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Matéria
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Diferença
entre devoção religiosa e idolatria
Por Márcio Souza
É possível alguém adorar o verdadeiro Deus e cair no
pecado de idolatria? Uma pessoa pode devotar-se a outra
ou a alguma coisa e ainda assim achar que está
promovendo a genuína adoração? A resposta a essas duas
perguntas é um sonoro SIM.
Como exemplo, podemos extrair das páginas da Bíblia a
história do povo de Israel.
A serpente de metal
Quem não conhece a história bíblica da serpente de
metal? O povo de Israel, no deserto, murmurou contra
Deus e Moisés. Então, o que o Senhor fez? Enviou
serpentes ardentes para morder o povo, que logo
reconhece tratar-se de um castigo divino decorrente da
atitude que vinha cometendo. Os israelitas clamaram a
Moisés, e este foi orientado por Deus a erguer uma
serpente de metal no meio do acampamento. Aqueles,
portanto, que fossem mordidos pelas serpentes
abrasadoras tinham apenas de olhar para a serpente de
metal para que ficassem livres dos efeitos de suas
mordidas. Com o tempo, porém, os israelitas passaram a
cultuar a serpente de metal como um ídolo, dando-lhe o
nome de Neustã. Tempos depois, em virtude da atitude
insensata dos israelitas, o piedoso rei Josias ordenou a
destruição dessa serpente, que se havia tornado objeto
de adoração para a nação de Israel.
E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente,
e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que,
tendo sido picado, olhar para ela. E Moisés fez uma
serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia
que, picando alguma serpente a alguém, quando esse
olhava para a serpente de metal, vivia (Nm 21.8-9).
Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo
os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que
Moisés fizera; porquanto até aquele dia os filhos de
Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã (2
Rs 18.4).
Templo do Senhor
Em outra ocasião, os judeus passaram a confiar na
linhagem davídica e no sacerdócio araônico, para que
pudessem salvar-se dos invasores. Diziam eles: Templo do
Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este (Jr
7.4). Muito embora os judeus tivessem demonstrado fé no
templo do Senhor, que ficava em Jerusalém e era uma de
suas glórias, não tiveram eles o livramento esperado.
Por isso foram levados cativos por Nabucodonosor para
Babilônia (2 Rs 25.8-9). Isso porque eles olhavam para o
templo apenas como um meio para se livrarem das forças
inimigas. Resultado? Foram culpados de idolatria!
O que dizem as Testemunhas de Jeová
As Testemunhas de Jeová corroboram com o nosso ponto de
vista de que é possível alguém prestar culto a Deus por
meio de uma organização religiosa e, ao mesmo tempo,
tornar-se idólatra. Declaram: Se uma pessoa rende
serviço em obediência a alguém ou a alguma organização,
quer voluntária, quer compulsoriamente, considerando
como algo em posição superior de domínio e com grande
autoridade, então se pode dizer biblicamente que tal
pessoa é idólatra (A Sentinela - 1 de março de 1962. STV.
p. 141).
E a pretensão de todas as organizações religiosas é que
a adoração a Deus deve ser feita mediante uma ou outra
das múltiplas organizações religiosas, com seus grandes
e pequenos sistemas clericais, como ‘representantes’ de
Deus. Elas também são imagens, obras das mãos dos
homens, e destinadas à destruição com todas as outras
formas de idolatria (Seja Deus Verdadeiro - 1949. STV.
p.137).
Não podemos participar de nenhuma versão moderna de
idolatria – seja em forma de gestos adorativos diante de
uma imagem ou de um símbolo, seja por imputar salvação a
uma pessoa ou a uma organização (A Sentinela - 1 de
novembro de 1990. STV. p. 26).
Declaram, ainda, que o fato de alguém se voltar para uma
organização religiosa e confiar nela como único meio de
salvação não passa de um ato de apostasia moderna.
Incrivelmente, essa declaração das Testemunhas de Jeová
está ancorada nas palavras do apóstolo Paulo, que disse
que, imediatamente após a sua morte, os homens
apostatariam da fé verdadeira e passariam a devotar-se
às organizações religiosas. O apóstolo João também falou
a respeito do mesmo efeito causado pela obra de Satanás.
Pedro, por sua vez, declara: Prometendo-lhes liberdade,
sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem
alguém é vencido, do tal faz-se também servo (2Pe 2.19).
Quanta incoerência das Testemunhas de Jeová! Cabem bem
aqui as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 2.21a: Tu,
pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo?
A idolatria das Testemunhas de Jeová
Porventura as Testemunhas de Jeová não se tornam
idólatras quando atribuem a salvação à sua própria
organização? Chegam a usar da analogia da salvação em
relação à arca de Noé, dizendo: Simplesmente não é
verdade que todas as religiões conduzem ao mesmo fim.
Você precisa pertencer à organização de Jeová e fazer a
vontade de Deus, a fim de receber sua bênção de vida
eterna (Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra -
Edição 1983. STV p. 255).
As Testemunhas de Jeová condicionam a salvação a duas
providências: 1) fazer a vontade de Deus; e 2) pertencer
à organização de Jeová, referindo-se à sua própria seita
religiosa. De fato, precisamos fazer a vontade de Deus,
como ensinou Jesus na oração dominical: ...seja feita a
tua vontade, assim na terra como no céu (Mt 6.10). Mas,
pertencer à Sociedade Torre de Vigia, considerando-a o
único meio de salvação, é um ato de idolatria. A
salvação depende única e exclusivamente do Senhor Jesus:
E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do
céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo
qual devamos ser salvos (At 4.12).
A Sociedade Torre de Vigia declara: Tenha fé na
organização vitoriosa de Jeová (A Sentinela - 1 de
setembro de 1979. STV. p.12). Devemos, então, perguntar:
fé em Deus e no Senhor Jesus Cristo ou em uma
organização religiosa? A Bíblia nos oferece a resposta
por meio das palavras do próprio Senhor Jesus em João
14.1: Credes em Deus, crede também em mim.
O escravo fiel e discreto
Na Tradução do Novo Mundo, uma publicação da Sociedade
Torre de Vigia, a versão de Mateus 24.45 vem da seguinte
forma: escravo fiel e discreto. Essa figura é aplicada
pelas Testemunhas de Jeová a seus líderes, pessoas
encarregadas de distribuir-lhes o alimento espiritual
desde 1914. Esses líderes também são conhecidos como
Corpo Governante.
Os prosélitos dessa seita afirmam que seus líderes, com
ministério sediado no Brooklin, Nova Iorque, recebem
orientação teocrática e, por isso, não devem ser
questionados em sua autoridade supostamente divina. Ao
contrário, devem ser cegamente obedecidos. Pois, segundo
crêem as Testemunhas de Jeová, tais homens são os únicos
intérpretes infalíveis das Escrituras.
Ainda segundo as Testemunhas de Jeová, a Bíblia não foi
escrita para ninguém, a não ser para elas próprias,
somente. Ele [Deus] não alimenta cada um individualmente
nem designa sobre eles [adeptos da Seita] uma só pessoa.
Nenhum estudante individual da Palavra de Deus revela a
vontade de Deus, tampouco interpreta a sua Palavra. Deus
interpreta e ensina, mediante Cristo, o Servo Principal,
que por sua vez usa o escravo discreto como canal
visível, a organização teocrática visível (A Sentinela -
novembro de 1952. STV. p. 164).
A Bíblia é um livro de organização e pertence à
congregação cristã como organização, e não a indivíduos,
não importa quão sinceramente creiam poder interpretar a
Bíblia. Por esta razão, a Bíblia não pode ser
devidamente entendida sem se ter presente a organização
visível de Jeová (A Sentinela- 1 de junho de 1968. STV.
p. 327).
As Testemunhas de Jeová podem até vir a discordar do
ensino do Corpo Governante, mas isso de nada adiantará.
Pois é aquilo que o escravo fiel e discreto escreve nas
publicações da Sociedade Torre de Vigia que deve ser
transmitido de porta em porta quando os adeptos dessa
seita saem em seu trabalho de campo: As verdades que
havemos de publicar são aquelas que a organização do
escravo discreto fornece, e não algumas opiniões
pessoais contrárias ao que o escravo providenciou como
sendo sustento conveniente (A Sentinela - novembro de
1952. STV, p. 164). E concluem: Os que permanecem leais
à organização de Jeová assumem o parecer que os
apóstolos tinham, quando muitos dos discípulos de Jesus
deixaram de segui-lo. Pedro expressou os sentimentos
deles, dizendo: Senhor, para quem iremos? Tu tens as
palavras de vida eterna. As ovelhas leais vêem que o
caminho da vida é com a organização fiel de Jeová (A
Sentinela - 1 de maio de 1963. STV, p. 279).
O fim da lei é Cristo
Quem poderia imaginar que as Testemunhas de Jeová, no
seu zelo religioso, se assemelhassem àqueles a quem
Paulo afirmou: Porque lhes dou testemunho de que têm
zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não
conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a
sua própria justiça, não se sujeitam à justiça de Deus.
Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele
que crê (Rm 10.2-4).
Se uma pessoa obedece a alguém ou a alguma organização,
voluntária ou compulsoriamente, como algo de domínio
superior e de grande autoridade, então pode-se dizer
biblicamente que tal pessoa é idólatra.
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