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Jogos de azar
– o que dizer?
Por Natanael Rinaldi
O jornal O Estado de São Paulo, em sua edição de 6 de
outubro de 1999, noticiou a respeito da aglomeração de
pessoas nas lojas lotéricas em decorrência da ansiedade
dos brasileiros em ganhar na Mega Sana. Na ocasião, a
matéria afirmava que: Apesar da fama do brasileiro
deixar tudo para a ultima hora, o prêmio acumulado de R$
60 milhões da Mega Sena esta fazendo com que algumas
pessoas se convertam à organização e antecipem as
apostas. Alem da ansiedade por escolher logo as dezenas
que podem garantir uma boa vida, muita gente tem medo de
voltar a enfrentar as filas que caracterizam as semanas
anteriores, principalmente nas horas que antecederam os
sorteios.
Os que arriscam a sorte
A palavra sorte não significa apenas bom resultado, mas
também anseio pela ajuda de divindades que possam
oferecer a vitória tão desejada. Os termos jogatina e
aposta são, às vezes, usados com respeito às atividades
que envolvem risco ou esperança de lucro. Geralmente, se
definem como a maneira de arriscar, voluntariamente, uma
grande soma de dinheiro por meio de aposta, parada ou
lance em um jogo ou em qualquer outro tipo de atividade
que envolva sorte.
Um ditado popular muito usado por pessoas dadas aos
jogos de azar é: quem não arrisca, não petisca. Com
isso, justificam suas fezinhas em varias modalidades de
jogos, como por exemplo, o popular jogo do bicho, o
bingo a Tele Sena e a loteria esportiva. Ultimamente, a
sorte está sendo lançada, com mais freqüência, na mega
sena. Quando é anunciado pelos meios e comunicação que a
sena está acumulada por alta de ganhadores, os
brasileiros formam filas intermináveis nas casas
lotéricas a fim de tentar a sorte e ganhar a bolada.
Nessa tentativa, as pessoas gastam o que podem e o que
não podem. Muitos começaram a jogar na Sena nessas
ocasiões de importâncias acumuladas e hoje o jogo já se
tornou um vicio. Aquilo que começou como uma brincadeira
já se tornou parte na vida da pessoa que não consegue
passar uma semana sem fazer sua aposta. A sena oferece a
oportunidade de enriquecer rapidamente, e muitos sonham
com o que fariam com o dinheiro caso botasse a mão na
bolada que o jogo oferece. Dizem de si para si: Alguém
tem de ganhar e esse alguém pode ser eu. Já imaginou o
que eu faria com os milhões de Reais na mão?
Os fins justificam os meios?
Certos lideres políticos justificam os jogos de azar com
a alegação de que muitas obras sociais são realizadas
com o dinheiro arrecadado dos jogos. Entretanto, deve-se
notar que os governos, ao promoverem as loterias, apelam
para uma das qualidades humanas mais baixas: a ganância.
Na verdade, estão contribuindo para a corrupção, e não
para a melhora da vida humana. Não se pode ignorar que a
maioria dos apostadores é composta por pessoas pobres,
que, na ânsia de ganhar, arriscam o leite e o pão de
seus filhos. Com isso, prejudicam os que lhes são caros.
Alem disso, a ganância que envolve a jogatina é uma das
causas primaria de grande parte dos crimes e da
violência que estão associados com serias operações.
O que diz a Bíblia?
Embora reconheçamos que a Bíblia não dá nenhuma base
para qualquer regra rígida contra cada tipo de aposta,
ela nos ajuda a ver que a jogatina é um serio mal que
resulta no asfaltamento do homem de Deus. Vejamos os
ensinos que extraímos das Escrituras sobre os jogos de
azar:
- A bíblia não trata claramente a respeito desse
assunto. O único caso que pode ser classificado como
jogatina ocorreu quando os soldados romanos lançaram
sortes para decidir quem ficaria com a túnica de Jesus.
Depôs de o crucificarem, repartiram entre si as suas
vestes, tirando a sorte (Mt 27.35).
- Alguns interpretes da Bíblia apontam Is 65.11-12 como
prova de que ela condena especificamente os jogos de
azar. Deve-se ter presente, entretanto, que o texto
refere-se à deusa Fortuna, a quem os apostadores caldeus
recorriam em busca de ajuda. Quando qualquer israelita
buscasse a ajuda dessa deusa, estava, na verdade,
praticando um ato abominável diante de Deus ao preparar
um banquete para o citado ídolo. Deram culto a seus
ídolos, os quais se lhes converteram em laço, pois
imolaram seus filhos e sua filhas aos demônios (Sl
106.36-37).
- A jogatina, amiúde, induz a preguiça. Incentiva as
pessoas a conseguirem algo sem troca de nada, alem de
levá-las a mentir e/ou a defraudar, a fim de obterem o
que desejam sem trabalhar. A Bíblia incentiva o homem a
ganhar o seu próprio pão com o suor do seu rosto. É
justamente isso que Deus ordena em Gênesis 3.19: No suor
do teu rosto comeras o teu pão... Paulo recomendou: Se
alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto
ouvimos que alguns entre vos andam desordenadamente, não
trabalhando, antes fazendo coisas vãs (2 Ts 3.10-11).
Contestando essa atitude, Salomão aconselhou: Viste um
homem diligente na sua obra? Perante reis será posto;
não será posto perante os de baixa sorte (Pv 22.29).
- Encontramos na Bíblia advertências contra o amor ao
dinheiro. Ainda o sábio Salomão aconselhando a respeito
desse apego inútil, afirmou: O que amar o dinheiro nunca
se fartara de dinheiro; e que amar a abundancia nunca se
fartara da renda: também isso é vaidade. Doce é o sono
do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a
fartura do rico não o deixa dormir (Ec 5.10-12). E o
apostolo Paulo, por sua vez, declara em 1Tm 6.10: Porque
o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males;
e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se
traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Causa do tropeço
Sendo Deus o Criador do mundo e de todo o ser criado
como afirma a Bíblia: Os céus proclamam a gloria de
Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos (Sl
19.1), devem os cristãos admitir sua condição de apenas
administradores dos bens mais importantes que os Senhor
lhes concedeu: vida e saúde para conseguir, por meios
lícitos (ou seja, o trabalho honesto), os bens materiais
de que tanto precisam. São responsáveis diante de Deus
pelo uso do dinheiro e devem constantemente lembrar-se
da admoestação que o próprio Deus nos faz: Por que
gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor
naquilo que não pode satisfazer? (Is 55.2).
Os cristãos devem ter isso em mente sempre que forem
tentados a fazer uma fezinha nos jogos de azar. Os maus
frutos da jogatina são tão notórios que, em muitos
lugares, os praticantes do jogo do bicho são tidos como
maus elementos e encarados com desdém.
Não é a toa que o cristão deve evitar o vicio dos jogos
de azar: Não vos torneis causa de tropeço nem para
judeus, nem para gentios, nem tampouco par a igreja de
Deus (1Co 10.32).
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