidas não nos pertencem, mas
pertencem a Deus. Cristo, nosso Salvador e Rei, nosso
Mestre e nosso exemplo em todas as coisas, foi tentado,
ate como homem mortal”. “Porque não temos um sumo
sacerdote que não possa compadecer-se das nossas
fraquezas; porém, um que, como nos, em tudo foi tentado,
mas sem pecado” (Hb 4.15). “Levou-o também a Jerusalém,
e pó-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu
es o Filho de Deus, Lança-te daqui abaixo; porque está
escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te
guardem, e que te sustenham nas mãos para que nunca
tropeces com o teu pé em alguma pedra” (Lc 4.9-11). A
resposta de Jesus foi pronta: “Não tentarás ao Senhor
teu Deus” (Lc 4.12).
Rus Walton, pesquisador cristão e ex-secretário do
Desenvolvimento do governo de Ronald Regan, não
considera o suicídio um problema de patologia. Ou seja,
não se trata de um problema da mente, mas, sim, de
enfermidade da alma: “Por que seríeis ainda castigados,
se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e
todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça
não há nele coisa as, senão feridas e inchaços e chagas
podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com
óleo” (Is 1.5-6). Essa enfermidade Jesus Cristo pode
curar. O pecado e a fonte das inclinações suicidas.
Quando a alma está sem Cristo, a mente e corrupta,
perdida. As pessoas sem Cristo estão envolvidas em
caminhos que parecem direitos, mas que, por fim,
conduzem a morte.
É Jesus Cristo quem sara o coração quebrantado e poe em
liberdade os oprimidos: “O Espírito do Senhor é sobre
mim, pois... enviou-me a curar os quebrantados de
coração, a pregar liberdade aos cativos” (Lc 4.18-19).
Algumas pessoas se deixam levar pelo seguinte
questionamento: “Se Cristo morreu por nos para nos
assegurar o perdão dos pecados (1Pe 2.24) e nos
reconciliar com Deus (Rm 5.1), não teria sido a morte de
Cristo em nosso favor um suicídio altruísta?”. De forma
nenhuma. Jesus declarou que ninguém poderia tirar a vida
dele. O próprio Jesus tinha o poder de dá-la e também de
retomá-la. João 10.17-18 diz “Por isso o Pai me ama,
porque dou a minha vida para tornar a tomá-la”. Ninguém
ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder
para a dar, e poder para tornar a tomá-la.
Só Jesus oferece descanso verdadeiro
Existe alivio, descanso, refugio, para o coração pesado
e a alma desesperada: “Vinde a mim, todos os que estais
cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomais sobre
vos o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e
humilde de coração, e encontrareis descanso para as
vossas almas” (Mt 11.28-29).
Cristo é a única solução para as pessoas que pensam em
cometer suicídio. Consideremos o que diz o apostolo
Paulo: “Porque não quero irmãos que ignoreis a
tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos
sobremaneira agravados mais do que o podíamos suportar,
de modo tal que até da vida desesperamos. Mas já em nos
mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não
confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os
mortos; o qual nos livrou de tão grande morte, e livra;
em quem esperamos que também nos livrará ainda” (2Co
1.8-10). Jesus é o Senhor da vida.
“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. (Jo
1.4).
“... assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo
5.21).
“Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu
Filho” (1Jo 5.11).
“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de
Deus não tem a vida” (1Jo 5.12).
Diante de textos tão contundentes, não podemos, como
igreja de Deus, fechar os olhos para as pessoas que
enfrentam tão grave problema como o suicídio. Às vezes,
tais pessoas estão dentro de nossas próprias
congregações. Como cristãos, conhecemos o poder
vivificar do Filho de Deus (Jesus, o Cristo), portanto
devemos criar grupos capazes de ajudar aqueles que
estejam passando por esse dilema. Devemos orar e nos
capacitar para que possamos ajudar essas pessoas.
Devemos, ainda, ser solidários e desenvolver o caráter
de Cristo em nossas vidas, pois somente assim estaremos
livres de tão grande risco. Através do fruto do Espírito
Santo poderemos apoiar e ajudar as pessoas para que veja
os benefícios de Cristo na vida dos demais e também na
nossa.
“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardara os vossos corações e os vossos sentimentos em
Cristo Jesus. Quanto ao mais,irmãos, tudo o que e
verdadeiro, tudo o que e honesto, tudo o que e justo,
tudo o que e puro, tudo o que e amável, tudo o que e de
boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor,
nisso pensai” (Fl 4.7-8).
Somente assim conseguiremos manter a nossa mente
guardada em Cristo!
• Bíblia Vida – Almeida Revista e Atualizada
• Suicídio: testemunhos de adeus. Maria Luíza, Editora
Brasiliense, 1991
• O Deus selvagem. Alvarez A; Companhia das Letras,
1999.
• As máscaras da Melancolia: White, John, ABU - 1995
1 As máscaras da melancolia – John White
... Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora,
resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo
suportando em silencio, tudo esquecendo, renunciando a
mim mesmo, para defender o povo que agora se queda
desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu
sangue...
... Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a
calunia não abateram meu animo, Eu vos dei a minha vida.
Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente eu
dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da
vida para entrar na Historia...
(Trecho da carta de suicídio deixada pelo Ex-Presidente
Getulio Vargas em 24 de agosto de 1954 com apenas 51
anos.)
Índices de suicídio na PM, em 1998
Foram 32 casos. A maioria entre soldados e cabos.
Patente Número
Soldados 20
Cabos 05
1º Sargento 02
2º Sargento 02
3º Sargento 03
Motivo Número
Alcoolismo 03
Ignorado 08
Problema conjugal 15
Problema afetivo 01
Doença 01
Psiquiatria 01
Roleta Russa 01
Dificuldades financeiras 03
Método Número
Revólver 27
Veneno 02
Enforcamento 02
Pistola 01
Box 3
Verba anti-suicídio
Os ministérios do Trabalho e da Saúde e Bem-Estar
japoneses pediram que seja incluído no orçamento de 2001
do país 350 milhões de ienes (3,25 milhões de dólares)
para aplicar em programas que visem a diminuir as taxas
de suicídio. Em 1999, a taxa nacional, que girava em
torno de 30 mil casos, foi recorde: 33.048 casos. Entre
as medidas adotadas há edição de livros com
recomendações para profissionais evitarem que seus
colegas tirem a própria vida. O Japão, porém, ainda está
longe dos recordistas mundiais.
Ranking Mundial
Suicídios por 100 mil habitantes segundo a Organização
Mundial de Saúde
1º Lituânia** 87.4%
2º Rússia* 78.7%
3º Bielorrússia** 73.5%
4º Letônia** 72.0%
5º Estônia** 69.9%
6º Hungária** 65.8%
7º Ucrânia** 62.3%
8º Japão* 37.9%
*Dados de 1997 ** Dados de 1998
Revista UMA desembro 200
... Ha muitos anos eu não venho sentido excitação ao
ouvir ou fazer musica, bem como ler ou escrever...
... Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco
dormente para ter de volta o entusiasmo que tinha quando
criança.
... Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso,
mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de
todos os humanos em geral...
... Eu sou mesmo um bebe errático e triste! Não tenho
mais a paixão, então lembrem: e melhor queimar do que se
apagar aos poucos...
(trechos traduzidos da carta deixada por Kurt Cobain,
vocalista da banda de rock Nirvana que se suicidou em 5
de abril de 1994)
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