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Matéria
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Cristadelfianismo – As aparências enganam!
Por Márcio Souza
– Você acredita na Trindade?
– Não – responde o estranho.
– No tormento eterno?
– Não.
– Na destruição da terra?
– Não.
– Em ir para o céu?
– Não.
– No dízimo?
– Não.
– Em ir à guerra?
– Não. No que toca a nós, não.
– Você é Testemunhas de Jeová?
– Não.
– Afinal, qual é a sua religião?
– Sou cristadelfo.
Alguém poderia pensar, a princípio, que o diálogo acima
travou-se entre um cristão (interlocutor) e um adepto
das Testemunhas de Jeová. Mas não. O estranho indagado é
um cristadelfo. Assim como as demais seitas
pseudocristãs, os cristadelfos também afirmam basear
suas doutrinas nas Escrituras Sagradas. Mas, como
veremos na abordagem deste artigo, suas heresias são
semelhantes às de diversas seitas, como, por exemplo, os
unitaristas e as Testemunhas de Jeová.
Um pouco de sua história
O nome cristadelfo significa irmãos de Cristo, e foi
adotado pelo seu fundador, o médico John Thomas. Em
1832, o dr. Thomas, em viagem da Inglaterra para os
Estados Unidos, sofreu um naufrágio. Diante dessa
situação, ele fez um voto de servir a Deus se a sua vida
fosse salva. A fim de cumprir a promessa que fez,
associou-se aos Discípulos de Cristo, um movimento
religioso formado por Thomas Campbell (1763-1854). Dois
anos depois, o dr. Thomas afastou-se desse grupo.
Motivo? Divergências doutrinárias quanto ao batismo.
Então, dedicou todo o seu tempo fazendo considerações
pessoais sobre o que considerava ser de fato o
cristianismo.
Entre 1844 e 1847, desenvolve o seu próprio corpo
doutrinário e forma dois grupos de seguidores: um nos
Estados Unidos e outro na Grã-Bretanha. Em 1848,
oficializou a fundação de seu movimento. Após sua morte,
em 1871, Robert Roberts, um associado de confiança,
tomou a liderança do grupo até 1898, ano em que se deu a
sua morte.
Em 1890, a seita enfrenta uma crise por causa da
polêmica levantada entre Roberts e J. J. Andrew
envolvendo uma questão chamada responsabilidade na
responsabilidade. O cisma produziu duas facções: o grupo
de emendas e o grupo sem emendas. O primeiro afirmava
que somente os que estão em Cristo ressuscitarão. E o
segundo pregava que no Juízo Final tanto os justos como
os ímpios hão de ressuscitar, os primeiros para a vida
eterna e o outros para receberem a sentença e serem
extinguidos.
O cristadelfianismo, até hoje, possui estas duas
ramificações básicas. Contudo, em 1923, um proeminente
cristadelfo declarou: Há pelo menos doze fraternidades
que chamam a si mesmas de cristadelfos, cada qual
recusando associação com as demais onze.
Principais afirmações doutrinárias
Deus está distante ou presente?
Os ensinos dos Cristadelfos receberam a influência dos
Discípulos de Cristo que, por sua vez, não aceitavam a
formação teológica e muito menos os seus termos. Por
exemplo, rejeitavam o vocábulo Trindade, mas não o seu
conceito implícito. A diferença entre os Discípulos de
Cristo, de Campbell, e os Cristadelfos é que estes
últimos não se opõem apenas aos termos que não se
encontram na Bíblia, mas também aos conceitos inseridos
nesses termos.
As afirmações dos cristadelfos sobre Deus e sua natureza
são, em alguns aspectos, semelhantes às dos unitaristas.
O conceito que têm de Deus é de que ele seja um Ser
ultratranscendental; isto é, não compartilha sua
natureza com aqueles que a Bíblia chama de filhos de
Deus.
As Escrituras, portanto, ensinam que Deus tem grande
interesse pelo homem, sua imagem e semelhança. Isto pode
ser visto desde a queda, quando o Senhor Deus não deixou
de procurar o homem (Adão) que havia pecado (ou seja,
caído), Gn 3.9. Mais adiante, no mesmo livro de Gênesis,
4.6-7, constatamos mais uma vez o Senhor Deus
interessando-se pelo homem. Agora, vemo-lo entregando
uma palavra de aconselhamento a Caim, que pensava em
transgredir.
De fato, Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
Outra afirmação questionável dessa seita está
relacionada à essência de Deus. Os cristadelfos são
plenamente unitaristas nesse aspecto. Enquanto os
unicistas afirmam que Deus se manifestou em três
modalidades (primeiramente como Pai, no Antigo
Testamento; depois como Filho em carne; e, por último,
como Espírito Santo), os unitaristas dizem que Deus é
apenas a pessoa do Pai. O Filho não existia até ser
gerado no ventre de Maria. Qualquer conceito quanto à
divindade plena de Cristo é negada ou até mesmo omitida.
Os conceitos heréticos do unitarismo estão presentes,
como já dissemos, também em outras seitas. Mais uma vez
citamos as Testemunhas de Jeová como exemplo, pois
consideram que Deus, Pai, sempre existiu, mas Jesus não,
este fora criado. Assim, Cristo teve um princípio de
existência. Afirmam, ainda, que Jesus existia na forma
de um anjo chamado Miguel, o arcanjo. Depois, sua vida
foi transferida ao ventre de Maria, não como homem,
porque, com a morte, ele deixou de existir. E concluem
que Jesus ressuscitou apenas em espírito, seu corpo
humano dissolveu em gases, tendo apenas uma ressurreição
corporal aparente. Depois disso, Jesus retornou à sua
forma natural, a de arcanjo Miguel.
Jesus tinha natureza pecaminosa?
Alguns têm afirmado que a cristologia dessa seita está
de acordo com o conceito cristão. Mas isso não é
verdade. O livro Princípios Bíblicos afirma sob o tópico
A necessidade de salvação de Cristo: Por causa da sua
natureza humana, Jesus experimentou pequenas
enfermidades, cansaço etc., da mesma forma que nós.
Depreende-se disto que se ele não tivesse morrido na
cruz teria morrido de alguma outra forma, por exemplo,
de idade avançada. Em vista disso, Jesus precisava ser
salvo da morte por Deus.1
Quanto à natureza pessoal de Cristo, afirmam ainda: É
evidente que Jesus teve de fazer um esforço consciente e
pessoal para ser justo; de modo nenhum ele foi forçado a
ser apenas um fantoche.2 Ele tinha natureza humana, e
compartilhou cada uma das nossas tendências
pecaminosas.3 Era vital que Cristo fosse tentado como
nós, para que através da sua perfeita vitória sobre a
tentação ele pudesse alcançar o perdão para nós. Os
desejos errados que são a base das nossas tentações vêm
de dentro de nós, de dentro da natureza humana. Logo,
era necessário que Cristo tivesse uma natureza humana
tal que ele pudesse experimentar e vencer estas
tentações.4
Outro absurdo que proferem é que Jesus tinha um conflito
pessoal com o pecado: A resposta é que na cruz Jesus
destruiu o poder do pecado nele mesmo, a profecia de Gn
3.15 é, primeiramente, sobre o conflito entre Jesus e o
pecado.5
Tais afirmações são heresias puras, descabidas. E o
universo evangélico tem sido invadido por elas. A fim de
semearem suas doutrinas, os cristadelfos oferecem
estudos bíblicos gratuitos. Cristãos, cuidado!
As Escrituras, portanto, demonstram ampla e claramente a
preexistência de Cristo. A saber:
Cristo não teve princípio. Ele é Deus!
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o
Verbo era Deus (Jo 1.1). Jesus Cristo sempre existiu.
Ele estava com Deus. No princípio Ele era; isto é, Ele
já estava presente. Cristo não fora criado. Sua
eternidade pode ser vista até mesmo no Antigo
Testamento: E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre
milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em
Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos,
desde os dias da eternidade (Mq 5:2).
Quanto à questão da sua própria eternidade, vejamos o
que Jesus tem a declarar: Disse-lhes Jesus: Em verdade,
em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu
sou (Jo 8.58).
A natureza divina de Cristo
Jesus Cristo foi chamado no Antigo Testamento de
Emanuel, que quer dizer Deus conosco. Esta profecia de
Isaías 7.14 cumpriu-se na vida de Jesus em Mateus 1.23,
que diz: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um
filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido
é: Deus conosco.
Cristo existia primeiramente nos céus: Mas esvaziou-se a
si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se
semelhante aos homens; e, achado na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e
morte de cruz (Fp 2.7,8).
Quanto à encarnação de Cristo, a Bíblia ensina
enfaticamente: E o Verbo se fez carne, e habitou entre
nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do
Pai, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14). E mais: E
todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio
em carne não é de Deus; mas este é o espírito do
anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que
está no mundo (1 Jo 4.3).
Cristo é perfeitamente santo
O sacrifício de Cristo foi plenamente santo. Ele não
tinha uma natureza pecaminosa subjugada pelo Espírito.
Ele nunca fora tentado por sua própria natureza. O
diabo, portanto, questionou e provou a Cristo com as
adversidades da vida. Fez isso externamente (veja Mt
4.1). A epístola aos Hebreus tem como tema central a
superioridade da obra de Cristo sobre todos trabalhos
efetuados no templo, inclusive sobre a administração
sacerdotal.
Diferente dos sacerdotes, que tinham de oferecer
sacrifícios primeiramente pelos seus próprios pecados e
depois pelo povo, Jesus sempre foi imaculado. Em Hebreus
7.22-28, está escrito: De tanto melhor aliança Jesus foi
feito fiador. E, na verdade, aqueles (levitas) foram
feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte
foram impedidos de permanecer. Mas este, porque
permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo.
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por
ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por
eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo,
inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito
mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como
os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios,
primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos
do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a
si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a
homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio
depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.
Os conceitos heréticos dos cristadelfos não param por
aí. Afirmam, ainda, que o diabo e os demônios são apenas
uma influência impessoal. Que o Espírito Santo é uma
força ativa impessoal. E que, com a morte, todos ficam
inconscientes.
Como vimos, os cristadelfos são semelhantes, em muitos
pontos, às Testemunhas de Jeová, aos unitaristas e aos
arianos. Em artigos futuros, abordaremos mais a respeito
dessa seita.
Notas:
Princípios Bíblicos, The Christadelphians, Duncan
Heaster, 1999, p. 168.
2 Ibdem, p. 167
3 Ibdem, p. 161
4 ibdem, p. 164
5 Ibdem, p. 51
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